11 histórias infantis para dormir (com interpretação)


Laura Aidar
Laura Aidar
Arte-educadora e artista visual
Atualizado em

Ao final de um dia cansativo, as histórias infantis podem ser recursos criativos e divertidos para ajudar as crianças a pegarem no sono.

Isso porque, muitas vezes, os pequenos têm dificuldades em relaxar e simplesmente adormecer, precisando da atenção dos cuidadores.

Assim, as histórias para dormir podem ser contadas a fim de induzir ao sono, ao mesmo tempo que estimulam a imaginação e fantasia.

1. Bela Adormecida

Em um reino muito longe, existia um rei e uma rainha que estavam muito contentes, pois aguardavam a chegada de sua primeira filha.

Um dia, a rainha deu à luz à linda menina, que recebeu o nome Aurora. No dia do batismo, os pais fizeram uma festa e convidaram as fadas do lugar. Cada uma delas ofereceu como presente uma dádiva, uma bênção.

Entretanto, uma fada não foi convidada, e ela ficou muito zangada. Assim, no dia da festa, resolveu aparecer de surpresa e lançou um feitiço na pequena menina, dizendo que quando completasse 15 anos picaria o dedo em uma roca de fiar e morreria.

Todos ficaram muito assustados. Mas uma das fadas boas ainda não tinha concedido sua bênção e conseguiu alterar a maldição dizendo:

— Eu não posso desfazer completamente o encantamento, mas posso mudá-lo. Assim, Aurora picará o dedo na roca, mas não morrerá. Ela irá dormir por cem anos e só despertará com o beijo de um príncipe.

Os pais de Aurora ficaram aflitos e mandaram destruir todas as rocas do reino. O tempo passou e tudo parecia calmo.

Até no dia do aniversário de 15 anos da princesa, ela resolve dar uma volta pelos arredores do castelo e adentrar a floresta.

Lá encontra uma cabana e decide entrar. Eis que encontra um objeto que nuca tinha visto antes, uma roca!

Aurora então, muito curiosa, coloca o dedo na agulha e se pica, caindo em sono profundo.

Uma das fadas boas que passava pelo lugar, entra na cabana e vê a garota adormecida. Ela então a leva para o castelo e a deita em sua cama. O feitiço acaba adormecendo todos os habitantes do castelo também.

Os anos passam e a floresta toma conta do lugar. A história da bela adormecida fica conhecida por todos como uma lenda e muito príncipes tentam chegar até lá, sem sucesso.

Até que, passados cem anos, um príncipe corajoso consegue passar todos os obstáculos e encontrar a moça dormindo. Ele a beija e ela desperta, assim como todos do castelo.

Os dois se apaixonam e se casam, vivendo felizes para sempre.

Interpretação

Em A Bela Adormecida, temos uma história que nos conta sobre a transição para uma nova fase da vida. Aqui, a personagem adormece por um longo período, o que simboliza que ela está crescendo psicologicamente.

Assim, ao se sentir preparada, a princesa desperta ao encontrar-se com um lado masculino de sua psiquê e pode finalmente passar para a vida adulta.

2. A princesa e a ervilha

Há muitos anos, havia um príncipe que morava com seu pai em um reino muito distante. O moço andava triste, pois procurava em todo o canto, mas não encontrava uma princesa para se casar.

Assim, em uma noite fria e chuvosa, bateu à porta de seu castelo uma moça muito bonita. Ela estava encharcada e dizia ser uma princesa que havia ficado presa na tempestade, sem conseguir voltar para seu reino. Por isso, a jovem pedia ajuda e abrigo por aquela noite.

O rei, que a recebeu, ficou cismado se ela era mesmo uma princesa. Então, para ter certeza, preparou um aposento com sete colchões, um sobre o outro, e embaixo deles colocou uma pequena ervilha.

A moça foi levada ao quarto e estranhou aquela cama tão diferente, mas não questionou, pois estava muito cansada. Ainda assim, não conseguiu dormir direito.

Na manhã seguinte, o rei e o príncipe perguntaram à jovem como passou a noite e a moça respondeu:

— Agradeço muito a estadia, mas infelizmente não consegui ter uma noite de sono tranquilo. Senti alguma coisa me incomodando a noite inteira.

Com essa resposta, se teve a confirmação de que tratava de uma princesa verdadeira. Assim, o príncipe se apaixonou, pedindo sua mão em casamento. A princesa aceitou e eles viveram felizes para sempre.

Interpretação

A princesa e a ervilha é uma história que trata da busca por alguém que consiga enxergar as coisas para além do mundo material. Isso porque o príncipe queria como companheira uma verdadeira princesa, ou seja, alguém nobre de alma.

Então, quando a jovem é capaz de sentir uma pequena ervilha embaixo de sete colchões, é como se ela conseguisse captar a "essência" da vida, as coisas que aparentemente não são vistas. Os colchões representam as diversas camadas e distrações do mundo material.

3. Branca de neve

Há muito tempo, morava em um castelo uma rainha que estava bordando em frente a uma janela. Ao ver a paisagem coberta de neve, espetou o dedo na agulha.

Ela então fez um pedido: que tivesse uma filha branca como a neve, com os lábios vermelhos como o sangue os cabelos pretos como o a madeira de ébano.

Pouco tempo depois a rainha engravidou e teve uma linda menina com as características que havia desejado.

Mas infelizmente, ela morreu depois do nascimento de Branca, que ficou aos cuidados do pai.

Passado um tempo, o rei se casou novamente. A madrasta era uma mulher linda e vaidosa que tinha muito ciúmes e inveja da beleza da menina.

Por isso, ela consultava um espelho encantado e perguntava sempre:

— Espelho, espelho meu, existe alguém mais bela do que eu?

O espelho respondia que não, que a rainha era a mulher mais bonita de todo o reino.

Mas um dia, ao perguntar ao espelho, a resposta foi diferente. Ele disse:

— Ó minha rainha, você não é mais a mulher mais bonita do reino, pois Branca de Neve é a mais bela.

Então a malvada madrasta decide que Branca deveria morrer. Ela ordena que um caçador leve a menina até a floresta e arranque seu coração, trazendo-o como prova.

O caçador obedece à ordem, mas chegando na floresta, sente pena da menina e diz para ela fugir. Ele então mata um veado e pega seu coração para levar à rainha.

A partir desse momento, Branca de Neve passou a viver na floresta. Um dia, muito cansada, ela entra em uma casa e adormece em uma das camas. Os donos da casa eram sete anões e ficaram encantados ao vê-la dormindo.

Num susto, Branca acorda e faz amizade com eles. Ela passa a cuidar da casa, enquanto os homenzinhos trabalham.

Certa noite, a rainha descobre que sua enteada ainda estava viva, ao perguntar para o espelho. A malvada então se disfarça de velha camponesa e vai até Branca de Neve para lhe oferecer uma maçã envenenada. Ao morder a fruta, Branca cai em sono profundo.

Os anões, ao verem a jovem desacordada, a colocam em um caixão de cristal no meio da floresta.

Uma bela tarde, um príncipe que caminhava pelo lugar, vê a linda moça na caixa de cristal. Ele então a beija e ela acorda. Os dois se casam e vivem felizes para sempre.

Interpretação

Branca de Neve é um conto que trabalha também os momentos de transformação na vida. A garota, ao ir para a floresta, é como se estivesse buscando dentro de si novos mundos possíveis, afastada do castelo e da madrasta.

Dessa forma, ganha autonomia ao morar em outra casa, onde faz amizade com sete anões, que podem ser interpretados como seus recursos psicológicos para atravessar momentos difíceis.

Ao adormecer, Branca está assimilando suas novas habilidades antes de despertar novamente para outro momento de sua existência.

4. Cinderela

Em um reino muito distante, existia um jovem casal que teve uma bela filha, a Cinderela. Eles moravam em uma casa muito bonita e eram felizes.

Mas um dia, a mãe morreu. Passado um tempo, o pai se casou novamente com uma senhora muito vaidosa que tinha duas filhas.

Quando o pai de Cinderela morreu, a madrasta e suas filhas passaram a tratar Cinderela como se fosse uma criada. Elas a obrigaram a fazer todo o serviço doméstico, dormir no sótão e se vestir com trapos.

Cinderela sofria muito, mas realizava as tarefas.

Certo dia, o vilarejo todo estava em polvorosa. Foi anunciado que o rei daria um baile para que o príncipe escolhesse aquela que se casaria com ele e se tornaria uma princesa.

Então todas as moças escolheram seus melhores vestidos para o evento. Menos Cinderela, que foi impedida pela madrasta de ir ao baile. Enquanto isso, suas “irmãs” estavam animadas provando vestidos caros.

Cinderela ficou muito triste e começou a chorar. Mas nesse momento, apareceu uma fada-madrinha que a ajudou. A moça ganhou um maravilhoso vestido azul-celeste cheio de brilhos. Seu cabelo também ficou incrível e ela estava pronta para o baile.

Além disso, a fada transformou uma abóbora em carruagem e um ratinho em cocheiro.

Cinderela podia, enfim, ir ao baile. Mas tinha um detalhe: ela deveria voltar para casa até meia-noite, que era quando o feitiço seria quebrado.

E assim a jovem se encaminhou à festa. Lá chegando, conheceu o príncipe, que ficou encantado. Os dois dançaram a noite toda.

Cinderela perdeu a noção do tempo e quando olhou o relógio, percebeu que faltavam poucos minutos para a meia-noite.

Então ela saiu correndo, apressada para chegar em casa.

O príncipe foi atrás dela, mas ela já tinha ido embora. Na pressa, Cinderela deixou cair um sapatinho de cristal.

O belo príncipe guardou o sapato com cuidado e no dia seguinte teve uma ideia para reencontrar sua amada.

Ele visitou todas as moças da região e as fez provar o calçado. O pé que se encaixasse seria o da nova princesa.

Então, quando o príncipe chegou na casa de Cinderela, suas irmãs já estavam prontas para vestir o sapatinho de cristal, mas obviamente ele não serviu.

O príncipe já estava indo embora, mas ao ver Cinderela, pediu que ela também experimentasse o sapato. Assim foi feito. Ao ver que o sapato era de Cinderela, ele ficou muito feliz e a levou para seu palácio, se casando com ela.

E então a jovem se tornou uma linda princesa e eles viveram felizes para sempre.

Interpretação

Cinderela, também conhecida como Gata Borralheira, é uma história que atravessou os séculos como um conto de superação.

Revela como a protagonista, injustiçada pela madrasta e pelas irmãs, consegue criar uma nova realidade para si e transformar sua dura vida.

A fada-madrinha pode ser vista como um aspecto de si mesma, que com criatividade, busca se diferenciar e conseguir autonomia.

5. A princesa e o sapo

Era uma vez uma jovem princesa que adorava brincar com sua bola dourada. Um dia, ela brincava próximo do lago real quando, sem querer, deixou o lindo objeto cair na água.

Ela ficou muito triste, pois não queria entrar no lago para resgatar a bola e molhar seu belo vestido.

Vendo a frustração da garota, um sapo que estava por perto disse:

— Ó princesa, porque está tão triste?

E ela respondeu:

— Minha bola de ouro caiu no lago e não posso pegá-la.

— Então deixe que eu pegue para você! Mas depois você deve me dar um beijo! - falou o sapo.

A jovem pensou um pouco, mas aceitou o combinado e prometeu cumprir a palavra.

Mas depois que a bola foi entregue, ela saiu correndo sem olhar para trás. O sapo ficou decepcionado e passou a cobrar a jovem sempre que a encontrava.

Um dia, já cansado, ele toma uma atitude. O sapo vai até o rei e explica o ocorrido, dizendo que sua filha não estava cumprindo com o combinado.

O rei chama a princesa, conversa com ela e diz que não devemos prometer coisas que não queremos cumprir.

