4 histórias de natal comentadas para crianças


Laura Aidar
Laura Aidar
Arte-educadora e artista visual

Ler para as crianças contos de natal pode ser uma bela maneira de entretê-las na época natalina e transmitir mensagens interessantes sobre a vida e sobre essa época tão especial.

Pensando assim, selecionamos 4 histórias clássicas que se relacionam com o natal e podem ser contadas em casa ou servir como suporte para a educação infantil.

1. O nascimento do menino Jesus

O nascimento do menino Jesus

Maria era uma jovem bondosa que vivia na cidade árabe de Nazaré. Um dia ela recebeu a visita do anjo Gabriel, que lhe trouxe a notícia de que ela fora escolhida para ser a mãe do filho de Deus, que deveria se chamar Jesus.

Assim, os meses se passaram e a barriga de Maria foi crescendo. Quando estava prestes a dar à luz, ela e seu marido, o carpinteiro José, tiveram que fazer uma viagem até Belém, como ordenava o imperador romano César Augusto.

A viagem foi bastante cansativa e quando chegaram à Belém, já não havia hospedagem para o casal.

Era de noite e Maria já começava a sentir que seu filho iria nascer. Por sorte, eles conseguiram abrigo em um estábulo.

Lá, junto aos animais, Jesus nasceu sem muito esforço, em um parto tranquilo e sem dores.

A criança foi colocada em uma manjedoura, lugar onde são deixados os alimentos para os animais. Esse foi então seu primeiro berço.

No céu, uma estrela se destacava com seu brilho intenso e estava posicionada bem acima do “Deus menino”.

Distante dali, 3 homens chamados Melchior, Gaspar e Baltasar intuíram que aquela estrela era especial. Eles eram sábios e tinham conhecimento de que naquela noite nascera um ser divino.

Assim, o trio, que ficou conhecido como “três reis magos”, caminhou por dias seguindo a estrela.

Foi dessa forma que chegaram até o estábulo e presentearam o menino Jesus com ouro, incenso e mirra.

Essa história é o conto natalino mais importante para os cristãos. Isso porque narra como foi, segundo a bíblia, a concepção e nascimento de Jesus, o protagonista na noite de natal.

O natal é justamente a celebração do nascimento desse homem, que segundo a religião cristã foi um ser divino, filho de Deus, que veio ao mundo como um salvador.

Assim, essa história relembra as dificuldades que Maria e José passaram nesse momento e como a chegada de Jesus foi humilde e sem luxos, junto dos animais.

Para os cristãos, contar essa narrativa para as crianças pode ser uma oportunidade de relembrar o espírito do natal e se conectar com o verdadeiro simbolismo de Jesus, um homem simples e bondoso que veio do povo para pregar o amor.

2. O sapateiro e os duendes

Ilustração do conto O sapateiro e os duendes

Era uma vez um humilde sapateiro que vivia com sua esposa em uma casa simples. O casal estava passando por dificuldades e o homem não tinha mais nenhum dinheiro, lhe restando apenas um corte de couro para fazer apenas um sapato.

Ele deixou sua oficina arrumada e o couro em cima da mesa. Desanimado, foi dormir cedo e com fome.

No dia seguinte, ao acordar, teve uma grata surpresa! O corte de couro havia se transformado em um lindo e bem feito par de sapatos!

O homem examinou os calçados e viu que, de fato, estavam muito bem costurados.

Naquela tarde, um rico senhor que passava por ali resolveu entrar na oficina do sapateiro e comprou os sapatos por uma boa quantia em dinheiro.

O sapateiro ficou satisfeito e pôde comprar mais couro para continuar seu negócio. Assim foi feito e o couro foi deixado novamente em sua bancada.

Durante a noite, mais uma vez, algo aconteceu e na manhã seguinte outros pares de sapatos estavam prontos para serem vendidos.

O humilde sapateiro ficou muito contente. Ele conseguiu vender seus calçados por um valor ainda melhor. E por algum tempo o mesmo continuou ocorrendo e sua situação financeira foi melhorando.

Um dia, intrigados, o homem e a esposa tiveram a ideia de tentar descobrir quem fazia o trabalho. Eles então se esconderam durante a noite e observaram os acontecimentos.

Assim, puderam ver que pequenos duendes passavam a noite toda costurando os sapatos.

Mas uma coisa chamou a atenção do sapateiro: os pequenos seres estavam sem agasalhos e descalços, passando frio.

Ele e a esposa decidiram fazer roupas e calçados para os duendes, que foram deixados sobre a bancada na noite de natal.

Os duendes quando chegaram lá e viram os presentes ficaram maravilhados! Eles vestiram as roupas novas e os sapatos e saíram saltitando por aí.

Depois disso, nunca mais voltaram, mas o sapateiro já estava feliz por ter tido a ajuda deles em um momento difícil e agora podia continuar seu trabalho tranquilo, pois tinha muitos clientes.

Esse é um conto dos irmãos Grimm que data do início do século XIX e foi incluído na coleção de contos de fada dos irmãos, publicada em 1812.

Conta sobre o pobre sapateiro que recebe ajuda de seres encantados para sair de uma situação difícil.

Na narrativa podemos encontrar valores como a generosidade, tanto dos duendes quanto do casal, que decide fabricar roupas para os pequenos amigos.

Também existe um fator incrível na história, que é a sorte do sapateiro de ser agraciado com a ajuda dos elfos. Entretanto, podemos enxergar esse sucesso de uma maneira mais simbólica, em que os “duendes” são aspectos do próprio homem, como a perseverança e a confiança em dias melhores.

Assim, ao conseguir sair de um momento complicado, o homem ajuda as criaturas que o ajudaram, os presenteando em pleno natal e resgatando o sentido da solidariedade que devemos vivenciar o ano todo.

3. A pequena vendedora de fósforos

Ilustração do conto A menina dos fósforos

Era época de natal e fazia um frio congelante, com muita neve, pois essa história se passa no hemisfério norte.

Havia uma menina muito pobre que caminhava pelas ruas sem nada que lhe cobrisse a cabeça e sem sapatos.

Ela levava em seu avental algumas caixas de fósforos e vagava em meio aos que passavam, oferecendo-lhes:

Quem quer comprar fósforos? Fósforos bons e baratos!

As pessoas olhavam para ela sem enxergá-la e desviavam. Assim, aquele não tinha sido um bom dia de vendas.

Sem dinheiro e faminta, a garota olhava para as luzes que decoravam a cidade e sentia o cheiro de comida que tomava conta das ruas, pois todos estavam preparando deliciosas ceias.

Ela pensou em voltar para casa, mas não teve coragem, pois como não conseguiu vender nada, tinha medo de seu pai lhe bater. Além disso, sua casa humilde e fria também não tinha calor nem comida.

Seus dedos estavam paralisados pelo frio e a menina pensou que a chama de um fósforo aceso poderia lhe aquecer, nem que fosse por um instante.

Então ela tomou coragem e acendeu um fósforo. A luz do fogo lhe deixou encantada e por um segundo ela teve a ilusão de que estaria na frente de uma lareira, que aquecia todo o seu corpo.

Mas logo o calor foi indo embora, o fósforo se apagou e ela voltou à realidade, percebendo estar sentada na neve congelante.

Assim, riscou outro fósforo e agora se imaginou em uma sala de jantar, com uma enorme mesa posta com muitas comidas deliciosas. Chegou a sentir o cheiro maravilhoso de carne assada e salivar de vontade.

Mas novamente a chama se apagou e a garota se viu na mesma triste situação, encolhida perto de uma parede fria.

Ao acender o terceiro fósforo, ela se “transportou” para debaixo de uma linda árvore natalina cheia de presentes. Era um pinheiro ainda maior e mais enfeitado do que o que ela vira através da janela de uma rica família.

A árvore tinham muitas luzinhas que lhe deixaram encantada, mas de repente as luzes começaram a subir e sumir.

A menina olhou para o céu e viu apenas as estrelas. Uma estrela cadente riscou o espaço e a garotinha pensou “Alguém deve ter morrido!”. Ela teve esse pensamento pois lembrou de sua querida avó, já falecida, que disse certa vez que quando uma estrela cai no céu é sinal que alguma alma está deixando a Terra.

Acendeu mais um fósforo e logo surgiu sua avózinha. Estava reluzente e bela. A neta exclamou de felicidade:

Vovó! A senhora me leva contigo? Quando o fósforo se apagar eu sei que não estará mais aqui…

E assim, as duas subiram aos céus, onde não havia mais frio, nem fome, nem tristeza.

Na manhã seguinte, as pessoas que passaram viram o corpo da menininha imóvel encolhida, os lábios roxos, as mãos cheias de fósforos queimados. Toda gente se compadeceu e alguns disseram:

Coitadinha! Com certeza tentou se aquecer!

A garota morrera de frio na noite de Natal, com a ilusão de ter vivido momentos felizes.

Essa triste história de natal foi escrita por Hans Christian Andersen no século XIX, publicada mais precisamente em 1845. Aqui exibimos uma adaptação.

O conto clássico trata basicamente do difícil tema que é a morte. O assunto é abordado de forma fantasiosa, pois é voltado para o público infantil.

O contexto em que o autor escreveu o conto era muito diferente do que vivemos hoje, assim, ele apresenta uma situação bastante idealizada.

De qualquer forma, outros valores podem ser pensados a partir dessa narrativa, como a solidariedade (que nesse caso, é inexistente), a desigualdade social, a falta de afeto e a hipocrisia das pessoas que na noite anterior não ajudaram a garota, mas na manhã seguinte lamentaram sua morte.

Assim, esse conto pode ser um recurso interessante para conversar com as crianças sobre esses temas e lembrá-las de que o espírito natalino deve estar presente em qualquer época do ano, que devemos ajudar o próximo e refletir sobre o porquê existem tantas injustiças no mundo.

4. O Soldadinho de chumbo

O soldadinho de chumbo ilustração antiga
Ilustração de Vilhelm Pedersen para a publicação do conto em 1838

Certa noite de natal, um garoto foi presenteado com uma caixa onde continham 25 soldadinhos de chumbo. Um deles era diferente dos outros, ele não tinha uma perna, pois quando foi feito, faltou chumbo para finalizá-lo.

De qualquer forma, o menino adorou o presente e colocou todos os soldados enfileirados em sua estante repleta de brinquedos.

O soldadinho com uma perna só foi colocado ao lado de uma bela bailarina de cera que se equilibrava na ponta de um pé.

Quando anoitecia, todos os brinquedos ganhavam vida. Assim, o soldadinho e a bailarina se apaixonaram.

Mas um dos brinquedos, o palhaço, não gostou da aproximação dos dois e disse para o soldado se afastar da moça.

O menino quando foi brincar um dia, colocou o soldadinho perto da janela para ser o vigia da turma.

Assim, não se sabe o que aconteceu exatamente, mas o pobre soldadinho caiu da janela e se perdeu na rua.

Lá, foi encontrado por duas crianças que brincavam no lugar. Elas tiveram a ideia de colocar o brinquedo dentro de um barquinho de papel e soltá-lo na água que corria pela sarjeta.

Foi dessa maneira que o soldadinho foi parar em um bueiro e desembocou num rio. Chegando no rio, foi engolido por um grande peixe e ficou parado em seu no estômago.

Pouco depois, pescadores que estavam ali conseguiram pegar o peixe e o venderam na peixaria.

E olhem a coincidência! A moça que comprou o peixe foi quem preparava a comida na casa do garoto. Então, quando o peixe foi aberto, ali estava o soldadinho, que foi lavado e voltou para a estante de brinquedos do menino.

A bailarina ficou muito feliz e o soldadinho também. Mas, algo terrível aconteceu. De alguma maneira o valente soldado foi parar na lareira, começando a ser consumido pelas chamas. Ao olhar para o lado, viu que a bailarina também estava lá.

Dessa forma, os dois derreteram. A cera e o chumbo se uniram, formando um coração.

Essa história foi escrita pelo dinamarquês Hans Christian Andersen. Publicada em 1838, faz parte dos contos de fadas nórdicos e se tornou um clássico, sendo adaptada para o teatro, audiovisual e espetáculos de dança.

É uma narrativa amorosa, que exibe também aventuras ao mostrar um personagem com uma deficiência que consegue passar por muitos desafios.

Apresenta o amor entre o soldado e a bailarina de forma semelhante à Romeu e Julieta, em que o casal é tão apaixonado que escolhe deixar de viver para permanecer junto.

Dessa forma, podemos pensar na história como um ponto de partida para imaginar em conjunto com as crianças outros possíveis desfechos, onde o casal consegue traçar caminhos mais positivos e felizes.

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Laura Aidar
Laura Aidar
Arte-educadora, artista visual e fotógrafa. Licenciada em Educação Artística pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) e formada em Fotografia pela Escola Panamericana de Arte e Design.