25 livros de romance que você não pode deixar de ler


Rebeca Fuks
Rebeca Fuks
Doutora em Estudos da Cultura

O gênero literário que estamos tratando deriva dos contos épicos e, em termos históricos, podemos situar Dom Quixote (do espanhol Miguel de Cervantes) como o precursor do romance moderno.

Essas narrativas longas fazem enorme sucesso entre o público leitor há séculos sendo, no contexto contemporâneo, dos gêneros literários mais consumidos pela cultura ocidental.

Porque acreditamos no poder transformador dos livros e nas histórias fascinantes encerradas entre a capa e a contracapa, escolhemos obras imperdíveis para sugerir a quem é fã do gênero.

1. Memorial do Convento (1982), de José Saramago

Memorial do convento

Publicado em 1982, o romance de José Saramago mistura ficção e História ao narrar o processo de construção do suntuoso convento de Mafra. Com um toque de literatura fantástica, o livro se mostra uma leitura repleta de imagens poéticas e líricas.

No romance dois universos correm em paralelo: o da corte (representado pelo rei D.João V e pela sua esposa, a rainha D.Maria Ana Josefa) e o da plebe (representado pelos pobres Baltazar e Blimunda).

Essas histórias se cruzam quando o rei D.João V decide fazer uma promessa para erguer um convento caso tenha filhos. Como o milagre se realiza, o edifício começa a ser levantado. Baltazar trabalhará na obra.

Então D.João, o quinto do seu nome, assim assegurado sobre o mérito do empenho, levantou a voz para que claramente o ouvisse quem estava e o soubessem amanhã cidade e reino, Prometo, pela minha palavra real, que farei construir um convento de franciscanos na vila de Mafra se a rainha me der um filho no prazo de um ano a contar deste dia em que estamos

Além de ser uma narrativa bastante prazerosa e cheia de reviravoltas, Memorial do Convento vale a leitura porque nos faz pensar sobre as relações de poder e as injustiças que historicamente foram cometidas.

Lemos nas palavras de Saramago duras críticas sociais ao seu país, que consagrava reis e rainhas que nada fizeram, e relegava o anonimato aqueles que efetivamente trabalharam para construir o patrimônio nacional.

Os protagonistas da história são personagens ímpares que merecem ser conhecidos. Baltazar é um ex-militar que foi dispensado da tropa após perder uma mão na guerra, e Blimunda é filha de uma bruxa e tem o dom de ver o interior das pessoas quando está em jejum.

Sugerimos a leitura desse memorável romance para todos aqueles que se interessam por narrativas históricas e que se fascinam por universos fantásticos.

Memorial do Convento encontra-se disponível para download gratuito em formato pdf.

2. Em busca do tempo perdido (1913), de Marcel Proust

Proust

Um clássico que nunca perde a validade, essa poderia ser uma boa definição para caracterizar os tomos de Em busca do tempo perdido, a obra-prima do escritor francês Marcel Proust.

O romance de dimensões enormes tem um narrador em primeira pessoa que apenas rapidamente é nomeado (não por acaso chamam-o de Marcel).

O romance, que se baseia na exploração dos meandros da memória e num mergulho no passado, é capaz de provocar identificação imediata com cada um de nós.

Para se ter ideia do tom da escrita, em uma das passagens mais brilhantes do livro o protagonista dá uma mordida em uma madeleine e o sabor do bolinho transporta o narrador para a infância:

o aroma e o sabor permanecem ainda por muito tempo, como almas, chamando-se, ouvindo, esperando, sobre as ruínas de tudo o mais, levando sem se submeterem, sobre suas gotículas quase impalpáveis, o imenso edifício das recordações

A obra, que foi escrita nos últimos quinze ou dezesseis anos de vida do autor, é de uma delicadeza ímpar e narra com detalhes a infância e a adolescência do protagonista com todas as inquietações que o amadurecimento envolve.

Vemos a maneira como o personagem se relaciona com as pessoas ao redor e observamos situações caricatas, por vezes encobertas por ciúme, raiva, mas sobretudo por afeto.

As mais de três mil páginas passam num instante e rapidamente o leitor cria um laço com o protagonista que faz com que ele se reveja nas páginas do livro.

3. Lolita (1955), de Vladimir Nabókov

Lolita

Humbert é o protagonista da história contada pelo escritor russo Vladimir Nabókov.

O romance gira principalmente em torno de duas personagens: Humbert, um intelectual mais velho que se apaixona por Lolita, uma jovem menina de doze anos filha da sua senhoria.

Lolita, luz da minha vida, fogo da minha virilidade. Meu pecado, minha alma. Lo-li-ta: a ponta da língua faz uma viagem de três passos pelo céu da boca abaixo e, no terceiro, bate nos dentes. Lo. Li. Ta.

Apaixonado é uma palavra fraca para descrever o que Humbert sente por Lolita, talvez o termo correto seja aficcionado. Para piorar a situação, a mãe de Lolita declara-se para Humbert, que finge corresponder só para estar cada vez mais próximo da menina.

Ao longo das páginas vemos, segundo o olhar de Humbert, os personagens complexos se modificarem: para ele afinal Lolita era geniosa e não tão inocente. O protagonista sente que precisa seduzi-la. Funciona ali uma dinâmica de poder, ciúme, posse e desejo que caminha numa linha muito tênue no que se refere à sanidade.

Denso e surpreendente, embarcamos no romance e muitas vezes nos perguntamos ao lado de quem nos posicionamos. Uma literatura que nos tira do lugar e faz com que nos questionemos sobre quais são os limites saudáveis para se estabelecer uma relação amorosa.

O romance Lolita está disponível em formato pdf.

Leia uma análise aprofundada do Livro Lolita, de Vladimir Nabokov.

4. Terra sonâmbula (1922), de Mia Couto

Terra sonâmbula

Publicado em 1992, esse é o único título da lista do continente africano.

Escrito por Mia Couto, considerado um dos maiores autores do século XX, o romance Terra sonâmbula trata da dura realidade de Moçambique, um país assolado pela guerra civil durante cerca de 16 anos.

A trágica história do país africano serve como pano de fundo para uma narrativa profundamente delicada:

Naquele lugar, a guerra tinha morto a estrada. Pelos caminhos só as hienas se arrastavam, focinhando entre cinzas e poeiras. A paisagem se mestiçara de tristezas nunca vistas, em cores que se pegavam à boca. Eram cores sujas, tão sujas que tinham perdido toda a leveza, esquecidas da ousadia de levantar asas pelo azul. Aqui, o céu se tornara impossível.

Apesar do romance de Mia Couto narrar uma história extremamente pesada, as palavras e a construção literária utilizadas são profundamente poéticas.

Os dois personagens principais são Muidinga, um sujeito que perdeu a memória, e Tuahir, um velho sábio que ajuda Muidinga a recuperar o resto do seu passado.

Se gosta do estilo do realismo mágico e tem preferências por narrativas encenadas em contextos reais esse é um romance a não perder.

5. A abadia de Northanger (1818), de Jane Austen

Northanger Abbey

O primeiro romance escrito pela inglesa Jane Austin foi concluído no ano de 1803 apesar de só ter sido publicado postumamente em 1818. Embora se passe entre o final do século XVIII e o início do século XIX, trata-se de uma obra atemporal.

O romance dá a ver, a partir do olhar da mocinha protagonista Catherine Morland, o funcionamento da sociedade burguesa britânica.

Extremamente irônica, a obra é uma sátira da literatura que vinha sendo produzida naquele período. Estando intimamente ligada ao seu tempo, vemos nas páginas de Austen duras críticas à sociedade. O machismo é uma dos pilares mais questionados pela narradora:

No casamento, espera-se que o homem provenha o sustento da mulher, e a mulher, a tornar a casa agradável ao homem. Ele deve fornecer, e a mulher, sorrir.