Assim, a princesa toma coragem e beija o sapinho, que vira em um lindo príncipe. Ele então explica que uma feiticeira lhe transformou em sapo e que o encanto só seria quebrado com um beijo de princesa.

A partir de então, os dois ficam amigos e depois se apaixonam. Mais tarde eles se casam e vivem felizes para sempre.

Interpretação

A história traz elementos que sugerem que a protagonista está crescendo, amadurecendo. Podemos também destacar a importância de cumprir com a palavra. Isto é, não podemos prometer coisas que não pretendemos cumprir.

Claro que há compromissos que não conseguimos realizar, mas no momento que prometemos, a promessa deve ser sincera e não para conseguir algo em troca. Ou seja, não devemos usar outras pessoas para ter algum ganho.

6. A Bela e a Fera

Bela era uma moça muito gentil que vivia com seu pai, um simples comerciante.

Próximo de sua casa, morava em um castelo uma criatura um pouco esquisita. Era um príncipe que havia sido transformado por uma bruxa em uma Fera. Ele era coberto de pelos e tinha a aparência de um urso ou animal semelhante.

Tal encantamento só seria quebrado com um beijo sincero.

O pai de Bela um dia precisa viajar e pergunta se a filha gostaria que ele trouxesse algum presente. Ela lhe pede apenas que traga uma rosa.

Ele parte para sua viagem e, quando estava voltando, é surpreendido por uma tempestade. Então o sujeito vê o castelo da Fera e corre para se abrigar.

Ele toca a campainha, mas ninguém atende. Entretanto, a porta estava aberta e ele entra no castelo. Ao ver a lareira acessa, se aquece e acaba adormecendo na sala.

No dia seguinte, o pai de Bela se prepara para ir embora e, ao chegar no quintal do castelo, vê uma plantação de rosas.

Depois de colher algumas flores para Bela, e ainda com as rosas na mão, o homem se depara com a Fera, que estava muito brava e diz que vai matá-lo.

O homem explica o que aconteceu e pede para se despedir da filha, pedido que é concedido.

Quando chega em casa, ele conta para a moça o ocorrido e ela diz que irá até o castelo conversar com a Fera.

Assim é feito. Chegando ao castelo, a Fera se encanta por Bela e sugere que ela more com ele, assim deixará seu pai em paz.

Bela então vai morar com a Fera. No começo, os dois mantém certa distância, depois se tornam mais próximos. Até que um dia a Fera se apaixona pela jovem e a pede em casamento.

Ela recusa e pede que vá até à casa de seu pai para uma visita, prometendo voltar em uma semana.

Ela então faz a visita ao pai e demora mais do que o combinado para voltar. Quando retorna, vê Fera desfalecida no chão, quase morta.

Nesse momento, a moça se dá conta de que também amava Fera e a beija. Dessa forma, o feitiço é desfeito e Fera retorna à sua antiga forma de príncipe.

Os dois se casam e vivem felizes para sempre.

Interpretação

A Bela e a Fera traz uma história de amor que, ao contrário de outros contos de fadas, apresenta a construção de uma relação e não o “amor à primeira vista”.

Bela vai se apegando à Fera aos poucos, através da convivência. Assim, descobre que aquela criatura, a princípio desprezível por sua aparência, esconde um ser humano encantador.

Portanto, o conto revela como não devemos julgar as pessoas em um primeiro momento ou pela sua aparência.

7. Rapunzel

Era uma vez um casal muito pobre que morava em casa humilde. Eles estavam esperando um bebê.

Tinham como vizinha uma senhora muito estranha, diziam que era uma bruxa.

Certo dia, a mulher grávida acordou com muita vontade de comer as hortaliças que sua vizinha cultivava na horta.

Então, o marido tomou coragem e pegou algumas hortaliças sem pedir para a velha senhora.

Quando a bruxa viu o homem pegando suas verduras, ela ficou furiosa. Ele então explica que eram para sua mulher, que estava grávida e com desejo.

A vizinha fica contente com a revelação e diz que ele poderia levar quantas verduras quisesse, contanto que entregasse a criança assim que nascesse.

O trato é feito. Quando a mulher deu à luz, o marido entregou a menina para a vizinha.

A bruxa dá o nome de Rapunzel para a criança e cuida dela até os 12 anos, quando a prende em uma alta torre no meio da floresta.

A menina vive sozinha na torre e deixa seus cabelos crescerem. Para diminuir sua solidão, ela vivia cantando uma doce melodia que ecoava pela floresta.

Os longos cabelos de Rapunzel foram trançados e serviam de corda para que a bruxa subisse na torre de vez em quando.

Sempre que a bruxa chegava à torre, ela gritava:

— Jogue as tranças, Rapunzel!

Um dia, um príncipe que cavalgava por perto e já tinha ouvido o canto de Rapunzel, viu a cena da velha subindo pelos cabelos da moça. Ele fica curioso e, passado algum tempo, decide também gritar:

— Jogue as tranças, Rapunzel!

A moça joga o cabelo e o rapaz sobe ao seu quarto. Ela se assusta, mas depois eles ficam amigos.

As visitas do príncipe se tornam frequentes, até que eles se apaixonam.

Mas a bruxa acaba descobrindo as visitas do príncipe e, numa crise de maldade, corta os cabelos da filha adotiva e a abandona na floresta.

O príncipe vai visitar sua amada e sobe pelos cabelos (que continuaram servindo como corda). Mas ao chegar lá em cima, a bruxa o atira pela janela. Ele cai e fica gravemente ferido, perdendo ainda a visão.

Então o príncipe passa a andar cego e sem rumo pela mata. Ao ouvir o canto de Rapunzel, reconhece sua voz e vai até ela.

Os dois se abraçam e as lágrimas da amada caem sobre seus olhos, lhe devolvendo a visão.

Assim, eles se casam e vivem felizes para sempre.

Interpretação

Rapunzel faz parte das histórias compiladas pelos irmãos Grimm, escritores alemães que recolheram muitos contos de tradição popular no século XIX.

Nesse conto, o que vemos é uma garota aprisionada que usa os cabelos como corda para se conectar com o mundo.

A narrativa fala sobre liberdade e amor. Mesmo presa, a protagonista consegue chamar a atenção do príncipe através de canto. Ou seja, ela buscou a arte para poder sair de sua prisão.

No início, quem a salva é o príncipe, mas depois, é ela quem o salva ao restaurar sua visão com suas lágrimas de amor.

8. Cachinhos dourados

Numa floresta muito distante, caminhava despreocupada uma menininha de cabelos loiros e cacheados.

A menina era bastante curiosa e ao avistar uma casa, logo entrou para ver como era. Cachinhos dourados, como era conhecida, não sabia que aquela casa era de uma família de ursos. Os moradores tinham saído para passear e deixaram suas tigelas com mingau esfriando em cima da mesa.

Quando Cachinhos viu os pratos com mingau, provou um por um. O primeiro estava frio, o segundo quase queimou sua língua de tão quente. Já o terceiro ela comeu tudo, pois estava morno e muito gostoso.

Depois, a menina viu três cadeiras. A primeira era desconfortável e dura, a segunda muito grande, e a última era do seu tamanho. Mas ao sentar nela, acabou quebrando-a.

Cansada, Cachinhos vai então até os quartos da casa e experimenta as três camas. Novamente, a primeira cama não serviu pra ela, pois era muito dura. A segunda era mole demais. A terceira caminha era perfeita, então ela se aconchegou e dormiu profundamente nela.

Quando voltaram do passeio, mamãe ursa, papai urso e o filhinho urso, viram que seus mingaus haviam sido mexidos. O ursinho ficou triste porque não tinha mais alimento em sua tigela.

Em seguida, viram suas cadeiras fora de lugar e mais uma vez o ursinho se chateou porque a sua estava quebrada.

Os três correram então para os quartos. Mamãe e papai urso viram que suas camas estavam reviradas e o filhinho começou a chorar ao ver que tinha uma garotinha dormindo em sua cama.

Ao ouvir a confusão, Cachinhos despertou e, envergonhada, disse que nunca mais entraria na casa dos outros sem ser convidada.

