Tipos de dança: 9 estilos mais conhecidos no Brasil e no mundo


Laura Aidar
Laura Aidar
Arte-educadora e artista visual

A dança é a arte do movimento. São diversos os ritmos e estilos presentes no mundo, e cada um deles transmite valores culturais de seu povo e de sua época.

Por estar presente no cotidiano de todos, essa linguagem acaba sendo uma das manifestações artísticas mais populares e democráticas do mundo, sendo uma poderosa ferramenta de expressão criativa, seja profissionalmente ou como forma de diversão.

1. Dança contemporânea

A dança contemporânea é um gênero que surgiu como desdobramento da dança moderna. Teve início por volta dos anos 60 nos EUA e buscava trazer outros sentidos para a dança que era praticada até então, tornando os movimentos mais próximos da vida cotidiana e valorizando a improvisação.

Assim, podemos dizer que a dança contemporânea é um modo de dançar que está relacionado aos questionamentos e reflexões presentes na atualidade e traz ainda a busca pela consciência corporal e criatividade, podendo também aliar o teatro e a performance em seu repertório.

Uma figura essencial nesse sentido foi a dançarina alemã Pina Baush. Pina revolucionou o cenário da dança, propondo coreografias potentes que fazem uma mistura entre vida, dança e teatro.

Em 2011 foi lançado o filme Pina, um documentário de Wim Wenders, que presta homenagem à dançarina, falecida em 2009.

Atualmente, são muitas as companhias de dança contemporânea no mundo todo e cada uma possui um estilo próprio e pesquisa corporal diferente.

Uma delas é a Hofesh Shechter, companhia britânica dirigida pelo coreógrafo israelense Shechter. No espetáculo Political Mother (Mãe Política) os dançarinos exibem movimentos energéticos e agressivos ao som de rock tocado no local, contando ainda com projeções digitais no palco.

2. Dança moderna

Dança moderna é o termo usado para designar um estilo de dança que surgiu no início do século XX, junto com a arte moderna.

Esse tipo de dança despontou como uma maneira de questionar a dança clássica e toda a sua rigidez. Assim, os dançarinos modernos propunham movimentos mais fluidos, a exploração de gestos no chão, figurinos leves e a ausência de sapatilhas.

A preocupação da dança moderna é a investigação dos sentimentos, transformados em movimento. Nomes importantes para a consolidação desse tipo de dança são Isadora Duncan, Martha Grahan e Rudolf Laban.

Ainda hoje esse estilo é praticado e ensinado em escolas de dança. Os grupos que apresentam o gênero, geralmente mesclam referências contemporâneas também, como é o caso da Alvin Ailey American Dance Theatre, companhia norte-americana de dança moderna fundada em 1958.

3. Street dance (Dança de Rua)

A street dance, ou dança de rua, é uma forma de dança que teve origem nos anos 30 nos EUA. Surgiu como uma maneira de expressão de artistas de cabarés que ficaram desempregados por conta da crise de 29, na qual houve a quebra da bolsa de Nova York. Assim, muitos passaram a fazer suas performances nas ruas.

Na década de 60, o músico e dançarino James Brown populariza ainda mais a street dance ao criar uma música (o funk) influenciada pelo movimento desses dançarinos, executando no palco passos desse estilo.

Além disso, o hip hop, movimento negro que surgiu nos EUA nos anos 70, acaba por integrar a dança de rua em suas práticas, fazendo surgir outras vertentes da street dance. Como exemplos temos o breaking, locking, popping, social dances e o freestyle.

Outro artista importante para trazer visibilidade para o estilo foi Micheal Jackson, cantor e dançarino que utilizou muitos passos da street dance e criou outros que se tornaram conhecidos, como o moonwalk.

No clipe da música Thriller é possível apreciá-lo com seus dançarinos em uma performance de street dance.

4. Dança clássica (Ballet)

O ballet é um estilo de dança clássica que surgiu como um símbolo de status social na época renascentista e se consolidou no período chamado romantismo (século XIX).

É um tipo de dança em que há maior rigidez e padronização dos gestos, no qual as dançarinas executam muitos movimentos usando sapatilhas de ponta para dar a sensação de que estão flutuando, elevando-se aos céus.

É um exemplo de dança erudita e está inserida em uma atmosfera sentimental e idealizada, como era próprio do romantismo.

Uma das grandes companhias de dança clássica do mundo leva o nome de Ballet Bolshoi. Fundada em 1773 em Moscou, na Rússia, ela atua ainda como escola de dança.

No Brasil existe a única filial da famosa academia, a Escola do Teatro Bolshoi no Brasil, localizada em Joenville, em Santa Catarina.

5. Dança de salão

Chamamos de dança de salão diversos estilos e ritmos de dança realizados em casal. Também conhecidas como danças sociais, as várias vertentes da dança de salão tem origens distintas, dependendo do lugar onde se originaram, mas podemos dizer que a Europa foi um terreno fértil para a criação de várias delas.

Atualmente, existem muitas escolas que ensinam estilos variados dessas danças, como, por exemplo:

  • Tango argentino;
  • Flamenco, de origem espanhola;
  • Samba, de origem brasileira;
  • Rumba, de Cuba;
  • Forró, originário do nordeste brasileiro;
  • Merengue, surgido na República Dominicana;
  • Salsa, com destaque em Porto Rico

As pessoas procuram aprender danças de salão como uma forma de entretenimento, diversão e para exercitar o corpo. Entretanto, há muitos dançarinos e dançarinas profissionais que se preparam para participar de campeonatos e festivais de dança de salão pelo Brasil e pelo mundo.

6. Danças africanas

Quando falamos em danças africanas nos referimos a um conjunto de danças que tem origem em vários países do continente africano. Sendo assim, há um universo vasto e diverso de danças africanas, assim como a própria cultura africana e afro-brasileira.

De qualquer maneira, é possível relacionar boa parte das manifestações corporais afro a um contexto espiritual e emocional, especialmente as danças tradicionais, executadas muitas vezes ao som de tambores e outros instrumentos tocados no local.

Como exemplo de danças africanas tradicionais temos o Ahouach (executado no sul da África), Guedra (executado pelos povos do Saara) e Schikatt (do Marrocos).

Entretanto, assim como o resto do mundo, a África também se reinventa e elabora novas maneiras de dançar com diversos propósitos, como a interação social e a diversão.

Assim, surgiram danças como a Kizomba, o Zouk e o Kuduro, por exemplo, em Angola nos anos 80 e 90.

O Kuduro, no caso, é uma dança com ritmo rápido e vibrante que ficou conhecida no Brasil por volta de 2010. Inspirada nos golpes de Van Damme nos filmes, ela mistura a música eletrônica com elementos tradicionais angolanos.

7. Samba

No Brasil, uma das manifestações culturais mais tradicionais é o samba, do qual integram a dança e a música.

Essa expressão mescla forte influência africana com elementos europeus, possuindo algumas vertentes em que o ritmo e maneira de dançar possuem características próprias, mas sempre mantendo a vivacidade e alegria.

Assim, temos como exemplos o samba de gafieira, o samba de roda, samba carnavalesco e o samba rock.

Uma das modalidades mais complexas é o samba de gafieira. É preciso muito conhecimento técnico para executar as piruetas, além disso, é necessário ter grande sintonia com o parceiro ou parceira, já que essa é uma dança de casal.

8. Dança do ventre (Bellydance)

A dança do ventre é um estilo de dança oriental executado por mulheres. Especula-se que tenha se originado a partir de danças pélvicas milenares do Oriente Médio e Norte da África. Segundo a pesquisadora e dançarina Wendy Buonaventura, tais danças estavam relacionadas aos movimentos dos quadris que as mulheres realizam em trabalhos de parto, e eram praticadas em rituais de fertilidade.

Assim, em terras egípcias, a dança sofreu modificações e disseminou-se em demais países do mundo árabe.

Esse tipo de dança é tradicionalmente feminino e exibe gestos arredondados, movimentos em oito dos quadris e peito, ondulações e shimmies (em que a dançarina treme o ventre) e trejeitos delicados dos braços. Além disso, podem ser usados acessórios como véus, espadas e bengalas.

Muitas foram as dançarinas destaque na dança do ventre durante os anos 60 e 70, considerada a Era de Ouro do estilo, como Souhair Zaki (Egito) e Nadia Gamal (Egito), posteriormente, outra egípcia também fez sucesso, Fifi Abdou.

Elas contribuíram para que o estilo saísse do Oriente e ganhasse muitas adeptas em diversas partes do mundo, sendo chamada também de Bellydance.

Atualmente, a dança do ventre continua sendo praticada e outras vertentes surgiram, como o Tribal Fusion e o ATS (American Tribal Style).

9. Dança clássica indiana (Odissi)

Odissi é o nome de uma dança indiana clássica. O estilo surgiu no estado de Orissa e, segundo pesquisadores, remonta o século II a.C. Em seus primórdios, a dança Odissi era atribuída a eventos espirituais, e os espetáculos eram de longa duração. Posteriormente, foi reelaborada e chegou até Déli, capital da Índia, passando a ser reconhecida na década de 50.

Nesse tipo de dança todos os gestos possuem significados. São usados muitos mudras, que são posicionamentos de mãos bastante simbólicos.

Os movimentos corporais executados sugerem formatos geométricos, como quadrados e triângulos, além de formatos em “s”. Os figurinos são cuidadosamente pensados, feitos com um sari (vestimenta típica), joias e maquiagem marcante. Além disso, os dedos das mãos e a sola dos pés são pintados de vermelho, para destacar os mudras e a movimentação dos pés.

No Brasil, a dançarina Andrea Albergaria é um nome de destaque desse tipo de dança, tendo realizado seus estudos na Índia.

Você também pode se interessar pela História da dança ao longo do tempo.

Laura Aidar
Laura Aidar
Arte-educadora, artista visual e fotógrafa. Licenciada em Educação Artística pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) em 2007 e formada em Fotografia pela Escola Panamericana de Arte e Design, localizada em São Paulo, em 2010.