Arte Indígena: tipos de arte e características


Carolina Marcello
Carolina Marcello
Mestre em Estudos Literários, Culturais e Interartes

A arte indígena é múltipla e bastante diversificada; ela assume diferentes facetas, formas e atributos, dependendo da localização, do povo e das suas tradições.

Assim, a arte de cada tribo ou etnia indígena apresenta as suas singularidades. Existem, no entanto, traços comuns que são transversais às várias regiões: um exemplo é a pintura corporal.

No Brasil, estas manifestações artísticas são um dos elementos basilares da nossa cultura. Conheça, abaixo, os tipos mais comuns de arte indígena, suas características e significados.

Tipos mais populares de arte indígena

Um dos traços mais marcantes da arte indígena é a sua dimensão coletiva. Aqui, o fazer artístico não se trata de uma atividade individual: pelo contrário, é partilhado.

A arte indígena está intimamente ligada à vida em comunidade, às necessidades diárias, às celebrações, cerimônias e rituais.

Deste modo, em traços gerais, podemos afirmar que embora as peças tenham preocupações estéticas, existe sempre um grande caráter utilitário, ou seja, tratam-se de objetos que podem ser (e são) usados no cotidiano.

Pintura corporal indígena

A pintura corporal é, então, um dos principais elementos desta arte, podendo assumir diversas técnicas, padrões e simbologias. As tintas variam de tribo para tribo, sendo preparadas de diferentes formas a partir de recursos naturais distintos, principalmente plantas, árvores e frutos.

Alguns exemplos bastante conhecidos são a tinta preta feita a partir de jenipapo, a vermelha feita do urucum e a de tonalidade branca, que vem da tabatinga. As cores vivas e cheias de intensidade parecem canalizar valores como a alegria, a força e a energia.

Exemplo de pintura corporal indígena.
Exemplo de pintura corporal indígena.

As pinturas e as tonalidades também podem variar dentro de um mesmo grupo, devido a fatores como o gênero, a idade ou a função na tribo.

Embora sejam, habitualmente, usadas em rituais e cerimônias, estas pinturas corporais por vezes surgem como elemento estético, pensado para embelezar os corpos.

Os padrões e desenhos incorporados são inúmeros, já que estão relacionados com os símbolos, as crenças e a história de cada povoação, podendo também representar momentos e emoções em específico.

Para conhecer mais sobre o assunto, leia: Pintura corporal, da ancestralidade aos dias de hoje.

Cerâmica indígena

A cerâmica também é bastante comum em diversas etnias de origem indígena. O barro não só é manipulado para criar objetos utilitários (como vasos e taças), mas também estátuas e recipientes para guardar cinzas dos mortos, entre outros.

Embora trabalhem de maneiras diferentes, estes povos não utilizam roda de oleiro, criando peças com formas singulares. As obras são adornadas com padrões e elementos decorativos.

Exemplo de vaso de cerâmica indígena.
Exemplo de vaso de cerâmica indígena.

Máscaras indígenas

Usadas em rituais, cerimônias, celebrações e danças, as máscaras indígenas são altamente simbólicas. Elas são feitas a partir de materiais como palha, cabaças ou cascas de árvore, e costumam ser decoradas com desenhos e penas de pássaros.

Estas máscaras são reservadas para alguns momentos especiais, pela sua forte ligação ao mundo do sobrenatural: representam entidades / divindades que estes indivíduos querem agradar ou acalmar.

Exemplo de máscara indígena
Exemplo de máscara indígena.

Plumagem

Não só as máscaras mas diversos objetos são decorados através da plumagem: flechas, cocares, pulseiras, brincos, entre outros. As penas e as plumas são recolhidas das aves no momento da caça, sendo posteriormente tingidas e cortadas. Em seguida, são diretamente coladas ao corpo de alguém ou usadas para a decoração de objetos.

Assim como no caso da pintura corporal, a arte plumária indígena também é carregada de simbologia. Por serem objetos de grande valor, são apenas utilizados em momentos cerimoniais. A cor e o formato das plumas fazem distinções de gênero, idade, importância no grupo, etc.

Habitualmente feita por homens, a plumagem também é mais usada por eles, sendo encarada como uma manifestação de poder e estatuto social.

Exemplo do trabalho de plumagem no cocar.
Exemplo do trabalho de plumagem no cocar.

Cestaria indígena

Uma atividade mais praticada pelas mulheres, a cestaria indígena também é rica e variada. Com materiais como folhas ou fibras de árvores (por exemplo, a folha de palmeira), elas entrançam com diferentes técnicas, de vários modos, decorando as obras com padrões e figuras.

Sempre tendo em vistas as necessidades do dia-a-dia, estes cestos podem assumir diferentes funções: coar substâncias líquidas, peneirar farinha, transportar e armazenar bens alimentícios.

Exemplo de cesto indígena.
Exemplo de cesto indígena.

Arte indígena brasileira

A arte indígena é uma parte valiosa da cultura brasileira e um dos pilares a partir dos quais o nosso imaginário nacional se formou. Considera-se arte indígena aquela que foi produzida pelos povos nativos antes, durante e depois do processo de colonização.

Assim, algumas dessas formas de arte são as mais antigas do nosso território, sendo conservadas até os dias de hoje. Por toda a sua beleza, história e valor cultural, precisamos preservá-las e divulgá-las o mais que pudermos.

A par do utilitarismo mencionado acima, a arte indígena brasileira também utiliza materiais recolhidos na natureza (plantas, frutos, árvores, ossos, dentes e plumas de animais). São ainda abundantes os desenhos, padrões e símbolos usados por cada etnia, assim como os tipos de arte que praticam.

Entre as muitas formas de arte indígena que sobrevivem no solo brasileiro, podemos destacar, por exemplo, a cerâmica das Ilhas Marajó e os objetos trançados produzidos pelos Baniwa.

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Carolina Marcello
Carolina Marcello
Mestre em Estudos Literários, Culturais e Interartes e licenciada em Estudos Portugueses e Lusófonos pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto.