Afinal, o que é arte?


Laura Aidar
Revisão por Laura Aidar
Arte-educadora e artista visual

Escrito por Rebeca Fuks

A arte é uma forma do ser humano se expressar. Apesar de ser realizada nos mais variados meios, linguagens e técnicas, os artistas geralmente compartilham o desejo de transmitir sentimentos e emoções.

O questionamento sobre o conceito de arte é complexo e divide muitas opiniões. Essa variedade de respostas faz também com que o tema seja muito interessante. Afinal, para você, o que é arte?

Definição de Arte

Em primeiro lugar, devemos esclarecer que não há uma única definição do que é arte. É difícil tecer um significado absoluto para uma atividade que reúne uma produção tão vasta e diversificada.

Mas ainda assim é possível dizer que ela está relacionada à necessidade de comunicação humana e, em sua maioria, à expressão de emoções e questionamentos, tanto existenciais, sociais, ou puramente estéticos.

Assim, as manifestações artísticas podem ser realizadas através de uma série de plataformas diferentes, como a pintura, escultura, gravura, dança, arquitetura, literatura, música, cinema, fotografia, performance, etc.

Arte de rua também é arte?
Arte de rua também é arte

Sobre a palavra Arte

A palavra arte deriva da palavra latina "ars" que quer dizer habilidade, técnica.

Segundo o dicionário de termos latinos, "ars" significa:

Maneira de ser ou de proceder, qualidade.
Habilidade (adquirida pelo estudo ou pela prática), conhecimento técnico.
Talento, arte, habilidade.
Artifício, astúcia.
Ofício, profissão.
Trabalho, obra, tratado.

Em termos de vocabulário propriamente, segundo o dicionário, a palavra "arte" é definida como:

a capacidade que tem o ser humano de criar o belo, como produto da ação individual, do gênio e da sensibilidade do artista, valendo-se de sua faculdade de inspiração; exteriorização dos sentimentos de um gênio excepcional, capaz de dominar a matéria e o pensamento, independentemente de uma finalidade utilitária.

Importância coletiva da arte

Podemos dizer que os artistas, em grande parte, pretendem provocar a sociedade, debater, questionar situações muitas vezes pouco discutidas e estimular a consciência coletiva e individual.

A arte está intimamente ligada ao tempo histórico em que é produzida, sendo considerada por alguns como um reflexo ou registro do seu tempo. Nas palavras do crítico de arte inglês Ruskin:

As grandes nações escrevem sua autobiografia em três volumes: o livro de suas ações, o livro de suas palavras e o livro de sua arte (...) Nenhum desses três livros pode ser compreendido sem que se tenham lido os outros dois, mas desses três, o único em que se pode confiar é o último.

Mas afinal, o que é uma obra de arte?

O que faz de um objeto uma obra de arte? Seria a intenção original do artista? Há alguma figura ou instituição com autoridade para afirmar que determinada peça é arte (um curador, um museu, um galerista)?

A partir do final do século XIX alguns artistas começaram a questionar o tema. Passaram então a se perguntar de modo ainda mais sistemático quais eram os limites da arte e quem possuía a suposta autoridade para definir um objeto artístico.

Esse é o caso do urinol (a Fonte, 1917), obra polêmica atribuída a Marcel Duchamp (mas que especula-se que tenha sido ideia da artista polono-alemã Baronesa Elsa von Freytag-Loringhoven).

Fonte, Duchamp
Fonte (1917), atribuída a Duchamp

Um objeto foi retirado do seu contexto cotidiano (um urinol) e deslocado para dentro de uma galeria, fazendo com que ele passasse a ser lido como obra de arte.

O que mudou aqui foi o estatuto da peça: ela saiu de um banheiro onde tinha uma função, um uso cotidiano, e passou a ser observada de outra forma quando disposta na sala de um espaço artístico.

O gesto transgressor pretendia questionar os limites de arte: afinal, o que define um objeto artístico? O que é uma obra legítima? Quem a legitima?

A escolha do artista provocou (e ainda provoca) certa resistência em uma boa parcela do público. Essas perguntas continuam em aberto e uma série de pensadores e filósofos ainda se debruçam sobre elas.

Para compreender mais sobre o assunto, leia: Obras de arte para entender Marcel Duchamp e o dadaísmo.

Primeiras manifestações artísticas

Os seres humanos, desde os tempos mais remotos, sentiram necessidade de se comunicar. Ainda no paleolítico, na primeira fase da pré-história, já se produzia objetos sem uma função utilitária, assim como desenhos e outras manifestações.

Esses artefatos e manifestações serviam tanto para criar uma ligação espiritual quanto para fortalecer o sentimento de coletividade entre eles. Assim, a arte é uma das expressões mais antigas da humanidade.

As primeiras manifestações artísticas que se tem notícia foram chamadas de Arte Pré-histórica e datam de antes de 30 mil a.C.

A arte rupestre é um exemplo de arte pré-histórica e consiste em desenhos e pinturas feitas nas paredes das cavernas. Nos desenhos era possível ver homens e animais interagindo, quase sempre em posição de ação.

Arte rupestre.
Arte rupestre

Tipos de arte

Originalmente costumava-se considerar sete tipos de arte. O francês Charles Batteux (1713-1780) no seu livro As belas artes (1747) categorizou as manifestações artísticas a partir dos seguintes rótulos:

  • Pintura
  • Escultura
  • Arquitetura
  • Música
  • Poesia
  • Eloquência
  • Dança

Por sua vez, para o intelectual italiano Ricciotto Canudo (1879-1923), autor do Manifesto das Sete Artes, os sete tipos de arte eram:

  • Música
  • Dança/Coreografia
  • Pintura
  • Escultura
  • Teatro
  • Literatura
  • Cinema

Com o tempo e as novas criações outras modalidades foram sendo acrescentadas à lista original. São elas:

  • Fotografia
  • Quadrinhos
  • Games
  • Arte digital (2D e 3D)

Importância da arte

Tentar atribuir uma função à arte pode ser uma estratégia perigosa. Ao contrário de outras produções onde há um objetivo, na arte não há a necessidade de existir uma utilidade prática.

De toda forma, essa é uma atividade que, entre outras coisas, deve servir como catarse, ou seja, uma limpeza emocional, sendo possível expurgar aquilo que angustia o artista e, em sentido mais amplo, a sociedade. Seria uma forma de purificação, de deixar que os traumas se liberem através de uma descarga emocional provocada pela obra de arte.

Algumas pessoas, por outro lado, acreditam que a função da arte é embelezar a vida. Esse critério é bastante duvidoso, pois a beleza que uma peça carrega depende da personalidade de quem a interpreta e, principalmente, do que é considerado belo em determinada época, cultura e sociedade.

Existem ainda a crença de que a arte teria a função de promover uma reflexão individual, estimulando a consciência da nossa condição humana.

O fato é que a arte pode incentivar a reflexão social e coletiva, fazendo florescer uma nova visão sobre assuntos até então silenciados, constituindo assim um importante agente de transformação social.

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Laura Aidar
Revisão por Laura Aidar
Arte-educadora, artista visual e fotógrafa. Licenciada em Educação Artística pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) e formada em Fotografia pela Escola Panamericana de Arte e Design.