Expressionismo: principais obras e características


Rebeca Fuks
Rebeca Fuks
Doutora em Estudos da Cultura

O Expressionismo foi uma vanguarda artística que revolucionou a Europa no início do século XX.

O movimento, que contou com a participação de nomes ilustres como os de Henri Matisse, Amedeo Modigliani, Edvard Munch, Franz Marc e Paul Klee, provocou uma verdadeira renovação no mundo das artes.

Relembre agora as mais importantes obras expressionistas e saiba um pouco mais sobre o movimento.

Principais obras expressionistas

1. O grito (1893), Edvard Munch

O grito
O grito, de Edvard Munch

A mais famosa obra de arte precursora do expressionismo é O grito, do pintor norueguês Edvard Munch. Na tela vemos um protagonista em desespero, em cima de uma ponte, lutando com os sentimentos de solidão, ansiedade e medo.

Pintado com cores vivas e extremamente simbólicas, o próprio ambiente - especialmente o céu pintado a cores quentes - deixa transparecer a angústia vivida pelo personagem principal.

Tanto as formas do protagonista como da paisagem se encontram distorcidas, embora sejam facilmente identificáveis.

Leia uma análise completa do quadro O grito, Edvard Munch.

2. The First Animals (1913), de Franz Marc

The First Animals
The First Animals (1913), de Franz Marc

Franz Marc pintou uma série de animais ao longo da vida, especialmente a partir de 1907 começou a insistir ainda mais na representação de animais em plena natureza. Sobre a fixação no tema, em declaração o pintor chegou a afirmar a respeito dessa preferência:

"Pessoas com falta de piedade, especialmente homens, nunca tocaram meus verdadeiros sentimentos (...) Mas os animais com seu sentido de vida virginal despertaram tudo o que era bom em mim."

Na tela acima vemos características clássicas do expressionismo: a pintura em tons vivos, a realidade deformada (repare na diferença entre as dimensões dos animais) e o desejo de captar a essência das criaturas que retratava.

3. O cavaleiro azul (1903), Wassily Kandinsky

O cavaleiro azul
O cavaleiro azul, Wassil Kandinsky

A tela O cavaleiro azul, de Wassil Kandinsky, registra um cavalheiro em ação a partir de uma imagem propositalmente esfumada.

Aqui a imagem está ligada à ação e à um gesto pleno de energia, que é reforçado também a partir das pinceladas feitas a cores vivas.

O gramado é pintado em um verde forte enquanto ao fundo pouco se pode observar da paisagem. Alguns teóricos afirmam que nos braços do cavaleiro há uma criança.

4. Nu deitado (1917), de Amedeo Modigliani

Nu deitado
Nu deitado, de Amedeo Modigliani

A tela de Modigliani retrata uma única mulher deitada, nua, sobre os lençóis. O fundo escuro faz sobressaltar os contornos da mulher não identificada. A tela foi pintada pouco antes da morte do pintor e é das últimas obras dedicadas à retratar o corpo feminino.

A sensualidade aqui fica latente não só pela exposição do corpo da mulher completamente despido, mas sobretudo pela forma lânguida que ela expõe. As suas curvas, os seios arredondados, a posição dos braços, da cabeça e do tronco reiteram a capacidade sedutora dessa anônima.

Modigliani sentiu que tinha total liberdade naquela época para exibir um nu artístico feminino. A recepção do público, no entanto, não foi muito favorável visto que não se estava habituado a haver contato com obras que exibissem de modo tão evidente corpos expostos.

5. Murnau: Street with Women (1908), Wassily Kandinsky

Murnau: Street with Women
Murnau: Street with Women (1908), Wassily Kandinsky

A pintura de Kandinsky ilustra uma paisagem urbana alemã que ganha vida a partir do uso de cores exuberantes. O registro havia sido feito em uma região onde a amada do pintor - Gabriele Münter - teria adquirido uma propriedade antes da Primeira Guerra Mundial.

Vemos na tela em primeiro plano personagens pontuais, ressaltando para o espectador mais os contornos da rua e das habitações.

As cores vivas e as pinceladas marcadas se destacam na tela, que parece não respeitar uma proporção realista tendo em conta as dimensões das pessoas e das casas.

6. Blue horses (1911), de Franz Marc

Blue horses, de Franz Marc
Blue horses (1911), de Franz Marc

A tela de Franz Marc retratava cavalos azuis em uma paisagem campestre. O quadro é todo ilustrado a partir de cores primárias e a composição dá protagonismo aos animais, que se encontram em primeiro plano, fazendo oposição à paisagem colorida ao fundo.

Os três cavalos se retorcem dando uma ideia de movimento à pintura. O azul escolhido para dar vida aos animais foge da noção de realidade com o intuito de transparecer para o leitor uma ideia de espiritualidade e serenidade.

O quadro faz parte de uma coleção que traz cavalos ilustrados também em outras cores (vide a tela Red Horses). Em uma carta dirigida ao amigo artista August Macke, datada de 1910, o pintor Franz Marc relacionou o uso de determinadas cores com alguns afetos sensoriais específicos:

"O azul é o princípio masculino, adstringente e espiritual. O amarelo é o princípio feminino, gentil, alegre e espiritual. Vermelho é matéria, brutal, pesado e sempre a cor a ser combatida e superada pelos outros dois."

7. Harmonia em vermelho (1908), Henri Matisse

Harmonia em vermelho, Henyri Matisse
Harmonia em vermelho (1908), Henri Matisse

Uma paisagem de exterior e ao mesmo tempo de interior, assim se apresenta Harmonia em vermelho, de Henri Matisse.

Do lado de dentro da casa encontramos uma senhora que põe a mesa enquanto detalhes da toalha se alongam inesperadamente pelas paredes. Os tons vermelho e azul vivos - assim como das frutas dispostas sobre a mesa - sobressaem demonstrando certa exuberância no ambiente.

O jardim que é visto da janela é delineado a partir de formas simples - compostas por poucas linhas -, mas que fazem o espectador perceber a paisagem do lado de fora. Matisse faz uso basicamente de cores primárias para criar a tela.

O que foi o Expressionismo?

O movimento Expressionista se consolidou na Alemanha entre 1905 e 1914 e cresceu no período entre guerras. Os pintores daquela geração inovadora faziam uso de cores intensas, vivas, muitas vezes simbólicas e com muitos contrastes.

A realidade era deformada - retorcida - neste tipo de telas valorizando a subjetividade e o aspecto psicológico dos personagens. Os expressionistas investiam em uma visão subjetiva e emocional da realidade, marcada por um existencialismo trágico e dramático.

Alguns artistas do período além de se debruçarem no drama individual e emocional também pretendiam fazer denuncias sociais demonstrando através da arte alguns aspectos mais obscuros do ser humano.

Para muitos teóricos, Van Gogh é considerado o precursor do expressionismo. Os principais pintores do movimento foram: Henri Matisse, Amedeo Modigliani, Edvard Munch, Franz Marc e Paul Klee.

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Rebeca Fuks
Rebeca Fuks
Formada em Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (2010), mestre em Literatura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2013) e doutora em Estudos de Cultura pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e pela Universidade Católica Portuguesa de Lisboa (2018).