Pop art: características, principais obras e artistas


Rebeca Fuks
Doutora em Estudos da Cultura

A pop art foi um movimento artístico surgido no Reino Unido e nos Estados Unidos na década de 1930, mas que teve grande destaque apenas no final dos anos 50 e 60.

Conheça abaixo a história do movimento, as suas principais peças e os nomes chave que marcaram época!

Obras essenciais da pop art

1. Just what is it that makes today's homes so different, so appealing? (1952), de Richard Hamilton

“Just what is it that makes today‟s homes so different, so appealing? (1952), de Richard Hamilton
Just what is it that makes today's homes so different, so appealing? (1952), de Richard Hamilton.

Richard Hamilton foi desenhista de engenharia e trabalhou com desenho técnico durante anos a fio. A determinado momento da carreira, no entanto, optou por colocar a sua habilidade a serviço de criações mais criativas.

A colagem de Richard Hamilton (que em português poderia ser traduzida como "O que torna as casas de hoje tão diferentes, tão atraentes?") foi apresentada na Galeria de arte Whitechapel Gallery, em Londres. O trabalho fez parte da célebre exposição This is tomorrow. O artista inglês Richard Hamilton fazia parte na época de um grupo chamado Independent Grup (IG), formado em 1952 na capital inglesa. Os críticos consideram a colagem como uma das primeiras obras realmente características da pop art.

Uma curiosidade: Richard Hamilton também assinou a capa do White Álbum, disco dos Beatles.

2. Campbells soup (1962), de Andy Warhol

Campbells soup (1962), de Andy Warhol.
Campbells soup (1962), de Andy Warhol.

Andy Warhol formou-se em design e trabalhou como ilustrador para revistas importantes como a Vogue, a Harper's Bazaar e o New Yorker. Também atuou como publicitário e sempre teve interesse em elementos da cultura de massa.

Warhol utilizou em muitas das suas obras a técnica da serigrafia para representar a produção em série fazendo uma crítica a impessoalidade do objeto massificado. No conjunto intitulado Campbell's Soup Cans encontramos uma reunião de 32 telas, cada uma pintada em homenagem as 32 variedades de sopas oferecidas pela empresa Campbell no mercado norte-americano. 

3. Marilyn Diptych (1962), de Andy Warhol

Marilyn Diptych (1962), de Andy Warhol.
Marilyn Diptych (1962), de Andy Warhol.

Warhol era também cineasta e entusiasta do universo do cinema. Seu trabalho nas artes plásticas também procurou retratar ídolos populares norte-americanos a partir de uma nova perspectiva.

Seus trabalhos como artista plástico tiveram como personagens principais ícones e personalidades públicas como Marilyn Monroe, Michael Jackson, Elvis Presley, Marlon Brando e Eizabeth Taylor. Warhol buscava reinventar as imagens consagradas fazendo uso especialmente da reprodução mecânica, da aplicação de cores fortes e brilhantes sobre retratos que já faziam parte do imaginário popular coletivo.

4. Kiss V (1964) de Roy Lichtenstein

Kiss V (1964) de Roy Lichtenstein.
Kiss V (1964) de Roy Lichtenstein.

Lichtenstein ficou bastante conhecido pela sua arte que procurava valorizar as histórias em quadrinhos. Seu trabalho também misturava anúncios, comerciais e recortes do dia a dia.

O artista norte-americano fez também profundo uso da técnica pontilhista. A sua célebre tela Kiss V é um dos exemplos da utilização dessa técnica.

5. Hey! Let's Go for a Ride (1961), de James Rosenquist  

Hey! Let's Go for a Ride (1961), de James Rosenquist
Hey! Let's Go for a Ride (1961), de James Rosenquist.

Rosenquist foi um dos maiores nomes da pop art de Nova Iorque. Ele iniciou a sua carreira trabalhando com o expressionismo abstrato, mas logo precisou enveredar para a criação de cartazes publicitários para poder subsistir. O futuro artista, em um momento de reflexão, fez um paralelo entre as suas duas atividades:

"a Pintura é provavelmente mais excitante do que a publicidade. Porque não há de ser feita com a mesma potência e entusiasmo, o mesmo impacto? (...) Ser atingido pela publicidade é como ser atingido por um martelo: você fica dormente. Mas o efeito pode levá-lo a outra realidade. Estas técnicas são irritantes na forma em que existem, mas quando usadas como ferramentas pelo pintor, podem tornar-se algo fantástico"

James Rosenquist

Rosenquist privilegiava em suas obras colagens feitas a partir de referências muito distintas do cotidiano como ilustrações de comidas, peças de carros, anúncios, propagandas políticas. 

6. Flag (1955), de Jasper Johns

A Bandeira norte-americana (1955), de Jasper Johns
Flag (1955), de Jasper Johns.

O pintor norte-americano foi um dos pioneiros da pop art e desenvolveu o seu trabalho principalmente a partir de mapas, bandeiras, alvos e algarismos. Acabou, por isso, ficando conhecido como um artista de certa forma nacionalista. Jasper foi um dos principais responsáveis pela levada da cultura norte-americana à Europa.

O criador fez uso da iconografia clássica, simples, e de símbolos que poderiam alcançar todas as pessoas pois pertenciam ao imaginário coletivo. Com o decorrer do tempo, Johns passou a investir na utilização de objetos reais nas telas como latas, pincéis e escovas.

Uma curiosidade: Jasper Johns usava uma técnica para pintar que consistia em diluir a tinta em cera quente.

Descubra mais, a história do movimento Pop art

A pop art foi um marco da passagem da modernidade para a pós-modernidade na cultura ocidental. O batismo do movimento foi feito por Lawrence Alloway, que criou o nome pop art. Participaram do grupo grandes nomes como Richard Hamilton, Roy Lichtenstein, Jasper Johns, Robert Rochenberg e Andy Warhol.

Os contestadores artistas britânicos e norte-americanos procuravam trabalhar a partir da estética das massas. A vida não deveria ser separada da arte, eles acreditavam, por isso a matéria prima dos artistas eram objetos produzidos em grande escala e/os imagens fotográficas de jornais e revistas.

1963 foi um ano chave para a pop art. Nos Estados Unidos duas exposições (Arte – 1963 e Os Novos Realistas) reuniram os grandes nomes do movimento norte-americano. As exposições contaram com a participação de nomes como Andy Warhol, Claes Oldenburg, Roy Lichtenstein, Tom Wesselman e James Rosenquist. As obras sublinhavam principalmente a massificação da cultura popular capitalista.

Pode-se dizer que esse período pulsante das artes foi marcado pela ascensão do uso de objetos comuns e cotidianos a categoria de objetos artísticos.

“Um par de meias não é menos adequado para um quadro do que óleo sobre tela.”

Robert Rochenberg

O movimento que antecedeu a pop art foi o abstracionismo. Até que, em meados dos anos 50, jovens artistas como Jasper Johns e Robert Rauschenberg começaram a criticar o abismo entre a arte e a vida e a externalizar que não se identificavam com o estilo abstrato então em voga. O mundo e a arte - diziam - deveriam aproximar-se:

“Eu queria que as imagens guardassem o sentido do mundo externo em vez de cultivar o incesto da vida de estúdio.”

Robert Rochenberg

De dentro da sociedade os criadores da pop art criticavam a própria sociedade: o consumo excessivo, o comportamento capitalista sem limites, os hábitos cotidianos desenfreados norte-americanos.

As obras produzidas na altura passaram a ganhar contornos com muitas cores fortes, fluorescentes e algum brilho. Um exemplo clássico é a banana consagrada por Andy Warhol:

A banana, de Andy Warhol.
A banana (1960), de Andy Warhol.

Outro exemplo do valor que os adeptos da pop art davam ao brilho foi a criação da obra Mickey Mouse, também de Andy Warhol. Nela o artista optou por fazer um fundo com pó de diamantes para provocar um efeito de iluminação à peça:

Mickey Mouse, de Andy Warhol.
Mickey Mouse (1981), de Andy Warhol.

A pop art e o contexto brasileiro

No Brasil vivíamos o período da ditadura militar (iniciada a partir do golpe de 1964). Rondava o medo da censura, por isso a produção artística tendeu a ser mais contida. Vale destacar na altura, no entanto, a Opinião 65, um evento realizado no Museu de Arte Moderna que reuniu 17 artistas brasileiros e 13 estrangeiros.

Os maiores nomes da arte brasileira na altura foram: José Roberto Aguilar, Wesley Duke Lee, Luiz Paulo Baravelli, Claudio Tozzi, Carlos Farjado e Antonio Henrique Amaral.

 A grande peça de destaque da época, por sua vez, foi o polêmico e pouco compreendido Parangolé, de Hélio Oiticica.

Parangolé, de Hélio Oiticica
Parangolé, de Hélio Oiticica.

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Rebeca Fuks
Graduada em Letras, mestre em Literatura e doutora em Estudos de Cultura, trabalhou durante dez anos como editora assistente e executiva em editoras no Brasil e em Portugal.