8 contos infantis que as crianças vão adorar


Laura Aidar
Laura Aidar
Arte-educadora e artista visual
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Os contos infantis são recursos criativos para levar entretenimento e ensinamentos às crianças.

Através de narrativas interessantes, é possível oferecer aos pequenos ferramentas para darem asas à imaginação e, ao mesmo tempo, fortalecerem sua saúde emocional.

Por isso, selecionamos contos, lendas e histórias curtas diversas para serem lidas para as crianças.

1. A galinha dos ovos de ouro

Ovos dourados em ninho.

Era uma vez um fazendeiro que tinha uma galinha. Um dia ele percebeu que a galinha havia botado um ovo de ouro! Ele então pegou o ovo e foi logo mostrar para a esposa:

— Olha só! Ficaremos ricos!

Assim, foi até a cidade e vendeu o ovo por um bom valor.

No dia seguinte, foi ao galinheiro e viu que a galinha tinha botado outro ovo de ouro, que ele também vendeu.

A partir de então, todos os dias o fazendeiro ganhava um ovo de ouro de sua galinha. Ele ficava cada vez mais rico e ganancioso.

Certo dia teve uma ideia e disse:

— O que será que tem dentro dessa galinha? Se ela bota ovos de ouro, então deve ter um tesouro dentro dela!

E então matou a galinha e viu que no seu interior não havia tesouro nenhum. Ela era igual a todas as outras. Assim, o rico fazendeiro perdeu sua galinha dos ovos de ouro.

Essa é uma das fábulas de Esopo e conta a história de um homem que, por conta de sua ganância, acabou perdendo a fonte de sua riqueza.

Com esse pequeno conto aprendemos que: Quem tudo quer, tudo perde.

2. Lenda Ubuntu

Uma vez, um homem branco foi visitar uma tribo africana e se perguntou quais eram os valores daquelas pessoas, ou seja, o que elas consideram importante para a coletividade.

Então ele sugeriu uma brincadeira. Propôs para as crianças que fizessem uma corrida até uma árvore onde havia uma cesta cheia de frutas. Quem chegasse primeiro poderia ficar com a cesta inteira.

As crianças então esperaram o sinal para começar a brincadeira e saíram de mãos dadas em direção à cesta. Por isso, chegaram ao mesmo tempo no lugar e puderam dividir as frutas que estavam na cesta.

O homem, curioso, quis saber:

— Se apenas uma criança poderia ficar com o prêmio todo, por que vocês deram as mãos?

Uma delas respondeu:

— Ubuntu! Não é possível haver felicidade se um de nós estiver triste!

O homem ficou comovido.

Essa é uma história africana que trata da solidariedade, espírito de cooperação e igualdade.

“Ubuntu” é uma palavra que vêm da cultura Zulu e Xhosa e significa “Sou quem sou porque somos todos nós”.

3. A pomba e a formiga

Desenho de uma pomba colocando um galho no rio para uma formiga

Certo dia uma formiga foi até um rio para beber água. Como a correnteza estava forte, foi arrastada rio adentro e estava quase morrendo afogada.

Nesse momento, uma pomba que sobrevoava a região, viu o sufoco da formiga, tirou uma folha de uma árvore e jogou no rio perto da pequena formiga.

A formiga então subiu na folha e conseguiu se salvar.

Depois de algum tempo, um caçador, que estava de olho na pomba, se prepara para capturá-la com uma armadilha.

A formiguinha percebeu a má intenção do homem e, com rapidez, dá uma picada em seu pé.

O caçador então ficou atordoado, com muita dor. Ele deixou cair a armadilha, assustando a pomba, que conseguiu escapar.

Essa fábula de Esopo traz como ensinamento a importância da solidariedade e união.

Diz também que devemos reconhecer em todos o potencial de ajudar, mesmo que o outro seja “menor”, como a formiga.

4. O relógio

O relógio de Nasrudin vivia marcando a hora errada.

— Mas será que não dá pra fazer alguma coisa? - alguém comentou.

— Fazer o que? - falou outra pessoa

— Bem, o relógio nunca marca a hora certa. Qualquer coisa que se faça já será uma melhora.

Narsudin deu um jeito de quebrar o relógio e ele parou.

— Você tem toda razão - disse ele. - Agora já dá para sentir uma melhora.

— Eu não quis dizer “qualquer coisa”, assim literalmente. Como é que agora o relógio pode estar melhor do que antes?

— Bem, antes ele nunca marcava a hora certa. Agora, pelo menos, duas vezes por dia ele vai estar certo.

Essa é uma história vinda da Turquia e retirada do livro Os grandes contos populares do mundo, da editora Ediouro.

Aqui, podemos tirar a lição de que: É melhor estar certo algumas vezes do que jamais estar certo.

5. O cachorro e o crocodilo

Um cachorro estava com muita sede e se aproximou de um rio para beber água. Mas ele viu que ali perto havia um grande crocodilo.

Assim, o cão ia bebendo e correndo, ao mesmo tempo.

O crocodilo, que desejava fazer do cão seu jantar, fez a seguinte pergunta:

— Por que você está correndo?

E ainda falou, com jeito gentil de quem está dando um conselho:

— Faz muito mal beber água assim e sair correndo.

— Sei disso muito bem - respondeu o cachorro. - Mas seria ainda pior deixar que você me devore!

Essa é uma fábula de Félix Maria Samaniego (1745-1801), professor e escritor espanhol que criou histórias para seus alunos no século XVIII.

Nessa narrativa curta também temos animais para representar comportamentos humanos. No caso, a moral apresentada é para que se tenha cuidado ao ouvir recomendações de quem, na verdade, quer o nosso mal. Assim, não devemos seguir os conselho de um inimigo.

O conto foi retirado do livro Clássicos da infância - Fábulas do mundo inteiro, da editora Círculo do Livro.

6. Como se fosse dinheiro - Ruth Rocha

Todos os dias, Catapimba levava dinheiro para a escola para comprar o lanche.
Chegava no bar, comprava um sanduíche e pagava seu Lucas.
Mas seu Lucas nunca tinha troco:
– Ô, menino, leva uma bala que eu não tenho troco.
Um dia, Catapimba reclamou de seu Lucas:
– Seu Lucas, eu não quero bala, quero meu troco em dinheiro.
– Ora, menino, eu não tenho troco. Que é que eu posso fazer?
– Ora, bala é como se fosse dinheiro, menino! Ora essa… […]
Aí, o Catapimba resolveu dar um jeito.
No dia seguinte, apareceu com um embrulhão debaixo do braço. Os colegas queriam saber o que era. Catapimba ria e respondia:
– Na hora do recreio vocês vão ver…
E, na hora do recreio, todo mundo viu.
Catapimba comprou o seu lanche. Na hora de pagar, abriu o embrulho. E tirou de dentro… uma galinha.
Botou a galinha em cima do balcão.
– Que é isso, menino? – perguntou seu Lucas.
– É para pagar o sanduíche, seu Lucas. Galinha é como se fosse dinheiro… O senhor pode me dar o troco, por favor?
Os meninos estavam esperando para ver o que seu Lucas ia fazer.
Seu Lucas ficou um tempão parado, pensando…
Aí, colocou umas moedas no balcão:
– Está aí seu troco, menino!
E pegou a galinha para acabar com a confusão.
No dia seguinte, todas as crianças apareceram com embrulhos debaixo do braço.
No recreio, todo mundo foi comprar lanche.
Na hora de pagar…
Teve gente que queria pagar com raquete de pingue pongue, com papagaio de papel, com vidro de cola, com geleia de jabuticaba…
E, quando seu Lucas reclamava, a resposta era sempre a mesma:
– Ué, seu Lucas, é como se fosse dinheiro…

Esse conto de Ruth Rocha está presente no livro Como se fosse dinheiro, da editora Salamandra. Aqui, a autora trata de um assunto pouco abordado com as crianças, que é o valor do dinheiro.

Através de uma história que se aproxima da realidade infantil, ela toca em pontos importantes para que se aprenda desde cedo como funcionam as trocas monetárias. Além disso, também traz a esperteza e a coragem.

7. As duas panelas

Era uma vez duas panelas que estavam perto uma da outra ao lado de um rio. Uma era de barro e a outra era de ferro. A água encheu a margem do rio e carregou as panelas, que flutuaram.

A panela de barro mantinha-se o mais longe possível da outra. Então a panela de ferro falou:

– Não tenha medo, não te farei mal.

– Não, não - respondeu a outra -, você não me fará mal de propósito, eu sei. Mas, se por acaso nos chocássemos uma com a outra, o mal estaria feito para mim. Por isso, não poderemos ficar próximas.

Essa é uma história de Jean-Pierre Claris de Florian (1755-1794), um escritor e fabulista francês. O conto foi tirado do livro Clássicos da infância - Fábulas do mundo inteiro, da editora Círculo do Livro.

Na situação retratada, o autor traz como personagens objetos feitos de materiais diferentes para representar as fragilidades e necessidades diversas das pessoas.

Assim, a panela de barro, sabendo que se quebraria e poderia afundar no rio se por acaso batesse na de ferro, se mantém longe por precaução.

A moral da história é que devemos nos proteger de pessoas que podem nos causar mal, mesmo sem querer.

8. O príncipe sapo

Era uma vez uma princesa que brincava com sua bola dourada perto de um lago em seu castelo. Por um descuido, ela deixou a bola cair no lago, o que a deixou muito triste.

Um sapo apareceu e lhe disse que buscaria a bola, contanto que ela lhe desse um beijo.

A princesa concordou e o sapo buscou a bola pra ela. Mas ela saiu correndo sem cumprir a promessa.

O sapo ficou muito decepcionado e começou a seguir a princesa em todos os lugares. Ele então bateu na porta do castelo e falou para o rei que sua filha não havia cumprido uma promessa. O rei conversou com a princesa e explicou que ela deveria fazer o que foi combinado.

Então, a garota tomou coragem e beijou o sapo. Para sua surpresa ele se transformou em um belo príncipe. Eles se apaixonaram e se casaram.

Esse antigo conto de fada traz reflexões sobre a importância de se cumprir com a palavra. Não devemos prometer coisas que não pretendemos realizar, apenas para satisfazer algum desejo.

Outro valor que também é colocado é sobre não julgarmos as pessoas pela sua aparência.

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Laura Aidar
Laura Aidar
Arte-educadora, artista visual e fotógrafa. Licenciada em Educação Artística pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) e formada em Fotografia pela Escola Panamericana de Arte e Design.