13 principais obras renascentistas para conhecer o período


Laura Aidar
Laura Aidar
Arte-educadora e artista visual

A renascença foi uma época em que antigos valores greco-romanos começam a ressurgir na Europa, despontando na Itália no século XIV.

Assim, a cultura e a arte sofrem gradualmente transformações importantes que revelam uma retomada dos ideais clássicos. Há também a valorização do ser humano, da harmonia, racionalidade e lógica.

Esse período foi um marco importante para a história do Ocidente e palco de grandes gênios da arte, como Leonardo da Vinci e Michelangelo, que produziram obras consideradas modelos de perfeição.

1. Mona Lisa, de Leonardo da Vinci

Mona Lisa (La Gioconda, no original) é uma pintura feita em tinta a óleo sobre madeira, datada de 1503. Seu autor é Leonardo da Vinci (1452-1519), um dos grandes nomes do renascimento.

Mona Lisa, de Leonardo da Vinci, mostra uma mulher com as mãos sobre o colo e leve sorriso
Mona Lisa, de Leonardo da Vinci (1503), mede 77 x 53 cm e está localizada no Museu do Louvre, na França

A obra é considerada a mais famosa da história da arte devido ao seu caráter enigmático, simétrico e que prima pela harmonia em proporções, composição e jogo de luz e sombra, conseguido através da técnica do sfumato.

Medindo somente 77cm x 53cm, a pequena tela atrai multidões que vão ao Museu do Louvre, em Paris, para ver o retrato de uma jovem mulher que encara os espectadores com semblante misterioso, denotando ora simpatia, ora altivez.

2. A criação de Adão, de Michelangelo

A criação de Adão é uma pintura realizada na abóboda da Capela Sistina entre 1508 e 1512. Integra o conjunto de imagens produzidas por Michelangelo (1475-1564) na capela com a técnica do afresco, quando a pintura é feita sobre gesso úmido.

A criação de Adão, de Michelangelo
A criação de Adão (1508-1511), de Michelangelo, pode ser vista na Capela Sistina, no Vaticano

Na cena, o artista exibe a sua interpretação do que teria sido o momento da concepção do primeiro homem na face da Terra, Adão. Portanto, o que vemos é a figura de um homem nu deitado com o braço direito estendido em direção a Deus, que com um toque lhe concede a vida.

A importância dessa obra está na maneira racional com que Michelangelo escolhe retratar essa passagem bíblica. Note que o manto e os anjos que envolvem a figura divina estão estruturados de forma a compor a imagem de um cérebro, sugerindo um Deus pensante, lógico e coerente. Tais valores estão completamente interligados ao contexto do renascimento.

Para saber mais detalhes, leia: A Criação de Adão, de Michelangelo

3. O nascimento de Vênus, de Sandro Botticelli

O nascimento de Vênus (Nascita di Venere), feito em 1484, é uma das grandes obras-primas do renascimento italiano. Pintada por Sandro Botticelli (1445-1510), a tela tem dimensões de 172,5 x 278,5 cm e está localizada na Galleria degli Uffizi, na Itália.

O nascimento de Vênus, de Botticelli, retrata uma mulher nua saindo de uma concha
O nascimento de Vênus (1484), de Sandro Botticelli, está na Galleria degli Uffizi, Itália

A cena retrata o episódio mitológico da origem de Vênus, a deusa do amor e da beleza na mitologia romana. A divindade é retratada como uma linda jovem nua que cobre seu sexo enquanto emerge das águas através de uma concha.

A obra tem destaque na história da renascença, pois mostra uma imagem totalmente referenciada na cultura greco-romana, trazendo inclusive influência da escultura clássica, como se observa na posição corporal de Vênus.

Além disso, a beleza e harmonia, tão valorizadas no período, pode ser contemplada nessa pintura do mestre Botticelli.

4. Pietá, de Michelangelo

Uma das esculturas mais conhecidas do período renascentista, sem dúvida, é Pietá (1499), de Michelangelo. Realizada em mármore, a peça tem dimensões de 174 x 195 cm e encontra-se na Basílica de São Pedro, no Vaticano.

Pietá, escultura que retrata Jesus morto nos braços de Maria
Pietá, de Michelangelo, exibe a cena bíblica de Maria segurando o corpo de Cristo

O artista esculpiu a cena de Virgem Maria em um momento doloroso, quando Jesus está morto em seus braços. Podemos notar um conhecimento profundo do gênio em anatomia ao retratar o corpo de Cristo sem vida, com todos os músculos relaxados no colo de Maria, que exibe um corpo grande com uma túnica ricamente trabalhada em seu drapeado.

A junção de diversos valores renascentistas, como a simetria, a valorização do corpo humano e a composição, colaboram para que a escultura seja um ícone da harmonia na história da arte renascentista.

5. A escola de Atenas, de Rafael Sanzio

A Escola de Atenas é uma das obras mais conhecidas de Rafael Sanzio (1483-1520). A pintura, intitulada originalmente de Scuola di Atenas, foi feita entre 1509 e 1511 utilizando a técnica do afresco e está localizada no Vaticano.

a escola de atenas é uma obra de Rafael Sanzio que faz referência a mitologia grega
A escola de Atenas (1509-1511), de Rafael Sanzio

Como o próprio nome já diz, a pintura retrata um local de conhecimento e estudo na Grécia Antiga, denominado também de Academia de Platão.

Assim, essa é uma pintura que valoriza a razão e o intelecto, além de prestar homenagem a diversas figuras importantes da antiguidade clássica.

Podemos notar ainda uma grande preocupação do artista em mostrar uma perspectiva impecável através da composição cheia de detalhes arquitetônicos e diversos personagens.

6. O homem vitruviano, de Leonardo da Vinci

Leonardo da Vinci foi um dos gênios do renascimento que tinha grande preocupação com a perfeição e simetria em suas representações do corpo humano.

O homem vitruviano, de da Vinci, representa um homem nu de braços abertos dentro de um quadrado e um círculo
O homem vitruviano (1490), de Leonardo da Vinci, foi produzido com proporções e simetrias exatas

Assim, em 1490 ele produz um desenho em seu diário que viria a se tornar um emblema do período renascentista. A obra em questão é a figura de um homem representado de acordo com as proporções sugeridas pelo arquiteto romano Marcus Vitruvius Pollio, o Vitrúvio.

O sujeito é exibido dentro de um quadrado e de um círculo, de maneira a tocar as extremidades das formas geométricas. Dessa forma, da Vinci exibe o ser humano em sua totalidade, exatidão e beleza, valores admirados no período.

Além disso, o artista elege as formas quadrangular e circular, pois essas são consideradas também símbolos de simetria e harmonia.

7. Davi, de Michelangelo

Outra obra de arte que não pode deixar de ser citada como referência dos ideais do renascimento é Davi, produzida entre 1502 e 1504 por Michelangelo.

A peça é uma enorme escultura feita em mármore e tem dimensões de 5 metros de altura (contando com a base) e peso de 5 toneladas. Encontra-se atualmente na Galeria da Academia, um museu italiano.

Davi, de Michelangelo é uma escultura de um homem nu em grandes proporções
Davi (1490), de Michelangelo tem 5 metros de altura e pesa 5 toneladas

Michelangelo retratou nessa grande obra uma cena bíblica em que Davi vence o gigante Golias e consegue ajudar o povo israelense na libertação dos filisteus.

O artista alcança sucesso em sua representação, pois a peça exibe com exatidão as formas humanas, inclusive veias e músculos, além da expressão facial que denota concentração e sagacidade.

9. Primavera, de Sandro Botticelli

A tela de Botticelli intitulada Primavera foi produzida em 1478 e tem dimensões de 203 x 314 cm, encontrando-se na Galeria Uffizzi, em Florença, na Itália.

A pintura foi uma encomenda da família italiana Médici e exibe diversas personagens da mitologia greco-romana em um bosque para celebrar a chegada da estação das flores, a primavera.

Primavera, de Botticelli, retrata um quadro renascentista
Primavera (1478), de Sandro Botticelli, une em uma só quadro diversas personagens mitológicas

O artista consegue reproduzir uma cena com ritmo agradável e delicado que exibe de maneira impecável o ideal de beleza próprio das obras do renascimento.

O fundo escuro da paisagem em contraste com as figuras claras contribui para destacar as pessoas, inseridas em poses que relacionam-se à escultura da arte clássica, tão presente na renascença.

10. A última ceia, de Leonardo da Vinci

A última ceia é uma obra localizada no refeitório do Convento de Santa Maria Delle Grazie, em Milão, na Itália. Foi pintada pelo mestre Leonardo da Vinci entre 1494 e 1497 e tem grandes dimensões de 4,60 x 8,80 metros.

A técnica utilizada foi uma inovação do afresco, quando a parede úmida recebe as camadas de tintas. Nesse caso, da Vinci depositou os pigmentos no painel já seco, o que o ajudou a criar com maior liberdade os jogos de luz e sombra, mas acabou facilitando a deterioração da pintura.

A última ceia, de Leonardo da Vinci exibe uma refeição entre Jesus e seus apóstolos
A última ceia (1494 -1497) de Leonardo da Vinci, é também conhecida como A santa ceia

Essa é uma obra-prima pois exibe de maneira muito singular e inovadora a cena bíblica do momento em que Jesus Cristo comunica aos seus discípulos que um deles será seu traidor, no caso Judas Iscariotes.

Aqui, o uso da perspectiva é usado com maestria, conferindo simetria e direcionando o olhar de quem observa para o rosto de Cristo.

11. Federico de Montefeltro, de Piero della Francesca

A tela que representa o retrato de Federico de Montefeltro foi pintada pelo artista italiano Piero della Francesca (1410-1492) em 1472. Com 47 x 33 cm, o quadro exibe a figura do homem em perfil com uma expressão indiferente e desinteressada e pode ser contemplado na Galeria Uffizi, na Itália.

retrato de homem de perfil e chapéu vermelho, de Piero della Francesca
Federico de Montefeltro, de Piero della Francesca, prima por sua relação com a matemática e a lógica

Essa obra é importante para o período, pois exibe uma figura isenta de emoções, na qual seu realizador cria uma composição usando o homem para ressaltar as formas geométricas, simetrias, luzes e sombras. Assim, cria uma imagem que preza pela racionalidade e lógica.

Repare que a cabeça do sujeito apresenta formato cúbico, finalizado por seu chapéu vermelho. O panorama ao fundo é o de uma paisagem, com lagos e montanhas, como notamos também em outras obras do período, como Mona Lisa, por exemplo.

12. A assunção da virgem, de Ticiano

O pintor renascentista Ticiano (1485-1576) foi um dos mais renomados artistas venezianos. Ticiano dominava com maestria a combinação de cores, luzes e sombras, além de produzir retratos memoráveis.

a assunção da virgem, enorme painel pintado por Ticiano
A assunção da virgem, de Ticiano

Uma das suas obras de destaque é A assunção da Virgem, um enorme painel finalizado em 1518 na Basilica di Santa Maria Gloriosa dei Frari, em Veneza.

A imagem mostra a mãe de Jesus sendo elevada ao céu por anjos enquanto um grupo de apóstolos testemunha o milagre. A cena ocorre de maneira a direcionar o olhar do espectador para o alto, em um movimento ascendente.

Outra característica renascentista fortemente presente na obra é a valorização da luz, que ocorre de cima para baixo, como se banhasse a imagem com uma "iluminação divina".

13. Cúpula da Catedral de Santa Maria del Fiore, de Brunelleschi

As obras arquitetônicas do Renascimento traduziam também as concepções da época, buscando uma organização espacial baseada em associações matemáticas e que ultrapassassem a verticalidade extrema proposta pelas catedrais góticas.

A catedral de Santa Maria del Fiore, em Florença, na Itália, é um exemplo importante da arquitetura que revela os princípios da época.

Catedral de Santa Maria del Fiore, de Brunelleschi
Catedral de Santa Maria del Fiore, de Brunelleschi

Iniciada por Arnolfo di Cambio em 1296, teve também o pintor e arquiteto Giotto como um dos responsáveis pela construção. Entretanto, foi Filippo Brunelleschi (1377-1446) que idealizou a cúpula e concluiu a obra, em 1420.

Referenciado nos modelos clássicos, como o Panteão romano, o arquiteto conseguiu criar uma catedral cuja harmonia, estabilidade e equilíbrio compõe um ícone da arquitetura renascentista.

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Laura Aidar
Laura Aidar
Arte-educadora, artista visual e fotógrafa. Licenciada em Educação Artística pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) em 2007 e formada em Fotografia pela Escola Panamericana de Arte e Design, localizada em São Paulo, em 2010.