Os 18 poemas mais românticos da literatura


Carolina Marcello
Carolina Marcello
Mestre em Estudos Literários, Culturais e Interartes

O amor é um dos temas fundamentais da poesia e tem inspirado versos magníficos pelos quatro cantos do mundo, ao longo de séculos. Conheça, abaixo, a nossa seleção de poemas românticos que conquistaram os corações dos leitores e merecem ser compartilhados:

1. Carrego seu Coração Comigo, E. E. Cummings

Carrego seu coração comigo
Eu o carrego no meu coração
Nunca estou sem ele
Onde quer que vá, você vai comigo
E o que quer eu que faça sozinho
Eu faço por você
Não temo meu destino
Você é meu destino, minha doçura
Eu não quero o mundo por mais belo que seja
Porque você é meu mundo, minha verdade.

Eis o grande segredo que ninguém sabe.
Aqui está a raiz da raiz
O broto do broto e o céu do céu
De uma árvore chamada vida
Que cresce mais que a alma pode esperar
ou a mente pode esconder
E esse é o prodígio que mantém
as estrelas à distância.

Eu carrego seu coração comigo
Eu o carrego no meu coração.

Edward Estlin Cummings (1894 — 1962) foi um notório poeta e dramaturgo da vanguarda norte-americana, apontado como um dos autores mais influentes do século XX. Publicado em 1952, este acabou se tornando um dos poemas de amor mais famosos de todos os tempos, bastante reproduzido na cultura popular.

Trata-se de uma declaração de amor intemporal, na qual o eu-lírico expressa de maneira magistral aquilo que todos os apaixonados já sentiram. Quando amamos alguém, essa pessoa parece estar presente em todos os momentos, a cada pequeno gesto que fazemos.

Confira a versão original, em inglês, declamada pelo próprio poeta:

2. Soneto do Amor Total, Vinicius de Moraes

Amo-te tanto, meu amor… não cante
O humano coração com mais verdade…
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade

Amo-te afim, de um calmo amor prestante,
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente,
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim muito e amiúde,
É que um dia em ter corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.

Vinicius de Moraes (1913 — 1980) foi um escritor e músico da Bossa Nova que ficou conhecido carinhosamente como o "Poetinha". Lembrado pelas suas composições focadas nos sentimentos, o autor escreveu alguns dos poemas de amor mais belos da nossa literatura.

Entre eles se destaca o soneto apresentado acima, que foi publicado em 1951. Nele, encontramos um sujeito completamente apaixonado, que se entrega de forma absoluta. Nas estrofes, ele procura fazer o impossível: explicar as várias dimensões do seu amor.

Escute o poema na voz de Vinicius:

Confira também a nossa análise completa de Soneto do Amor Total.

3. Fanatismo, Florbela Espanca

Minh'alma, de sonhar-te, anda perdida.
Meus olhos andam cegos de te ver.
Não és sequer razão do meu viver
Pois que tu és já toda a minha vida!

Não vejo nada assim enlouquecida...
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No mist'rioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!...

"Tudo no mundo é frágil, tudo passa..."
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!

E, olhos postos em ti, digo de rastros:
"Ah! podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: princípio e fim!..."

Florbela Espanca (1894 — 1930) foi uma poeta e jornalista portuguesa que se tornou uma das autoras mais marcantes do seu país. Sua poesia é conhecida pelos versos amorosos, de tom intimista e que expressam o desejo feminino.

Publicado na obra Soror Saudade (1923), o poema mostra a devoção de um eu-lírico rendido ao amor, que dedicou sua vida a ele. Tudo o que importa, então, é a pessoa amada, que começa a ser encarada como uma espécie de deus.

Conheça o poema musicado por Fagner:

4. Soneto XI, Pablo Neruda

Tenho fome de tua boca, de tua voz, de teu pelo,
e pelas ruas vou sem nutrir-me, calado,
não me sustenta o pão, a aurora me desequilibra,
busco o som líquido de teus pés no dia.

Estou faminto de teu riso resvalado,
de tuas mãos cor de furioso celeiro,
tenho fome da pálida pedra de tuas unhas,
quero comer tua pele como uma intacta amêndoa.

Quero comer o raio queimado de tua beleza,
o nariz soberano do arrogante rosto,
quero comer a sombra fugaz de tuas pestanas

e faminto venho e vou olfateando o crepúsculo
buscando-te, buscando teu coração ardente
como um puma na solidão de Quitratúe.

Pablo Neruda (1904 — 1973), o poeta chileno que venceu o Nobel da Literatura em 1971, ficou eternizado pela paixão que colocou nos seus versos.

O poema que foi publicado em Cien sonetos de amor (1959) descreve a saudade e a angústia de alguém que perdeu a pessoa que ama.

