21 melhores filmes brasileiros para ver na Netflix


Laura Aidar
Escrito por Laura Aidar
Arte-educadora e artista visual
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Os filmes brasileiros são uma excelente opção de entretenimento, sendo cada vez mais valorizados nas plataformas de streaming.

Por isso, selecionamos os melhores títulos do cinema nacional presentes na Netflix. São filmes de destaque, premiados, cults ou documentários inteligentes.

1. Estômago (2007)

  • Direção: Marcos Jorge
  • Classificação indicativa: 16 anos

Estômago estreou nos cinemas em 2007 e traz a história de Raimundo Nonato (João Miguel). Vindo do nordeste, Nonato vai para a metrópole à procura de trabalho.

Ao chegar, é contratado para trabalhar em um bar e logo descobre o gosto pela culinária, ao fazer coxinhas deliciosas que se tornam uma sensação no bar.

Percebendo o talento de Nonato, Giovani, o dono de um restaurante italiano de renome, o convida para ser assistente no lugar. O cozinheiro então desenvolve ainda mais seus dotes gastronômicos e passa a ter um salário melhor.

Enquanto sua vida muda, ele começa a se relacionar com Iria, uma prostituta, e se apaixona pela moça, o que complica sua situação.

O filme foi indicado em festivais e recebeu vários prêmios e integra a lista dos 100 melhores filmes brasileiros da Abraccine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema).

2. Febre do Rato (2012)

  • Direção: Cláudio Assis
  • Classificação indicativa: 18 anos

Febre do Rato é um filme de 2012 com direção de Cláudio Assis e roteiro de Hilton Lacerda. Todo em preto e branco, apresenta uma fotografia belíssima e conta sobre Zizo (Irandhir Santos), um poeta contestador e anarquista.

Zizo é responsável pela publicação de um pequeno jornal independente chamado "Febre do Rato", termo comum em Recife que significa que alguém está "fora de controle".

O poeta tem uma perspectiva bastante libertária da vida, vivenciando o desejo carnal de forma muito natural. Mas tudo se transforma quando ele conhece Eneida, uma mulher interessante e provocativa que o rejeita.

O filme recebeu grandes elogios da crítica, vencendo 8 prêmios no Festival Paulínia de Cinema de 2011.

3. Emicida: AmarElo - É Tudo Pra Ontem (2020)

  • Direção: Fred Ouro Preto
  • Classificação indicativa: livre

Esse é um documentário do cantor Emicida que revela os bastidores do show realizado no Theatro Municipal de São Paulo para o lançamento do álbum AmarElo.

O artista se apoia no evento para traçar uma trajetória da música preta no Brasil, exibindo referências artísticas e valorizando o enorme legado cultural dos negros e negras no país.

Segundo o próprio Emicida: "O documentário joga luz numa parte da história do Brasil que foi invisibilizada e a que nem os próprios brasileiros tiveram acesso".

O filme aborda questões sociais importantes enquanto exibe as músicas do cantor. Foi bem recebido pelo público, sendo uma das produções de maior destaque na Netflix em 2020.

4. O Som Ao Redor (2013)

  • Direção: Kleber Mendonça Filho
  • Classificação indicativa: 16 anos

Vencedor de diversos prêmios em vários festivais, O Som Ao Redor, de Kleber Mendonça Filho (mesmo diretor de Bacurau), estreou em 2013 e também integra a lista de melhores filmes nacionais da Abraccine.

A produção é um drama e suspense que aborda questões delicadas como a violência, segurança, poluição sonora e relacionamentos em coletivo.

A trama se passa em Recife e mostra um grupo de moradores que decide contratar serviços de segurança privada para tomar conta da rua. Mas essa decisão trará algumas consequências que fogem do controle.

5. M8 - Quando a Morte Socorre a Vida (2020)

  • Direção: Jeferson De
  • Classificação indicativa: 14 anos

Lançada em 2020, a produção traz suspense, drama e crítica social ao contar a história de Maurício, um jovem negro que ingressa na faculdade de medicina através do sistema de cotas.

