Fauvismo


Rebeca Fuks
Rebeca Fuks
Doutora em Estudos da Cultura

O Fauvismo (ou Fovismo) foi um movimento artístico de vanguarda europeu reconhecido como corrente artística no ano de 1905.

O grupo, bastante heterogêneo, pregava o uso de cores fortes, formas simplificadas, e, de modo geral, em obras que celebravam a alegria. Os grandes nomes dessa geração foram Henri Matisse, Albert Marquet, Maurice de Vlaminck, Raoul Dufy e André Derain.

O restaurante (1905), de Maurice de Vlaminck
O restaurante (1905), de Maurice de Vlaminck

Resumo: o que foi o Fauvismo?

O Fauvismo nasceu na França e foi reconhecido como corrente artística em 1905, a partir de uma exposição realizada no Salão de Outono, em Paris. No ano a seguir, os artistas também expuseram no Salão dos Independentes consolidando ainda mais a corrente artística.

O grupo de vanguarda europeu era não propriamente organizado: não teve um manifesto nem nenhum tipo de programa, não foi uma escola com ideais bem definidos. Os artistas dessa geração foram produzindo obras relativamente bastante heterogêneas - embora fossem todos informalmente liderados pelo pintor Henri Matisse (1869-1954).

Principais artistas fauvistas

Os principais artistas fauvistas foram Henri Matisse, Albert Marquet (1875-1947), Maurice de Vlaminck (1876-1958), Raoul Dufy (1877-1953) e André Derain (1880-1954).

O nome fauvismo vem da expressão les fauves (que em francês quer dizer feras, animais selvagens). O nome foi dado pelo crítico de arte Louis Vauxcelles (1870-1943) de forma pejorativa, para identificar um grupo de pintores que produziram criações inovadoras e chocantes para o seu tempo.

O adjetivo foi escolhido depois de Louis visitar uma sala do Salão de Outono onde estavam expostas uma série de obras fauvistas ao redor de uma peça do escultor renascentista Donatello (1386-1466). Vauxcelles então escreveu que parecia que a escultura estava cercada de animais selvagens.

Os artistas acabaram gostando do nome, que deveria ser uma crítica, e assimilaram a expressão se autointitulando os fauvistas.

Embora a produção fauvista tenha sido bastante rica, o grupo não durou muitos anos. O final do movimento começou a se delinear com o surgimento do cubismo, já em 1907, liderado por Pablo Picasso e representado inicialmente pela tela Les Demoiselles d'Avignon.

Características do Fauvismo

A importância das cores

A corrente artística trazia uma certa rebeldia, um movimento de experimentação radical. Os fauvistas defendiam, acima de tudo, uma exploração de cores fortes, impactantes, vibrantes, intensas.

As três sombrinhas  Raoul Dufy
As três sombrinhas (1906), de Raoul Dufy

Tratava-se mesmo uma paleta estridente (os artistas usavam especialmente o vermelho, o verde, o azul, o amarelo), promovendo uma explosão de cores puras (tintas que saiam direto das bisnagas).

Maurice de Vlaminck chegou a afirmar:

quero incendiar a Escola de Belas Artes com meus vermelhos e azuis

Um fato interessante: as cores não estavam, necessariamente, ligadas à realidade, havia uma liberdade também nesse sentido. Observe, por exemplo, a tela Retrato de Madame Matisse, pintada em 1905 por Matisse:

Retrato de Madame Matisse
Retrato de Madame Matisse (1905), de Matisse

Havia também muitas telas dessa geração fazendo uso de ilhas de cor (em uma série delas há pontos específicos de destaque).

As formas e temas no fauvismo

As pinturas dessa geração eram habitualmente trabalhadas a partir de traços largos, organizados. Igualmente podemos identificar nas peças fauvistas um movimento no sentido da simplificação das formas.

Os fauvistas faziam uso de formas planas, chapadas, superfícies flat (com menor noção de volume). Produziam sobretudo um espaço livre e bidimensional, sem profundidade, muitas vezes quebrando a perspectiva. Repare, por exemplo, na emblemática tela A dança:

A dança matisse
A dança (1905), de Matisse

Em termos de tom e estilo, esses pintores se interessavam por pintar com alegria, com ludicidade, preferencialmente temas leves e mundanos - ao avesso das representações amarguradas e carregadas de dor que se costumava fazer.

De acordo com Matisse, em Notes d'un Peintre, o fauvismo aspirava:

uma arte do equilíbrio, da pureza e da serenidade, destituída de temas perturbadores ou deprimentes

Temas que frequente seduziam os fauvistas eram a questão da arte primitiva e a busca pela origem do homem (não é raro encontrar nessa geração uma série de trabalhos com a presença do nu, relembre, por exemplo, a tela Alegria de viver).

Alegria de viver Matisse
Alegria de viver (1906), de Matisse

Henri Matisse (1869-1954), o líder fauvista

Gravurista, pintor, desenhista e escultor: esse foi Henri Emile Benoit Matisse, o principal nome do Fauvismo.

Nascido no norte da França, filho de um empresário que comercializava cereais, Henri foi influenciado pela família a cursar Direito. Depois de formado, ainda advogou durante algum tempo, mas em paralelo manteve as aulas de desenho.

Henri Matisse
Retrato de Henri Matisse

Em 1891 abandonou de vez a advocacia e entrou para o curso de Belas Artes. Cinco anos mais tarde participou da sua primeira exposição importante (no Salão da Sociedade Nacional de Belas Artes).

Em 1904 conseguiu realizar a sua primeira exposição individual (na Galeria Vollard) e no ano a seguir apresentou, ao lado de colegas, trabalhos inovadores no Salão de Outono.

Durante o Fauvismo, Matisse criou grandes telas que entraram para o cânone da pintura como Retrato de Madame Matisse, Alegria de viver e Harmonia em vermelho.

As suas obras ficaram famosas não só na França como acabaram por ser expostas em Londres, Nova Iorque, Moscou e outras grandes capitais do mundo.

Ao longo de toda a sua vida Matisse se dedicou às artes plásticas, tendo passeado por estilos bastante distintos.

Matisse faleceu no dia 3 de novembro de 1954 em Nice, na França.

Principais obras do Fauvismo

Além das telas já acima expostas, essas são outras grandes obras do fauvismo:

Mulher com chapéu
Mulher com chapéu (1905), de Matisse
Fields, Rueil de Vlaminck
Fields, Rueil (1906-1907), de Vlaminck
A bailarina André Dérain
A bailarina (1906), de André Dérain
A praia de Fecamp
A praia de Fecamp (1906), de Albert Marquet
Os banhistas
Os banhistas (1908), de Raoul Dufy
Costa do mar amarela
Costa do mar amarela (1906), de Georges Braque
Harmonia em Vermelho
Harmonia em Vermelho (1908), de Matisse

Conheça também

Rebeca Fuks
Rebeca Fuks
Formada em Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (2010), mestre em Literatura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2013) e doutora em Estudos de Cultura pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e pela Universidade Católica Portuguesa de Lisboa (2018).