O Livro de Eli: significado do filme


Carolina Marcello
Carolina Marcello
Mestre em Estudos Literários, Culturais e Interartes

O longa-metragem de ficção científica, ação e aventura, dirigido por Albert e Allen Hughes, foi lançado em 2010. O enredo é passado em um mundo pós-apocalíptico e fala sobre um homem que atravessa o país sozinho, carregando um antigo livro.

Durante a jornada, o herói encontra um inimigo muito influente, disposto a tudo para roubar o objeto e se apropriar do seu poder.

Atenção: a partir deste ponto você vai encontrar spoilers!

Personagens principais e elenco

Eli (Denzel Washington)

O protagonista é um homem que foi tocado pela fé quando encontrou a última bíblia que sobreviveu à guerra. Movido por uma voz que escuta, ele decide levar o livro sagrado até o Leste do país.

Solara (Mila Kunis)

A jovem trabalha num bar, onde é forçada a obedecer às ordens de Carnegie. Quando conhece Eli e aprende a rezar, ela se enche de coragem e decide abandonar tudo, acompanhando o herói na sua missão.

Carnegie (Gary Oldman)

Dono do bar, o homem mais velho é extremamente poderoso porque tem acesso à água limpa, um dos recursos mais escassos. Buscando um exemplar da bíblia por anos, ele encara a religião como um modo de dominar a população e ascender socialmente.

Claudia (Jennifer Beals)

Mãe de Solara e companheira de Carnegie, a mulher é cega e sofre violência nas mãos do vilão. No final, quando ele necessita da sua ajuda, ela recupera o poder sobre si mesma e se recusa a colaborar.

O Livro de Eli: o que significa?

Encontramos o grande plot twist do filme quando Carnegie finalmente consegue pegar a bíblia de Eli. Abrindo o livro, ele se desespera ao perceber que está escrito em braile. Assim, os espectadores se deparam com uma pergunta inevitável: Eli era cego ou não?

Eli lendo seu livro

Algumas pistas vão sendo sugeridas ao longo do filme, através de detalhes. Se prestarmos atenção, desde a primeira cena, o protagonista parece usar os outros sentidos (como a audição e o tato) para realizar várias tarefas.

Quando consegue cumprir a sua missão e começa a ditar o livro sagrado para um homem que tira notas, a imagem vai se aproximando do rosto de Eli, revelando uma névoa nos olhos. Podemos depreender, então, que o herói sempre foi cego e estava sendo orientado por uma força divina.

Sou guiado pela fé, não pela visão.

Outra possibilidade é a do homem ter recuperado a visão de forma temporária, para realizar a tarefa que foi concedida por Deus. No final, após ter cumprido sua missão, a cegueira regressa. Esta teoria parece concordar com a história do personagem bíblico com o mesmo nome:Eli, um profeta que perdeu a capacidade de ver.

Eli e Solara

O longa-metragem também traz uma reflexão acerca da dualidade da fé. Por um lado, assistimos ao modo como ela move Eli e inspira Solara a mudar seu jeito de viver. Por outro, a religião também é apontada como uma potencial ameaça, algo que teria causado a grande guerra e destruído o mundo antigo.

Por isso, todas as bíblias foram queimadas nessa época. Eli acreditava no seu poder de auxiliar a humanidade e queria que o livro fosse divulgado novamente. No outro extremo, a ganância de Carnegie representa aqueles que usam as palavras religiosas apenas como um modo de obter controle e riqueza:

Não é apenas um livro, é uma arma. Uma arma que se aponta aos corações e às mentes dos fracos e desesperados.

Curiosidades sobre o filme

Vários aspectos de O Livro de Eli têm sido mencionados pelos espectadores, que continuam encontrando referências e curiosidades na obra, tantos anos depois. Contudo, temos que começar referindo os boatos de uma sequela que nunca aconteceu. Embora O Livro de Eli 2 tenha sido anunciado na internet por várias vezes, o filme nunca foi produzido.

O público também aponta os indícios de uma guerra nuclear que, embora não seja mencionada diretamente, parece ter causado aquele cenário distópico. A teoria é sustentada pela presença de radiações e pelo "buraco no céu" que, segundo os relatos, se abriu e queimou a terra, deixando o solo infértil.

Poster A Boy and his Dog

Quando Eli fica hospedado na casa de Carnegie, existe um cartaz do filme O Menino e Seu Cachorro (1975) na parede. Trata-se de uma homenagem ao antigo filme pós-apocalíptico, considerado uma das primeiras referências do gênero cinematográfico. Também é interessante reparar que, na primeira vez que aparece, o vilão está lendo a biografia de Mussolini, o ditador italiano.

Os diretores mencionaram, em entrevistas posteriores, que existe uma cruz ou símbolo religioso em todas as cenas nas quais Eli mata alguém. Denzel Washington começou a treinar várias artes marciais, para se preparar para o filme, e executou suas cenas de luta sem dublês.

Resumo do enredo

O filme começa com um homem solitário, caminhando por um deserto pós-apocalíptico. Após procurar água e alimentos, ele abre um livro antigo e lê até conseguir dormir. No dia seguinte, Eli, o protagonista, é alvo de uma emboscada. Quando é parado por uma mulher pedindo ajuda na estrada, acaba sendo cercado por um grupo de bandidos e consegue derrotar todos.

Eli no meio dos destroços

Chegando na povoação mais próxima, entra numa taberna para comprar água, recurso que era muito caro, e é atacado por uma gangue. Depois de fazer uma oração em voz alta, ele luta contra todos e vence. O dono do local, Carnegie, é um homem rico que procura um livro específico, repleto de poder. Ao reparar na força de Eli, convida o forasteiro a pernoitar ali e trabalhar para ele.

Carnegie tem uma companheira cega, Claudia, com uma filha adolescente chamada Solara. A jovem é enviada para o quarto de Eli, com a intenção de seduzi-lo e convencê-lo a ficar. O herói, no entanto, não aceita os seus avanços e a convida para jantar. Os dois conversam sobre o mundo antigo e Eli a ensina a rezar.

O proprietário do bar percebe que Eli tem o livro que ele procura, mas já partiu na manhã seguinte. Revela, então, que se trata de uma bíblia e fala que pretende utilizá-la para conseguir ainda mais poder e influência. Solara decide ir embora com o protagonista. Primeiro, ele consegue despistá-la, mas depois volta para salvá-la, quando está sendo atacada por dois homens.

Eli e Solara partem juntos

Eli conta para Solara que escutou uma voz que o guiou até à bíblia, a única que não foi queimada, e ordenou que a levasse para o Leste. Em troca, a vontade divina prometeu que iria protegê-lo ao longo de toda a jornada. No dia seguinte, eles encontram uma casa isolada no meio do deserto, onde vivia um casal idoso e cheio de armas para se defender. Após se abrigarem por lá, o local é rodeado pelo exército de Carnegie que metralha tudo.

Assim, o vilão consegue pegar o livro e deixa o homem caído no chão, levando a jovem de volta para casa. Solara, no entanto, ataca o motorista e consegue roubar o carro, usando o veículo para resgatar Eli e fugir com ele para o Leste. Enquanto o dono do bar se esforça para abrir a fechadura do livro, o protagonista fala para a companheira que aprendeu a sua mensagem: fazer mais pelos outros do que por si mesmo.

Ponte destruída

Após passarem a ponte Golden Gate, de São Francisco, em ruínas, eles encontram uma cidade. Aí, existe uma enorme biblioteca e um grupo de pessoas que estão imprimindo livros, para que a humanidade recupere o acesso ao conhecimento. Declarando que tem a bíblia na sua posse, o herói começa a declamar os seus versos, que vão sendo anotados por alguém que o escuta. Gradualmente, percebemos que existe uma névoa branca nos seus olhos: Eli é cego.

Eli ditando a bíblia

Quando Carnegie arromba a fechadura do livro, descobre que as folhas são todas em braile e entra em fúria. Desesperado, pede ajuda de Claudia, que o rejeita e decide ir embora. Depois de todo o caos que causou, ele fica fraco e sozinho, assistindo ao bar sendo destruído pelos clientes. Nas cenas finais, vemos que a bíblia está sendo publicada e Solara visita a lápide de Eli.

Através de uma voz off, escutamos o discurso do protagonista, que agradece a Deus pela proteção e pelo descanso, após ter cumprido o seu propósito. A jovem parte escutando música, um hábito antigo do parceiro, e declara que vai voltar para casa, disposta a mudar as coisas por lá.

Trilha sonora do filme

O Livro de Eli também é lembrado pela sua trilha sonora, criada por Atticus Ross, Leopold Ross e Claudia Sarne. Confira na playlist abaixo:

Ficha técnica e cartaz

Título The Book of Eli (original)
O Livro de Eli (no Brasil)
Ano 2010
Direção

Albert Hughes
Allen Hughes

Pais de origem Estados Unidos da América
Gênero Ação
Ficção científica
Drama
Aventura
Duração

117 minutos

Classificação Maiores de 16 anos
Lançamento janeiro de 2010 (internacional)
março de 2010 (no Brasil)

O Livro de Eli: cartaz do filme

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Atualizado em
Carolina Marcello
Carolina Marcello
Mestre em Estudos Literários, Culturais e Interartes e licenciada em Estudos Portugueses e Lusófonos pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto.