21 grandes filmes cult que você precisa assistir


Rebeca Fuks
Rebeca Fuks
Doutora em Estudos da Cultura

1. Clube da luta (1999)

O filme dirigido por David Fincher não foi um grande fenômeno de bilheteria, mas quando começou a ter maior visibilidade rapidamente se tornou um clássico cult, bastante popular entre diferentes gerações.

O longa-metragem é uma adaptação de um romance homônimo, publicado em 1996 por Chuck Palahniuk e seduz o espectador porque faz uma série de reflexões sobre a sociedade em que vivemos.

O protagonista da história é um homem comum (Edward Norton), de classe média, um funcionário de uma empresa de seguros que, por excesso de trabalho, começa a ter insônias.

Quando se consulta com o seu médico para pedir comprimidos para dormir, ele sugere que o paciente veja com os próprios olhos o que é o verdadeiro sofrimento indo frequentar uma reunião de vítimas de apoio ao câncer.

Depois de frequentar uma reunião, ele finge ser um doente, sofre, e, pela catarse, resolve o seu problema de insonia. A partir de então começa a frequentar vários grupos de apoio mentindo sobre a sua identidade.

É no avião, numa viagem de negócios, que conhece Tyler Durden (Brad Pitt), um fabricante de sabonetes fora do comum. Num momento de desespero, liga para Tyler, os dois se encontram e, numa briga, conseguem extravasar a raiva que sentem.

Aos poucos, mais homens descobrem esse clube da luta informal. O clube vai crescendo, indo para outras cidades.

O filme, surpreendente, levanta questões sobre o vazio provocado pelo consumismo e sobre a nossa maneira de lidar com o vazio existencial que sentimos.

O Clube da luta possivelmente se tornou um filme de culto porque fala sobre um sentimento comum, transversal, de vazio interior. O filme trata da nossa sensação de sermos escravos de um sistema capitalista que nos obriga a trabalhar sem vermos propriamente um sentido mais profundo nas nossas ações.

Conheça uma análise aprofundada de Clube da Luta.

2. O fabuloso destino de Amélie Poulain (2001)

Amélie Poulain é uma inocente e sensível jovem francesa que mora e trabalha em Montmartre, como garçonete. A menina passou uma infância solitária, tendo sido criada em casa, sem ir à escola, supostamente devido a um problema cardíaco.

Durante um dia normal, ela encontra uma caixa misteriosa no banheiro da casa onde vive e resolve entrega-la ao dono. Ele fica emocionado por recuperar o objeto e Amélie, por sua vez, descobre a sua vocação, que é transformar a vida das pessoas.

O seu maior objetivo passa a ser então fazer pequenos gestos que transmitam alegria para aqueles que estão a sua volta. A jovem começa a fazer a diferença na vida da porteira do prédio, do funcionário da mercearia aonde vai, do vizinho. As pequenas boas ações vão sendo reproduzidas todos os dias.

Amélie é capaz de mudar o rumo daqueles que vivem ao seu redor, mas a princípio não consegue fazer nada por ela mesma, que vive na solidão a espera de encontrar um grande amor.

O fabuloso destino de Amélie Poulain é um clássico cult universal capaz de falar de um desejo humano frequente que é fazer o bem.

O filme transborda o sentimento de gentiliza e de crença em um mundo melhor, apesar de reconhecer que, mesmo quem faz o bem, pode ter uma vida pessoal comprometida com a tristeza.

Conheça uma análise detalhada do filme O Fabuloso Destino de Amélie Poulain.

3. Beleza americana (1999)

Beleza americana conseguiu algo que poucos filmes alcançam: se tornou um filme cult mesmo trazendo a tona o pior da sociedade: a hipocrisia. Para abordar o tema, o diretor britânico Sam Mendes escolheu falar da família de Lester Hurham (Kevin Spacey), uma família aparentemente tradicional norte-americana.

