Conto O patinho feio


Rebeca Fuks
Rebeca Fuks
Doutora em Estudos da Cultura

O conto O patinho feio, escrito pelo autor dinamarquês Hans Christian Andersen (1805-1875) e publicado pela primeira vez em 11 de novembro de 1843, é um dos clássicos da literatura infantil e já foi reescrito e adaptado para uma série de veículos ao longo das décadas.

A história de um patinho que acreditava ser feio até se descobrir um belo cisne encanta milhares de crianças mundo afora e permite que de uma sucinta história se tire uma série de lições importantes para a vida.

Resumo

O nascimento do patinho

Era uma vez uma pata que escolheu cuidadosamente onde fazer o seu ninho. Afinal os colocou em um local protegido, perto do rio, com muitas folhagens. A pata foi chocando os ovos até aqueles começaram a se romper dando origem a patinhos amarelinhos muito belos.

Apenas um ovo, maior, permaneceu intacto. Intrigada ela chocou ainda mais e depois acabou por ajudar a romper a casca com o bico. De lá saiu um filhote estranho, cinza, completamente diferente dos outros.

patinho feio

A descoberta da diferença

Todos os que davam parabéns à pata - o peru, as galinhas, o porquinho - diziam que ela havia tido uma ninhada linda, exceto pelo patinho feio.

"Ele é grande e sem graça", "Tem um ar abobalhado", acusavam aqueles que não sabiam lidar o pássaro diferente da ninhada.

Os irmãos do patinho feio percebendo a situação passaram então a excluir aquele que era meio esquisito.

patinho feio

Por fim a própria pata passou a sentir vergonha e a abandonar o filhote diferente.

O abandono e o sofrimento

E o patinho feio cresceu assim - sozinho e em sofrimento -, tendo que aturar as bicadas das galinhas e a perseguição de outros animais. Cansado de sofrer, um belo dia o patinho feio resolveu fugir.

Primeiro encontrou um lago repleto de marrecos. Lá não ligaram para o patinho feio. Habituado ao sofrimento, pelo menos era melhor passar mais despercebido do que levar com a agressão dos outros animais. Mas a tranquilidade durou pouco, um dia caçadores chegaram e espantaram todos.

Perdido novamente no mundo encontrou uma outra lagoa que serviu de abrigo. Lá viu pela primeira vez belos cisnes brancos e ficou instantaneamente admirado. Ainda errante, procurou mais alguns abrigos e sofreu por todos onde esteve.

A autodescoberta do patinho e o seu final feliz

Enquanto isso o patinho foi se desenvolvendo e, ao encontrar um novo abrigo, ao lado dos cisnes, descobriu pelo reflexo da água que ele próprio era também uma daquelas criaturas que tanto admirava.

patinho feio

Os cisnes do grupo imediatamente deram as boas vindas e o patinho, antes humilhado, passou a ter a companhia dos irmãos da mesma espécie ficando com o coração cheio de felicidade.

A história se encerra com a constatação de que um belo dia uma criança estava passeando pelo lago quando, ao olhar para o antigo patinho feio, e disse admirado: "olhem, pais, tão lindo esse cisne novo, é o mais bonito de todos!".

Lições: o que aprendemos com a história do Patinho Feio

Como lidar com a autoestima

O conto de fadas do patinho feio estimula a autoestima da criança de diferentes maneiras.

Por um lado ensina os pequenos a não julgarem o que é diferente, isto é, o diferente jamais deve ser ostracizado ou deixado de lado. Devemos antes aceitar aquilo que é diferente e enxergar beleza no que cada ser tem de especial.

patinho feio

O patinho feio também nos ensina a não tentarmos ser aquilo que não somos, antes devemos ter orgulho daquilo que nos diferencia do grupo.

A narrativa nos alerta igualmente para a importância de não ceder à pressão social ocultando ou diminuindo aquelas que são as nossas características individuais.

A importância de persistir

Outro ensinamento importante dado por Hans Christian Andersen é que a resiliência e a persistência são essenciais.

Repare como o patinho feio persiste na sua jornada mesmo quando todos o humilham sucessivamente.

A cada nova tentativa o pobre patinho parece ser mais massacrado, mas ainda assim ele tem esperança de encontrar um lugar melhor - e afinal encontra.

patinho feioA procura pelo seu lugar no mundo

O patinho feio sente que claramente não pertence ao ninho onde nasceu. Conforme vai amadurecendo, cansado das humilhações constantes, ele vai em busca de um ambiente que o acolha na sua diferença.

O percurso do protagonista para encontrar amigos e um lago com mais compaixão foi tortuoso, o patinho passou por uma série de experiências cruéis que deixavam ainda mais evidente a discriminação. Vale sublinhar, porém, que ele jamais desistiu da sua jornada pessoal rumo à dias melhores.

patinho feio

Portanto, uma das lições mais importantes do conto é: tente sempre encontrar o seu lugar no mundo caso não se sinta confortável onde está. Nunca se renda ao conformismo ou baixe a cabeça.

Adaptação de O patinho feio para desenho animado feita pela Disney

A história do patinho feio recebeu uma série de adaptações para o audiovisual ao longo das décadas.

Provavelmente a adaptação mais famosa foi a realizada em 1939 pelos estúdios Disney.

A animação de cerca de 9 minutos foi dirigida por Jack Cutting e lançada nos cinemas no dia 7 de abril. Confira o desenho animado na íntegra:

Quem foi Hans Christian Andersen

Hans Christian Andersen nasceu na Dinamarca no dia 2 de abril de 1805. Supostamente filho de uma mãe lavadeira e de um pai sapateiro, teria ficado órfão de pai muito jovem, aos 11 anos, tendo tido uma infância profundamente humilde.

Há, no entanto, suspeitas não confirmadas de que, na verdade, ele seria filho bastardo do rei Christian VIII com uma condessa anônima.

Hans Christian Andersen
Retrato de Hans Christian Andersen

O que se sabe é que Hans Christian Andersen ficou solteiro durante a vida e não teve filhos, tendo dedicado grande parte do seu tempo à composição de textos literários que transcenderam gerações baseados no folclore dinamarquês.

São de sua autoria clássicos como A pequena sereia, A roupa nova do rei e Soldadinho de chumbo.

Hans Christian Andersen faleceu no dia 4 de agosto de 1875.

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Rebeca Fuks
Rebeca Fuks
Formada em Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (2010), mestre em Literatura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2013) e doutora em Estudos de Cultura pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e pela Universidade Católica Portuguesa de Lisboa (2018).