A vida de Catherine, que estava habituada a um cotidiano simples em meio a uma família composta por dez irmãos, muda completamente quando ela recebe um convite para passar uma temporada na região de Bath na companhia do abastado casal Allen. É nesse lugar que ela sairá da rotina modesta e passará a frequentar a alta sociedade indo a bailes e teatros.

A leitura do romance de Jane - extremamente sedutor para o leitor - fará com que se mergulhe em um universo completamente distinto, uma Inglaterra conservadora e com hábitos e valores completamente divergentes dos contemporâneos.

A abadia de Northanger encontra-se disponível para download.

6. O alienista (1882), de Machado de Assis

O alienista

Numa lista de grandes romances não poderia faltar o brilhante Machado de Assis. Muitos romances poderiam entrar aqui, mas O Alienista foi o vencedor por ter sido publicado há tanto tempo (em 1882) e continuar sendo uma história extremamente contemporânea.

O protagonista Dr.Simão Bacamarte é o centro da narrativa passada na vila de Itaguaí. Tido como um super médico, formado no exterior, o homem das ciências retorna para a sua terra e se casa com a viúva Evarista da Costa e Mascarenhas.

Aficcionado pelo estudo e pela pesquisa, ele resolve se aprofundar no estudo da medicina. O doutor prodígio começa a diagnosticar os moradores da região com uma série de doenças mentais.

São tantos os loucos afinal que ele consegue autorização para erguer um hospício, a famosa Casa Verde.

A Casa Verde foi o nome dado ao asilo, por alusão à cor das janelas, que pela primeira vez apareciam verdes em Itaguaí. Inaugurou-se com imensa pompa; de todas as vilas e povoações próximas, e até remotas, e da própria cidade do Rio de Janeiro, correu gente para assistir às cerimônias, que duraram sete dias. Muitos dementes já estavam recolhidos; e os parentes tiveram ocasião de ver o carinho paternal e a caridade cristã com que eles iam ser tratados.

O romance de Machado encanta pelo senso de humor e pela reviravolta do enredo, que faz com que todos nós nos questionemos a fronteira sutil entre a sanidade e a loucura.

Conheça uma análise aprofundada do Livro O alienista, de Machado de Assis.

7. A paixão segundo G.H. (1964), de Clarice Lispector

A paixão segundo G.H.

Densa, filosófica, profunda, esses são adjetivos geralmente usados para caracterizar a literatura de Clarice Lispector.

A paixão segundo G.H., publicado em 1964, é das suas maiores obras e nela encontramos uma narradora em primeira pessoa que devaneia a partir de uma cena a princípio corriqueira.

Tudo começa quando a protagonista, uma mulher bem sucedida, decide demitir a empregada e, diante da falta da ajudante, precisa realizar uma faxina. É durante a faxina que ela se depara com uma barata:

De encontro ao rosto que eu pusera dentro da abertura, bem próximo de meus olhos, na meia escuridão, movera-se a barata grossa. Meu grito foi tão abafado que só pelo silêncio contrastante percebi que não havia gritado, o grito ficara me batendo dentro do peito.

Sem saber o que fazer, a protagonista mata o inseto e, ao ver o corpo do animal estirado, resolve tomar uma atitude bizarra: provar as suas entranhas.

É do encontro inesperado com o inseto que surgem reflexões intensas sobre a vida e sobre a própria condição existencial da personagem.

Sem saber bem quem é e qual é o seu lugar no mundo, a protagonista divaga sobre o que foi a sua vida e sobre a relação que estabelece com o meio ao redor.

8. Memória de minhas putas tristes (2004), de Gabriel García Márquez

Memória de minhas putas tristes

O autor vencedor do prêmio Nobel costuma ser reconhecido pelo seu clássico livro Cem anos de solidão, no entanto, o colombiano Gabriel García Márquez tem outros tantos livros imperdíveis. Memória de minhas putas triste é um desses grandes romances que acaba por ser um poço de emoção.

Narrado em primeira pessoa por um jornalista de noventa anos, a história começa a se delinear quando o protagonista resolve se dar de presente de aniversário uma sessão de prazer com uma virgem. Já habituado a frequentar bordéis, ele encomenda a tal virgem:

No ano de meus noventa anos quis me dar de presente uma noite de amor louco com uma adolescente virgem. Lembrei de Rosa Cabarcas, a dona de uma casa clandestina que costumava avisar aos seus bons clientes quando tinha alguma novidade disponível. (...)
— É hoje.
Ela suspirou: Ai, meu sábio triste, você desaparece vinte anos e volta só para pedir o impossível. Recobrou em seguida o domínio de sua arte e me ofereceu meia dúzia de opções deleitáveis, mas com um senão: eram todas usadas. Insisti que não, que tinha de ser donzela e para aquela noite.

A dona do bordel, depois de muito procurar a tal adolescente virgem, o oferece então uma menina de apenas catorze anos.

É a partir do contato que o estabelece com ela que o protagonista começa a repensar as escolhas que tomou na vida, a se questionar sobre o processo de envelhecimento e sobre a sua condição solitária.

Não perca tempo e leia o belo Memória de minhas putas tristes.

9. Sôbolos rios que vão (2010), de António Lobo Antunes

Sobolos rios que vão

António Lobo Antunes é dos maiores escritores da literatura portuguesa contemporânea e Sôbolos rios que vão é uma das suas mais preciosas obras-primas. Nessa publicação de cerca de 200 páginas vemos um homem velho, no hospital, rememorar o passado e redescobrir aquele que algum dia foi: o menino Antoninho.

Com um tom autobiográfico, vemos como o autor português cria com maestria um espaço híbrido, onde passado e presente se misturam.

O cotidiano da doença e do desamparo é contagiado pelas cenas da juventude, tantas vezes felizes, e o leitor é transportado de um momento para o outro através das palavras:

Da janela do hospital em Lisboa não eram as pessoas que entravam nem os automóveis entre as árvores nem uma ambulância que via, era o comboio a seguir aos pinheiros, casas, mais pinheiros e a serra ao fundo com o nevoeiro afastando-a dele, (...) sentiu o cheiro das compotas na despensa, vasos em cada degrau da escada e como os vasos intactos não aconteceu fosse o que fosse, por um triz, estendido na maca à saída do exame, não perguntou ao médico

Apesar de ser escrito sob o formato de prosa, podemos dizer que a linguagem antuniana é extremamente poética e convoca todo um universo lúdico.

Se está a procura de um romance mesmo bonito, podemos apostar que Sôbolos rios que vão é a escolha certa.

10. A metamorfose (1915), de Franz Kafka

metamorfose

E se um dia você acordasse e percebesse que havia se transformado em um inseto enorme? Esse é o pesadelo que Gregor Samsa, um caixeiro-viajante, enfrenta quando desperta num dia normal.

Quando certa manhã Gregor Samsa acordou de sonhos intranquilos, encontrou-se em sua cama metamorfoseado num inseto monstruoso.

A história escrita pelo austro-húngaro Franz Kafka foi criada em 1912 em assustadores vinte dias. Publicada três anos mais tarde, a narrativa inusitada seduz leitores até os dias de hoje.

O primeiro grande mérito de Kafka é conseguir que cada um de nós acredite na situação vivida por Gregor, fazendo com que embarquemos nessa viagem sem maiores questionamentos. Tudo parece plausível, natural, verossímil.

Leia uma análise completa do Livro A Metamorfose de Franz Kafka.

11. Macunaíma (1928), de Mário de Andrade

Macunaíma

O romance de Mário de Andrade é uma das principais obras modernistas da literatura brasileira e tece narra a origem - a formação - do Brasil.

O protagonista da história é Macunaíma, um sujeito preguiçoso, mimado e esperto que foi criado numa tribo indígena na Amazônia.

Já na meninice fez coisas de sarapantar. De primeiro passou mais de seis anos não falando. Si o incitavam a falar exclamava: - Ai! Que preguiça!... e não dizia mais nada.

O rapaz se apaixona por Ci, considerada a Mãe do Mato. Mas a história de amor tem um final trágico: o filho do casal morre ainda bebê e Ci também parte, de tristeza, com o falecimento da criança.

As páginas escritas por Mário de Andrade merecem ser lidas principalmente porque retratam, de uma maneira bem humorada, uma série de características do nosso povo levantando a questão da nossa identidade.

Aproveite para espreitar o artigo Livro Macunaíma, de Mário de Andrade.

12. O cortiço (1890), de Aluísio Azevedo

O Cortiço

Por falar em literatura brasileira, outro livro imperdível é o romance naturalista O cortiço. Aqui o protagonista da história é o cortiço São Romão, uma habitação humilde que irá reunir os personagens todos criados por Aluísio Azevedo.

Daí a pouco, em volta das bicas era um zunzum crescente; uma aglomeração tumultuosa de machos e fêmeas. Uns, após outros, lavavam a cara, incomodamente, debaixo do fio de água que escorria da altura de uns cinco palmos. O chão inundava-se. As mulheres precisavam já prender as saias entre as coxas para não as molhar;

No romance assistimos a luta cotidiana dos moradores para sobreviverem num contexto extremamente precário.

Testemunhamos na obra o preconceito social e o estigma que pesavam sobre os moradores do cortiço situado no Rio de Janeiro no século XIX.

Leia também o artigo completo sobre o Livro O Cortiço, de Aluísio Azevedo.

13. A revolução dos bichos (1945), de George Orwell

A revolução dos bichos

Gosta de uma distopia? Então você não pode perder a leitura de Animal Farm, uma história cativante do escritor inglês George Orwell.

A narrativa se passa na Granja do Solar, uma fazenda inglesa que tem criação de uma série de animais. O senhor Jones, proprietário da fazenda, testemunha uma verdadeira rebelião. Os animais - que aqui ganham características humanas -, cansados de serem explorados, se organizaram para tomar conta da fazenda.

O Homem é a única criatura que consome sem produzir. Não dá leite, não põe ovos, é fraco demais para puxar o arado, não corre o suficiente para alcançar uma lebre. Mesmo assim, é o senhor de todos os animais. Põe-nos a trabalhar, dá-nos de volta o mínimo para evitar a inanição e fica com o restante.

A história, cheia de humor, tem também forte cunho político e nos faz pensar nas organizações sociais e nas relações de poder que permeiam a nossa sociedade.

Quer saber mais sobre a obra considerada uma das cem obras de língua inglesa de todos os tempos? Então confira o artigo A Revolução dos Bichos, de George Orwell.

14. Iracema (1865), de José de Alencar

Iracema

A história de Iracema já tem mais de um século e continua encantando os leitores contemporâneos. Além de ser uma obra fundamental para a história da literatura brasileira, Iracema é também uma bela história de amor.

O romance narra a paixão fulminante entre Martim (um português, branco, colonizador) e Iracema (uma índia, filha de um pajé da tribo tabajara). Encantados um pelo outro, os dois desafiam os preconceitos e resolvem levar a frente o amor proibido.

Ergue a virgem os olhos, que o sol não deslumbra; sua vista perturba-se. Diante dela e todo a contemplá-la, está um guerreiro estranho, se é guerreiro e não algum mau espírito da floresta.

A relação entre os dois gera Moacir, tido como o primeiro brasileiro. A história que narra o nosso mito de fundação é a principal obra do Indianismo.

Descubra mais sobre o Livro Iracema, de José de Alencar.

15. O primo Basílio (1878), de Eça de Queiroz

O primo Basílio

Um clássico da literatura portuguesa e uma história que vai fazer você não soltar as páginas, assim poderia ser classificado o romance realista O primo Basílio.