O pai, Lester, tem uma crise de meia-idade que piora ainda mais o seu relacionamento com a mulher, Carolyn (Annette Bening) e com a filha Jane (Thora Birch).

Na tela vemos como o relacionamento do casal é pura fachada, para manter a imagem de família feliz. Assistimos como é a vida no subúrbio de classe média, que aparentemente tem tudo, mas, na prática, esconde uma série de traumas e frustrações.

O longa-metragem, ácido e direto, dá um soco no estômago do espectador ao tratar de questões importantes como valor que damos aos bens materiais e a necessidade de se mostrar aparentemente bem para se alcançar uma aceitação pública. Beleza americana também toca na questão da repressão sexual e nas dificuldades das relações extraconjugais.

O filme foi nomeado para oito Óscares e levou cinco estatuetas para casa (melhor filme, melhor diretor, melhor ator, melhor roteiro e melhor fotografia).

4. O poderoso chefão (1972)

A maior produção de Coppola, feita ainda no princípio da carreira do cineasta, se passa num contexto de gangsters e fala sobre o universo mafioso onde está inserida a família Corleone. A história é uma adaptação do romance de Mario Puzo.

Na trama, Don Vito (Marlon Brando) é o maior nome dos negócios ilegais de Nova Iorque e tem um verdadeiro exército de homens fiés para proteger a sua família e o seu negócio.

A família é o bem maior de Don Vito, que tem uma filha (Connie) e três filhos (Sonny, Fredo e Michael). O mais velho, Sony, é o sangue quente da família, e, ao que tudo indica, é o que substituirá o pai nos negócios.

Mas, por uma reviravolta do destino, é o caçula, Michael (Al Pacino), o preterido, que assume as responsabilidades da máfia.

O poderoso chefão é um filme clássico que fala sobre o amadurecimento de Michael, sobre o seu desejo de vingança do pai e sobre as relações familiares complexas.

Assistimos como, no fundo, o filho se torna pai e o pai se torna filho, uma inversão de papéis que, mais cedo ou mais tarde, acaba por acontecer nas vidas de muitos de nós.

5. Kill Bill (2003)

A sequência Kill Bill, dividida em dois volumes (2003 e 2004) é provavelmente o filme mais cult assinado por Tarantino.

O seu enredo, extremamente violento, levanta a questão da vingança feminina. A estética do filme é bastante baseada na cultura japonesa e vai beber nas referências das artes marciais e dos mangás.

A protagonista da trama é Beatrix Kiddo (Uma Thurman), uma samurai ocidental que deseja, acima de tudo, matar Bill, que era o chefe da sua gangue. Os dois têm uma relação amorosa, Beatrix chega a ficar grávida, mas descobre uma traição no dia em que se casaria. A partir de então, a força que a move passa a ser a da vingança.

Kill Bill se tornou uma referência para o universo geek não só pela história, mas também pela complexidade da construção da trama que faz referências a diversos outros filmes como Godzilla além aludir a elementos da cultura mais alternativa como mangás.

6. O show de Truman (1998)

Há mais de 20 anos o diretor Peter Weir já pensava num cenário onde era possível monitorar e transmitir a vida de uma pessoa normal e anônima em rede nacional.

Em O show de Truman, o personagem principal é Truman Burbank (Jim Carrey), um vendedor de seguros casado e com uma vida absolutamente comum e tranquila.

Ele tinha um casamento feliz, uma casa agradável e um amigo fiel. Alguns eventos da sua vida, no entanto, despertam algum estranhamento e, afinal, Truman descobre que a sua história é acompanhada por milhares de pessoas porque é filmada e transmitida sem o seu conhecimento e sem consentimento.

O filme cult é visionário e antecipa a questão dos reality shows, a superexposição do cotidiano privado através das redes sociais e a ficcionalização da vida comum.

Ao falarmos sobre a curiosidade de conhecermos a vida privada de Truman nos tornamos conscientes do nosso desejo voyeurista, de quem deseja espiar pela fechadura.

7. Laranja mecânica (1971)

O clássico filme de Kubrick - uma das suas criações mais celebradas - apesar de ter sido lançado no princípio dos anos 70 fala de temas atemporais como a corrupção, o comportamento desviante da juventude, o direito ao livre arbítrio além de trazer à tona uma série de discussões sociais e políticas.

A história, baseada no romance de Anthony Burgess, é profundamente marcada pela violência. Alex (Malcolm McDowell) é um jovem rebelde que pertence a uma gangue de jovens britânicos. Condenado pelo crime que cometeu, ele vai preso e aceita participar de um tratamento psiquiátrico para reduzir a sua pena.

O tratamento, que consistia em assistir cenas de sexo e violência por muitas horas seguidas, acaba o traumatizando. Desesperado, ele tenta se matar, mas felizmente não perde a vida depois de se atirar da janela.

A história de Alex é tornada pública e o rapaz se transforma numa espécie de mártir, tendo destaque na imprensa e chegando a posar ao lado do Ministro da Defesa.

Laranja mecânica é ovacionado pela crítica por narrar de modo muito cru um período crucial da vida. Corajosamente o longa retrata o pensamento dos jovens que arriscam a própria vida e, muitas vezes, colocam em risco quem está ao redor.

8. A fantástica fábrica de chocolate (1971)

A fantástica fábrica de chocolate foi um filme que marcou muitas gerações desde a sua primeira versão, datada de 1971, até o remake feito em 2005 por Tim Burton. A adaptação cinematográfica foi beber no livro Charlie and the chocolate factory, de Roald Dahl, lançado em 1964.

A história do excêntrico milionário Willy Wonka encantou adultos e crianças que tiveram durante muitos anos o sonho de encontrarem o famoso bilhete dourado.

O filme começa com o concurso inesperado de Wonka, que distribui 5 bilhetes para crianças conhecerem a sua famosa e misteriosa fábrica de chocolate.

O longa-metragem, que mistura o universo da infância com imagens surreais passadas no interior da fábrica, virou um clássico cult ao ser exibido e reexibido à exaustão principalmente nos canais de televisão aberto. A estética surrealista da fábrica, com direito a trabalhadores em miniatura e paisagens cobertas de doce, também ajudou a criar toda uma mitologia mágica a volta do filme.

9. A viagem de Chihiro (2001)

A animação japonesa premiada criada por Hayao Miyazaki tem como protagonista Chihiro, uma menina que é, a princípio, mimada e cheia de medo.

A jovem viaja com os pais para uma casa nova, mas um imprevisto acontece no meio do percurso: a família entra no caminho errado e se vê em apuros.

Chihiro é, então, obrigada a lidar com os seus medos para salvar os próprios pais. O seu percurso pessoal fala sobre coragem e superação.

Apesar de a história conter uma série de elementos surreais e ficcionais, a verdade é que a trajetória de Chihiro fala sobre o processo de amadurecimento comum a qualquer adolescente que está prestes a entrar na vida adulta.

O espectador do filme se encanta ao testemunhar os momentos mais difíceis da vida de Chihiro e descobrir as soluções encontradas por ela para superar os dramas que vão sendo apresentados.

O filme cult, como tem muitas camadas de leitura, agrada tanto adultos como crianças e tem o papel importante de apresentar uma série de elementos da cultura japonesa.

A produção é um sucesso de público e crítica e recebeu o Urso de Ouro do Festival de Berlim e o Oscar 2003 de melhor animação.

Conheça mais sobre o filme lendo o artigo Filme A viagem de Chihiro analisado.

10. Rocky horror picture show (1975)

O musical foi adaptado de uma peça de teatro apresentada inicialmente em Londres dois anos antes do surgimento do longa-metragem.

O filme ousado, que vaga entre o bizarro e extravagante, levanta questões que são relevantes até os dias de hoje como a discussão sobre os papéis sociais, sobre gênero e sexualidade.

Rocky horror picture show lança luz, por exemplo, sobre os padrões de feminilidade socialmente aceitos e os comportamentos masculinos que são esperados.

