4 histórias infantis para dormir


Laura Aidar
Laura Aidar
Arte-educadora e artista visual

Ao final de um dia cansativo, as histórias infantis podem ser recursos criativos e divertidos para ajudar as crianças a pegarem no sono.

Isso porque, muitas vezes, os pequenos têm dificuldades em relaxar e simplesmente adormecer, precisando da atenção dos cuidadores.

Assim, as histórias para dormir podem ser contadas a fim de induzir ao sono, ao mesmo tempo que estimulam a imaginação e fantasia.

1. Bela Adormecida

Em um reino muito longe, existia um rei e uma rainha que estavam muito contentes, pois aguardavam a chegada de sua primeira filha.

Um dia, a rainha deu à luz à linda menina, que recebeu o nome Aurora. No dia do batismo, os pais fizeram uma festa e convidaram as fadas do lugar. Cada uma delas ofereceu como presente uma dádiva, uma bênção.

Entretanto, uma fada não foi convidada, e ela ficou muito zangada. Assim, no dia da festa, resolveu aparecer de surpresa e lançou um feitiço na pequena menina, dizendo que quando completasse 15 anos picaria o dedo em uma roca de fiar e morreria.

Todos ficaram muito assutados. Mas uma das fadas boas ainda não tinha concedido sua bênção e conseguiu alterar a maldição dizendo:

— Eu não posso desfazer completamente o encantamento, mas posso mudá-lo. Assim, Aurora picará o dedo na roca, mas não morrerá. Ela irá dormir por cem anos e só despertará com o beijo de um príncipe.

Os pais de Aurora ficaram aflitos e mandaram destruir todas as rocas do reino. O tempo passou e tudo parecia calmo.

Até no dia do aniversário de 15 anos da princesa, ela resolve dar uma volta pelos arredores do castelo e adentrar a floresta.

Lá encontra uma cabana e decide entrar. Eis que encontra um objeto que nuca tinha visto antes, uma roca!

Aurora então, muito curiosa, coloca o dedo na agulha e se pica, caindo em sono profundo.

Uma das fadas boas que passava pelo lugar, entra na cabana e vê a garota adormecida. Ela então a leva para o castelo e a deita em sua cama. O feitiço acaba adormecendo todos os habitantes do castelo também.

Os anos passam e a floresta toma conta do lugar. A história da bela adormecida fica conhecida por todos como uma lenda e muito príncipes tentam chegar até lá, sem sucesso.

Até que, passados cem anos, um príncipe corajoso consegue passar todos os obstáculos e encontrar a moça dormindo. Ele a beija e ela desperta, assim como todos do castelo.

Os dois se apaixonam e se casam, vivendo felizes para sempre.

Em A Bela Adormecida, temos uma história que nos conta sobre a transição para uma nova fase da vida. Aqui, a personagem adormece por um longo período, o que simboliza que ela está crescendo psicologicamente.

Assim, ao se sentir preparada, a princesa desperta ao encontrar-se com um lado masculino de sua psiquê e pode finalmente passar para a vida adulta.

2. A princesa e a ervilha

Há muitos anos, havia um príncipe que morava com seu pai em um reino muito distante. O moço andava triste, pois procurava em todo o canto, mas não encontrava uma princesa para se casar.

Assim, em uma noite fria e chuvosa, bateu à porta de seu castelo uma moça muito bonita. Ela estava encharcada e dizia ser uma princesa que havia ficado presa na tempestade, sem conseguir voltar para seu reino. Por isso, a jovem pedia ajuda e abrigo por aquela noite.

O rei, que a recebeu, ficou cismado se ela era mesmo uma princesa. Então, para ter certeza, preparou um aposento com sete colchões, um sobre o outro, e embaixo deles colocou uma pequena ervilha.

A moça foi levada ao quarto e estranhou aquela cama tão diferente, mas não questionou, pois estava muito cansada. Ainda assim, não conseguiu dormir direito.

Na manhã seguinte, o rei e o príncipe perguntaram à jovem como passou a noite e a moça respondeu:

— Agradeço muito a estadia, mas infelizmente não consegui ter uma noite de sono tranquilo. Senti alguma coisa me incomodando a noite inteira.

Com essa resposta, se teve a confirmação de que tratava de uma princesa verdadeira. Assim, o príncipe se apaixonou, pedindo sua mão em casamento. A princesa aceitou e eles viveram felizes para sempre.

A princesa e a ervilha é uma história que trata da busca por alguém que consiga enxergar as coisas para além do mundo material. Isso porque o príncipe queria como companheira uma verdadeira princesa, ou seja, alguém nobre de alma.

Então, quando a jovem é capaz de sentir uma pequena ervilha embaixo de sete colchões, é como se ela conseguisse captar a "essência" da vida, as coisas que aparentemente não são vistas. Os colchões representam as diversas camadas e distrações do mundo material.

3. Cachinhos dourados

Numa floresta muito distante, caminhava despreocupada uma menininha de cabelos loiros e cacheados.

A menina era bastante curiosa e ao avistar uma casa, logo entrou para ver como era. Cachinhos dourados, como era conhecida, não sabia que aquela casa era de uma família de ursos. Os moradores tinham saído para passear e deixaram suas tigelas com mingau esfriando em cima da mesa.