Interpretação

Em Cachinhos dourados, o tema que está por trás da narrativa é o crescimento, a saída da primeira infância. Através de metáforas, a garota tenta vivenciar o papel dos pais, mas se sente confortável ocupando o espaço do filhinho.

Apesar disso, percebe que já não cabe mais nesse lugar de criancinha, pois ao sentar-se na pequena cadeira, esta se quebra. Assim, quando a família chega, ela, que estava adormecida, absorvendo as vivências, desperta e se dá conta que deve viver um novo momento em sua vida.

9. Patinho feio

Era uma vez uma pata que tinha botado cinco ovinhos. Ela esperava ansiosa seus filhos nascerem.

Um dia, as cascas começam a se quebrar e os filhotes foram saindo um por um. Todos eram muito bonitos, mas o último era um pouco esquisito.

Então a pata olhou para ele e disse:

— Que patinho estranho! Tão diferente, não acredito que é meu filho!

Os irmãos também rejeitaram o patinho, assim como toda a bicharada do lugar.

O pato foi crescendo muito triste e solitário, pois sentia que ninguém gostava dele.

Assim, tem a ideia de sair daquele lugar para buscar a felicidade.

Ele encontra um homem que o leva para casa, mas lá havia um gato e eles não se deram bem.

Depois ele continua sua busca e chega em um lago, onde avista várias aves lindas nadando, contentes. Eram cisnes!

As aves olham para ele e o convidam para se juntar a elas. O patinho, ainda meio surpreso, vai até lá. Quando chega, percebe que aquelas aves maravilhosas eram parecidas com ele. Ao olhar seu reflexo nas águas, vê que ele era igual a elas mesmo! Ele não era um pato, ele era um cisne!

E assim, ao encontrar sua verdadeira família, o patinho (que não era pato!) vive feliz para sempre.

Interpretação

O conto, de autoria de Hans Christian Andersen, data de 1843. Nele, há várias situações que exibem a busca por pertencimento e aceitação.

O patinho, nascido em uma família que não o reconhecia como um igual, parte em uma jornada de autoconhecimento e acaba então sendo acolhido.

A história nos mostra a importância de estarmos cercados de pessoas que nos valorizam. Revela ainda a necessidade de nos afastarmos de situações que tiram nossas energias e diminuem a auto-estima.

10. João e o pé de feijão

Era uma vez um garotinho muito pobre. Seu nome era João e ele vivia com a mãe em uma casa simples afastada da cidade.

Os dois estavam passando por dificuldades e não tinham mais o que comer. A única coisa que tinham era uma vaca, mas ela não dava leite, pois estava muito velha.

Um dia a mãe de João disse para ele levar o animal para a cidade e tentar vendê-lo, só assim poderiam ter algum dinheiro naquele mês.

O menino então obedeceu sua mãe e saiu com a vaca. No meio do caminho, porém, ele encontrou um sujeito bem misterioso que lhe ofereceu um punhado de feijões em troca da vaca. O homem disse que os grãos eram mágicos e que deveriam ser plantados naquele dia.

João aceita a troca e volta satisfeito e confiante para a casa.

Mas quando sua mãe descobriu que o filho tinha vendido a vaca por uns simples feijões, não acreditou na história de que eram mágicos e os atirou pela janela, furiosa.

João ficou muito triste e foi dormir contrariado.

Acontece que no meio da noite algo incrível aconteceu. As sementinhas brotaram e um pé de feijão gigantesco cresceu no quintal.

Ao acordar, João quase não acreditou, ele achou que ainda estava sonhando. Mas era real!

O menino então não pensou duas vezes, saiu correndo em direção à árvore e começou a subir.

A escalada não foi fácil e ele sentiu medo, pois era uma árvore muito alta que chegava até o céu.

Quando João finalmente chegou no topo ele percebeu que estava entre as nuvens. O garoto então desceu e se deparou com um lugar muito diferente onde havia um enorme castelo.

Assim, ele se aproximou do castelo com cuidado e encontrou uma senhora. Eles conversaram e ela contou que ali morava um gigante malvado, então escondeu o menino no castelo enquanto o gigante dormia.

Depois de dormir muito, o gigante acordou e, apesar de ainda estar com sono, estava morrendo de fome! Ele tinha um ótimo olfato e logo sentiu cheiro de criança.

Mas a mulher fez uma grande refeição para ele, o que o deixou mais calmo. Assim, satisfeito, ele pediu que a sua galinha encantada botasse ovos de ouro para ele e que sua harpa tocasse música sozinha.

Enquanto isso, João assistia fascinado a tudo aquilo.

O gigante, que era muito preguiçoso, dormiu novamente. João então aproveitou o momento e, enquanto a senhora estava fazendo outras tarefas, pegou a galinha e a harpa e fugiu em direção ao pé de feijão.

O gigante percebeu e foi atrás do menino, mas a essa altura, ele estava longe e já descia pela árvore.

João consegue descer bem rápido e o gigante também começa a descer, mas quando o garoto chega, corta a grande árvore.

O gigante então cai de lá de cima, estatelado no chão e não levanta mais.

João agora com a galinha dos ovos de ouro consegue ganhar dinheiro e ter prosperidade. Sua mãe fica feliz!

A senhora que era empregada do gigante se torna a dona do castelo e também vive feliz no céu.

Interpretação

Em João e o pé de feijão, temos uma história que fala sobre a separação entre mãe e filho e a autonomia.

O menino está em busca de novas experiências, e tendo a intuição como guia, adquire as sementes que farão com que suba ao” desconhecido”.

Assim, esse caminho é difícil e dá medo, mas é preciso fazê-lo. Ao chegar, o garoto se depara com situações em que é necessário ter cuidado e enfrentar o “gigante”, que simboliza aspectos de sua própria identidade, como a vaidade e o egoísmo.

Mas há sucesso nessa busca e, ao voltar da jornada, João traz consigo as riquezas que ganha com o processo.

11. O leão e o ratinho

Era uma vez um leão. Um dia, ele dormia profunda mente na selva quando começou a sentir cosquinhas e percebeu que um grupo de ratinhos estava a correr em cima dele.

Então o leão acordou e, assustados, os ratinhos correram para o meio da mata.

Mas um deles não conseguiu escapar e acabou preso entre as patas do enorme rei da floresta.

Com medo, o ratinho implorou:

— Ó seu leão, por favor, não me coma! Eu te peço!

O leão pensou e perguntou:

— Mas porque eu não deveria comê-lo?

O rato respondeu:

— Quem sabe se um dia você precisar de mim, eu posso ajudá-lo!

Então o leão soltou o ratinho, que seguiu feliz para junto de seus amigos.

O tempo passou e um dia o leão foi capturado por um grupo de homens maus, que o prenderam em uma rede.

O mesmo ratinho, que estava por perto, ouviu os gritos de socorro do leão e foi até lá. Então, lembrando-se que leão havia poupado sua vida, o pequeno roedor mastigou e mastigou a corda, conseguindo cortá-la e libertar o leão.

Os dois ficaram amigos a partir de então.

Interpretação

Essa pequena fábula foi criada por Esopo, escritor da Grécia Antiga, no século VI a. C.

A narrativa traz como moral a ideia de que quem faz o bem recebe o bem. Trata de assuntos como a solidariedade, a confiança e a amizade.

Além disso, nos mostra que independente do tamanho, todos os serem possuem suas habilidades e a ajuda pode vir dos mais singelos amigos.

Curiosidade: lenda do João Pestana

Existe um personagem lendário de origem portuguesa que leva o nome de João Pestana. Segundo conta a cultura popular, essa seria uma figura que representa o sono.

Assim, João Pestana é um menino encabulado que chega devagar quando as crianças então quase dormindo e fecha seus olhos, saindo rapidamente. Por esse motivo, nunca foi visto.

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Laura Aidar
Laura Aidar
Arte-educadora, artista visual e fotógrafa. Licenciada em Educação Artística pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) e formada em Fotografia pela Escola Panamericana de Arte e Design.