Como se o resto do mundo não tivesse mais importância, o sujeito relembra cada detalhe e continua procurando por ela, consumido pela melancolia e pelo desejo.

Conheça a versão original do poema, em espanhol:

Confira também os poemas de amor encantadores de Pablo Neruda.

5. De Longe te Hei-de Amar, Cecília Meireles

De longe te hei-de amar
– da tranquila distância
em que o amor é saudade
e o desejo, constância.

Do divino lugar
onde o bem da existência
é ser eternidade
e parecer ausência.

Quem precisa explicar
o momento e a fragrância
da Rosa, que persuade
sem nenhuma arrogância?

E, no fundo do mar,
a Estrela, sem violência,
cumpre a sua verdade,
alheia à transparência.

Cecília Meireles (1901 – 1964), escritora, artista e educadora brasileira, se destacou principalmente no campo da poesia. Na composição publicada em Canções (1956), o amor surge como algo singelo e, simultaneamente, maior que o tempo e a distância.

Nos versos, o sentimento é descrito como algo tão natural e puro quanto uma rosa que apenas existe e encanta como seu perfume, sem precisar ser arrogante. Da mesma forma, este eu-lírico ama descomplicadamente, como uma estrela-do-mar vive entre as ondas, porque esse é o seu lugar.

6. Ora direis ouvir estrelas, Olavo Bilac

“Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto…

E conversamos toda a noite, enquanto
A Via Láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: “Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?”

E eu vos direi: “Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas.”

Olavo Bilac (1865 — 1918) foi um poeta e jornalista brasileiro que integrou o Parnasianismo e escreveu algumas das palavras mais românticas da nossa literatura.

No poema conhecido popularmente como "Via Láctea", o sujeito admite que conversa com as estrelas, mesmo que as outras pessoas não acreditem.

Contrariando as opiniões alheias, o eu-lírico explica o segredo que está na origem esse prodígio: ele está amando alguém. Esse sentimento torna tudo mágico e, apenas por existir, enche a sua vida de novas possibilidades.

Escute o poema declamado:

Confira também a análise do poema Ora direis ouvir estrelas (Via Láctea) de Olavo Bilac.

7. Poema, Mário Cesariny

Tu estás em mim como eu estive no berço
como a árvore sob a sua crosta
como o navio no fundo do mar

Mário Cesariny (1923 — 2006) foi um célebre poeta e pintor português, considerado um dos maiores nomes do Surrealismo no seu país. Traduzindo emoções universais de um modo sempre original e criativo, em Pena Capital (1957) surge um dos seus mais lindos poemas de amor.

Com apenas três versos, o autor consegue descrever os sentimentos de conforto e pertença que surgem entre dois apaixonados. De repente, é como se começassem a fazer parte um do outro, suas histórias ficam entrelaçadas, como se partilhassem o passado e o futuro.

8. Para Atravessar Contigo o Deserto do Mundo, Sophia de Mello Breyner

Para atravessar contigo o deserto do mundo
Para enfrentarmos juntos o terror da morte
Para ver a verdade para perder o medo
Ao lado dos teus passos caminhei

Por ti deixei meu reino meu segredo
Minha rápida noite meu silêncio
Minha pérola redonda e seu oriente
Meu espelho minha vida minha imagem
E abandonei os jardins do paraíso

Cá fora à luz sem véu do dia duro
Sem os espelhos vi que estava nua
E ao descampado se chamava tempo

Por isso com teus gestos me vestiste
E aprendi a viver em pleno vento

Sophia de Mello Breyner Andresen (1919 — 2004), a primeira mulher a vencer o Prêmio Camões, foi uma importante escritora portuguesa, lembrada principalmente pelas obras de poesia e contos.

A composição deslumbrante foi publicada em Livro Sexto (1962) e apresenta o relacionamento amoroso como uma grande e difícil aventura.

Face à dureza da realidade e seus inúmeros problemas, este sujeito se vê forçado a abandonar as ilusões do passado e batalhar para ficar com a pessoa amada.

9. Vigilantes Noturnos, Mario Quintana

Os que fazem amor não estão fazendo apenas amor, estão dando corda ao relógio do mundo.

Conhecido como o "poeta das coisas simples", Mario Quintana (1906 — 1994) foi um escritor brasileiro capaz de transmitir grandes mensagens através de pouquíssimas palavras.

Um exemplo disso é Preguiça como Método de Trabalho (1987), obra onde o autor reuniu inúmeras composições breves e repletas de sabedoria.

Em "Vigilantes Noturnos", os apaixonados são vistos como o motor do mundo. Através de uma perspectiva romântica, o sentimento é colocado no centro da ação, como o sustento da humanidade, aquilo que lhe confere forças.

10. Os Amantes Sem Dinheiro, Eugénio de Andrade

Tinham o rosto aberto a quem passava.
Tinham lendas e mitos
e frio no coração.
Tinham jardins onde a lua passeava
de mãos dadas com a água
e um anjo de pedra por irmão.

Tinham como toda a gente
o milagre de cada dia
escorrendo pelos telhados;
e olhos de oiro
onde ardiam
os sonhos mais tresmalhados.

Tinham fome e sede como os bichos,
e silêncio
à roda dos seus passos.
Mas a cada gesto que faziam
um pássaro nascia dos seus dedos
e deslumbrado penetrava nos espaços.

Eugénio de Andrade (1923 — 2005) foi um poeta e tradutor português cujos versos são recordados pela sensibilidade e pelas referências à natureza e à cultura popular. Na composição apresentada acima, publicada na obra de 1950 com o mesmo nome, descobrimos o cotidiano de um casal sem condições financeiras.

Embora pareçam estar ao relento e passar grandes dificuldades, como frio e fome, eles permanecem unidos e esperançosos. Assim, através de uma visão idealizada, o poder do amor é apresentado como algo capaz de superar qualquer sofrimento.

11. Canção do Amor Sereno, Lya Luft

Vem sem receio: eu te recebo
Como um dom dos deuses do deserto
Que decretaram minha trégua, e permitiram
Que o mel de teus olhos me invadisse.

Quero que o meu amor te faça livre,
Que meus dedos não te prendam
Mas contornem teu raro perfil
Como lábios tocam um anel sagrado.

Quero que o meu amor te seja enfeite
E conforto, porto de partida para a fundação
Do teu reino, em que a sombra
Seja abrigo e ilha.

Quero que o meu amor te seja leve
Como se dançasse numa praia uma menina.

Lya Luft (1938) é uma escritora, acadêmica e tradutora brasileira que publicou "Canção do Amor Sereno" na obra Secreta Mirada (1997).

Nos versos, o eu-lírico se dirige ao ser amado, como se o convidasse para ficar mais perto e afastar seus temores. Em meio às juras de amor, declara que as intenções são as melhores: quer acarinhar o outro, trazer leveza e liberdade para a sua vida.

12. Amor e seu Tempo, Carlos Drummond de Andrade

Amor é privilégio de maduros
Estendidos na mais estreita cama,
Que se torna a mais larga e mais relvosa,
Roçando, em cada poro, o céu do corpo.

É isto, amor: o ganho não previsto,
O prêmio subterrâneo e coruscante,
Leitura de relâmpago cifrado,
Que, decifrado, nada mais existe

Valendo a pena e o preço do terrestre,
Salvo o minuto de ouro no relógio
Minúsculo, vibrando no crepúsculo.

Amor é o que se aprende no limite,
Depois de se arquivar toda a ciência
Herdada, ouvida. Amor começa tarde.

Carlos Drummond de Andrade (1902 — 1987), um dos maiores poetas brasileiros de todos os tempos, compôs versos muito famosos sobre as relações entre os seres humanos e suas emoções.

No poema publicado em As Impurezas do Branco (1973), o sujeito apresenta a sua visão sobre o que é, realmente, o amor. Ao contrário da paixão intensa que se manifesta durante a juventude, o verdadeiro sentimento amoroso só surgiria mais tarde, quando já temos experiência e sabedoria para vivê-lo.

Confira também os poemas de amor de Carlos Drummond de Andrade.

13. Um Adeus Português, Alexandre O'Neill

Nesta curva tão terna e lancinante
que vai ser que já é o teu desaparecimento
digo-te adeus
e como um adolescente
tropeço de ternura
por ti.

Alexandre O'Neill (1924 — 1986) foi um poeta e publicitário português que fez parte do movimento surrealista. Os versos do autor faziam várias referências ao contexto sociopolítico da ditadura.

Publicado em 1958, "Adeus Português" é um dos seus poemas mais conhecidos, do qual selecionamos apenas o trecho final. A composição foi inspirada num episódio da sua biografia, quando conheceu a escritora francesa Nora Mitrani.

Os dois viveram uma história de amor fugaz, mas o governo autoritário não permitiu que ele abandonasse o país com a companheira. Os versos representam uma despedida doce e apaixonada entre duas pessoas que não querem se separar.

14. não quero ter você, Rupi Kaur

não quero ter você
para preencher minhas partes
vazias
quero ser plena sozinha
quero ser tão completa
que poderia iluminar a cidade
e só aí
quero ter você
porque nós dois juntos
botamos fogo em tudo

Rupi Kaur (1992) é uma poeta e artista contemporânea feminista, nascida em Panjabe, Índia. No seu primeiro livro, Leite e Mel (2014), a autora publicou vários poemas breves sobre relacionamentos amorosos, refletindo sobre os modos de vivê-los e superá-los.

Na composição, o eu-lírico se dirige ao ser amado, deixando claro que não procura laços de dependência, não espera que ele seja "sua metade". Pelo contrário, está em busca de um encontro de almas que vivem em plenitude e se potenciam entre si.

15. O Amor é uma Companhia, Alberto Caeiro (Fernando Pessoa)

O amor é uma companhia.
Já não sei andar só pelos caminhos,
Porque já não posso andar só.
Um pensamento visível faz-me andar mais depressa
E ver menos, e ao mesmo tempo gostar bem de ir vendo tudo.
Mesmo a ausência dela é uma coisa que está comigo.
E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar.

Se a não vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas.
Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na ausência dela.
Todo eu sou qualquer força que me abandona.
Toda a realidade olha para mim como um girassol com a cara dela no meio.

Alberto Caeiro foi um dos principais heterônimos de Fernando Pessoa (1888 — 1935), o gênio literário que é apontado como o maior autor português de sempre. Considerado o mestre dos outros heterônimos, Caeiro habitualmente focava seus versos nas maravilhas da natureza,

O trecho apresentado acima é uma passagem da célebre obra O Pastor Amoroso. Aqui,o sujeito é um homem que caminha em um cenário bucólico, mas percebe que tudo está diferente. Agora que se apaixonou, a amada parece estar presente em todos os lugares.

Confira também os poemas de amor de Fernando Pessoa.

16. Variação sobre a Palavra Dormir, Margaret Atwood

Gostaria de observar-te enquanto dormes,
algo que talvez não ocorra.
Gostaria de observar-te,
enquanto dormes. Gostaria
de dormir contigo, de penetrar
em teu sono enquanto a sua onda suave e escura
desliza sobre minha cabeça

e caminhar contigo através dessa luzente
e ondulante floresta de folhas verde-azuladas
com o seu sol desbotado e três luas
rumo à gruta a que deves descer,
até o pior de teus medos

Gostaria de dar-te o ramo de prata,
a pequena flor branca, a única
palavra que irá proteger-te
da aflição no cerne
do teu sonho, da aflição
no cerne. Gostaria de seguir-te
outra vez pela longa
escadaria e converter-me
no barco que te traria de volta
com cuidado, uma chama
em duas mãos arqueadas
até onde repousa o teu corpo
ao meu lado, no qual adentras
tão facilmente quanto um respiro

Gostaria de ser o ar
que te habita por um momento
apenas. Gostaria de ser tão despercebida
e tão necessária.

Margaret Atwood (1939) é uma escritora nascida no Canadá, famosa internacionalmente pelos seus romances. Contudo, a autora também escreve poemas, entre os quais se destaca "Variação sobre a Palavra Dormir", de 1980.

Mesmo sem nunca mencionar a palavra "amor", os versos manifestam alguém que nutre uma paixão platônica e sonha acordado com a presença da outra pessoa. O desejo de proximidade é tanto que o eu-lírico chega a querer invadir os sonhos da pessoa amada, ser o ar nos seus pulmões.

Conheça a versão original do poema, em inglês:

17. Oceano Secreto, Lêdo Ivo

Quando te amo
obedeço às estrelas.
Um número preside
nosso encontro na treva.

Vamos e voltamos
como os dias e as noites
as estações e as marés
a água e a terra.

Amor, respiração
do nosso oceano secreto.

Lêdo Ivo (1924 — 2012) foi um escritor e jornalista brasileiro, autor de obras de poesia, contos, crônicas e romances. Publicado em Crepúsculo Civil (1990), este é um dos inúmeros poemas de amor que integram a sua lírica.

Nos versos, o sujeito declara que aquilo que sente é o seu destino, foi ditado pelas estrelas. Assim, os movimentos dos amantes são comparados a algo tão eterno e natural quanto as marés ou as estações do ano.

18. Amor como em Casa, Manuel António Pina

Regresso devagar ao teu
sorriso como quem volta a casa. Faço de conta que
não é nada comigo. Distraído percorro
o caminho familiar da saudade,
pequeninas coisas me prendem,
uma tarde num café, um livro. Devagar
te amo e às vezes depressa,
meu amor, e às vezes faço coisas que não devo,
regresso devagar a tua casa,
compro um livro, entro no
amor como em casa.

Manuel António Pina (1943 — 2012) foi um jornalista e poeta português que venceu o Prêmio Camões em 2011. Publicados em 1974, os versos narram um amor tranquilo, cheio de harmonia e conforto.

Neles, através de pequenos detalhes do cotidiano, o relacionamento é comparado ao lar do sujeito, o lugar onde ele encontra paz.

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Carolina Marcello
Carolina Marcello
Mestre em Estudos Literários, Culturais e Interartes e licenciada em Estudos Portugueses e Lusófonos pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto.