As 11 obras mais famosas do Abstracionismo


O Abstracionismo, ou como também se costuma chamar, a Arte Abstrata, é um grupo que reúne produções bastante heterogêneas que vão desde desenhos abstratos até telas executadas a partir de um abstracionismo geométrico.

Historicamente as obras abstratas começaram a ser desenvolvidas no princípio do século XX, na Europa, no contexto do movimento de Arte Moderna. Trata-se de peças que não pretendem representar objetos reconhecidos e não estão comprometidas com a imitação da natureza. A primeira reação do público e da crítica foi de rejeição as criações, que eram consideradas, a princípio, de mau gosto.

É compreensível que produções abstracionistas fossem a partida veementemente recusadas por romperem com o paradigma figurativo. Neste tipo de trabalho, não há qualquer necessidade de vínculo com a realidade exterior e com a imitação do mundo. 

Com o passar do tempo, no entanto, as obras foram sendo cada vez mais aceitas e os respectivos artistas puderam explorar seus estilos com profundidade.

Vejamos alguns dos exemplos mais icônicos deste tipo de arte através de uma seleção das onze obras mais representativas do estilo. Desejamos a todos bom proveito!

1. Amarelo-Vermelho-Azul, de Wassily Kandinsky

Amarelo-Vermelho-Azul Pintura de Wassily Kandinsky

A tela, pintada em 1925, carrega como título os nomes de algumas das cores primárias que foram utilizadas para compor o quadro. A obra foi pintada por Wassily Kandinsky, um russo nascido em Moscou no ano de 1866.

O primeiro desejo do pintor era ser músico, mas Kandinsky acabou por seguir profissionalmente o caminho jurídico até abandonar de vez a carreira e investir integralmente na sua veia artística. A música, de toda forma, continuou sendo uma forte influência para as suas telas.

Devido ao seu trabalho como pintor, Kandinsky foi convidado para lecionar na célebre Escola Bauhaus. Amarelo-Vermelho-Azul está entre os seus trabalhos mais famosos e atualmente encontra-se no Musée National d'Art Moderne, Centro Georges Pompidou, em Paris (França).

A tela de grandes dimensões (127 cm por 200 cm) tem como protagonistas diversas formas geométricas (entre elas círculos, retângulos e triângulos) executadas em cores majoritariamente primárias. O que chama a atenção do espectador é especialmente a variação de cores apresentada. A respeito do assunto, Kandinsky afirmou na altura: 

“A cor é um meio para exercer uma influência direta sobre a alma. A cor é a tecla; o olho, o martelo. A alma, o instrumento das mil cordas. O artista é a mão que, ao tocar nesta ou naquela tecla, obtém da alma a vibração justa. A alma humana, tocada no seu ponto mais sensível, responde.”

2. Número 5, de Jackson Pollock

Número 5, de Jackson Pollock

A tela número 5 foi criada no ano de 1948 pelo pintor norte-americano Jackson Pollock, que no ano anterior começou a explorar uma maneira completamente nova de compor seus trabalhos. 

Seu método consistia em arremessar e pingar tinta esmaltada em uma tela não esticada colocada no chão de seu estúdio. Esse modus operandi permitia criar linhas sobre linhas independentes que mais tarde ganharam o nome de “pinturas por gotejamento”. Pollock foi um dos maiores nomes do abstracionismo.

Na realidade, desde 1940 o pintor gozava de algum reconhecimento da crítica e do público. A tela Número 5, feita no ápice da sua carreira, é imensa, possui 2,4 m por 1,2 m. A obra foi vendida a um colecionador particular em maio de 2006 por 140 milhões de dólares, batendo um recorde de preço para a época - até então esse havia sido o quadro mais bem pago da história.

3. Insula Dulcamara, de Paul Klee

INSULA DULCAMARA

Em 1938, o suíço naturalizado alemão Paul Klee pintou sete grandes painéis em formato horizontal. Insula Dulcamara é um entre os painéis anteriormente mencionados. Todos os trabalhos foram esboçados com carvão sobre jornal, que Klee colou sobre estopa ou linho, obtendo assim uma superfície ao mesmo tempo suave e diferenciada. Em diversos trechos dos painéis é possível ler efetivamente trechos do jornal utilizado, uma surpresa agradável e inesperada até para o próprio Klee. 

Insula Dulcamara é dos trabalhos mais alegres do pintor, com seus acessórios livres, esparsos, sem forma definida em um terreno relativamente escuro. O título do trabalho está em latim e significa “insula” (ilha), “dulcis” (doce, amável) e “amarus” (amargo).

A tela foi criada durante os seus últimos anos de vida e, a propósito dela, Klee deu a seguinte declaração:  

"Não devemos recear ver-nos envolvidos no meio de elementos mais indigestos; temos apenas que esperar que as coisas mais difíceis de assimilar não venham perturbar o equilíbrio. Desta maneira, a vida é, com certeza, mais apaixonante que uma vida burguesa muito ordenada. E cada um é livre, de acordo com seus gestos, ao escolher entre o doce e o salgado dos dois pratos da balança."

4. Composição com Amarelo, Azul e Vermelho, de Piet Mondriaan

Composição com Amarelo, Azul e Vermelho

O interesse de Mondrian estava na qualidade abstrata da linha. Embora sempre tenha investido no abstracionismo, em 1914 se radicalizou e praticamente eliminou as linhas curvas de seu trabalho.

O pintor francês desenvolveu uma nova forma de abstração rigorosa chamada Neo-Plasticismo, na qual se limitava a linhas retas, horizontais e verticais, e cores primárias básicas. De modo geral, as suas composições não eram simétricas. Uma curiosidade: as linhas horizontais eram geralmente pintadas antes das verticais. 

Mondrian sentiu que este tipo específico de arte refletia uma verdade maior e universal do que pregava a pintura figurativa. 

A criação inicial de Composição com Amarelo, Azul e Vermelho foi pintada em Paris, entre 1937 e 1938, mas acabou por ser desenvolvida em Nova York entre 1940 e 1942, quando Mondrian acrescentou as cores primárias vermelho, azul e amarelo. O pintor também reposicionou algumas das linhas pretas e acrescentou outras. A Composição com Amarelo, Azul e Vermelho encontra-se, desde 1964, no acervo do Tate St Ives (Cornwall, Inglaterra).

5. Composição Suprematista, Kazimir Malevich

Composição Suprematista, Kazimir Malevich

Assim como Mondrian, o pintor soviético Kazimir Malevich criou uma nova forma de arte. O Suprematismo (ou a Composição Suprematista), nasceu na Rússia entre 1915 e 1916. Assim como seus colegas abstracionistas, o desejo maior era negar à presença física de todo e qualquer objeto. A ideia era alcançar a pureza, ou, como afirmava o próprio criador: 

 "a supremacia da sensação pura"

A técnica é caracterizada pelo uso de formas geométricas simples e pela preferência por uma paleta de cores também simples, primárias e secundárias, algumas vezes sobrepostas, outras posicionadas lado a lado. O fundo é quase sempre branco nas criações de Malevich, representando o vazio.

6. Person throwing a stone at a bird, de Joan Miró

Person throwing a stone at a Bird

Pintada em 1926, a tela feita a tinta a óleo, Person Throwing a Stone at a Bird faz parte da coleção permanente do Museum of Modern Art (MoMA, Nova Iorque) e possui dimensões de 73,7 cm por 92,1 cm. Em português, a tradução da obra seria "A pessoa que arremessa uma pedra em um pássaro". 

A tela é repartida ao meio horizontalmente e é basicamente preenchida por duas cores (o amarelo, do chão, e o verde, do céu). O protagonista é uma criatura com uma forma estranhíssima que parece ter um único pé e um único olho, unidos por um corpo disforme. Possivelmente a imagem ao fundo da tela representa o pássaro que figura no título da peça. 

Sobre o processo criativo, o pintor catalão afirmava:

"Quando estou desenhando, a pintura sob meu pincel começa a narrar ou a se impor. Quando estou trabalhando, a forma se torna uma mulher ou o símbolo de um pássaro ... O primeiro estágio é livre e subconsciente. O segundo estágio é cuidadosamente planejado" 

7. Bottle of Rum and Newspaper, de Juan Gris

Bottle of Rum and Newspaper

Pintada entre 1913 e 1914 pelo espanhol cubista Juan Gris, o trabalho é tinta a óleo sobre tela e atualmente pertence ao acervo de Tate Modern (Londres). Gris frequentemente usava planos sobrepostos de cor e textura, e Bottle of Rum and Newspaper é um exemplar precioso da sua técnica. 

O quadro, que é das suas obras mais representativas, carrega a imagem a partir de planos angulares em intersecção. Muitos deles têm trechos de madeira ao fundo, talvez sugestivo de um tampo de mesa, embora a maneira como se sobrepõem e se interligam negue qualquer possibilidade de perspectiva vinculada ao real. 

A garrafa e o jornal do título são indicados com um mínimo de pistas: algumas letras, um contorno e uma sugestão de local são suficientes para apontar a identidade dos objetos. O quadro tem dimensões relativamente pequenas (46 cm por 37 cm).

8. Black in deep red, de Mark Rothko

Black in Deep Red Pintura de Mark Rothko

Considerada uma pintura trágica devido as suas cores fortes e fúnebres, Black in Deep Red, criado em 1957, é um dos quadros de maior sucesso do pintor norte-americano Mark Rothko. Desde que começou a pintar, nos anos 1950, Rothko almejava alcançar a universalidade, indo de encontro a uma simplificação cada vez maior da forma.

Black em Deep Red segue o formato característico dos trabalhos do artista, no qual os retângulos de cor monocromática subsequentes parecem flutuar dentro dos limites do quadro. 

Manchando diretamente a tela com muitas camadas finas de pigmento e dando atenção especial às bordas onde os campos interagem, o pintor alcançou o efeito da luz irradiando da própria imagem. 

A obra atualmente pertence a uma coleção particular após ter sido vendida em 2000 por assombrosos mais de três milhões de dólares.

9. Concetto spaziale 'Attesa', de Lúcio Fontana

Spatial Concept. Waiting

A tela acima faz parte de uma série de obras que o pintor Lúcio Fontana produziu enquanto esteve em Milão entre 1958 e 1968. Essas obras, que consistem em uma tela cortada uma ou múltiplas vezes, são coletivamente conhecidas como Tagli ("cortes"). 

Consideradas em conjunto, são o mais extenso e variado grupo de obras de Fontana e passaram a ser vistos como emblemáticos da sua estética. O objetivo dos furos é, literalmente, romper a superfície do trabalho para que o espectador possa perceber o espaço que está além.

Lúcio Fontana começou a desenvolver a técnica de perfurar as telas a partir da década de 1940. O artista plástico português permaneceu, nos anos 1950 e 1960, buscando maneiras diferentes de desenvolver o buraco como seu gesto característico.

Fontana faz as fendas com uma lâmina afiada e as telas são posteriormente apoiadas com gaze preta forte, dando a aparência de um vazio por atrás. Em 1968, Fontana disse a um entrevistador: 

"Eu criei uma dimensão infinita (...) minha descoberta foi o buraco e é isso. Fico feliz em ir para o túmulo depois de tal descoberta”

10. Counter-Composition VI, de Theo van Doesburg

Counter-Composition VI, de Theo van Doesburg

O artista holandês Theo van Doesburg (1883–1931) pintou a obra acima no ano de 1925, em formato quadrado, usando tinta a óleo em uma lona presa a uma maca de madeira.

As formas geométricas e simétricas são dispostas cautelosamente, antes de serem cobertas com tinta, as linhas pretas foram desenhadas com uma caneta a priori.

A tela Counter-Composition VI faz parte de uma coleção que preza especialmente a forma diagonal e os tons monocromáticos. Além de pintor, van Doesburg também atuou como escritor, poeta e arquiteto. Foi o fundador e líder do grupo de artistas De Stijl. O trabalho Counter-Composition VI, de 50 cm por 50 cm, foi adquirido em 1982 pela Tate Modern (Londres).

11. Metaesquema, de Hélio Oiticica

Metaesquema

O artista plástico brasileiro Hélio Oiticica nomeou o experimento realizado entre 1957 e 1958 de metaesquema. Tratava-se de uma série de pinturas que carregavam retângulos inclinados pintados a tinta guache sobre um cartão. São formas geométricas com molduras de uma única cor (nesse caso o vermelho) diretamente aplicadas em uma superfície lisa e aparentemente vazia. As formas são organizadas em composições densas que se assemelham a grades que são inclinadas.

Oiticica produziu toda a sua série de suas pinturas Metaesquema enquanto vivia e trabalhava no Rio de Janeiro. Segundo o próprio pintor, tratava-se de uma “obsessiva dissecação do espaço”. Elas foram o pontapé inicial de pesquisa para trabalhos mais complexos tridimensionais que o artista viria a desenvolver no futuro. Em 2010, um “Metaesquema” foi vendido em leilão da Christie’s por US$ 122,5 mil.

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