Quando Cachinhos viu os pratos com mingau, provou um por um. O primeiro estava frio, o segundo quase queimou sua língua de tão quente. Já o terceiro ela comeu tudo, pois estava morno e muito gostoso.

Depois, a menina viu três cadeiras. A primeira era desconfortável e dura, a segunda muito grande, e a última era do seu tamanho. Mas ao sentar nela, acabou quebrando-a.

Cansada, Cachinhos vai então até os quartos da casa e experimenta as três camas. Novamente, a primeira cama não serviu pra ela, pois era muito dura. A segunda era mole demais. A terceira caminha era perfeita, então ela se aconchegou e dormiu profundamente nela.

Quando voltaram do passeio, mamãe ursa, papai urso e o filhinho urso, viram que seus mingaus haviam sido mexidos. O ursinho ficou triste porque não tinha mais alimento em sua tigela.

Em seguida, viram suas cadeiras fora de lugar e mais uma vez o ursinho se chateou porque a sua estava quebrada.

Os três correram então para os quartos. Mamãe e papai urso viram que suas camas estavam reviradas e o filhinho começou a chorar ao ver que tinha uma garotinha dormindo em sua cama.

Ao ouvir a confusão, Cachinhos despertou e, envergonhada, disse que nunca mais entraria na casa dos outros sem ser convidada.

Em Cachinhos dourados, o tema que está por trás da narrativa é o crescimento, a saída da primeira infância. Através de metáforas, a garota tenta vivenciar o papel dos pais, mas se sente confortável ocupando o espaço do filhinho.

Apesar disso, percebe que já não cabe mais nesse lugar de criancinha, pois ao sentar-se na pequena cadeira, esta se quebra. Assim, quando a família chega, ela, que estava adormecida, absorvendo as vivências, desperta e se dá conta que deve viver um novo momento em sua vida.

4. Branca de neve

Há muito tempo, morava em um castelo uma rainha que estava bordando em frente a uma janela. Ao ver a paisagem coberta de neve, espetou o dedo na agulha.

Ela então fez um pedido: que tivesse uma filha branca como a neve, com os lábios vermelhos como o sangue os cabelos pretos como o a madeira de ébano.

Pouco tempo depois a rainha engravidou e teve uma linda menina com as características que havia desejado.

Mas infelizmente, ela morreu depois do nascimento de Branca, que ficou aos cuidados do pai.

Passado um tempo, o rei se casou novamente. A madrasta era uma mulher linda e vaidosa que tinha muito ciúmes e inveja da beleza da menina.

Por isso, ela consultava um espelho encantado e perguntava sempre:

— Espelho, espelho meu, existe alguém mais bela do que eu?

O espelho respondia que não, que a rainha era a mulher mais bonita de todo o reino.

Mas um dia, ao perguntar ao espelho, a resposta foi diferente. Ele disse:

— Ó minha rainha, você não é mais a mulher mais bonita do reino, pois Branca de Neve é a mais bela.

Então a malvada madrasta decide que Branca deveria morrer. Ela ordena que um caçador leve a menina até a floresta e arranque seu coração, trazendo-o como prova.

O caçador obedece à ordem, mas chegando na floresta, sente pena da menina e diz para ela fugir. Ele então mata um veado e pega seu coração para levar à rainha.

A partir desse momento, Branca de Neve passou a viver na floresta. Um dia, muito cansada, ela entra em uma casa e adormece em uma das camas. Os donos da casa eram sete anões e ficaram encantados ao vê-la dormindo.

Num susto, Branca acorda e faz amizade com eles. Ela passa a cuidar da casa, enquanto os homenzinhos trabalham.

Certa noite, a rainha descobre que sua enteada ainda estava viva, ao perguntar para o espelho. A malvada então se disfarça de velha camponesa e vai até Branca de Neve para lhe oferecer uma maçã envenenada. Ao morder a fruta, Branca cai em sono profundo.

Os anões, ao verem a jovem desacordada, a colocam em um caixão de cristal no meio da floresta.

Uma bela tarde, um príncipe que caminhava pelo lugar, vê a linda moça na caixa de cristal. Ele então a beija e ela acorda. Os dois se casam e vivem felizes para sempre.

Branca de Neve é um conto que trabalha também os momentos de transformação na vida. A garota, ao ir para a floresta, é como se estivesse buscando dentro de si novos mundos possíveis, afastada do castelo e da madrasta.

Dessa forma, ganha autonomia ao morar em outra casa, onde faz amizade com sete anões, que podem ser interpretados como seus recursos psicológicos para atravessar momentos difíceis.

Ao adormecer, Branca está assimilando suas novas habilidades antes de despertar novamente para outro momento de sua existência.

Curiosidade: lenda do João Pestana

Existe um personagem lendário de origem portuguesa que leva o nome de João Pestana. Segundo conta a cultura popular, essa seria uma figura que representa o sono.

Assim, João Pestana é um menino encabulado que chega devagar quando as crianças então quase dormindo e fecha seus olhos, saindo rapidamente. Por esse motivo, nunca foi visto.

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Laura Aidar
Laura Aidar
Arte-educadora, artista visual e fotógrafa. Licenciada em Educação Artística pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) em 2007 e formada em Fotografia pela Escola Panamericana de Arte e Design, localizada em São Paulo, em 2010.