Histórias Infantis: 3 contos comentados para crianças


Laura Aidar
Laura Aidar
Arte-educadora e pesquisadora

As histórias infantis acompanham a humanidade há muito tempo.

Grande parte delas, sobretudo os contos de fadas, eram no princípio bastante diferentes das versões que hoje conhecemos. Isso porque a ideia de infância era também bem diferente.

Atualmente, os adultos utilizam contos, histórias diversas e fábulas para entreter os pequenos, geralmente com leituras na hora de dormir.

Por isso, selecionamos 3 pequenas histórias infantis conhecidas e trazemos curiosidades e análises sobre cada uma delas.

1. O patinho feio

o patinho feio

Era uma manhã de verão, e uma pata havia botado cinco ovos. Ela estava aguardando impaciente a chegada de seus filhotinhos.

Assim, quando o primeiro ovo se partiu, mamãe pata ficou muito contente. Logo os outros patinhos também começaram a nascer. Mas havia um ovo que demorou para se quebrar, deixando-a ansiosa.

Passado algum tempo, o último filhote finalmente conseguiu sair do ovo. Mas quando mamãe pata o viu, ela não ficou muito satisfeita e exclamou:

- Esse patinho é muito diferente, muito feio. Não pode ser meu filho!

- Ah! Alguém te pregou uma peça. Disse a galinha que morava ali por perto.

O tempo foi passando e o patinho feio foi ficando cada vez mais feio, cada vez mais diferente de seus irmãos e cada vez mais isolado. Os outros animais zombavam dele, o que o deixava entristecido e angustiado.

patinho feio

Então, quando o inverno chegou, o patinho resolveu partir. Ele andou bastante e encontrou uma casa, assim, resolveu entrar pensando que lá talvez alguém gostasse dele. Foi o que aconteceu. Havia um homem que o acolheu, assim, o patinho passou esse tempo muito bem.

Mas, esse homem tinha também um gato, que um dia levou o pato para fora de casa, deixando-o sozinho e triste novamente.

O patinho saiu caminhando e depois de muito andar encontrou um lugar muito bonito, com um lago. O pato viu um cantinho aconchegante e foi até lá descansar. Nesse momento, algumas crianças que estavam por perto, perceberam a chegada de uma nova figura. Elas ficaram encantadas e disseram:

- Vejam, temos um visitante!

- Nossa! E como é lindo!

O patinho não entendeu de quem as crianças estavam falando, mas quando ele se aproximou do lago e viu seu reflexo na água, avistou um maravilhoso cisne. Então, ao olhar para o lado, ele se deu conta de que outros cisnes também moravam ali.

patinho feio

Dessa forma, o patinho descobriu que na verdade, ele era um cisne. Desde então, ele passou a viver entre seus iguais e não ficou mais angustiado.

Veja o vídeo com a história do Patinho feio, na versão da Disney:

Curiosidades e análise do conto O patinho feio

Esse conto foi escrito pelo dinamarquês Hans Christian Andersen em 1843 e transformou-sem em filme da Disney em 1939.

A história nos fala sobre aceitação e pertencimento. O patinho, depois de ser muito humilhado e experimentar sentimentos de angústia, desamparo e baixa auto estima, consegue se dar conta de seu valor. Isso porque ele descobre que, na verdade, estava inserido em um ambiente que não era o seu por natureza, pois ele era um cisne.

Em alguma medida, a narrativa conta sobre emoções presentes no universo infantil. Muitas vezes, as crianças sentem-se deslocadas entre os amigos e mesmo na própria família. Tais emoções, se não tratadas, podem ser levadas para a vida adulta também.

Então, a história do patinho feio nos mostra uma busca interior em direção a um resgate e descoberta de nossa potência como seres humanos, assumindo toda a nossa "beleza" e auto-amor escondidos.

É um conto que explora também a questão do "diferente". Pois, o patinho não era nem um pouco parecido com seus irmão, não se adequando e vivendo sempre isolado. Mas, à medida que sai em busca de sua totalidade, ele se depara com sua força na diferença, afinal, todos nós somos diversos uns dos outros.

Vale lembrar que o pato é um animal "híbrido", que vive tanto na água quanto na terra, simbolizando assim o diálogo entre o mundo do consciente e do inconsciente.

Para uma leitura mais aprofundada, leia: Conto O patinho feio.

2. João e Maria

joão e maria

Era uma vez duas crianças, João e Maria, que viviam com seu pai e a madrasta em uma casa perto da floresta. A família era bastante humilde e as coisas estavam cada vez mais difíceis para eles, que estavam sem recursos e entrando na miséria.

