As 13 danças africanas e afro-brasileiras mais famosas


Carolina Marcello
Carolina Marcello
Mestre em Estudos Literários, Culturais e Interartes

As danças africanas são uma expressão fundamental da cultura deste continente e influenciaram diversos ritmos internacionais. Habitualmente são acompanhadas por instrumentos de percussão e todos podem participar delas, não importa seu status ou sua idade.

Além de possuírem essa faceta artística e lúdica, algumas são encaradas como um modo de estar em contato com os antepassados e o mundo espiritual.

1. Guedra

Guedra

Trata-se de uma dança ritual típica de determinadas comunidades berberes que vivem na região do deserto do Saara e são chamadas de "Povo Azul" pela cor das suas roupas.

Seu intuito é afastar doenças e influências negativas: enquanto os homens tocam tambores, apenas as mulheres dançam, usando a força feminina para combater os possíveis males.

Ajoelhadas no chão, elas executam vários movimentos simbólicos com os braços e as mãos que pretendem abençoar aquele solo e seus habitantes.

2. Ahouach

Ahouach

A dança tradicional coletiva, presente no centro e no sul de Marrocos, é associada a festas e celebrações. Envolvendo um grande número de participantes, o Ahouach simboliza o espírito de união e comunidade.

Os dançarinos estão divididos em dois grupos, formados em semicírculos ou fileiras, com homens de um lado e mulheres do outro.

Através de uma coreografia repetitiva e sincronizada, eles sacodem seus corpos que podem estar adornados com joias e diversos enfeites.

3. Gnawa

Gnowa

As danças conhecidas como Guinaua ou Gnawa, populares em Marrocos e na Argélia, integram rituais de cura que também envolvem música e poesia.

Nelas, os movimentos são encarados como uma porta de entrada para o mundo dos espíritos e os participantes usam roupas brancas com ornamentos coloridos.

Enquanto os músicos estão organizados em linha ou em círculo, os dançarinos executam várias acrobacias na sua frente.

4. Rebita

Rebita

Referida pelas gerações jovens como a "dança dos cotas" (pais ou pessoas mais velhas), a Rebita é uma dança de salão angolana.

Aqui, os participantes dançam em pares e seguem vários passos coreografados que são comandados por uma figura chamada "chefe da roda". Os gestos que executam criam um clima de elegância e cumplicidade entre os pares.

5. Kuduro

Nascido em Angola, durante a década de 80, o Kuduro começou sendo um tipo de dança e depois se tornou um estilo musical que conquistou admiradores do mundo todo.

A dança foi criada nas ruas de Luanda por uma juventude periférica que a encarava como um veículo para expressar sua criatividade.

Com movimentos rápidos, principalmente nos quadris e membros inferiores, o Kuduro é bastante comum em bailes e festas, podendo ser dançado de forma coletiva ou individual.

6. Kazukuta

Kazukuta

A dança típica de Angola é uma forma de sapateado lento na qual os bailarinos vão se apoiando nos calcanhares e nas pontas dos pés, fazendo também movimentos com o resto do corpo.

Executada de modo coletivo, a Kazukuta é muito popular durante o Carnaval e pretende afastar os inimigos e opressores. Os participantes vestem roupas de tons e padrões chamativos, carregando uma bengala ou guarda-chuva, acessório que é usado na hora de dançar.

7. Funaná

O Funaná, um estilo que nasceu em Cabo Verde, é dançado em pares. Unidos, os participantes se apertam com um dos braços enquanto dão as mãos com o outro.

Seus passos mais importantes consistem em mexer o quadril e flexionar os joelhos seguindo o ritmo da música que, tradicionalmente, é tocada num tipo de acordeão conhecido como "gaita".

8. Kizomba

Cada vez mais famosa em várias partes do mundo, a Kizomba é um gênero de música e dança que surgiu em Angola, resultado dos vários ritmos que se misturavam nas grandes festas que eram chamadas de "kizombadas".

A dança lenta e sensual, nascida na década de 80, desperta a cumplicidade entre os pares e se tornou a favorita de muitos casais apaixonados.

9. Semba

A chamada "dança da família" tem uma tradição muito forte em Angola e se popularizou na década de 50. Em kimbundo a palavra significa "umbigada", ou seja, uma dança na qual os umbigos dos pares ficam colados.

Além desse passo fundamental se destacam as caminhadas e variações de ritmo que abrem espaço para a criatividade e o improviso. Por isso, o semba é encarado como um dos estilos africanos mais fáceis para os iniciantes aprenderem.

10. Capoeira

Capoeira

As expressões culturais africanas tiveram um grande impacto na formação do nosso país e deixaram muitos frutos no panorama nacional; entre eles se encontram as danças afro-brasileiras.

A capoeira, que combina elementos de dança, esporte, música e artes-marciais, nasceu no Brasil durante o século XVII. Seus criadores eram indivíduos da etnia Banto que foram escravizados e a utilizavam como método de defesa.

Atualmente, a capoeira assume estilos diferentes e é praticada em vários pontos do país e do mundo. Em 2014, ela foi declarada Patrimônio Imaterial da Humanidade pela Unesco.

11. Maracatu

Maracatu

O maracatu é uma tradição criada em Pernambuco, durante o período colonial, que faz parte do folclore brasileiro. Ele pode assumir várias formas e combina dança, música e religiões de matriz africana com elementos das culturas indígena e portuguesa.

Os cortejos fazem referência às cortes africanas e apresentam vários personagens como o rei, a rainha e a baianas.

Popular em regiões como Recife e Nazaré da Mata, o maracatu é o ritmo afro-brasileiro mais antigo e pode prestar homenagem a alguns orixás do Candomblé.

12. Samba de roda

Relacionado com a capoeira, o samba de roda nasceu no Recôncavo Baiano, durante o século XVII, e é considerado o precursor do samba como conhecemos hoje.

Normalmente associado às celebrações e ao culto dos orixás, o estilo foi influenciado pelo semba africano e é considerado Patrimônio Imaterial da Humanidade. A dança coletiva costuma ser acompanhada por palmas e poesias declamadas; nela, as mulheres assumem um maior destaque.

13. Congada

Parte do folclore afro-brasileiro, a Congada é uma manifestação de caráter cultural e religioso que envolve música, teatro, dança e espiritualidade.

Sua origem está relacionada com uma antiga tradição africana na qual se comemorava a coroação do Rei do Congo e da Rainha Jinga de Angola. Através do sincretismo religioso, a celebração passou a ser dedicada a São Benedito, Santa Efigênia e Nossa Senhora do Rosário.

Durante a dança os participantes se organizam em fileiras, frente a frente, e realizam coreografias que simulam um combate ao ritmo da música.

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Carolina Marcello
Carolina Marcello
Mestre em Estudos Literários, Culturais e Interartes e licenciada em Estudos Portugueses e Lusófonos pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto.