As 11 melhores músicas brasileiras de todos os tempos


Rebeca Fuks
Rebeca Fuks
Doutora em Estudos da Cultura

Todos nós sabemos que a música brasileira é um manancial de criações talentosas, chega a ser criminoso escolher apenas onze canções para essa lista.

De toda forma, encaramos de frente o desafio e selecionamos aquelas que nos parecem ser as composições mais especiais de todos os tempos.

1. Construção, de Chico Buarque 

A canção Construção, de Chico Buarque, foi lançada em 1971 e era a estrela principal de um álbum que carregava o título da música carro chefe. A letra é longa e elaborada e conta a história da vida de um trabalhador da construção civil.

Praticamente toda a composição é estruturada no exercício de comparação, o como é repetido quase a exaustão para caracterizar o cotidiano do trabalhador. 

A canção começa por contar a saída do trabalhador de casa para mais um dia de trabalho e se encerra com a morte trágica e acidental do sujeito, que permanece todo o tempo não nomeado.

Amou daquela vez como se fosse a última
Beijou sua mulher como se fosse a última
E cada filho seu como se fosse o único
E atravessou a rua com seu passo tímido

Subiu a construção como se fosse máquina
Ergueu no patamar quatro paredes sólidas
Tijolo com tijolo num desenho mágico
Seus olhos embotados de cimento e lágrima

Sentou pra descansar como se fosse sábado
Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe
Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago
Dançou e gargalhou como se ouvisse música

E tropeçou no céu como se fosse um bêbado
E flutuou no ar como se fosse um pássaro
E se acabou no chão feito um pacote flácido
Agonizou no meio do passeio público
Morreu na contramão, atrapalhando o tráfego

Amou daquela vez como se fosse o último
Beijou sua mulher como se fosse a única
E cada filho seu como se fosse o pródigo
E atravessou a rua com seu passo bêbado

Subiu a construção como se fosse sólido
Ergueu no patamar quatro paredes mágicas
Tijolo com tijolo num desenho lógico
Seus olhos embotados de cimento e tráfego

Sentou pra descansar como se fosse um príncipe
Comeu feijão com arroz como se fosse o máximo
Bebeu e soluçou como se fosse máquina
Dançou e gargalhou como se fosse o próximo

E tropeçou no céu como se ouvisse música
E flutuou no ar como se fosse sábado
E se acabou no chão feito um pacote tímido
Agonizou no meio do passeio náufrago
Morreu na contramão atrapalhando o público

Amou daquela vez como se fosse máquina
Beijou sua mulher como se fosse lógico
Ergueu no patamar quatro paredes flácidas
Sentou pra descansar como se fosse um pássaro
E flutuou no ar como se fosse um príncipe
E se acabou no chão feito um pacote bêbado
Morreu na contramão atrapalhando o sábado

Por esse pão pra comer, por esse chão pra dormir
A certidão pra nascer e a concessão pra sorrir
Por me deixar respirar, por me deixar existir
Deus lhe pague

Pela cachaça de graça que a gente tem que engolir
Pela fumaça e a desgraça que a gente tem que tossir
Pelos andaimes pingentes que a gente tem que cair
Deus lhe pague

Pela mulher carpideira pra nos louvar e cuspir
E pelas moscas bicheiras a nos beijar e cobrir
E pela paz derradeira que enfim vai nos redimir
Deus lhe pague

Capa do álbum Construção, de Chico Buarque.
Capa do álbum Construção, de Chico Buarque.

Conheça a análise aprofundada da música Construção, de Chico Buarque 

2. Garota de Ipanema, de Antônio Carlos Jobim e Vinícius de Moraes

Um clássico da bossa nova dos anos sessenta carioca, Garota de Ipanema foi exportada para os quatro cantos do planeta como símbolo do verão. A música é uma parceria entre Antônio Carlos Jobim, responsável pela música, e Vinícius de Moraes, autor da letra. Criada em 1962, a canção foi, no mesmo ano, gravada também em inglês.

O cenário da música é a zona sul do Rio de Janeiro, mais precisamente a praia de Ipanema. A musa inspiradora foi Helô Pinheiro, que vivia no bairro e chamava a atenção dos homens que passavam.

Olha que coisa mais linda
Mais cheia de graça
É ela, menina
Que vem e que passa
Num doce balanço
A caminho do mar

Moça do corpo dourado
Do sol de Ipanema
O seu balançado é mais que um poema
É a coisa mais linda que eu já vi passar

Ah, por que estou tão sozinho?
Ah, por que tudo é tão triste?
Ah, a beleza que existe
A beleza que não é só minha
Que também passa sozinha

Ah, se ela soubesse
Que quando ela passa
O mundo inteirinho se enche de graça
E fica mais lindo
Por causa do amor

A garota de Ipanema Helô Pinheiro com o letrista Vinícius de Moraes.
A garota de Ipanema Helô Pinheiro com o letrista Vinícius de Moraes.

3. Alegria, alegria, de Caetano Veloso

A canção que é um ícone do tropicalismo brasileiro venceu os muros do tempo e acabou ficando conhecida para além do período histórico em que foi composta. A obra de Caetano Veloso tem letra e música de sua autoria.

A marcha foi apresentada originalmente em 21 de outubro de 1967 no Festival de Música Popular Brasileira da TV Record e a princípio foi rejeitada pelo público. Aos poucos caiu nas graças da plateia e, apesar do favoritismo, ficou em quarto lugar na disputa. Caetano Veloso, até então um jovem desconhecido, foi muito alavancado para a fama com a criação da canção Alegria, alegria.

Caminhando contra o vento
Sem lenço e sem documento
No sol de quase dezembro
Eu vou

O sol se reparte em crimes
Espaçonaves, guerrilhas
Em cardinales bonitas
Eu vou

Em caras de presidentes
Em grandes beijos de amor
Em dentes, pernas, bandeiras
Bomba e Brigitte Bardot

O sol nas bancas de revista
Me enche de alegria e preguiça
Quem lê tanta notícia
Eu vou

Por entre fotos e nomes
Os olhos cheios de cores
O peito cheio de amores vãos
Eu vou
Por que não, por que não

Ela pensa em casamento
E eu nunca mais fui à escola
Sem lenço e sem documento
Eu vou

Eu tomo uma Coca-Cola
Ela pensa em casamento
E uma canção me consola
Eu vou

Por entre fotos e nomes
Sem livros e sem fuzil
Sem fome, sem telefone
No coração do Brasil

Ela nem sabe até pensei
Em cantar na televisão
O sol é tão bonito
Eu vou

Sem lenço, sem documento
Nada no bolso ou nas mãos
Eu quero seguir vivendo, amor
Eu vou

Por que não, por que não?
Por que não, por que não?
Por que não, por que não?

Relembre a apresentação de Caetano Veloso no Festival de Música Popular Brasileira da TV Record, em 1967:

4. Drão, de Gilberto Gil

Gilberto Gil conseguiu criar uma composição belíssima acerca de um dos momentos mais tristes da vida do ser humano: a separação amorosa. Autor da letra e da música, Gil compôs em 1981 em homenagem a antiga parceira Sandra Gadelha. O casamento de dezessete anos sobreviveu ao exílio em Londres durante a ditadura militar e rendeu três frutos: Pedro, Preta e Maria.

A criação é, portanto, autobiográfica, e é capaz de transmitir paz, serenidade e gratidão mesmo após o recém divórcio. Drão, apelido dado a Sandra por Maria Bethânia, na letra de Gilberto Gil rima com grão. A repetição da palavra grão desmistifica a ideia de que o fim de um casamento é a morte do relacionamento e sublinha que os encontros podem ser ressignificados, fazendo nascer assim uma nova relação.

Drão!
O amor da gente é como um grão
Uma semente de ilusão
Tem que morrer pra germinar
Plantar nalgum lugar
Ressuscitar no chão
Nossa semeadura
Quem poderá fazer aquele amor morrer
Nossa caminhadura
Dura caminhada
Pela noite escura

Drão!
Não pense na separação
Não despedace o coração
O verdadeiro amor é vão
Estende-se infinito
Imenso monolito
Nossa arquitetura
Quem poderá fazer aquele amor morrer
Nossa caminhadura
Cama de tatame
Pela vida afora

Drão!
Os meninos são todos sãos
Os pecados são todos meus
Deus sabe a minha confissão
Não há o que perdoar
Por isso mesmo é que há de haver mais compaixão
Quem poderá fazer
Aquele amor morrer
Se o amor é como um grão
Morre, nasce trigo
Vive, morre pão
Drão!
Drão!

Gilberto Gil e Sandra Gadelha antes da separação e da criação de Drão.
Gilberto Gil e Sandra Gadelha antes da separação e da criação de Drão.

5. Eu sei que vou te amar, de Antônio Carlos Jobim e Vinícius de Moraes

Tom Jobim muitas vezes estabeleceu parcerias com outros criadores, essa composição foi mais um caso de um belo encontro entre a sua música e a letra de Vinícius de Moraes. Criada em 1959, a obra é uma ode ao amor romântico feita por um letrista que era um amante inveterado: Vinícius de Moraes casou-se nove vezes e passou pela vida como um ávido apaixonado.

A música Eu sei que vou te amar já teve uma série de gravações e interpretações, talvez a versão mais famosa tenha ficado a cargo da cantora brasileira Maysa.

Eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida, eu vou te amar
Em cada despedida, eu vou te amar
Desesperadamente
Eu sei que vou te amar

E cada verso meu será
Pra te dizer
Que eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida

Eu sei que vou chorar
A cada ausência tua, eu vou chorar
Mas cada volta tua há de apagar
O que esta tua ausência me causou

Eu sei que vou sofrer
A eterna desventura de viver
À espera de viver ao lado teu
Por toda a minha vida

6. Carcará, de João Batista do Vale

A composição de João Batista do Vale é um retrato da cultura nordestina e fez parte do show Opinião. A criação é uma homenagem ao pássaro carcará - uma espécie de ave de rapina - muito encontrada no sertão do nordeste. O criador da letra e da música nasceu no Maranhão, era pobre e pouquíssimo estudado. No entanto, criou mais de quatrocentas músicas, algumas delas imortalizadas como Carcará e Pisa na fulô.

Gravada originalmente por Maria Bethânia em 1964, a canção foi regravada por uma série de artistas, entre eles Zé Ramalho, Chico Buarque e Otto. 

Carcará
Lá no sertão
É um bicho que avoa que nem avião
É um pássaro malvado
Tem o bico volteado que nem gavião
Carcará
Quando vê roça queimada
Sai voando, cantando,
Carcará
Vai fazer sua caçada
Carcará come inté cobra queimada
Quando chega o tempo da invernada
O sertão não tem mais roça queimada
Carcará mesmo assim num passa fome
Os burrego que nasce na baixada
Carcará
Pega, mata e come
Carcará
Num vai morrer de fome
Carcará
Mais coragem do que home
Carcará
Pega, mata e come
Carcará é malvado, é valentão
É a águia de lá do meu sertão
Os burrego novinho num pode andá
Ele puxa o umbigo inté matá
Carcará
Pega, mata e come
Carcará
Num vai morrer de fome
Carcará
Mais coragem do que home
Carcará

Relembre a apresentação de Maria Bethânia realizada em 1965:

7. O tempo não para, de Cazuza e Arnaldo Brandão

Criada em 1988, a música foi o carro chefe do álbum do mesmo ano de Cazuza. A letra serviu ao mesmo tempo como crítica social e um desabafo pessoal de quem viveu em um país minado pela corrupção e pela hipocrisia. Vale lembrar que a criação foi feita logo depois da queda da ditadura militar e por isso foi de encontro a uma população ainda extremamente conservadora.

Lembramos que a letra é em grande parte autobiográfica e pode ser associada a vida pessoal do cantor. No ano anterior a criação, Cazuza descobriu que era portador do vírus HIV, até então uma doença pouquíssimo conhecida e de alta letalidade.

Disparo contra o sol
Sou forte, sou por acaso
Minha metralhadora cheia de mágoas
Eu sou um cara
Cansado de correr
Na direção contrária
Sem pódio de chegada ou beijo de namorada
Eu sou mais um cara

Mas se você achar
Que eu tô derrotado
Saiba que ainda estão rolando os dados
Porque o tempo, o tempo não pára

Dias sim, dias não
Eu vou sobrevivendo sem um arranhão
Da caridade de quem me detesta

A tua piscina tá cheia de ratos
Tuas ideias não correspondem aos fatos
O tempo não pára

Eu vejo o futuro repetir o passado
Eu vejo um museu de grandes novidades
O tempo não para
Não para, não, não pára

Eu não tenho data pra comemorar
Às vezes os meus dias são de par em par
Procurando agulha num palheiro

Nas noites de frio é melhor nem nascer
Nas de calor, se escolhe: é matar ou morrer
E assim nos tornamos brasileiros
Te chamam de ladrão, de bicha, maconheiro
Transformam o país inteiro num puteiro
Pois assim se ganha mais dinheiro

A tua piscina tá cheia de ratos
Tuas ideias não correspondem aos fatos
O tempo não pára

Eu vejo o futuro repetir o passado
Eu vejo um museu de grandes novidades
O tempo não para
Não para, não, não pára

Dias sim, dias não
Eu vou sobrevivendo sem um arranhão
Da caridade de quem me detesta

A tua piscina tá cheia de ratos
Tuas ideias não correspondem aos fatos
O tempo não pára

Eu vejo o futuro repetir o passado
Eu vejo um museu de grandes novidades
O tempo não pára
Não para, não, não pára

Conheça a análise aprofundada da música O Tempo Não Para, de Cazuza.

8. Aquarela, de Toquinho e Maurizio Fabrizio

Originalmente Toquinho criou a primeira parte de uma música que foi tema de uma novela da Globo. Maurizio Fabrizio, um italiano que veio morar no Brasil, ao ouvir a criação de Toquinho mostrou uma composição semelhante e ambos então, resolveram juntaram o material que tinham para compor Aquarela.

A música foi primeiro gravada na Itália com o nome de Acquarello, em 1983, ficando em primeiro lugar na audiência. Toquinho depois traduziu e adaptou a letra e lançou a canção no Brasil, onde teve também imenso sucesso.

Em 1983, a fábrica Faber Castell produziu um comercial que também foi responsável por divulgar e consagrar ainda mais o clássico de Toquinho:

Numa folha qualquer
Eu desenho um sol amarelo
E com cinco ou seis retas
É fácil fazer um castelo

Corro o lápis em torno da mão
E me dou uma luva
E se faço chover, com dois riscos
Tenho um guarda-chuva

Se um pinguinho de tinta
Cai num pedacinho azul do papel
Num instante imagino
Uma linda gaivota a voar no céu

Vai voando, contornando
A imensa curva norte-sul
Vou com ela viajando
Havaí, Pequim ou Istambul

Pinto um barco a vela
Branco navegando
É tanto céu e mar
Num beijo azul

Entre as nuvens vem surgindo
Um lindo avião rosa e grená
Tudo em volta colorindo
Com suas luzes a piscar

Basta imaginar e ele está partindo
Sereno e lindo
E se a gente quiser
Ele vai pousar

Numa folha qualquer
Eu desenho um navio de partida
Com alguns bons amigos
Bebendo de bem com a vida

De uma América a outra
Consigo passar num segundo
Giro um simples compasso
E num círculo eu faço o mundo

Um menino caminha
E caminhando chega no muro
E ali logo em frente a esperar
Pela gente o futuro está

E o futuro é uma astronave
Que tentamos pilotar
Não tem tempo nem piedade
Nem tem hora de chegar

Sem pedir licença
Muda nossa vida
E Depois convida
A rir ou chorar

Nessa estrada não nos cabe
Conhecer ou ver o que virá
O fim dela ninguém sabe
Bem ao certo onde vai dar

Vamos todos
Numa linda passarela
De uma aquarela que um dia enfim
Descolorirá

Numa folha qualquer
Eu desenho um sol amarelo
Que descolorirá

E com cinco ou seis retas
É fácil fazer um castelo
Que descolorirá

Giro um simples compasso
E num círculo eu faço o mundo
Que descolorirá

9. Sossego, de Tim Maia

Gravada em 1978, a música dançante Sossego, de Tim Maia, teve inspiração na canção Boot leg, gravada em 1956 pelo norte americano soulman Booker T. A música de Tim Maia fez parte do LP Disco Club, que contou com a participação da Banda Black Rio, Hyldon e do guitarrista Pepeu Gomes.

Sossego foi um dos maiores sucessos do artista tijucano e passou a ser presença certa em todas as listas das casas noturnas cariocas. 

Ora bolas, não me amole
Com esse papo, de emprego
Não está vendo, não estou nessa
O que eu quero?
Sossego, eu quero sossego

O que eu quero? Sossego!
O que eu quero? Sossego!
O que eu quero? Sossego!
O que eu quero? Sossego!

Ora bolas, não me amole
Com esse papo, de emprego
Não está vendo, não estou nessa
O que eu quero? Sossego!

O que eu quero? Sossego!
O que eu quero? Sossego!
O que eu quero? Sossego!
O que eu quero? Sossego!

O que eu quero? Sossego!
O que eu quero? Sossego!
O que eu quero? Sossego!
O que eu quero? Sossego!

Capa do LP Disco club, de Tim Maia.
Capa do LP Disco club, de Tim Maia.

10. País tropical, de Jorge Ben

A música ficou muito conhecida pela sua primeira versão, cantada por Wilson Simonal, em julho de 1969. Frisamos que a música caiu como uma luva no momento histórico que o país vivia: a letra ufanista ia de encontro a louvação patriótica que pregava a ditadura militar, a frente do país desde 1964.  

Gal Costa também gravou uma versão da canção, assim como Ivete Sangalo, anos mais tarde.

Moro num país tropical, abençoado por Deus
E bonito por natureza, mas que beleza
Em fevereiro (em fevereiro)
Tem carnaval (tem carnaval)

Tenho um fusca e um violão
Sou Flamengo
Tenho uma nêga
Chamada Tereza

Sambaby
Sambaby

Sou um menino de mentalidade mediana
Pois é, mas assim mesmo sou feliz da vida
Pois eu não devo nada a ninguém
Pois é, pois eu sou feliz
Muito feliz comigo mesmo

Moro num país tropical, abençoado por Deus
E bonito por natureza, mas que beleza
Em fevereiro (em fevereiro)
Tem carnaval (tem carnaval)

Tenho um fusca e um violão
Sou Flamengo
Tenho uma nêga
Chamada Tereza

Sambaby
Sambaby

Eu posso não ser um band leader
Pois é, mas assim mesmo lá em casa
Todos meus amigos, meus camaradinhas me respeitam
Pois é, essa é a razão da simpatia
Do poder, do algo mais e da alegria

Sou Flamê
Tê uma nê
Chamá Terê
Sou Flamê
Tê uma nê
Chamá Terê

Do meu Brasil

Sou Flamengo
E tenho uma nêga
Chamada Tereza
Sou Flamengo
E tenho uma nêga
Chamada Tereza

Capa do LP de Jorge Ben, lançado em 1969.
Capa do LP de Jorge Ben, lançado em 1969.

11. Chão de giz, de Zé Ramalho

Assim como Drão, de Gilberto Gil, Chão de giz narra o final de um relacionamento amoroso. Com letra e música de autoria de Zé Ramalho, a música também é autobiográfica e ajuda a processar o afastamento entre um casal.

No caso de Chão de giz, a separação se deu porque a mulher amada era casada e influente e não estava disposta a abandonar a relação para ficar com um rapaz que conheceu durante o carnaval. O que para ela foi um caso fugaz, para Zé Ramalho foi motivo de enorme sofrimento. 

A música já foi regravada por uma série de artistas como Elba Ramalho e Zeca Baleiro.

Eu desço dessa solidão
Espalho coisas
Sobre um Chão de Giz
Há meros devaneios tolos
A me torturar
Fotografias recortadas
Em jornais de folhas
Amiúde!

Eu vou te jogar
Num pano de guardar confetes
Eu vou te jogar
Num pano de guardar confetes

Disparo balas de canhão
É inútil, pois existe
Um grão-vizir
Há tantas violetas velhas
Sem um colibri
Queria usar, quem sabe
Uma camisa de força
Ou de vênus

Mas não vou gozar de nós
Apenas um cigarro
Nem vou lhe beijar
Gastando assim o meu batom

Agora pego
Um caminhão na lona
Vou a nocaute outra vez
Pra sempre fui acorrentado
No seu calcanhar
Meus vinte anos de boy
That's over, baby!
Freud explica

Não vou me sujar
Fumando apenas um cigarro
Nem vou lhe beijar
Gastando assim o meu batom

Quanto ao pano dos confetes
Já passou meu carnaval
E isso explica porque o sexo
É assunto popular

No mais, estou indo embora!
No mais, estou indo embora!
No mais, estou indo embora!
No mais!

Descubra a versão original de estúdio:

Conheça a análise aprofundada da música Chão de giz, de Zé Ramalho.

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Rebeca Fuks
Rebeca Fuks
Graduada em Letras, mestre em Literatura e doutora em Estudos de Cultura, trabalhou durante dez anos como editora assistente e executiva em editoras no Brasil e em Portugal.