Edgar Allan Poe: biografia e obra completa


Rebeca Fuks
Rebeca Fuks
Doutora em Estudos da Cultura

Edgar Allan Poe foi um dos maiores autores da literatura norte-americana e uma das grandes figuras da literatura policial/de suspense.

Reconhecido especialmente pelo seu poema The Raven (O Corvo), Allan Poe deixou um belo legado repleto especialmente de contos e poemas.

Conheça a biografia e as principais obras do autor.

Quem foi Edgar Allan Poe?

Escritor, poeta, crítico e editor: Edgar Allan Poe ocupou todos esses papéis durante a sua breve vida. Precursor da literatura policial moderna, sua produção literária faz parte do cânone ocidental.

Edgar Allan Poe

Nascimento

Nascido no dia 19 de janeiro de 1809 em Boston, Massachusetts, Edgar era filho de uma atriz inglesa (Elizabeth Arnold Poe) com um ator de Baltimore (David Poe Jr.). Ambos pertenciam à uma companhia de teatro itinerante. Edgar tinha dois irmãos: Rosalie e William.

Seus primeiros anos de vida foram trágicos: o pai faleceu - ou abandonou a família (não se sabe ao certo) - quando o rapaz ainda era pequeno e Edgar perdeu a mãe em 1811, vítima de tuberculose, quando tinha apenas três anos.

O menino foi então levado para a casa de John Allan, um bem sucedido empresário/agricultor escocês que se dedicava ao comércio de tabaco, e sua esposa Frances. Foi dos pais adotivos que Edgar recebeu o sobrenome Allan.

Principais acontecimentos

Incentivado pela sua família adotiva, Edgar foi levado para a Escócia e para a Inglaterra onde foi criado entre 1815 e 1820. O escritor foi muito influenciado por John a deixar de lado a sua vocação literária para se dedicar aos negócios.

Em 1826 frequentou a Universidade da Virginia e permaneceu lá durante um ano para agradar o pai adotivo. No campus se envolveu em uma série de conflitos, começou a desenvolver problemas com drogas, álcool e apostas. Se endividou e John recusou-se a pagar as dívidas.

No ano a seguir o rapaz foi expulso de casa. No mesmo ano entrou para o exército americano.

Ao longo de toda a vida teve problemas com o alcoolismo e com o jogo. Sofreu também com uma série de crises de depressão e tentou se suicidar algumas vezes.

Carreira literária

Em 1827, em Boston, Edgar Allan Poe começou a publicar poemas e lançou o seu primeiro livro com recursos próprios (Tamerlane and Other Poems).

O segundo livro (Al Aaraaf, Tamerlane, and Minor Poems), uma publicação de poemas, foi lançado em 1829.

Depois de editar o seu terceiro livro resolveu se dedicar à vida de escritor em tempo integral. Passou a vida vítima de uma saúde frágil e lutando com problemas financeiros.

Poe recebia algum dinheiro publicando poemas e textos periódicos em jornais e revistas e trabalhou também como crítico, redator e editor de jornal.

Edgar Allan Poe

Vida pessoal

Edgar ficou noivo da então vizinha Sarah Elmira Royster, mas o relacionamento acabou e Sarah rapidamente ficou noiva de outra pessoa, o que fez com que Edgar voltasse para Boston.

Entre 1831 e 1835 o escritor viveu com a avó paterna (Elizabeth Poe), a tia Maria Clemm e a prima, Virginia. O autor se apaixonou pela jovem prima e os dois se casaram em 1836, quando Virginia tinha apenas 13 anos de idade.

Quando alcançou os 24 anos, a mulher de Poe faleceu durante o inverno vítima de tuberculose. Convém lembrar que a mesma doença também havia tirado a vida da mãe e do irmão do escritor.

Depois da morte de Virginia, Edgar pediu Sarah Whitman em casamento, depois se encantou por Annie Richmond e posteriormente por Sarah Shelton.

Morte

O escritor faleceu no dia 7 de outubro de 1849 em Baltimore, Maryland. Sua morte está envolta em mistério até os dias de hoje.

No dia 3 de outubro Edgar foi encontrado muito doente e embriagado em Baltimore. Ele chegou a ser internado no Washington College Hospital e em quatro dias faleceu.

Ninguém sabe ao certo a causa da sua morte: há rumores de que foi vítima de epilepsia, intoxicação por monóxido de carbono e problemas com o uso abusivo de álcool.

Obras publicadas

Contos

  • Tales of the Folio Club (1832-1836)
  • The Narrative of Arthur Gordon Pym (1838)
  • Wm. Duane copy of Southern Literary Messenger (1839)
  • Tales of the Grotesque and Arabesque (1840)
  • Phantasy Pieces (1842)
  • The Prose Romances of Edgar A. Poe (1843)
  • Tales by Edgar A. Poe (1845)
  • J. Lorimer Graham copy of Tales
  • S. H. Whitman copy of the Broadway Journal (1850)
  • The Works of the Late Edgar Allan Poe (1850)

Poemas

  • Tamerlane and Other Poems (1827)
  • “Wilmer” manuscript collection (1828)
  • Al Aaraaf, Tamerlane and Minor Poems (1829)
  • Poems, by Edgar A. Poe (1831)
  • The Poets and Poetry of America (1842)
  • Philadelphia Saturday Museum (1843)
  • Herring copy of Al Aaraaf, Tamerlane and Minor Poems (1845)
  • The Raven and Other Poems (1845)
  • J. Lorimer Graham copy of The Raven and Other Poems (1845)
  • Richmond Examiner proof sheets collection (1849)
  • The Works of the Late Edgar Allan Poe (1850)

Análise

Tanto os poemas quanto os contos de Edgar Allan Poe costumam vir envoltos em uma atmosfera de mistério, horror e morte, muitas vezes invocando um tom melancólico e soturno.

Poe foi um precursor no estilo detetivesco e conseguiu imprimir nos seus trabalhos um ar gótico até então pouco explorado.

Interessado em trabalhar o processo de degradação do ser humano, Allan Poe narrou em seus textos a deterioração física e da mente.

O corvo (1845)

O poema The raven (O corvo), que se tornou um clássico da literatura norte-americana, deu visibilidade e reconhecimento a Poe ao ser publicado na American Review no dia 29 de janeiro de 1845.

Ao longo dos cento e oito versos encontramos um eu-lírico solitário e devastado após a morte da sua amada Lenora.

Depois desse trágico evento, um corvo - numa noite de inverno, em dezembro - entra pela sua janela e pousa na estátua do busto de Pallas Atenas (a deusa da sabedoria). A partir desse momento o eu-lírico passa a dialogar com o corvo.

Disse o Corvo, “nunca mais”.
“Profeta”, disse eu, “profeta – ou demônio ou ave preta! –
Fosse diabo ou tempestade quem te trouxe a meus umbrais,
A este luto e este degredo, e esta noite e este segredo
A esta casa de ânsia e medo, dize a esta alma a quem atrais

O poema mais consagrado de Poe - e possivelmente dos mais célebres da literatura norte-americana - faz uso de rimas e traz uma estética quase hipnótica que envolve o leitor numa musicalidade lírica.

Os versos fizeram tanto sucesso que foram logo traduzidos e cruzaram as fronteiras dos Estados Unidos. The raven chegou a ser traduzido inclusive por Charles Baudelaire (em 1853), Fernando Pessoa (em 1883) e Machado de Assis (em 1924).

Descubra mais sobre o Poema O corvo, de Edgar Allan Poe.

Frases

É de se apostar que toda ideia pública, toda convenção aceita seja uma tolice, pois se tornou conveniente à maioria.

Toda religião simplesmente desenvolveu-se com base no medo, ganância, imaginação e poesia.

A vida real do ser humano consiste em ser feliz, principalmente por estar sempre na esperança de sê-lo muito em breve.

Curiosidade

A casa onde o escritor viveu em Baltimore entre 1831 e 1835 com a avó paterna, a tia Maria Clemm e a prima (e sua futura esposa) Virginia foi transformada em museu. O espaço se chama Edgar Allan Poe House and Museum e encontra-se aberto para visitação.

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Rebeca Fuks
Rebeca Fuks
Formada em Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (2010), mestre em Literatura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2013) e doutora em Estudos de Cultura pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e pela Universidade Católica Portuguesa de Lisboa (2018).