Jorge é um rapaz de boa família, um engenheiro de nome que vive em Lisboa e se apaixona por Luísa, uma jovem igualmente abastada. Os dois se casam e vivem um típico relacionamento estável que acaba sendo lido como entediante por Luísa.

É que o amor é essencialmente perecível, e na hora em que nasce começa a morrer. Só os começos são bons. Há então um delírio, um entusiasmo, um bocadinho do céu. Mas depois! Seria pois necessário estar sempre a começar, para poder sempre sentir?

Depois de receber a visita de um primo, Basília, Luísa desenvolve um caso extraconjugal.

A narrativa de Eça gira assim em torno do adultério, da crítica social, da hipocrisia e do cotidiano burguês oitocentista de uma capital europeia.

Descubra mais sobre o romance O primo Basílio, de Eça de Queiroz.

16. Madame Bovary (1857), de Gustave Flaubert

Madame Bovary

O romance realista que é um clássico da literatura francesa tece uma dura crítica acerca da idealização do amor e apresenta as consequências desse movimento na vida da protagonista da história.

Emma Bovary era uma jovem burguesa com uma boa vida. Uma leitora ávida e romântica incurável passava os seus dias devorando livros com histórias de amor.

Um belo dia conhece o seu futuro marido, o médico Charles Bovary. Os dois rapidamente se apaixonam e se casam. Tudo seria perfeito se Emma não fosse vítima do tédio e da ambição de amar como nos romances que lia.

Antes de casar, Emma julgara sentir amor; mas a felicidade que deveria resultar desse amor não aparecera, pelo que se deveria ter enganado, pensava ela.

Buscando sentir o frio na barriga novamente, Emma se torna uma esposa adúltera e enfrenta as duras consequências das suas escolhas.

Leia mais sobre o romance Madame Bovary, de Gustave Flaubert.

17. O Conto da Aia (1985), de Margaret Atwood

o conto da aia

A autora canadense deu vida a um romance distópico de tirar o fôlego que nos apresenta um cenário catastrófico num Estados Unidos distante.

O país, dominado por um grupo de fundamentalistas religiosos, se torna a República de Gilead, um lugar assustador. Os americanos deixam para trás um passado democrático para viverem numa ditadura extremamente repressora e sexista.

Atrás da barreira, esperando por nós na passagem estreita do portão, estão dois homens, com os uniformes verdes dos Guardiões da Fé, com o escudo de armas nos ombros e nas boinas: duas espadas cruzadas, acima de um triângulo branco.

O romance nos apresenta os nossos maiores pesadelos: uma sociedade racista, opressora, preconceituosa, violenta, que persegue cidadãos por tudo e por nada.

Se você gosta desse gênero de literatura, O Conto da Aia é um romance para não perder.

Conheça uma análise completa de O Conto da Aia, de Margaret Atwood.

18. Incidente em Antares (1971), de Érico Veríssimo

Incidente em Antares

Um dos exemplares brasileiros mais bem realizados do realismo mágico é o romance Incidente em Antares, do autor gaúcho Érico Veríssimo.

O livro parte de um pressuposto interessante: uma pequena cidade da região do interior do Rio Grande do Sul decreta uma greve geral. Engajados, todas as classes operárias fazem a sociedade parar.

“Mas que pretendem eles com essa atitude tão antipática?” – perguntava-se. A resposta era, quase invariavelmente: “Fazer pressão sobre os- patrões para conseguir o que querem”.

O problema é: sete cadáveres morrem e não podem ser enterrados. Como consequência começam a caminhar pela cidade provocando o caos entre os vivos.

Se quiser conhecer mais sobre essa história leia o artigo Livro Incidente em Antares, de Érico Veríssimo.

