Arte Egípcia: entenda a arte fascinante do Antigo Egito


Carolina Marcello
Carolina Marcello
Mestre em Estudos Literários, Culturais e Interartes

Entendemos como arte do Antigo Egito todas as manifestações artísticas produzidas por esse povo, entre os anos de 3200 a.C. a 30 a.C., aproximadamente.

Foi nas margens do rio Nilo, fundamental para o seu crescimento e evolução, que nasceu uma das civilizações mais importantes e originais de todos os tempos: o Antigo Egito.

A arte egípcia assumiu, sobretudo, a forma da pintura, escultura e arquitetura, estando intimamente ligada à religião, eixo em torno do qual todo o sistema social girava. A expressão artística tinha, então, a função de aproximar os humanos e os deuses, refletindo vários preceitos religiosos.

Ela estava também ancorada na ideia da morte como uma passagem para outro plano, onde o faraó (que tinha poderes de caráter divino), os seus familiares e também os nobres poderiam seguir existindo.

Máscara mortuária de Tutankamon
Máscara mortuária de Tutancâmon, 1323 a.C.

Por isso, era necessário preservar os seus corpos através da mumificação e também produzir objetos para essa nova realidade que viria. Assim surgiu a arte funerária, com as estátuas, os vasos e as pinturas que decoravam os túmulos.

Estas criações representavam os deuses e os faraós, narrando episódios mitológicos, acontecimentos políticos e momentos da vida cotidiana, ao mesmo tempo que refletiam a hierarquia e a organização social da época.

Seguindo um conjunto bastante rígido de normas e técnicas de produção, entre as quais se destacava a lei da frontalidade na pintura, os artistas eram anônimos e realizavam uma tarefa que era considerada divina.

Embora estas regras tenham resultado numa grande continuidade ao longo dos séculos, os vários períodos históricos trouxeram pequenas mudanças e inovações nos modos como os egípcios criavam.

No Antigo Império (3200 a.C. a 2200 a.C.), a arquitetura foi marcada por grandes empreendimentos que pretendiam exibir o poder do faraó, como a Esfinge e as pirâmides de Gizé. Já no Império Médio (2000 a.C. a 1750 a.C.), a pintura e a escultura assumiram o protagonismo.

Pintura de músicos e dançarinas
Pintura no túmulo de Nebamun, que representa músicos e dançarinas

Por um lado, mostravam imagens idealizadas da família real; por outro, começaram a incluir figuras do povo (como escribas e artesãos), que apresentavam uma maior expressividade e naturalidade.

Alguma liberdade artística se intensificou no Novo Império (1580 a.C. a 1085 a.C.), por exemplo, através das famosas estátuas com crânios de formato mais alongado.

Donos de uma sociedade e cultura bastante desenvolvidas, os egípcios também exploraram várias matérias complexas, como a matemática e a medicina, tendo até um sistema de escrita.

Graças às escavações arqueológicas que ocorreram ao longo do século XIX, passamos a conseguir decifrar os seus hieróglifos, algo que nos permitiu conhecer melhor os seus valores, modos de vida e artefatos.

Em suma, podemos afirmar que o Antigo Egito deixou um enorme legado artístico e cultural que continua despertando o fascínio de incontáveis visitantes e curiosos do mundo inteiro.

A pintura do Antigo Egito

Na pintura egípcia, as convenções para a criação eram muito fortes e a forma como eram executadas determinava a qualidade do trabalho. Uma das principais regras era a lei da frontalidade, que ordenava que os corpos deveriam ser pintados em dois ângulos diferentes.

O tronco, os olhos e os ombros deveriam surgir na posição frontal, enquanto a cabeça e os membros eram apresentados de perfil. A intenção por trás desta posição tão invulgar era sublinhar as diferenças entre a arte e a realidade.

O tribunal de Osiris
O tribunal de Osiris, parte do Livro dos Mortos

Frequentemente, os desenhos eram acompanhados de hieróglifos; é o que acontece no Livro dos Mortos, uma coletânea de papiros que eram colocados nos túmulos. As tintas, produzidas a partir de minerais, acabaram se desgastando com a passagem do tempo.

Estas pinturas eram marcadas por um conjunto de simbologias presentes até nas cores utilizadas. Por exemplo: o preto representava a morte, o vermelho significava energia e poder, o amarelo simbolizava a eternidade e o azul homenageava o Nilo.

Vivendo numa organização social com papéis e hierarquias extremamente definidos, os egípcios criavam pinturas que exprimiam essas divisões. Assim, o tamanho das figuras apresentadas nas imagens não dependia da perspectiva, mas da sua importância no tecido social, do seu poder.

Pintura do túmulo de Nebamun
Pintura do túmulo de Nebamun que mostra o faraó caçando

Presente na decoração de objetos e de edifícios, a pintura era um elemento importante na ornamentação dos túmulos dos faraós. Além de retratar deuses e episódios religiosos, também se focava naquele que tinha morrido, ilustrando cenas de batalha ou imagens cotidianas, como a caça e a pesca.

Importa ainda salientar que estes retratos estavam longe de ser uma cópia fiel, apresentando, em vez disso, uma fisionomia idealizada. No período do Novo Império, contudo, a pintura egípcia começou a apresentar mais inovações, com mais movimento e detalhes.

A escultura egípcia

As esculturas egípcias foram extremamente ricas e importantes na sua cultura, tendo proporcionando aos artistas um maior espaço para a criatividade e a inovação.

Estátua de Cleopatra VII Philopator
Estátua de Cleópatra VII Filopátor

Com dimensões monumentais ou reduzidas, em forma de bustos ou figuras de corpo inteiro, estas obras apresentavam uma enorme variedade.

Além dos faraós e das suas famílias, elas também se inspiravam nos cidadãos egípcios comuns (como artistas e escribas), assim como em diversos animais.

Em alguns períodos, como o Médio Império, as normas eram mais rígidas, com representações semelhantes e idealizadas. Durante outras fases, no entanto, a escultura mantinha um olhar atento aos detalhes de quem estava sendo retratado.

Estátua Escriba Sentado
Estátua O Escriba Sentado, 2600 a.C.

Assim, este tipo de expressão artística reproduzia características físicas e feições, evidenciando também o estatuto social de cada um.

O Escriba Sentado, exposto no museu do Louvre, é um exemplo notório. Na peça, encontramos um homem de meia-idade que se encontra exercendo o seu ofício, como se esperasse o texto que seria ditado pelo faraó ou por algum nobre.

Contudo, as esculturas funerárias egípcias eram as mais sumptuosas e, por isso, continuam mais presentes no nosso imaginário. É o caso de imagens icônicas como a máscara mortuária de Tutancâmon e o busto de Nefertiti.

Busto de Nefertiti, criado pelo escultor Tutemés
Busto de Nefertiti, criado pelo escultor Tutemés, 1345 a.C.

Este último exemplifica o modo como os princípios da escultura foram sendo alterados com o tempo, tendo existido momentos extremamente originais.

Nefertiti, esposa do faraó Aquenáton, pertenceu ao Período de Amarna, quando o deus sol (Áton) era o mais cultuado. Nessa época, por razões que desconhecemos, a família real era representada com os crânios alongados.

A arquitetura egípcia

Pelos seus enormes e memoráveis empreendimentos, a arquitetura do Antigo Egito continua sendo considerada um enorme legado da humanidade.

Enquanto as casas e as construções militares eram feitas de forma prática, para servir as suas funções, os templos, os santuários e os túmulos eram pensados para durar uma eternidade. Por isso, eram obras tão demoradas, dispendiosas e resistentes, tendo sobrevivido até à atualidade.

Pirâmides de Gizé
As pirâmides de Gizé, Património Mundial da UNESCO

A Necrópole de Gizé, com as suas pirâmides e a Grande Esfinge, é sem dúvida um dos maiores pontos turísticos internacionais. A Grande Pirâmide de Gizé, uma das Sete Maravilhas do Mundo, foi construída entre 2580 a.C. e 2560 a.C, para o faraó Quéops.

O intuito era edificar uma casa eterna, digna da sua família, onde pudessem passar essa "segunda vida". As suas técnicas de construção eram inovadoras e, até hoje, despertam o interesse e a curiosidade de muita gente.

A Grande Esfinge de Gizé
A Grande Esfinge de Gizé

Ainda em Gizé, temos a Grande Esfinge, que possui 20 metros de altura e foi construída para representar o faraó Quéfren, durante o seu reinado (2558 a.C – 2532 a.C.).

A figura, que tinha a cabeça de um ser humano e o corpo de um leão, fazia parte da mitologia egípcia e estava relacionada com o culto das divindades.

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Carolina Marcello
Carolina Marcello
Mestre em Estudos Literários, Culturais e Interartes e licenciada em Estudos Portugueses e Lusófonos pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto.