As 13 melhores fábulas com moral


Rebeca Fuks
Rebeca Fuks
Doutora em Estudos da Cultura

As fábulas são narrativas curtas seguidas de uma moral. Em geral, são protagonizadas por animais inteligentes e falantes que nos ensinam como nos devemos comportar em diferentes situações ao longo da vida.

Grande parte das fábulas que conhecemos hoje foram escritas pelo grego Esopo, há dois mil anos.

1. A raposa e o leão

Tinha a Raposa o seu covil bem fechado e estava lá dentro a gemer, porque estava doente; chegou à porta um Leão e perguntou-lhe como estava, e que a deixasse entrar, porque a queria lamber, que tinha virtude na língua, e lambendo-a, logo havia de sarar.

Respondeu a Raposa de dentro:

— Não posso abrir, nem quero. Creio que a tua língua tem virtude; porém é tão má vizinhança a dos dentes, que lhe tenho grande medo, e portanto antes quero sofrer com o meu mal.

Moral da história

A fábula do leão e da raposa nos ensina a sermos precavidos por mais que estejamos em situação de sofrimento.

A raposa estava padecendo do corpo quando recebeu a oferta de ajuda por parte do leão. Não se sabe se o leão tinha de fato o desejo de ajudar ou se o rei da selva viu naquela situação apenas uma oportunidade de conseguir uma presa fácil.

De toda forma, também sem saber a intenção do leão e sem confiar no seu discurso, a raposa adotou uma postura de defesa.

2. A cigarra e a formiga

Havia uma cigarra que passou todo o verão a cantar, aproveitando os agradáveis fins de tarde e curtindo o tempo de forma despreocupada.

Mas quando chegou o gelado inverno, a cigarra já não estava alegre, pois estava faminta e tremendo de frio.

Assim, foi pedir ajuda à formiga, que havia trabalhado muito no verão. Pediu que a colega lhe desse alimento e abrigo. Ao que a formiga perguntou:

O que você fez durante todo o verão?

— Estive a cantar - respondeu a cigarra.

E a formiga lhe deu uma resposta grosseira:

— Pois então, agora dance!

Moral da história

Essa é uma das fábulas em que a moral pode ser comparada a um ditado popular, no caso: “Deus ajuda, quem cedo madruga”. Aqui, percebemos a importância do planejamento e do trabalho.

A formiga, por trabalhar incansavelmente durante o verão, conseguiu poupar recursos para a chegada do inverno. Já a cigarra, que passou muito tempo a cantar, não se preparou para momentos de escassez e padeceu no inverno.

Para saber mais, leia: A Cigarra e a Formiga

3. O burro e a cobra

Como recompensa por um serviço prestado, os homens pediram a Júpiter a eterna juventude, o que ele concedeu. Pegou na juventude, pô-la em cima de um Burro e mandou que a levasse aos homens.

Indo o Burro no seu caminho, chega a um ribeiro com sede, onde estava uma Cobra que disse que não o deixaria beber daquela água se não lhe desse o que levava às costas. O Burro, que não sabia o valor do que transportava, deu-lhe a juventude a troco da água. E assim os homens continuaram a envelhecer, e as Cobras renovando-se a cada ano.

Moral da história

A curta fábula do burro e da cobra nos ensina que devemos ser sempre precavidos e informados, nunca oferecendo aquilo que temos sem sabermos a sua real importância.

O burro foi encarregado de carregar um material precioso, embora desconhecesse a real importância dele. Caindo na chantagem de uma cobra mais malandra, o burro facilmente entregou aquilo que carregava - porque não tinha qualquer noção do quão valiosa era a juventude. A fábula fala também, portanto, da ignorância e das consequências do desconhecimento.

A cobra, nesse caso, levou a melhor, e com a eterna juventude enviada pelos deuses ganhou o privilégio de se renovar a cada ano - ao contrário dos homens, que ficaram condenados ao envelhecimento permanente.

4. A andorinha e as outras aves

Estavam os homens a semear linho, e, ao vê-los, disse a Andorinha aos outros pássaros:

— Para nosso mal fazem os homens esta seara, que desta semente nascerá linho, e dele farão redes e laços para nos prenderem. Melhor será destruirmos a linhaça e a erva que dali nascer, para estarmos seguras.

As outras Aves riram-se muito deste conselho e não quiseram segui-lo. Vendo isto, a Andorinha fez as pazes com os homens e foi viver em suas casas. Algum tempo depois, os homens fizeram redes e instrumentos de caça, com os quais apanharam e prenderam todas as outras aves, poupando apenas a Andorinha.

Moral da história

A fábula nos ensina que devemos sempre pensar no dia de amanhã e nos planejarmos para situações distintas, antecipando futuros cenários.

As andorinhas viram que o futuro mudaria ao perceberem que os homens podiam fazer redes. Diante dessa previsão, tentaram avisar os pássaros, que não lhes deram bola.