Certo dia, a madrasta, que era má, tem a ideia de abandonar as crianças no meio da floresta, pois assim seriam duas bocas a menos para alimentar. A mulher consegue convencer seu marido e, na manhã seguinte, todos partem para cortar lenha.

Assim, o pai da crianças acende uma fogueira na mata e os deixa lá, dizendo que voltaria logo, o que não acontece.

João, que tinha escutado o plano perverso, havia se preparado e levado consigo pedrinhas brilhantes que tinha encontrado na casa. Durante o caminho, o menino foi deixando pelo chão as pedrinhas, dessa forma, ele e a irmã poderiam retornar à casa seguindo essas pedras.

joão e maria conto

João e Maria conseguiram dessa maneira voltar para casa, o que deixou o pai muito feliz. Entretanto, a madrasta ficou possessa e convenceu novamente o marido a abandonar seus filhos em um lugar ainda mais longe. Dessa vez, a mulher trancou a porta do quarto das crianças, não permitindo que João pegasse as pedrinhas brilhantes.

Novamente, na manhã seguinte, eles vão em direção à floresta. João e Maria tinham recebido um pedaço de pão cada um e tiveram a ideia de deixar migalhas para marcar o caminho ao invés das pedras. Assim fizeram, entretanto, as migalhas foram devoradas pelos pássaros e, quando os dois precisaram, elas já não estavam mais lá.

Tristes, cansados e com fome, os dois saem a vagar pela mata. Até que se deparam com uma casa fantástica feita de doces e bolo. Claro que os irmãos não resistem e se aproximam para comer todas aquelas guloseimas.

Depois de saciados, João e Maria descansavam por ali, quando uma velha senhora sai de dentro da casa. Ela os convida para entrar e diz que estava esperando por eles.

joão e maria

A velha, que na verdade era uma bruxa, oferece muita comida para eles, que ficam em sua casa por vários dias. Então, a bruxa resolve prender João em uma gaiola e alimentá-lo até ele ficar bem gordo para ser assado no forno.

João conseguiu enganar a bruxa, que achava que ele não estava gordo o suficiente, mas mesmo assim, um dia ela resolve assá-lo de qualquer forma.

A bruxa então manda Maria acender o forno e quando a velha má chega perto do forno, Maria a empurra para dentro e fecha rapidamente a tampa.

joão e maria

A menina consegue libertar o irmão, e os dois saem de lá correndo, não sem antes pegar riquezas que estavam na casa da velha.

Então as crianças perambulam pela floresta mais alguns dias e conseguem voltar pra casa. Dessa vez, o pai as recebe e não deixa mais a madrasta fazer maldades.

Confira um vídeo contando a história:

Curiosidades e análises sobre João e Maria

A história em questão foi escrita pelos irmãos Grimm, escritores alemães que viveram em meados do século XIX. Eles se inspiraram na tradição oral, que passava através da fala diversas histórias de geração para geração.

Em João e Maria, temos uma narrativa que nos fala sobre a consciência de que nem todos os momentos da vida são de felicidade e sobre a busca pela independência dos pais.

As crianças representam o lado masculino e feminino em cada um de nós, que, diante do desamparo, adentra o desconhecido (a floresta, no caso) e se perde, sem saber como voltar para casa, mesmo deixando "pistas" no meio do caminho.

Assim, nessa procura, eles encontram algo maravilhoso, a satisfação total, uma casa feita de guloseimas! Eles então, a princípio, se iludem pensando que estariam em um ambiente incrível e que a vida seria uma grande festa.

Mas a lição é que tudo tem seu preço, e por conta de seus excessos, se deparam logo com uma bruxa má, que pode ser o símbolo das frustrações e mesmo das consequências causadas pela impulsividade.

A bruxa os faz prisioneiros e as crianças precisam dessa forma acessar suas forças internas, criatividade e coragem para se livrarem do apuro.

João e Maria conseguem sair vitoriosos, e ainda carregar as riquezas da bruxa má, que podem sinalizar que eles levam consigo os ricos aprendizados de tal situação.

Para saber mais profundamente sobre esse conto, leia: Conheça e história de João e Maria

4. Pinóquio

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Era uma vez um carpinteiro que se chamava Gepeto. O homem era muito solitário e passava os dias fazendo coisas de madeira. O sonho de Gepeto era ter um filho com quem pudesse compartilhar a vida.

Um dia, ele resolveu fazer um menino de madeira em formato de marionete e, ao terminar, disse:

- Que belo boneco de madeira. Seria incrível se ele fosse um menino real!

Para sua surpresa, o boneco tomou vida e começou a andar e falar. O homem ficou maravilhado e lhe deu o nome de "Pinóquio".

Passados alguns dias, Gepeto envia Pinóquio para a escola e lhe dá a instrução de voltar para a casa assim que a aula terminar. Entretanto, no meio do caminho, Pinóquio avista um teatro de marionetes que acontecia na praça.

pinóquio

Ele então resolve participar do teatro, e todos ficam encantados com sua destreza. Assim, o boneco recebe 5 moedas de ouro e se alegra pensando que seu pai ficaria satisfeito.

Pinóquio vai em direção à escola, mas quando estava quase chegando, se depara com dois homens mal intencionados que o convencem a ir com eles até um local e enterrar as moedas de ouro. Eles dizem:

- Enterre as moedas aqui nesse terreno e nascerá uma árvore de dinheiro. Seu pai ficará rico e nunca mais precisará trabalhar!

Pinóquio enterra as moedas e fica esperando a árvore nascer. Ele logo adormece, e nesse momento os homens pegam as moedas enterradas e fogem.

O boneco despertou de seu sono profundo e se deu conta que o dinheiro havia sumido. Triste e preocupado, Pinóquio pensa que seu pai ficaria muito bravo e decide não voltar para casa.

Enquanto caminhava, confuso, Pinóquio encontra uma linda jovem de vestido azul. Ele pede ajuda, e a moça, que era na verdade uma fada, lhe diz que ajudaria. Ela pergunta ao boneco onde ele morava, ao que Pinóquio responde que era sozinho e não tinha casa.

A fada então repara que o nariz de graveto do menino começa a crescer e se dá conta de que ele havia contado uma mentira. Ela recomenda que ele volte para sua casa e se comporte junto ao seu pai. O boneco promete que faria isso e seu nariz volta ao normal.

pinóquio

Na volta para casa, Pinóquio passa por um parque de diversões e não resiste, ele entra no parque. Imediatamente seu nariz começa a crescer novamente. Lá, o boneco encontra pessoas que dizem que ele poderia comer todos os sorvetes que gostaria. Pinóquio então toma vários sorvetes, sem saber que se transformaria em um burro.

Dessa forma, as pessoas o vendem para um circo, onde Pinóquio trabalha exaustivamente e é mal tratado. Então, quando ele, na forma de burro, já não servia mais para o trabalho, os donos do circo o atiram ao mar.

Assim que cai no mar, o burrinho transforma-se de novo em menino de madeira e é engolido por um baleia faminta. Dentro da barriga da baleia, Pinóquio encontra-se com seu pai, Gepeto, que também fora engolido quando estava a sua procura.

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Os dois se abraçaram contentes, mas estavam muito fracos. Nessa hora, um peixe que também estava lá oferece ajuda e os tira de dentro da baleia.

Assim, Gepeto e Pinóquio conseguem voltar para casa. Depois de tantos apuros, Pinóquio promete ao pai ser um bom menino e não mentir mais.

A fada azul então aparece e converte Pinóquio em um menino real, de carne e osso, para a alegria de todos!

Veja abaixo uma cena do filme Pinóquio, da Disney:

Curiosidades e análises sobre Pinóquio

O menino de madeira Pinóquio teve sua primeira aparição na história As aventuras de Pinóquio, em 1883. Escrita pelo italiano Carlo Collodi, esse conto ganhou diversas versões, sendo o mais conhecido o da Disney, lançado em 1940.

A palavra pinóquio vem do italiano e significa "pinhão".

Na história, o que está colocado é a perda da ingenuidade e a construção de uma personalidade sólida. Tanto que, o boneco de madeira é feito como uma marionete, o que significa que ele é facilmente manipulável.

Impossibilitado de atuar no mundo por si mesmo, Pinóquio entras nas maiores enrascadas ao fazer apenas o que outras pessoas sugerem.

O boneco também se esquiva de suas responsabilidades a todo tempo, desviando-se do caminho da escola e dos seus afazeres. Essa é uma maneira de demonstrar o apego à infância e falta de maturidade.

Outro ensinamento importante é sobre a falsidade, exibida no conto através do nariz do menino, que aumenta de tamanho a cada mentira contada. Assim, fica explícito que não se deve mentir, pois a verdade sempre aparecerá, de uma forma ou de outra.

Por fim, o boneco, depois de ser enganado por diversas vezes, reencontra seu pai e assume as responsabilidades, adquirindo também a esperteza necessária para não ser mais manipulado. Assim, ele é transformado finalmente em um menino real.

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Laura Aidar
Laura Aidar
Arte-educadora, pesquisadora e fotógrafa. Licenciada em Educação Artística pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) em 2007 e formada em Fotografia pela Escola Panamericana de Arte e Design, localizada em São Paulo, em 2010.