A Culpa é das Estrelas: explicação do filme e do livro


Carolina Marcello
Escrito por Carolina Marcello
Mestre em Estudos Literários, Culturais e Interartes

Após a publicação do livro, em 2012, o enredo de A Culpa é das Estrelas foi adaptado para o cinema, emocionando um público ainda maior. O filme de drama e romance, dirigido por Josh Boone, foi lançado em 2014.

A trama segue a história de Hazel Grace, uma jovem que está enfrentando um câncer terminal quando conhece Augustus num grupo de apoio. Mesmo sabendo que o tempo que terão juntos é limitado, os dois se apaixonam e escolhem viver esse amor intensamente.

Atenção: a partir deste ponto você vai encontrar spoilers!

Personagens principais e elenco do filme

Hazel Grace (Shailene Woodley)

Hazel Grace (Shailene Woodley)

Hazel é uma adolescente que luta pela vida, há alguns anos, por causa de um câncer em estado avançado. Todo o processo da doença a tornou depressiva e solitária, já que a impedia de fazer muitas coisas e conviver com os jovens da sua idade. Além de tudo, a preocupação com o futuro dos pais depois da sua morte é algo que a deixa profundamente abalada.

Augustus Waters (Ansel Elgort)

Augustus Waters (Ansel Elgort)

Augustus, ou Gus, é um jovem de dezoito anos que teve uma perna amputada, após sofrer um câncer nos ossos. Independente, alegre e otimista, ele conhece Hazel no grupo de apoio e logo se interessa por ela. A partir daí, o jovem faz tudo que está ao seu alcance para animá-la e conquistar o seu amor.

Peter Van Houten (Willem Dafoe)

Peter Van Houten

Peter é um homem amargo e atormentado que escreveu Uma Aflição Imperial, o livro favorito de Hazel, que oferece uma perspectiva única sobre os temas da doença e da morte. O escritor solitário responde à correspondência dos adolescentes, convidando-os para viajar até Amsterdã e conhecê-lo. No entanto, durante a visita, ele se comporta de forma hostil e se recusa a responder às suas questões.

Resumo e análise de A Culpa é das Estrelas

O filme começa com uma reflexão da protagonista acerca da necessidade de contar histórias tristes e falar a verdade, já que a vida está longe de ser perfeita. Assumindo que está morrendo, Hazel passa muito tempo sozinha, lendo seu livro preferido, que afirma que "a dor precisa ser sentida".

Observando os casais da sua idade que caminham de mãos dadas, apaixonados, é evidente que ela lamenta o seu destino e todas as limitações que resultam do câncer que está se espalhando pelo seu corpo.

Hazel e Gus se conhecem num grupo de apoio

Por insistência dos pais, que acreditam que ela precisa se conectar com pessoas que estão na mesma situação, Hazel aceita frequentar um grupo de apoio para jovens que estão doentes. Logo na chegada, esbarra num rapaz que olha para ela e sorri.

Durante a reunião, descobrimos que se trata de Augustus, um jovem que teve que amputar a perna, por conta de um câncer nos ossos, e usa uma prótese. No seu discurso, ele afirma que deseja ter uma vida extraordinária e que seu maior medo é o esquecimento.

Já na saída, Gus elogia Hazel e acrescenta que está falando isso porque aprendeu a "aproveitar os pequenos prazeres da vida". É então que ele a convida para sair; embora hesite, no começo, a adolescente acaba aceitando.

Hazel conhece Gus num grupo de apoio

Hazel conta que descobriram o câncer em estado avançado, na tiroide, quando tinha 13 anos. A partir daí, se seguiram incontáveis tratamentos e passagens pelos hospitais que passaram a ocupar os seus dias.

Na conversa, Augustus consegue surpreender a nova amiga, lembrando que ela não se limita à sua doença:

Qual é a sua história? Não a do câncer... A sua! Do que você gosta?

A protagonista, então, começa a falar do seu livro favorito e do autor, Peter Van Houten, que "entende como é estar morrendo". Os dois trocam recomendações de leitura e Gus promete que vai ler Uma Aflição Imperial.

Algum tempo depois, ele diz que não gostou do final abrupto do livro e Hazel conta que escreveu várias cartas para o autor, na tentativa de entender o desenlace, mas ele nunca respondeu.

Último desejo e convite para viajar até Amsterdã

A relação de amizade entre os dois vai se fortalecendo, até ao dia em que Gus revela que conseguiu conversar com Van Houten por e-mail e passa o contacto para ela. No entanto, o escritor afirma que só vai revelar o que acontece no final se eles forem visitá-lo à Holanda.

Como os pais da jovem não têm condições de pagar a viagem, ele resolve pedir um desejo á Make-A-Wish, uma fundação que realiza os sonhos de crianças e adolescentes doentes. Mais tarde, segurando um ramo de tulipas, a convida para um piquenique, revelando que vão viajar para Amsterdã no mês seguinte.

Convite para conhecer Amsterdã

Contudo, alguns dias mais tarde, ela sofre uma nova crise de saúde e acaba sendo internada no hospital novamente. Gus liga várias vezes, mas ela não quer atender: apesar de estar gostando dele, quer protegê-lo e não quer se envolver ainda mais.

Quando decide procurá-lo, ela afirma que é "uma granada que vai explodir um dia" e não quer machucá-lo no momento em que partir deste mundo. Ele aceita que serão apenas amigos, mas deixa bem claro que está apaixonado pela moça.

Semanas mais tarde, quando ela achava que já não poderia viajar, a mãe revela que o plano está de pé e que irá acompanhar os jovens na sua aventura até à Europa.

Jantar romântico, visita ao autor e passeio pela cidade

Já em Amsterdã, a mãe de Hazel conversa com ela sobre o relacionamento dos dois, incentivando a filha a ir atrás da sua felicidade. Nessa mesma noite, Gus e a companheira descobrem que o escritor reservou uma mesa para eles num dos melhores restaurantes da cidade.

Durante a refeição, eles tomam uma champanhe cara que o garçom descreve como "estrelas engarrafadas". Augustus se declara novamente: sabe que "o amor é só um grito no vazio" e que tudo vai terminar, mas quer viver o momento presente.

Jantar romântico

Depois eles passeiam pela cidade, abraçados, e é visível que estão cada vez mais íntimos. Na manhã seguinte, vão visitar Peter, mas descobrem um homem alcoolizado e uma casa caótica, cheia de cartas espalhadas pelo chão.

Zangado e depressivo, ele se nega a responder às perguntas e os manda embora, deixando uma explicação vaga para o final da obra:

Alguns infinitos são maiores do que outros.

A resposta vaga não satisfaz a curiosidade de Hazel, que se identifica com a protagonista do livro e, por isso, quer saber o que aconteceu com os pais e amigos, depois da morte da menina. Eles acabam se envolvendo numa discussão acesa e os adolescentes vão embora.

Para aproveitar o resto do dia, vão visitar a casa que abrigou Anne Frank. Inspirada pelas palavras escritas pela célebre figura, ela se esforça para subir até ao sótão, com a ajuda do amigo, apesar da falta de ar. Já no topo do edifício, ganha coragem e resolve beijar Augustus pela primeira vez.

Eu me apaixonei do mesmo jeito que alguém cai no sono: gradativamente e de repente, de uma hora para outra.

Augustus revela seu verdadeiro estado de saúde

Depois da primeira noite juntos, o casal vai dar um passeio: é aí que ele conta a verdade para a amada. Enquanto ela estava no hospital, ele precisou fazer novos exames e descobriu que o câncer regressou e está se espalhando pelo seu organismo.

Chorando, combinam enfrentar todas as dificuldades juntos e Gus pede para não ser tratado de uma forma diferente por ter pouco tempo para viver. No regresso aos Estados Unidos, o melhor amigo de Augustus, Issac, está inconsolável.

Augustus confessa que está doente

Após ter retirado os dois olhos, por causa de um câncer, a namorada o abandonou, porque não estava disposta a ficar com ele, agora que estava cego. Para vingá-lo, os três vão até à casa da antiga companheira e jogam ovos no seu carro.

Em contraste absoluto, Hazel apoia Gus em todos os momentos, chegando a sacrificar a própria saúde para acompanhá-lo durante as crises. O espírito animado do jovem parece ter desaparecido e a namorada resolve levá-lo, na cadeira de rodas, até ao lugar onde fizeram o primeiro piquenique e lembrá-lo de tudo que passaram juntos.

- É uma vida boa, Hazel Grace.
- Ainda não terminou...