Então, fizeram amizade com o homem e foram poupadas da caça.

5. O rato e a rã

Um Rato desejava atravessar um rio, mas tinha medo, pois não sabia nadar. Pediu então ajuda a uma Rã, que se ofereceu para o levar para o outro lado desde que se prendesse a uma das suas patas.

O Rato concordou e, encontrando um pedaço de fio, prendeu uma das suas pernas à Rã. Mas, mal entraram no rio, a Rã mergulhou, tentando afogar o Rato. Este, por sua vez, debatia-se com a Rã para se manter à superfície. Estavam os dois nestes trabalhos e canseiras quando passou por cima um Milhafre que, vendo o Rato sobre a água, baixou sobre ele e levou-o nas garras juntamente com Rã. Ainda no ar, comeu-os a ambos.

Moral da história

Pela leitura da fábula concluímos que, ainda que tenha custado a vida de um inocente (o rato), o mau (a rã) teve o seu castigo merecido, por isso aprendemos que há justiça no mundo.

O rato, precisando atravessar o rio, não encontrou outra solução senão pedir ajuda a um animal que tivesse capacidade de fazê-lo. A rã prontamente se ofereceu para ajudá-lo, mas, na verdade, o altruísmo não era bem a sua verdadeira intenção, assim, por conta de sua maldade, a própria rã acabou morrendo.

6. A serpente e o cabrito

Uma Cabra que andava a pastar com o filho pisou sem querer uma Serpente com os pés. Esta, assanhada, levantando-se um pouco, picou a Cabra numa teta; mas como o filho logo viesse a mamar, e chupasse com o leite o veneno da Serpente, salvou a Mãe, e ele morreu.

serpente e cabrito

Moral da história

Em muitas situações da vida os inocentes pagam por acontecimentos alheios

A história da serpente e do cabrito nos ensina sobre a injustiça: o filho - o cabrito - não teve culpa da mãe ter sido picada pela serpente, entretanto é ele quem paga pelo ocorrido.

A cabra também não teve culpa, porque pisou na serpente distraída. E, nem mesmo a serpente é propriamente culpada, porque agiu de acordo com a sua natureza. De toda forma, essa triste conjunção de eventos culminou na morte do animal mais novo.

7. O cão e a carne

Um Cão levava na boca um pedaço de carne, e, ao atravessar um rio, vendo a carne refletida na água, pareceu-lhe esta maior e soltou a que levava nos dentes para apanhar a que via dentro de água. Porém como a corrente do rio arrastou a carne verdadeira, com ela foi também o seu reflexo, e ficou o Cão sem uma e sem outro.

Moral da história

A fábula do cão e da carne nos lembra o sábio ditado: "mais vale um pássaro na mão do que dois voando" e aborda a questão da ambição, ensinando a não sermos gananciosos.

Em tempos de crise, o pedaço de carne garantiria a subsistência, mas não satisfeito, o cão vê a possibilidade de alcançar um pedaço de carne ainda maior.

Arriscando perder aquilo que já tinha em nome de algo que ambiciona, o cão larga a carne e acaba, afinal, sem nada.

8. O ladrão e o cão de guarda

Um ladrão, desejando entrar à noite numa casa para a roubar, deparou-se com um cão que com os seus latidos o impedia. O cauteloso ladrão, para apaziguar o Cão, lançou-lhe um bocado de pão. Mas o Cão disse:

— Bem sei que me dás este pão para que eu me cale e te deixe roubar a casa, não porque gostes de mim. Mas já que é o dono da casa que me sustenta toda a vida, não vou deixar de ladrar enquanto não te fores embora ou até que ele acorde e te venha afugentar. Não quero que este bocado de pão me custe morrer de fome o resto da vida.

Moral da história

A lição que fica é que devemos pensar no longo prazo, não nos deixando enganar pelo prazer imediato.

Na história vemos o animal ser mais esperto do que o homem. O ladrão, querendo assaltar a casa, pensa em uma maneira fácil de afugentar o cão. No entanto, o cão percebe a armadilha.

ladrão e cão de guarda

9. O lobo e o cordeiro

Estava um Lobo bebendo água num ribeiro, quando avistou um Cordeiro que também bebia da mesma água, um pouco mais abaixo. Mal viu o Cordeiro, o Lobo foi falar com ele de cara feia, mostrando os dentes.

Como tem a ousadia de turvar a água onde eu estou bebendo?

Respondeu o cordeiro humildemente:

Eu estou bebendo mais abaixo, por isso não posso turvar a água que você bebe.

Ainda respondes, insolente! - retorquiu o lobo cada vez mais colérico. - Já há seis meses o teu pai me fez o mesmo.

Respondeu o Cordeiro:

Nesse tempo, Senhor, ainda eu não era nascido, não tenho culpa.

Sim, tens - replicou o Lobo -, que estragaste todo o pasto do meu campo.

Mas isso não pode ser - disse o Cordeiro -, porque ainda não tenho dentes.

O Lobo, sem mais uma palavra, saltou sobre ele e logo o degolou e comeu.

Moral da história

A fábula do Lobo e do Cordeiro retrata as injustiças do mundo e nos ensina um pouco do funcionamento perverso da sociedade.

Na história acima o Cordeiro, sem qualquer culpa, se torna vítima do desalmado Lobo, que usa argumentos sem sentido para acusá-lo de forma arbitrária e injusta.

Aqui os animais personificam uma série de situações onde o lado mais fraco acaba sendo punido pelos mais poderosos.

10. O cão e a ovelha

O Cão pediu à Ovelha uma certa quantidade de pão, que dizia haver-lhe emprestado. A Ovelha negou ter recebido tal coisa. O Cão apresentou então três testemunhas a seu favor, as quais havia subornado: um Lobo, um Abutre e um Milhafre. Estes juraram ter visto a Ovelha receber o pão que o Cão reclamava. Perante isso, o Juiz condenou a Ovelha a pagar, mas não tendo ela meios de o fazer, foi forçada a ser tosquiada antes do tempo para que a lã fosse vendida como pagamento ao Cão. Pagou então a Ovelha pelo que não comera e ainda ficou nua, padecendo as neves e frios do inverno.

Moral da história

Os bons e inocentes muitas vezes pagam o preço por um crime que não cometeram.

Na história do cão e da ovelha os poderosos - o cão, o milhafre, o lobo e o abutre - fazem um complô para extorquir a vítima, a pobre ovelha, que devido a uma mentira leviana precisou pagar pela situação com o seu próprio sofrimento.

11. A macaca e a raposa

Uma Macaca sem rabo pediu a uma Raposa que cortasse metade do seu rabo e lhe desse, dizendo:

Bem se vê que o teu rabo é demasiado grande, pois que até se arrasta e varre a terra; o que dele sobra podes dar a mim para cobrir estas partes que vergonhosamente trago descobertas.

Antes quero que se arraste - disse a Raposa - e varra o chão. Por isso não te darei, nem quero que coisa minha te faça proveito.

E assim ficou a Macaca sem o rabo da Raposa.

Moral da história

A Raposa nos ensina que vamos nos cruzar ao longo da vida com criaturas de comportamento mesquinho, que, tendo recursos para fazer o bem, escolhem se omitir ou fazer o mal.

A Macaca pede um pedaço do rabo a Raposa porque sabe que ela tem para oferecer e que não lhe faria falta. A Raposa, por sua vez, tem um comportamento avarento, se negando a partilhar ao recusar contribuir para tornar a vida da Macaca melhor.

12. O lobo e as ovelhas

Havia uma guerra entre os Lobos e as Ovelhas; estas, embora fossem mais fracas, como tinham a ajuda dos cães levavam sempre a melhor. Os Lobos então pediram paz, com a condição de que dariam de penhor os seus filhos, se as Ovelhas também lhes entregassem os cães.

As ovelhas aceitaram estas condições e foi feita a paz. Contudo, os filhos dos Lobos, quando se viram na casa das ovelhas, começaram a uivar muito alto. Acudiram logo os pais, a pensar que isso significava que a paz havia sido quebrada, e recomeçaram a guerra.

Bem quiseram defender-se as Ovelhas; mas como a sua principal força consistia nos cães, que havia entregado aos Lobos, foram facilmente vencidas por eles e acabaram degoladas.

Moral da história

A fábula do lobo e das ovelhas carrega a moral de que nunca devemos entregar nossas armas ao inimigo quando se trata de um acordo de paz recente e suspeito.

Devemos sempre desconfiar dos novos tempos e ser precavidos. A narrativa também nos alerta para o perigo de meter em casa inimigos, ou filhos de inimigos, como fizeram as ovelhas de espírito leve.

13. O burro e o leão

Um Burro simplório cruzou-se com um Leão no caminho e, altivo e presunçoso, atreveu-se a falar-lhe, dizendo:

Sai do meu caminho!

Vendo este desatino e ousadia, o Leão deteve-se por um instante; mas prosseguiu logo o seu caminho, dizendo:

Pouco me custaria matar e desfazer este Burro agora mesmo; porém não quer sujar os meus dentes nem as fortes unhas em carne tão ordinária e fraca.

E seguiu caminho sem fazer caso dele.

Moral da história

Não devemos jamais adotar uma postura arrogante e perigosa - como a do Burro - e sim agirmos de modo ponderado e maduro, como fez o Leão.

Apesar de se sentir desafiado, o rei da selva agiu de modo pensado e escolheu não fazer mal ao Burro que, esnobe, adotou uma postura desdenhosa e desafiadora.

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Rebeca Fuks
Rebeca Fuks
Formada em Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (2010), mestre em Literatura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2013) e doutora em Estudos de Cultura pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e pela Universidade Católica Portuguesa de Lisboa (2018).