O mágico de Oz


Laura Aidar
Laura Aidar
Arte-educadora e pesquisadora

O mágico de Oz é um filme no estilo musical feito pela produtora MGM em 1939. O longa-metragem tem inspiração na obra literária infanto-juvenil de L. Frank Baum, lançada no ano de 1900.

A narrativa nos conta as aventuras da garota Dorothy, que tem sua casa levada por um tornado até um lugar fantasioso chamado Oz.

Lá ela vive muitas peripécias tentando encontrar o mágico de Oz que a ajudará a retornar para casa. A menina encontra ainda um espantalho sem cérebro, um homem de lata sem coração e um leão sem coragem, que também buscam ajuda com o poderoso mago.

Essa obra do cinema é considerada um clássico ao ousar na produção e utilizar Technicolor, uma técnica de coloração de imagens inovadora na época.

O filme carrega ainda muita especulação acerca dos bastidores, elenco e produção, assim como algumas "lendas urbanas". Por isso se tornou referência no imaginário da cultura ocidental.

Resumo de O mágico de Oz

A personagem principal é Dorothy, uma menina de 11 anos que vive com seus tios em uma fazenda no estado norte-americano do Kansas.

Depois de uma discussão com seus familiares e com uma vizinha, a garota resolve fugir com seu cachorro Totó. Ela encontra então um vidente que lhe diz que sua tia não está bem.

o magico de oz
Judy Garland interpretando Dorothy em O mágico de Oz. As primeiras cenas apresentam a cor sépia

Assim, a menina retorna ao lar, mas um intenso ciclone se inicia e o vento é tão forte que faz sua casa levantar-se do chão e ser trasportada para Oz, um mundo fantástico e cheio de criaturas fascinantes

Nesse momento, vale apontar que o filme passa a ser colorido. Em todas as cenas feitas na fazenda a cor é em tons amarronzados, em sépia. Depois da chegada de Dorothy à Oz tudo ganha um colorido intenso, um trabalho feito após a gravação.

Quando a casa finalmente aterriza, a garota fica sabendo que ela havia caído em cima da Bruxa Má do Leste, matando-a. Quem dá essa informação é a Bruxa Boa do Oeste, que também lhe presenteia com os sapatos de rubi da feiticeira que morreu.

Então a população do local, constituída por anõezinhos, fica muito agradecida à Dorothy.

Anões em Mágico de Oz
A garota Dorothy e os anões em cena do filme

Eis que surge a Bruxa Má do Oeste exigindo saber quem matou sua irmã. Assim que conhece Dorothy, a bruxa lhe intimida e tenta pegar os sapatos de rubi, mas a garota permanece firme dentro deles.

A Bruxa Boa do Oeste aconselha a menina a procurar pelo Mágico de Oz, o único que poderá lhe ajudar a encontrar o caminho de volta. Para isso, ela deve seguir a estrada de tijolos amarelos.

Assim é feito e no meio do caminho logo surge um espantalho falante. Ele está muito triste e reclama por não possuir um cérebro. Dorothy então o convida a seguir jornada junto com ela na tentativa de conseguir ajuda do mágico. O espantalho aceita o convite.

Em seguida eles se deparam com um homem feito de lata que lamenta-se por não ter um coração. O homem junta-se a eles na procura pelo mago.

Por último aparece o leão, um animal que teoricamente é feroz, mas na história era bastante medroso e precisava de coragem. Ele também segue com os outros três.

O mágico de Oz
Dorothy e os amigos saem à procura do mágico de Oz pela estrada dos tijolos amarelos

Juntos, os quatro companheiros vivem aventuras e chegam até a Cidade das Esmeraldas, onde vive o mágico. Eles pedem para vê-lo mas são impedidos pelo guarda. Entretanto, depois que a menina mostra os sapatos de rubi todos conseguem entrar.

Lá, é dito que precisam trazer a vassoura da Bruxa Má do Oeste para que seus pedidos sejam atendidos.

Então, os amigos partem em direção à casa da bruxa. Quando a encontram, ela ameaça fazer mal ao cachorro da garota e coloca fogo no braço do espantalho. Dorothy, num ímpeto para salvar a vida do amigo, pega um balde d'água e joga nele, acertando também a feiticeira.

Acontece que bruxa não podia com água, assim, ela começa a derreter até sumir. Os guardas do local agradecem e dão a vassoura da malvada para a garotinha.

O mágico de Oz
Dorothy e a Bruxa Má do Oeste

Com a vassoura em mãos, os amigos partem novamente em direção à Cidade das Esmeraldas.

Chegando lá, o mágico oferece um pergaminho para o espantalho conferindo um cérebro para ele. Para o leão é dada uma medalha atestando que o animal possui coragem.

Ao homem de lata o mágico dá um relógio em formato de coração e diz: "Lembre-se, um coração não se juga por quanto você ama, mas sim por quanto você é amado pelos outros."

A menina ainda não consegue retornar ao lar, pois é descoberto que, na realidade, o mágico não possuía grandes poderes. Ela encontra-se novamente com a Bruxa Boa do Oeste, que diz que Dorothy sempre teve o poder de voltar para casa, mas que precisava passar por todos esses apuros para saber que tinha essa capacidade.

Então, depois de refletir sobre tudo o que viveu, a garota bate os tornozelos três vezes com os sapatinhos vermelhos e diz a frase: "Não há lugar melhor do que a nossa casa".

o mágico de oz sapatinhos de rubi
Dorothy com os sapatinhos vermelhos de rubi

Dorothy acorda em sua cama, na fazenda no Kansas, e tem ao seu redor os familiares e amigos. A garota conta tudo o que viveu, ainda muito impactada, e agradece por estar finalmente em casa.

Considerações e reflexões sobre o filme

A trama traça um paralelo entre o mundo da fantasia e a realidade, à medida em que os personagens que convivem com a menina no Kansas tem seus correspondentes no mundo de Oz, sendo interpretados pelo mesmo atores, inclusive. Os vizinhos são o espantalho, o leão e o homem de lata, ao passo que a vizinha malvada é a Bruxa Má do Oeste.

A menina quando chega à Oz é aclamada como salvadora por ter matado as duas bruxas más, mas ela não realizou tais feitos de forma consciente, e sim ao acaso. De qualquer forma, foi venerada pelo povo do lugar.

É interessante observar que a busca pelo mágico era, de alguma maneira, desnecessária, tendo em vista que ele não era um mágico de verdade, e sim uma espécie de farsante.

O que ele ofereceu aos personagens foi apenas objetos e certificados atestando inteligência, coragem e sentimentos, elementos que estão, na realidade, dentro de cada um de nós.

A menina não conseguiu a ajuda do "mago" e pôde voltar para casa apenas batendo os sapatinhos 3 vezes, o que foi revelado pela Bruxa Boa do Oeste somente ao final da jornada.

Por conta disso, fica o questionamento sobre o porquê da bruxa boa ter omitido essa informação da pobre garota. Talvez ela tenha se servido de Dorothy como instrumento para aniquilar sua inimiga, a bruxa má.

Um outro elemento de destaque é a ambientação da terra encantada. A Cidade das Esmeraldas, por exemplo, foi criada tendo em vista a arte modernista que estava em vigor, com um caráter futurista e industrializado. Esse fator entra em contraste com a vida no campo que Dorothy levava.

Assim, esse clássico do cinema pode ser visto como um tipo de "conto de fadas" que traz mensagens controversas, onde o mundo fantasioso e "maravilhoso" é, na verdade, um lugar povoado por criaturas um pouco tolas e mestres enganadores.

Curiosidades sobre O mágico de Oz

Por ser uma obra audiovisual muito antiga e uma das primeiras mega produções realizadas, O mágico de Oz causa muita curiosidade sobre os bastidores e o processo de gravação. Além disso, diversas histórias foram criadas envolvendo a trama.

Informações sobre a produção e adaptação do livro

O filme foi o mais caro de sua época, custando algo em torno de 2,7 milhões de dólares, entretanto, não teve grandes lucros.

Na história original escrita no livro, a estrada amarela que Dorothy precisa percorrer era verde. A escolha pelo amarelo veio por conta das técnicas de colorização das cenas. Já o clássico sapatinho vermelho era prateado.

Outra informação relevante é sobre a direção do longa. Apesar de ser assinada por Victor Fleming (o mesmo de E o vento levou), a trama teve mais 4 diretores. Foram muitos roteiristas também, 14 ao todo.

Complicações com os figurinos e acidentes nas gravações

Buddy Ebsen foi o primeiro ator que interpretou o homem de lata, mas teve que ser afastado, pois a tinta usada na caracterização do personagem continha alumínio e o ator ficou intoxicado, precisando ser internado. Então, o papel ficou com Jack Haley, que também teve problemas com a tinta e por pouco não ficou cego.

A atriz Margaret Hamilton, que interpreta a Bruxa Má do Oeste, sofreu um acidente sério nas gravações da cena em que desaparece. Ela se queimou e precisou ser afastada também por alguns dias.

Outros atores também sofreram com os figurinos. Foi o caso de Bert Lahr, que fez o Leão Covarde. Sua roupa era extremamente quente e pesava 90 quilos, sendo feita de pele de leão de verdade.

Judy Garland como Dorothy

Mas certamente quem mais se prejudicou foi a jovem atriz Judy Garland, a Dorothy. Ela tinha 16 anos nas gravações, e como sua personagem era uma menina em torno dos 11 anos, Judy foi obrigada a usar espartilhos e tomar remédios para emagrecer para parecer mais nova.

Além disso, consta em um livro escrito por seu companheiro que a atriz sofreu diversos abusos por parte dos anões, que passavam a mão por baixo de seu vestido nos bastidores.

A carga psicológica nos sets de filmagem era intensa e a atriz se tornou viciada em remédios. Sua saúde psicológica era frágil e ela tentou suicídio várias vezes ao longo da vida. Acabou falecendo aos 47 anos vítima de overdose, em 1969.

Pink Floyd e O mágico de Oz

Sobre as lendas criadas em torno do filme, a mais conhecida é a de que a banda Pink Floyd teria criado o álbum The Dark Side of the Moon para encaixar-se perfeitamente como trilha sonora do filme. Entretanto, a banda nega.

Ficha técnica e cartaz do filme

Cartaz de O mágico de Oz
Cartaz do filme O mágico de Oz (1939)
Título original The wizard of Oz
Ano de lançamento 1939
Direção Victor Fleming e outros diretores não creditados
Roteiro baseado no livro de L. Frank Baum
Duração 101 minutos
Trilha sonora Harold Arlen
Elenco Judy Garland
Frank Morgan
Ray Bolger
Jack Haley
Bert Lahr
Prêmios Oscar de melhor trilha sonora e música original em 1940

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Laura Aidar
Laura Aidar
Arte-educadora, pesquisadora e fotógrafa. Licenciada em Educação Artística pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) em 2007 e formada em Fotografia pela Escola Panamericana de Arte e Design, localizada em São Paulo, em 2010.