Funeral de Gus e a derradeira carta de amor

Os dois combinam escrever elogios fúnebres um para o outro. Augustus organiza uma falsa cerimônia, com Hazel e Isaac, para poder assistir seu próprio funeral. No discurso emocionado que lê para o companheiro, ela cita a frase do escritor que visitaram, declarando estar grata pelo pequeno infinito deles.

Você me deu uma eternidade dentro dos dias contados e, por isso, eu estou agradecida para sempre.

Uma semana mais tarde, Gus falece; no elogio fúnebre, Hazel decide dizer algo completamente diferente, que irá confortar os pais do namorado, já que "os velórios são para os vivos". Pouco depois, aparece Peter Van Houten que entrega uns papéis para moça que ela ignora, achando que estão relacionados com o livro.

Cena final do filme

Mais tarde, Isaac revela que Gus trocava e-mails com o escritor, no final da vida, e terá enviado para ele o elogio fúnebre que escreveu para a namorada, pedindo que o corrigisse.

Deitada na grama do jardim, ela olha a estrelas e lê a sua despedida:

Não dá para escolher se você vai ou não vai se ferir neste mundo, mas é possível escolher quem vai feri-lo. Eu aceito as minhas escolhas. Espero que a Hazel aceite as dela.

Explicação do título e mensagens do enredo

O título da obra é uma referência a Shakespeare que escreveu, na tragédia Júlio César: "A culpa não está nas estrelas / Mas em nós mesmos". Neste caso, a frase é invertida, como se John Green pretendesse demonstrar que Hazel e Gus não têm controle sobre aquilo que o destino reservou para eles.

Estamos perante dois adolescentes, que deveriam ter muita vida pela frente, mas são repetidamente confrontados pela a sua mortalidade, enfrentado doenças em estado avançado. Fica patente a sensação de injustiça que toma conta deles, por conhecerem um sofrimento tão grande, ainda durante a juventude.

Mesmo assim, ele formam um parceria que consegue superar as inúmeras dificuldades que enfrentam, possibilitando que conheçam o amor e se divirtam, apesar de todas as limitações.

O livro de John Green que inspirou o filme

O romance foi publicado em 2012 por John Green (1977), um escritor norte-americano de obras para jovens adultos. Embora o autor tenha lançado alguns livros antes, A Culpa é das Estrelas projetou a sua fama ao nível internacional, se tornando um sucesso de vendas em várias partes do mundo.

Por tratar temas tão tristes e delicados, o livro acabou sendo criticado pelos pais de alguns adolescentes e chegou a ser proibido em determinadas escolas dos Estados Unidos.

A Culpa é das Estrelas: capa do livro

Esse facto, no entanto, não abalou o seu êxito, que continuou crescendo exponencialmente. Os fãs, de todas as gerações, elogiam a sensibilidade de Green e as reflexões sobre a vida e a morte que a narrativa proporciona. A curiosidade dos leitores sobre o romance e seu processo de criação também tem se perpetuado pelo tempo.

Depois de ter sido questionado várias vezes sobre isso, o autor revelou que Hazel terá morrido aproximadamente um ano depois do seu amado. John Green também partilhou com o público que chegou a escrever outros desenlaces para a história. Num deles, Peter é um homem perigoso que coloca a vida dos jovens em risco; no outro, ele morre ao lado de Hazel durante um tiroteio.

Uma década após o lançamento, a 20th Century Fox comprou os direitos da obra, para produzir a adaptação cinematográfica que arrebatou corações e transformou A Culpa é das Estrelas num verdadeiro clássico de drama e romance.

Ficha técnica completa e cartaz do filme

Título The Fault in Our Stars (original)
A Culpa é das Estrelas (em português)
Ano da produção 2014
Direção do filme Josh Boone
Lançamento maio de 2014 (mundial)
junho de 2014 (no Brasil)
Gêneros Drama e romance
Duração 125 minutos
Classificação Maiores de 12 anos
País de origem Estados Unidos da América

Cartaz do filme A Culpa é das Estrelas

Trilha sonora do filme A Culpa é das Estrelas

Não poderíamos deixar de referir a trilha sonora apaixonante do filme, que você pode escutar no link abaixo:

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Carolina Marcello
Escrito por Carolina Marcello
Mestre em Estudos Literários, Culturais e Interartes e licenciada em Estudos Portugueses e Lusófonos pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto.