Livro Memórias Póstumas de Brás Cubas de Machado de Assis


Memórias Póstumas de Brás Cubas é um livro de Machado de Assis, publicado como folhetim entre março e dezembro de 1880 na Revista Brasileira. É narrado pelo defunto autor Brás Cubas, que conta as suas memórias sem as amarras da vida.

Análise da Obra

Corrente literária

Memórias Póstumas de Brás Cubas é um divisor de águas na obra de Machado de Assis e o romance inaugural do realismo no Brasil. 

O realismo é uma corrente literária que sucedeu o romantismo. O romance antes do realismo era focado em situações inverossímeis, em fatos mágicos que ultrapassavam o cotidiano, em grandes acontecimentos. A regra do foco narrativo era a exceção, grandes amores que moviam grandes ações, em paisagens bucólicas ou estrangeiras que pouco tinham relação com o cotidiano urbano. 

Com o advento do positivismo, o romance começa a ter outra forma. Segundo Alfredo Bosi "o escritor realista tomará a sério as suas personagens e se sentirá no dever de descobrir-lhe a verdade, no sentido positivista de dissecar os móveis do seu comportamento".

Isso significa que, para o realismo, as personagens passam a ter um papel essencial na narrativa, não mais numa situação fora do comum. O movimento dos personagens é uma consequência deles mesmos, da sua formação, do seu local e a da sua natureza.

O romance passa a se desenvolver em meio a uma situação típica, volta-se para os centros urbanos, onde a grande variedade de pessoas é uma fonte para as narrativas. A fantasia deixar de ter lugar no realismo.

Assim, pode-se dizer que a passagem do romance romântico para o realista foi a passagem do atípico para o normal. Uma atenção ao contexto que vai ditar a construção do romance.

Contexto histórico

O século 19 foi marcado por diversas guerras e revoluções. A ascensão da burguesia e o crescimento dos centros urbanos provocaram diversas mudanças estruturais na sociedade. O pensamento liberal dominava a nova elite econômica, que era excluída dos círculos aristocráticos mesmo tendo mais poses econômicas.

Os avanços tecnológicos e a industrialização também pareciam mover o pensamento para a frente. O cientificismo e a análise começaram a substituir a tradição e o pensamento religioso. É já no pensamento liberal que surge o romantismo, porém, é dentro do positivismo, da crença que a humanidade avança com o conhecimento científico, que o realismo toma forma na literatura.

Foi no final do século 19, quando Machado de Assis lançou o Memórias Póstumas de Brás Cubas, que o Brasil viu as maiores mudanças sociopolíticas. Em 1888 foi aprovada a Lei Áurea e a abolição da escravatura; no ano seguinte, foi proclamada a República.

Ao longo do romance de Machado de Assis, é possível observar diversas intenções liberais. Com críticas ao escravagismo e à política monárquica, a descrição da sociedade em meados dos século 19 é profunda e sagaz.

rio de janeiro século XIX
Rio de Janeiro no final do século  XIX

O defunto autor e o realismo

A principal inovação de Machado de Assis neste romance foi a criação de um defunto autor. O livro é narrado em primeira pessoa, com o importante detalhe do narrador estar morto. 

eu não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor, para quem a campa foi outro berço

Isso possibilita uma visão do mundo mais imparcial. Já que ele não possui nenhuma ligação com a vida terrena, pode narrar sua vida sem ter que seguir as convenções sociais. Para Alfredo Bosi, isso "foi uma revolução ideológica e formal: aprofundando o desprezo às idealizações românticas e ferindo no cerne o mito do narrador onisciente, que tudo vê e tudo julga, deixou emergir a consciência nua do indivíduo fraco e incoerente. O que restou foram as memórias de um homem igual a tantos outros, o cauto e desfrutador Brás Cubas."

O próprio narrador no fala sobre a liberdade de estar morto e como esse fato faz parte inerente da construção do romance

Talvez espante ao leitor a franqueza com que lhe exponho e realço a minha mediocridade, advirta que a franqueza é a primeira qualidade de um defunto

Os comentários diretos que o narrador faz com o leitor também são uma grande inovação no romance. Ora Brás Cubas usa essa ferramenta para se justificar ora para provocar o leitor.

Ao narrar a vida de uma pessoa qualquer e sem ter que seguir as convenções sociais, Machado/Brás Cubas consegue fazer do romance uma análise da sociedade e do caráter psicológico dos personagens.

O romance de Brás Cubas com Virgília não é visto da perspectiva romântica, na qual herói/heroína se amam e têm que lutar para viver um amor proibido. O casamento de Virgília com Lobo Neves não é visto como uma afronta pelo personagem principal, mas sim como uma atitude óbvia a ser tomada e que zela pelos interesse sociais.

Virgília comparou a águia e o pavão, e elegeu a águia, deixando o pavão com o seu espanto, o seu despeito e três ou quatro beijos que lhe dera

Assim a relação dos dois, apesar de secreta, segue de algum modo as convenções sociais de dois amantes. As obrigações de esposa de Virgília estão acima da sua paixão por Brás Cubas. O caso de amor é suprimido pelas necessidades da sociedade.

Apesar das regras da boa sociabilidade serem seguidas, o narrador não deixa de usar a ironia para criticar esta mesma sociedade. Seu primeiro romance com Marcela é medido pelo dinheiro que Brás Cubas gastou enchendo-a de presentes.

...Marcela amou-me durante quinze meses e onze contos de réis, nada menos.

Contudo, Brás Cubas faz o mesmo jogo da sociedade em que vive. Ele deseja uma posição na de destaque política e quer ver o seu nome entre os grandes. Parte desse desejo advém de seu pai. A sua família, apesar de bem abastada, não tinha uma origem nobre. A presença na política era uma forma de levar o nome de Cubas no alto da sociedade de corte do Rio de Janeiro.

Esse desejo se prolonga em Brás Cubas e na sua ideia fixa do emplasto universal do Brás Cubas. Mais que o desejo de curar os males da humanidade o narrador que ver o seu nome estampado no maior número de meios possíveis.

Uma das maiores críticas sociais presentes na obra de Machado/Brás Cubas é sobre a escravatura. Nomeadamente, quando o narrador descreve a cena de um escravo torturando um outro escravo. Brás Cubas justifica a atitude violenta do seu ex-escravo como uma transferência das violências que ele mesmo sofreu.

Além da crítica ao sistema de escravidão, também vemos uma das teorias do positivismo, que defende que o meio determina o homem.

Em um dos trechos dedicados à explicação da obra, o autor Machado/Brás Cubas nos diz

todavia importa dizer que este livro é escrito com pachorra, com a pachorra de um homem desafrontado da brevidade do século, obra supinamente filosófica, de uma filosofia desigual, agora austera, logo brincalhona, coisa que não edifica nem destrói, não inflama nem regala, e é todavia mais do que passatempo e menos do que apostolado.

A genialidade artística de Machado de Assis possibilitou a criação de uma obra que, além de fundar os preceitos estéticos do realismo no Brasil, também criou uma enorme novidade nos romances mundiais. O autor/narrador tem uma força imensa dentro do romance, rompendo com o narrador onisciente em terceira pessoa como figura central. 

Principais personagens

Brás Cubas

É o narrador e o personagem principal. Ele escreve o livro de suas memórias depois de morto. Sem nenhum apego às convenções sociais, ele retrata a vida no Rio de Janeiro e as suas relações com uma visão única.

Virgília

É a amante de juventude de Brás Cubas. Casou por interesse com Lobo Neves, mas, mesmo tendo um amante, é uma esposa dedicada que respeita e venera o seu marido. Suas paixões e suas obrigações são meticulosamente pesadas e ela nunca falha com a sua família ou diante da sociedade por conta do seu caso amoroso.

Marcela

A primeira amante de Brás Cubas, seu interesse é mais voltado para o dinheiro do que para o amor.

Lobo Neves 

Marido de Virgília, tem ambições políticas e capacidade para exercê-las. Torna-se presidente de província e quase vira ministro. 

Coltrim 

É o cunhado de Brás Cubas, casado com a sua irmã Sabina. É um homem muito preocupado com o trabalho, dinheiro e família. Fica constantemente atento aos movimentos de Brás Cubas que podem manchar o nome da família. 

Quincas Borba

Antigo colega de Brás Cubas, a flor de todo o império, que se torna mendigo. Após ganhar uma herança, volta à sociedade como filósofo e é um grande conselheiro do narrador. Termina perdendo o juízo.

D. Plácida

É a ex-costureira de Virgília e a quem o casal de amantes confia a casa onde se encontram em segredo. Muito católica, ela sente-se mal no começo por dar apoio a um adultério, mas o dinheiro a ajuda a superar as questões morais.

Resumo

Brás Cubas começa as suas memórias a partir da morte, explicando um pouco como é ser um defunto autor. Pouco antes da sua morte, ele tem a ideia de criar um emplasto universal, com o fim de resolver todos os problemas da humanidade e eternizar o seu nome.

um medicamento sublime, um emplasto anti-hipocondríaco, destinado a aliviar a nossa melancólica humanidade (...)

o que me influiu principalmente foi o gosto de ver impressos nos jornais, mostradores, folhetos (...) estas três palavras: Emplasto Brás Cubas

A ideia do emplasto gruda na sua cabeça. Quando Brás Cubas estava para apurar a invenção, ele pega um golpe de ar e adoece. A princípio, ele não cuida da doença e, quando se trata, faz sem cuidado e sem método, o que leva à sua morte numa sexta-feira.

Já no leito de morte, Brás Cubas recebe a visita de uma antiga amante, Virgília, e do filho dela. Durante a visita, Brás Cubas começa a delirar. Ele sonha que que vai ao começo dos séculos, onde encontra a Natureza ou Pandora. Brás Cubas tem um diálogo com ela e vê todos os séculos, desdo o princípio, passar diante dos seus olhos.

Brás Cubas morre pouco depois de voltar à razão. 

Da morte o narrador passa ao nascimento, Virgília é a sua ponte.

Virgília foi o meu grão pecado da juventude, não há juventude sem meninice, meninice supõe nascimento, e eis aqui como chegamos nós, sem esforço, ao dia 20 de outubro de 1805, em que nasci.

Brás Cubas foi a flor da sua árvore genealógica. Logo quando nasceu, sua família vaticinava um futuro de sucesso. Seu tio João, que era militar, via nele olhos de Bonaparte. Seu tio Ildefonso, que era padre, o via como cônego, um alto cargo católico.

Seu pai dizia que ele seria o que deus quisesse. Durantes as primeiras semanas, Brás Cubas contou com muitas visitas dos vizinhos, muitos mimos, beijos e admiração. Foi batizado no ano seguinte. Seus padrinhos eram o Coronel Paulo Vaz Lobo César de Andrade e Sousa Rodrigues de Matos e a sua mulher, D. Maria Luísa de Macedo Resende e Sousa Rodrigues de Matos. Os nomes deles foram as primeiras coisas que o narrador aprendeu.

Brás Cubas cresceu livre e, aos cinco anos, recebeu a alcunha de "menino diabo". Ele era um dos mais malignos de seu tempo. Ele fazia seu escravo Prudêncio de cavalo, montando nele, colocando freio e chicoteando-o, dando voltas pela casa.

O narrador conta um pouco da sua criação. Sua mãe tentava fazê-lo decorar alguns preceitos e algumas orações. Era mulher simples, temente a deus e ao seu marido. Seu pai o adorava e o mimava, dando muito liberdade na sua criação.

Brás Cubas dá um salto na escola, e dela nos conta como era enfadonha, com suas lições árduas e longas. Ele fala um pouco sobre seu professor e sobre Quincas Borba, um colega seu.

Quincas Borba. Nunca em minha infância, nunca em toda a minha vida, achei um menino mais gracioso, inventivo e travesso. Era a flor, e não já da escola, senão de toda a cidade.

Da escola, o narrador passa à juventude e ao primeiro amor. Depois de ler muita literatura romântica, Brás Cubas está no auge do corcel do desejo. Nesse estado ele encontra Marcela e se apaixona por ela. Leva trinta dias para conquistar o coração de Marcela.

Gastei trinta dias para ir do Rossio Grande ao coração de Marcela, não já cavalgando o corcel do desejo, mas o asno da paciência.

Ele mantém o amor de Marcela a custa de muitos presentes e mimos, o que o faz perder boa parte do seu dinheiro. No princípio seu pai até o ajuda com os gastos. Porém, quando Brás Cubas começa a gastar parte da sua herança, o pai interfere e o manda estudar em Coimbra.

Cubas parte para a Europa com o coração partido. Torna-se bacharel em Coimbra, passa por Lisboa, vê o florescer do romantismo e faz poesia na Itália. No meio da viagem, Brás Cubas nos narra um episódio em que cai de um burro e vai sendo arrastado até que é ajudado por um homem simples. As suas reflexões sobre o prêmio que deve dar ao seu salvador são excelentes.

Resolvi dar-lhe três moedas de ouro que trazia comigo, não porque tal fosse o preço da minha vida - essa era inestimável, mas porque era uma recompensa digna da dedicação que ele me salvou.

(...) esse tempo cogitei se não era excessiva a gratificação, se não bastavam duas moeda. Talvez uma. Com efeito, uma moeda era bastante (...)

(...) hesitei, meti-lhe na mão um cruzado em prata (...)

Meti os dedos no bolso do colete que trazia no corpo e senti uma moedas de cobre, eram os vinténs que eu deveria ter dado ao almocreve em lugar do cruzado de prata.

A volta para o Rio de Janeiro é motivada pela carta de seu pai, que conta que sua mãe está muito doente. Brás Cubas volta e encontra sua mãe com câncer de estômago. Ela morre pouco tempo depois e a morte de uma pessoa tão próxima choca o narrador.

Brás Cubas vai morar na Tijuca, onde fica isolado com uma espingarda e alguns livros. O tempo de luto é passado entre dormir, caçar e ler. Até que seu pai intervém novamente. Ele sobe à serra para encontrar seu filho e fazer duas propostas: um casamento arranjado e, como consequência, uma entrada na vida política. 

Quadro de Johann Moritz Rugendas mostrando uma caravana de mercante indo para a Tijuca
Quadro de Johann Moritz Rugendas mostrando uma caravana mercante indo para a Tijuca

O defunto autor hesita um pouco, mas promete considerar e descer para o Rio de Janeiro. Porém, nesse ínterim, ele reencontra a D. Eusébia, que também mora na Tijuca. Ele começa a frequentar a casa da senhora que ele havia denunciado o beijo vários anos antes. A senhora tem uma filha que, apesar de ser muito bela, é coxa. O narrador começa o flerte com a garota e a conquista. Depois desce, deixando-a sozinha na Tijuca. 

No Rio de Janeiro e com a ajuda de seu pai, ele conhece Virgília, a mesma senhora que o visitou em seu leito de morte. 

Não digo que ia lhe coubesse a primazia da beleza, entre as mocinhas do tempo, porque isto não é romance, em que o autor sobredoura a realidade e fecha os olhos às sardas e espinhas (...). Era bonita, fresca, saía das mãos da natureza

Virgília é filha do Conselheiro Dutra. O casamento com ela era uma forma de Brás Cubas alcançar distinção social e entrar para a política pois, mesmo sendo rico, ele não tinha ascendência nobre. A política era uma forma de adquirir um cargo de respeito e até um título aristocrático.

Brás Cubas e Virgília ficam íntimos em menos de um mês e o narrador começa a frequentar a sua casa. Em uma das vezes que ele vai para jantar, Brás Cubas derruba seu relógio e quebra o vidro. Ele entra em uma loja para consertar o relógio e encontra Marcela, sua antiga amante, com a face cheia de manchas por causa da varíola. 

Este caso faz com que o narrador se atrase para o jantar. Chegando, ele encontra Virgília de mau humor. Essa passagem serve para Brás Cubas construir a sua teoria da solidariedade do aborrecimento humano.

Da-se movimento a uma bola, por exemplo, rola esta, encontra outra bola, transmite-lhe o impulso, e eis a segunda bola a rolar como a primeira rolou (...) tocam os extremos sociais, e se estabelece uma coisa que podemos chamar - solidariedade do aborrecimento humano

Entretanto, o plano de casamento de Brás Cubas é interferido pela chegada de Lobo Neves. A candidatura dele tinha o apoio de diversas influências políticas. O narrador teve que ceder e, em poucas semanas, Lobo Neves fica noivo de Virgília.

O pai de Brás Cubas fica indignado com a derrota do filho. Além disso, sua idade avançada e saúde fraca fazem com que ele morra quatro meses depois. A divisão da herança gera um atrito entre Brás Cubas, sua irmã Sabina e seu cunhado Cotrim. 

Eles rompem ligações e Brás Cubas começa outro ciclo de reclusão. Sem pai, sem casamento e com as relações cortadas com a irmã, o narrador passa um período isolado, frequentando de vez em quando a sociedade e escrevendo alguns artigos.

Lobo Neves já era deputado. Nesse período Brás Cubas tem contato com um primo de Virgília, que também é poeta. Ele conta que Virgília está de volta ao Rio de Janeiro após uma estadia em São Paulo.

Oito dias depois, eles se encontram em um baile. Em pouco tempo Brás Cubas começa a frequentar a casa de Virgília e de Lobo Neves. Começa a travar amizade com a família e se torna amante de Virgília. 

Brás Cubas encontra uma moeda no chão e contata a polícia para devolvê-la. Esse pequeno episódio serve para ilustrar uma lei que o narrador descobriu.

a lei da equivalência das janelas, e estabeleci que o modo de compensar uma janela fechado é abrir outra, a fim de que a moral possa arejar continuamente a consciência

Após sair de um jantar na casa da amante, Brás Cubas encontra Quincas Borba, seu antigo amigo de escola, que agora é um mendigo que mora na rua. O narrador fica assustado com a situação do amigo, oferece ajuda, mas ele só quer dinheiro e, no final, rouba o relógio de Brás Cubas.

O romance de Virgília e Brás Cubas continua. Começam algumas desconfianças de que os dois mantém um caso escondido. Brás Cubas sugere que eles fujam, mas Virgínia se recusa. 

Os olhares indiscretos começam a atrapalhar a rotina dos amantes. A solução é arranjar uma casa para se encontrem escondidos. Dona Plácida, a antiga costureira de Virgília, é escolhida para resguardar a casa dos amantes.

Andando pela rua, Brás Cubas se depara com um negro livre chicoteando um negro escravo. O negro livre, que exerce um grande castigo público, não era nada menos que Prudêncio, o antigo escravo de Brás Cubas que foi liberto. Sobre as chicotadas que ele dava no escravo, Brás Cubas conta:

Era um modo que Prudêncio tinha de se desfazer das pancadas que recebia - transmitindo-as a outro

Os encontros entre Virgília e Brás Cubas são ameaçados pela nomeação de Lobo Neves para a presidência de uma província. A nomeação obrigaria a mudança da família para o Norte. Lobo Neves escolhe Brás Cubas para ser seu secretário. A princípio, essa parece a solução para o problema, porém, a sociedade começa a desconfiar cada vez mais das suas relações com Virgília e a ida para o Norte parece ser o estopim para um escândalo.

Lobo Neves tem muita ambição política e a nomeação para presidência é um grande avanço na sua carreira. Ele também é supersticioso e, como a nomeação foi publicada num dia 13, ele resolve declinar. O casal de amantes pode ficar tranquilo novamente.

Após os perigos de serem descobertos, Brás Cubas e Virgília tem um novo momento de ápice na relação. Brás Cubas reata com a sua irmã e com o seu cunhado, que tem planos para casá-lo, e Cubas recebe uma carta do seu ex-colega Quincas Borba que lhe devolve o relógio.

Brás Cubas começa a encontrar Quincas Borba com frequência. Após ganhar uma herança, Quincas reaparece de forma apresentável e com um novo sistema filosófico. Cubas se interesse pela nova figura dele. 

Virgília engravida de Brás Cubas, que fica muito contente com a notícia. Porém, ela não parece muito feliz e, pouco tempo depois, perde a criança. A relação dos dois sofre balança novamente quando Lobo Neves recebe uma carta anônima denunciando a infidelidade da esposa. Virgília nega e a ameaça é diminuída.

O encontro do casal continua por mais um tempo com alguns atritos. Até que Lobo Neves é novamente nomeado para presidente da província e parte com a sua família. 

Virgília parte para a província e Brás Cubas fica no Rio de Janeiro. Seu contato com Quincas Borba e com a sua filosofia é ainda maior. Cubas também tem mais contato com a sua pretendente. Quando ele resolve levar o casamento a sério, Nhã-loló morre de febre amarela.

Dois anos depois, Brás Cubas se torna deputado e finalmente entra na política. Depois de um discurso perfeito na forma e no método, mas desastroso no conteúdo, perde o seu mandato. Incentivado por Quincas Borba, ele inaugura um jornal de oposição ao governo, que gera um atrito com o seu cunhado Coltrim e dura apenas seis meses.

Lobo Neves quase consegue se tornar ministro, mas morre poucos dias antes da nomeação. Quincas Borba começa a perder o juízo. Brás Cubas entra na Ordem Terceira de ***, onde exerce alguns cargos por três anos.

Neste período ele encontra a garota coxa em um cortiço, vê sua ex-amante Marcela morrer em um hospital de caridade e Quincas Borba a ficar louco. No final Brás Cubas chega ao outro lado da vida com algum saldo:

Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria

Machado de Assis

Machado de Assis nasceu em 21 de junho de 1839, no Rio de Janeiro, e faleceu em 29 de setembro de 1908. Já era um personagem com destaque na política brasileira antes de lançar o Memória Póstumas de Brás Cubas.

No começo de sua carreira pública, Machado de Assis era um liberal radical. Porém, com o passar dos anos, seu radicalismo passou a serem ressalvas em relação à política brasileira. Essa posição pode ser observada na evolução dos seus romances. 

Na fase madura, a ironia tem um papel importante como forma de observação dos pontos que Machado julgava serem incongruentes.