Os dois protagonistas da história, que começam a trama perfeitamente enquadrados nos seus papéis sociais preestabelecidos, vão se desconstruindo e descobrindo novas versões de si mesmos.

Transgressor, o filme celebra o rompimento de barreiras sociais e apresenta novos cenários para se pensar tanto o gênero como a sexualidade.

Podemos reparar também em alguns detalhes curiosos, como cenas do filme que replicam quadros famosos da pintura norte-americana, como a tela American Gothic, do artista Grant Wood.

11. O grande hotel Budapeste (2014)

Wes Anderson já era um queridinho do universo cult pela sua criação Os excentricos Tenenbaums (2001), mas ganhou um lugar definitivo nesse universo depois do lançamento de O grande hotel Budapeste.

A estética de Wes Anderson, extremamente peculiar e detalhista, é o que mais chama atenção nesse belo filme.

A história fala sobre um Autor (Tom Wilkinson) de meia-idade, não nomeado, que conheceu, quando era jovem, um hotel luxuoso e decadente nos Alpes Europeus. Era 1968 e o mundo ainda assistia os impactos do pós-guerra apesar da história se passar na fictícia República de Zubrowka.

O Autor conta do período que passou no hotel e dos personagens curiosos que conheceu lá, como Gustave H., o concierge, e Zero Moustafa, o seu jovem assistente, que eram capazes de satisfazer os pedidos mais inusitados dos clientes.

Alguns críticos definiram o filme do diretor americano como um quadro em movimento e é provavelmente pelo seu visual deslumbrante e cuidadoso que O grande hotel Budapeste se tornou um clássico do cinema cult.

12. Jesus Cristo superstar (1973)

O musical religioso narra os últimos momentos da vida de Jesus Cristo (Ted Neely), desde a sua chegada a Jerusalém até a crucificação.

Esses dias finais conhecidos do grande público são recontados aqui de uma maneira original: a partir do olhar do traidor, Judas Iscariotes (Carl Anderson). A produção saiu de um teatro da Broadway, onde fez sucesso, para as telas do cinema.

O filme ópera rock foi livremente inspirado nos evangelhos e mistura, de uma maneira muito original, o passado e o presente - apesar de a história não ser diferente da bíblica, na versão cinematográfica os soldados romanos carregam metralhadoras e andam em tanques.

Quando foi lançado, o mundo vivia o ápice do movimento hippie e se reinventava novas formas de olhar para a sociedade. Seguindo os embalos do seu tempo, a última semana da vida de Jesus Cristo também foi revisitada, no cinema, de uma forma diferente.

Jesus Cristo superstar é um clássico do cinema cult capaz de entregar para o espectador uma história que já conhecemos exaustivamente, mas que é recontada através de uma perspectiva nada convencional.

13. Pequena Miss Sunshine (2006)

A família Hoover, que protagoniza o filme norte-americano, é uma família nada convencional. A começar pelo avô, que foi expulso de um asilo por usar heroína. O pai, por sua vez, é um palestrante de auto-ajuda sem sucesso, enquanto a mãe é uma neurótica assumida, o tio é um suicida e o irmão fez um voto de silêncio.

A personagem principal que faz mover essa história é Olive (Abigail Breslin), uma menina desajeitada que, um dia, resolve participar de um concurso de beleza-mirim.

Por alguns dias, a sua família de desajustados (que pode ser lida como um estereótipo dos norte-americanos considerados perdedores) deixa as suas desavenças a parte para levar a menina ao concurso dentro de uma kombi amarela velha.

Dirigido pelo casal Jonathan Dayton e Valerie Faris, o filme foi candidato a quatro Prêmios Oscar e levou duas estatuetas para casa (melhor roteiro original e melhor ator coadjuvante).

A narrativa, cativante e original, pode ter atraído o público cult por ter a coragem de contar a história de personagens que são todos considerados, de alguma forma, marginais socialmente.

14. O mágico de Oz (1939)

O musical baseado no livro infanto-juvenil de L.Frank Baum permanece, até os dias de hoje, no imaginário coletivo. A história de Dorothy, uma garota de 11 anos que vê a sua casa ser carregada por um ciclone para uma terra mágica chamada Oz, é um clássico que cruzou gerações.

Personagens originais como o homem de lata sem coração, o leão sem coragem e o espantalho sem cérebro surpreendem o espectador, que fica cativado pela aventura da menina que só deseja regressar para onde vivia.

Dorothy vive com os tios e é surpreendida por um vento tão forte, mas tão forte, que é capaz de levantar a casa onde vive do chão e carrega-la para Oz, um lugar com criaturas fantásticas.

Ao longo do seu percurso de amadurecimento, Dorothy conhece uma série de personagens que, de alguma forma, só pretendem preencher os seus vazios existenciais.

O filme faz sucesso entre o público mais cult por ser capaz de, com muita maestria, misturar o universo real e o fantasioso.

Historicamente também é um filme importante: além de ter sido o mais caro da sua época, foi dos primeiros a misturar imagens a preto e branco com imagens a cores.

Quer descobrir mais sobre o filme? Então vá para o artigo O mágico de Oz.

15. Donnie Darko (2001)

O filme de ficção científica de Richard Kelly foi pouquíssimo falado na época em que foi lançado e só teve, de fato, sucesso quando foi lançado em DVD.

Com uma trama considerada por muitos como sendo supercomplexa, o longa-metragem gera discussão ao falar sobre viagens no tempo e física quântica.

Donnie Darko é o protagonista da história, um adolescente que sofre sonambulismo e passeia pelos arredores de casa durante a noite. Numa dessas visitas noturnas, ele esbarra com Frank, uma pessoa fantasiada de coelho.

Uma turbina de avião cai sobre a casa de Donnie e, a partir de então, ele começa a ser assombrado por Frank, que lhe dá ordens inusitadas muitas vezes levando-o a cometer atos de vandalismo.

Enquanto a família Darko parece bastante comum, típica norte-americana, o adolescente problemático Donnie já parece ser uma figura fora da curva, que tem a capacidade de viajar no tempo e tem o poder de salvar a humanidade.

Donnie Darko consegue ser, ao mesmo tempo, um bem-sucedido filme de ficção científica e um retrato de uma juventude desviante.

Saiba mais sobre o filme Donnie Darko.

16. Quero ser John Malkovich (1999)

O filme de Spike Jonze apresenta cenários surreais que, ao mesmo tempo, intrigam e cativam o espectador.

Um homem comum, vivido por John Cusack, arranja um emprego num escritório que tem o teto tão baixo, mas tão baixo, que todos os funcionários precisam andar curvados.

É no escritório claustrofóbico que o homem encontra uma porta secreta. Cruzando a porta o personagem entra dentro da cabeça de John Malkovich. É possível permanecer lá dentro por 15 minutos, e, de lá, a pessoa é arremessada para uma rua qualquer em Nova Jersey.

Depois de fazer a sua descoberta inusitada, o personagem aluga essa passagem para alguns conhecidos - e o mais curioso: chega a alugá-la até para o próprio John Malkovich.

O roteiro fora do comum, repleto de críticas sociais e reflexões pertinentes, é que garantiu provavelmente o lugar de Quero ser John Malkovich entre os queridinhos do cinema cult.

17. A vida de Brian (1979)

A vida de Brian

A comédia mais cult de todos os tempos provavelmente é A vida de Brian, dos celebrados Monty Python. A produção veio logo a seguir ao sucesso O cálice sagrado.

A sátira religiosa ficcionaliza a vida de Brian Cohen (Graham Chapman), um judeu que é uma espécie de messias assim como Jesus Cristo. Por uma coincidência do destino, Brian nasceu do lado de Jesus no estábulo e é recorrentemente confundido com o messias pelos romanos.

O filme, que provoca enormes gargalhadas, causou desconforto entre os mais religiosos porque faz uma releitura dos episódios mais famosos da vida de Jesus Cristo.

A vida de Brian é uma espécie de charge do novo testamento permeada de um humor inteligente.

18. Blade runner (1982)

A ficção científica do diretor britânico Ridley Scott foi inspirada no livro Os andróides sonham com ovelhas elétricas? (1968), de Philip K.Dick.

Numa realidade distópica vemos um confronto entre os homens e a tecnologia (representada aqui por robôs com inteligência artificial).

O longa-metragem futurista, apesar de ter uma trama que carrega cenários ainda inimagináveis, acaba por falar de temas filosóficos como a forma como lidamos com o tempo, a nossa maneira de construir as memórias e as relações por vezes problemáticas que cultivamos.

Visionário, é impressionante como Ridley Scott conseguiu levantar temas tão pertinentes e atuais ainda no princípio dos anos 80.

Se quiser saber mais sobre o filme conheça o artigo que analisa Blade Runner.

19. Brilho eterno de uma mente sem lembranças (2004)

Brilho eterno de uma mente sem lembranças é um filme que aborda, sobretudo, a permanência do amor.

O longa-metragem trata do final de um relacionamento entre Joel (Jim Carrey) e Clementine (Kate Winslet) e fala sobre a nossa capacidade (ou incapacidade) de esquecer um grande amor.

A história, que beira a ficção científica, ficcionaliza a possibilidade de apagarmos a memória de alguém próximo a nós.

Por não ser contado de uma forma cronológica, Brilho eterno de uma mente sem lembranças pode, a primeira vista, parecer confuso ou caótico. Essa suposta confusão narrativa pode ser lida, na verdade, como uma metáfora do funcionamento da própria memória.

O filme cult Brilho eterno de uma mente sem lembranças consegue ser original tanto na sua premissa como na sua própria forma de contar a história.

Conheça o artigo do filme Brilho eterno de uma mente sem lembranças.

20. Escritores da liberdade (2007)

O filme Escritores da liberdade, baseado em fatos reais, encanta especialmente aqueles interessados pelos vínculos criados no espaço de sala de aula.

A personagem principal, Erin Gruwell, é uma professora recém-formada que não sabe bem como lidar com os seus alunos desobedientes e, muitas vezes, agressivos, apesar de acreditar veementemente na capacidade transformadora da educação.

Os alunos que a desafiam são do ensino médio e vêm de um contexto social problemático, marcado pela violência e pelo racismo. O comportamento rebelde na sala de aula transparece todos esses problemas vivenciados em casa e na comunidade.

O longa-metragem foi baseado no livro best-seller escrito por Erin e por seus alunos da vida real.

O filme cult é de suma importância porque sublinha a importância da escola e dos professores na formação dos futuros adultos.

Descubra mais sobre o longa-metragem Escritores da liberdade.

21. O diário de Bridget Jones (2001)

A comédia romântica britânica fez com que muitas mulheres se identificassem com Bridget Jones (Renée Zellweger), uma solteirona de 32 anos que, no dia do ano novo, resolve mudar de vida.

Ela começa a escrever o seu diário, que fica na cabeceira da cama, e é através dele que conhecemos a hilária personagem, os amigos e familiares que a rodeiam.

Testemunhamos a maneira problemática e, ao mesmo tempo, divertida como ela lida com o próprio corpo e a ansiedade de encontrar um parceiro (acentuada com a cobrança social).

Uma comédia leve, que aborda situações do dia a dia, em O diário de Bridget Jones é muito fácil se reconhecer no papel de Bridget - ou reconhecer uma amiga. Talvez esse tenha sido o segredo para o filme se tornar uma obra de culto com tantos fãs ao redor do globo.

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Rebeca Fuks
Rebeca Fuks
Formada em Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (2010), mestre em Literatura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2013) e doutora em Estudos de Cultura pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e pela Universidade Católica Portuguesa de Lisboa (2018).