19. Dom Casmurro (1899), de Machado de Assis

Dom Casmurro

Afinal, Capitu traiu ou não traiu Bentinho? Essa é a pergunta que não quer calar desde 1899. O romance mais famoso de Machado de Assis conta a história de um triângulo amoroso formado por Capitu e pelos grandes amigos de infância Bentinho e Santiago.

Quem narra a história é Santiago, o marido desconfiado (e porque não dizer neurótico), que deseja de todas as maneiras saber o que se passou entre os dois apesar de Bentinho já ter falecido.

Momento houve em que os olhos de Capitu fitaram o defunto, quais os da viúva, sem o pranto nem palavras desta, mas grandes e abertos, como a vaga do mar lá fora, como se quisesse tragar também o nadador da manhã.

O romance de Machado é não só uma bela história de ciúme e adultério como também um retrato moral e social da época. Recomendamos a leitura!

Descubra mais sobre o Livro Dom Casmurro, de Machado de Assis.

20. O ano sabático (2018), de João Tordo

o ano sabatico

Se você gosta de literatura contemporânea não pode perder o romance O ano sabático, do escritor português João Tordo.

Hugo, o protagonista da história, é um contrabaixista de jazz que vive no Canadá e resolve tirar um ano sabático em Lisboa. Qual é a sua surpresa quando, por acaso, vai a um show de um pianista e ele toca a mesma canção de Hugo já havia imaginado há anos, mas que nunca tinha saído da sua cabeça.

Os caminhos de Hugo e Luís Stockman, o tal pianista, vão se cruzando e a própria mãe de Hugo lança pistas sobre a identidade do músico. O mistério aumenta ainda mais depois do desaparecimento súbito de Stockman.

21. A chave de casa (2007), de Tatiana Salem Levy

A chave de casa

O livro que concedeu o Prêmio São Paulo de Literatura à escritora brasileira Tatiana Salem Levy é um misto de romance e autobiografia.

A protagonista da história recebe do avô a chave da casa que vivia, na Turquia, casa que precisou abandonar anos antes para tentar uma vida nova no Brasil. Sempre esperançoso de poder algum dia retornar, o avô manteve as chaves e, nos últimos momentos da vida, a entregou para a neta.

Para escrever esta história, tenho de sair de onde estou, fazer uma longa viagem por lugares que não conheço, terras onde nunca pisei. Uma viagem de volta, ainda que eu não tenha saído de lugar algum. Não sei se conseguirei realizá-la, se algum dia sairei do meu próprio quarto, mas a urgência existe.

A neta empreende assim uma viagem para a distante e desconhecida Turquia com o objetivo de ir em busca das suas raízes. A história narra de uma maneira muito sensível, fala sobre as heranças que recebemos – muitas vezes simbólicas – e sobre a procura por uma identidade.

22. O Delfim (1968), de José Cardoso Pires

O Delfim

O romance gira em torno da família fildalga Palma Bravo e é passado na Gafeira, uma província conservadora que serve como metáfora para a sociedade portuguesa patriarcal de finais da década de sessenta.

O engenheiro Tomás Palma Bravo é também um retrato do típico homem português daquela época: machista, racista, conservador.

Tomás governa a sua propriedade, seus "animais, criados, mulheres, vinho, rédea curta e porrada na garoupa". A mulher de Tomás, Maria das Mercês, morre logo no princípio da história deixando um mistério a tona. O narrador, um escritor, irá investigar esse mistério.

O Delfim narra o dia-a-dia de uma sociedade rural fechada e alienada e é não só um belo romance de mistério como também um livro capaz de faz um registro social do seu tempo.

23. Amar, verbo intransitivo (1927), de Mário de Andrade

Amar verbo intransitivo

O romance, que é dos expoentes do modernismo brasileiro, nos apresenta a tradicional família Sousa Costa.

Conservadores, religiosos (católicos), recatados e com uma reputação invejável na sociedade, o pai da família decide contratar uma professora particular para fins pouco usuais.

Elza, chamada de Fraulen, tem 35 anos e é contratada pelo pai da família supostamente para dar aulas de alemão, mas, na verdade, o objetivo dela é ensinar a arte de amar a Carlos, o filho mais velho.

E preciso avisá-la. Não me agradaria ser tomada por aventureira, sou séria. E tenho 35 anos, senhor. Certamente não irei se sua esposa não souber o que vou fazer lá. Tenho profissão que uma fraqueza me permitiu exercer, nada mais limiti menos. É uma profissão.

Os dois desenvolvem uma relação de confiança e intimidade e, aos poucos, de fato, o amor começa a nascer.

24. Bom dia, camaradas (2001), de Ondjaki

Bom dia, camaradas

Um mergulho na infância, assim poderia ser definido o romance com traços autobiográficos do escritor angolano Ondjaki.

Apesar de se tratar de uma obra que traça um retrato pontual - a infância vivida numa África dos anos oitenta com uma série de problemas políticos e sociais - ela fala de perto a infância vivida por cada um de nós.

O camarada António aí ria só. Sorria com as palavras, e vendo-me assim entusiasmado dizia esse menino!, então abria a porta que dava para o quintal, procurava com os olhos o camarada João, o motorista, e lhe dizia: esse menino é terrível!, e o camarada João sorria sentado na sombra da mangueira.

Ondjaki tem o talento ímpar de conseguir transformar o pontual em universal e nos fazer (re)descobrir os cheiros, as cores e os sentimentos experimentados quando ainda éramos crianças.

25. Esse cabelo (2017), de Djaimilia Pereira de Almeida

Esse cabelo

Um dos maiores romances da nova geração, Esse cabelo, da jovem e premiada angolana Djaimilia Pereira de Almeida, parte de uma premissa extremamente original para narrar uma história pessoal e ao mesmo tempo coletiva.

De todos os livros que poderia escrever, Djaimilia escolheu criar a biografia do seu cabelo. O cabelo crespo é o fio condutor escolhido pela narradora para descrever a sua trajetória entre Portugal e Angola.

A minha mãe cortou-me o cabelo pela primeira vez aos seis meses. O cabelo, que segundo vários testemunhos e escassas fotografias era liso, renasceu crespo e seco. Não sei se isso resume a minha vida, ainda curta. Mais depressa se diria o contrário. Na curva da nuca crescem ainda hoje inexplicavelmente lisos cabelos de bebê que trato como um traço vestigial. Nasce daquele primeiro corte a biografia do meu cabelo. Como escrevê-la sem uma futilidade intolerável?

Ao falar do cabelo, Djaimilia trata da sua identidade, mas também de uma identidade coletiva, falando sobre pertencimento, hierarquia e dominação.

O que é um romance?

Muitas pessoas acreditam que o gênero romance está relacionado exclusivamente com a ideia de uma narrativa que envolve um casal apaixonado. Em termos literários, no entanto, essa ideia está equivocada.

Um romance é um história longa, em prosa, que está diretamente relacionada com a realidade e tece uma representação de uma experiência social tipicamente moderna. Dom Quixote é considerado como o livro precursor do romance moderno.

O romance é um gênero literário relativamente recente, descendente da epopeia. Apesar da palavra romance ter surgido durante a Idade Média, ela só passou a ter o uso que conhecemos hoje no final do reinado de Luís XIV, na França.

Segundo o dicionário Robert, é possível definir o romance como uma

Obra de imaginação em prosa, bastante longa, que apresenta e faz viver num certo meio personagens dadas como reais e faz-nos conhecer sua psicologia, seu destino, suas aventuras

Outro dicionário, o de Littré, de modo mais simples e sucinto estabelece o gênero romance como:

História fingida em prosa, em que o autor busca excitar o interesse pela pintura das paixões, dos costumes, ou pela singularidade das aventuras.

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Rebeca Fuks
Rebeca Fuks
Formada em Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (2010), mestre em Literatura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2013) e doutora em Estudos de Cultura pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e pela Universidade Católica Portuguesa de Lisboa (2018).