É inspirado no livro de mesmo nome do médico Salomão Polakiewicz e mostra o conflito de Maurício ao se deparar com as aulas de anatomia e com o corpo, chamado de M-8, que será estudado por ele e seus colegas.

O filme foi bem recebido, ganhando o prêmio pelo público de Melhor Filme do Festival do Rio de Janeiro.

6. Cinema Aspirinas e Urubus (2005)

  • Direção: Marcelo Gomes
  • Classificação indicativa: 14 anos

Nesse filme de estrada (chamado também de road movie), a história se passa na década de 40 no sertão do nordeste. Nela acompanhamos Johann, um alemão refugiado da Segunda Guerra que viaja de cidade em cidade vendendo aspirinas.

Em suas andanças ele conhece Ranulpho, nordestino que busca chegar ao Rio de Janeiro para tentar a vida. O encontro dos dois irá transformar suas vidas e a das pessoas ao redor.

Indicado a concorrer ao Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira em 2007, o filme foi muito elogiado, entrando para a lista de melhores do cinema nacional da Abraccine.

7. Laerte-se (2017)

  • Direção: Lygia Barbosa da Silva, Eliane Brum
  • Classificação indicativa: 14 anos

filme Laerte-se

Um documentário intimista e sensível que revela a trajetória da cartunista Laerte Coutinho, mostrando como ela, aos 58 anos, se descobriu e se aceitou como uma mulher transgênero.

A direção é de Eliane Brum e Lygia Barbosa da Silva e a produção foi feita em parceria com a Netflix, estreando em 2017 e tendo boa aceitação do público e da crítica.

8. Branco Sai, Preto Fica (2015)

  • Direção: Adirley Queirós
  • Classificação indicativa: 12 anos

Branco Sai, Preto Fica é um longa-metragem de 2015 que aborda o racismo e violência policial e insere elementos documentais em meio à ficção.

Conta sobre o fatídico episódio de repressão policial em um baile de música preta na Ceilândia (DF), em 1986. Na ocasião, um dos algozes teria dito "branco sai, preto fica" ao ordenar que apenas os negros ficassem no local para sofrer humilhações e torturas, o que deixou muitos feridos.

Foi exibido no Festival de Brasília e teve ótima recepção, se tornado destaque em seu ano de estreia.

9. Viajo Porque Preciso Volto Porque Te Amo (2010)

  • Direção: Marcelo Gomes, Karim Aïnouz
  • Classificação indicativa: 14 anos

Dos mesmo idealizadores de Cinemas, Aspirinas e Urubus, o longa é também um filme de estrada.

Exibe o percurso emocional de José Renato (Irandhir Santos), um geólogo que vai a trabalho para o nordeste e precisa atravessar o sertão para realizar suas pesquisas de campo.

O filme mistura imagens não ficcionais coletadas pelos diretores enquanto apresenta a voz do personagem narrando seus sentimentos, conflitos e emoções. Assim, se constitui uma produção bastante inovadora e de caráter experimental.

Recebeu boas críticas e foi premiado em diversos festivais importantes.

10. Estou Me Guardando Para Quando o Carnaval Chegar (2019)

  • Direção: Marcelo Gomes
  • Classificação indicativa: 10 anos

Esse é um documentário de 2019 com direção de Marcelo Gomes que mostra a realidade da população de Toritama, pequena cidade no interior de Pernambuco.

O lugar é conhecido como a "capital do jeans" no Brasil, produzindo uma enorme quantidade de produtos desse material. Assim, os moradores passam o ano todo trabalhando em ritmo acelerado para poder parar apenas no carnaval, quando vão à praia.

O filme foi bastante elogiado por trazer bons questionamentos sobre a realidade trabalhista e a exploração, mesmo no trabalho visto como "autônomo".

11. O Último Cine Drive-in (2015)

  • Direção: Iberê Carvalho
  • Classificação indicativa: 12 anos

Uma emocionante homenagem ao cinema, O Último Cine Drive-in, é um filme de Iberê Camargo que conta com a brilhante atuação de Othon Bastos.

A trama se passa em Brasília e exibe Almeida, dono de um cinema drive-in que está falindo, enquanto sua ex-esposa Fátima tem a saúde fragilizada. O filho do casal, Marlombrando, retorna à cidade e precisa lidar com a situação e se reconectar com a família.

Sucesso no Festival de Cinema de Gramado de 2015, o longa foi premiado em diversas categorias.

12. Tatuagem (2013)

  • Direção: Hilton Lacerda
  • Classificação indicativa: 16 anos

Gravado em Pernambuco, o longa Tatuagem é um drama dirigido por Hilton Lacerda e foi lançado em 2013.

Apresenta o grupo de artistas da trupe Chão de Estrelas, liderados por Clécio e se passa no final dos anos 70, em plena ditadura militar. O grupo exibe espetáculos subversivos e cheios de deboche, causando alvoroço e provocando a moral da época.

Um dia, ao visitar por acaso o show, o jovem soldado Fininha conhece Clécio e os dois vivem uma intensa paixão que transforma a vida de ambos.

Exibido no Festival de Gramado, fse destacou e venceu diversas categorias.

13. Como Nossos Pais (2017)

  • Direção: Laís Bodanzky
  • Classificação indicativa: 14 anos

Nesse drama de Laís Bodanzky, acompanhamos a vida de Rosa (Maria Ribeiro), uma mulher de classe média casada e com duas filhas.

Aborda o conflito entre Rosa e seu marido, vivido por Paulo Vilhena, trazendo assuntos pertinentes como o machismo, monogamia, criação dos filhos e ruídos na comunicação. Exibe ainda a complicada relação entre Rosa e sua mãe, marcada por ressentimentos e segredos que vem à tona.

O filme foi aclamado no Festival de Gramado de 2017, levando para casa seis prêmios, dentre eles o de melhor filme e melhor atriz para Maria Ribeiro.

14. Aquarius (2016)

  • Direção: Kleber Mendonça Filho
  • Classificação indicativa: 16 anos

Aquarius estreou em 2016, tem direção de Kleber Mendonça Filho e é uma produção em conjunto entre França e Brasil.

O drama tem toques de suspense e aborda a especulação imobiliária e, segundo o diretor versa "sobre memória e sobre história, que não são muito valorizadas na nossa cultura".

Conta sobre Clara (Sônia Braga), uma mulher de 65 anos que vive sozinha no último apartamento do edifício Aquarius, na praia de Boa Viagem, no Recife. Clara se recusa a vender sua casa a uma construtora que pretende demolir o prédio para construir um enorme edifício no local.

O filme foi um sucesso de público e crítica, concorrendo à Palma de Ouro no Festival de Cannes e ganhando prêmios relevantes.

15. Hoje eu Quero Voltar Sozinho (2014)

  • Direção: Daniel Ribeiro
  • Classificação indicativa: 12 anos

Esse é um longa-metragem que surge como consequência do curta Eu não quero voltar sozinho, estrelado pelo mesmo elenco e com a direção também de Daniel Ribeiro.

Mostra a vida e as transformações de Leonardo, um jovem cego que vive o seu primeiro amor. Leonardo se apaixona por Gabriel, um colega novo de sua classe, e com ele dá vazão aos seus desejos e à busca por independência.

Um filme que exibe com delicadeza e sensibilidade questões relacionadas à descoberta do amor homoafetivo e deficiência visual.

O público e crítica receberam muito bem a produção, que venceu diversos prêmios em festivais importantes como o Festival de Berlim e o Grande Prêmio do Cinema Brasileiro.

16. O Olmo e a Gaivota (2015)

  • Direção: Petra Costa, Lea Glob
  • Classificação indicativa: 12 anos

Esse drama-documentário luso-brasileiro tem direção de Petra Costa e foi lançado em 2015. Mostra de maneira sensível e realista os conflitos e transformações de Olivia, uma atriz que se prepara para encenar a peça A gaivota, de Tchekov e descobre que está grávida.

Exibe a relação da atriz com seu marido Serge e revela aspectos pouco debatidos sobre a gravidez, mostrando o impacto que uma gestação não-planejada pode ter na vida de uma mulher, tanto psicologicamente quanto profissionalmente.

17. A Cidade Onde Envelheço (2017)

  • Direção: Marília Rocha
  • Classificação indicativa: 12 anos

A Cidade Onde Envelheço se passa em Minas Gerais e é o primeiro filme ficcional de Marília Rocha, que até então só havia feito documentários.

A história conta sobre duas jovens portuguesas vivendo no Brasil. Francisca mora em Belo Horizonte há alguns anos e um dia recebe Elizabeth, uma amiga de infância que está visitando o país.

A narrativa é construída de forma bem fluida, com atrizes com pouca experiência, o que traz espontaneidade e uma aproximação com o documentário.

18. Temporada (2019)

  • Direção: André Novais Oliveira
  • Classificação indicativa: 12 anos

Filme dirigido e roteirizado por André Novais Oliveira, Temporada foi elogiado pela crítica e venceu cinco prêmios no Festival de Brasília de 2018.

A trama apresenta a agente de saúde Juliana, que sai de sua cidade natal no interior de Minas Gerais e vai para outra cidade, a fim de trabalhar no controle de doenças como a dengue. Juliana tem dificuldade para se adaptar à nova vida e sente que se casamento foi abalado pela sua partida.

O interessante dessa história é que trata de questões importantes como o racismo e as desigualdades sociais e de gênero de maneira sutil, colocando esses temas no cotidiano das personagens e trazendo o olhar periférico para o centro da trama.

19. Cidade Pássaro (2020)

  • Direção: Matias Mariani
  • Classificação indicativa: 18 anos

Nessa produção feita em parceria entre Brasil e França, a narrativa se constrói a partir da relação de dois irmãos nigerianos que estão no Brasil e se reencontram na capital paulista.

Amadi é músico e vem ao país para procurar o irmão, que brigou com a família e saiu de casa. Ele vem determinado a encontrar Ikenna pois se recusa a ter que assumir o papel de primogênito na família e sustentá-la.

O filme apresenta a cidade de São Paulo por um ponto de vista muito peculiar, exibindo a vida dura dos imigrantes em meio aos caos da metrópole.

20. Permanência (2015)

  • Direção: Leonardo Lacca
  • Classificação indicativa: 16 anos

Com direção de Leonardo Lacerda, Permanência estreou em 2015 e traz Irandhir Santos no papel de Ivo, um fotógrafo que está preparando sua primeira exposição individual.

Vindo de Pernambuco, Ivo se hospeda na casa de sua ex-namorada em São Paulo, o que despertará sentimentos conflitantes.

Um filme que enfoca o universo intimista e sentimental dos personagens, mas ainda assim trata de questões coletivas.

21. Mãe Só Há Uma (2016)

  • Direção: Anna Muylaert
  • Classificação indicativa: 16 anos

Baseado em um caso real, Mãe Só Há Uma conta a história de Pierre, um adolescente que descobre que foi roubado na maternidade. Sua mãe de criação vai presa e ele precisa se adaptar à nova família.

Em meio a isso, Pierre também está em busca de sua verdadeira identidade e sexualidade, o que torna as coisas ainda mais complexas.

O filme participou do Festival de Berlim e foi indicado ao Grande Prêmio do Cinema Brasileiro.

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Laura Aidar
Escrito por Laura Aidar
Arte-educadora, artista visual e fotógrafa. Licenciada em Educação Artística pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) e formada em Fotografia pela Escola Panamericana de Arte e Design.