13 melhores livros de ficção científica de todos os tempos


Laura Aidar
Laura Aidar
Arte-educadora e artista visual

A literatura de ficção científica tem um lugar especial nos corações de leitores ávidos por aventuras, realidades paralelas, distopias e assuntos relacionados à tecnologia.

Muitas vezes esse temas são exibidos de forma a imaginar cenários curiosos para o futuro e geralmente tecendo críticas sobre o rumo que a humanidade está tomando, pouco preocupada com a destruição da natureza, em uma busca insaciável por superação tecnológica, poder e controle sobre as pessoas.

Esse tipo de ficção apresenta clássicos importantes e tem ganhado cada vez mais espaço no universo literário. Assim, selecionamos 17 livros de sci-fi que você precisa ler, sendo os mais famosos e alguns títulos mais recentes.

1. Frankenstein, de Mary Shelley

Frankenstein ilustração antiga
Desenho de Theodore von Holst para a obra Frankenstein

O primeiro sci-fi que trazemos nessa curadoria não poderia deixar de ser o clássico da inglesa Mary Shelley, Frankenstein.

A obra, escrita quando Mary tinha apenas 19 anos, teve seu lançamento de estreia em 1818, ainda sem o crédito pela autoria, sendo uma das precursoras a apresentar ficção científica e terror. Tornou-se um ícone no gênero e influenciou outras produções literárias importantes.

Trata-se da história de Victor Frankenstein, um cientista que após anos de estudo sobre vida artificial, consegue criar uma criatura monstruosa e intimidadora de 2,4 metros, feita a partir de impulsos elétricos.

A narrativa avança e o embate entre criador e criatura se torna aterrorizante, nos trazendo ainda questões existenciais sobre nossos próprios fantasmas interiores.

2. Kindred laços de sangue, de Octavia Butler

Kindred laços de sangue - capa do livro

A "dama da ficção científica", como é chamada Octavia Butler, é a autora dessa grande obra afrofuturista norte-americana. Octavia foi uma escritora negra nascida na Califórnia em um período de intensa segregação racial. Assim, os assuntos que aborda giram em torno das relações de poder e o racismo, entre outros.

Kindred, laços de sangue é uma de suas obras mais consagradas. Lançada em 1979, conta sobre Dana, uma jovem negra que consegue atravessar a linha temporal e vai parar em uma fazenda escravagista no sul dos EUA no século XIX, antes da Guerra de Sessessão.

Lá ela vive situações muito complexas e nos coloca a questão racial e o passado de opressão e exploração do povo negro em perspectiva com a realidade atual.

Sem dúvida um livro essencial para entender o racismo estrutural que apresenta uma narrativa envolvente e emocionante.

3. Farenheit 451, de Ray Bradbury

capa da primeira edição do livro Farenheit 451
Capa da primeira edição de Farenheit 451

Esse romance de 1953 de Ray Bradbury é um daqueles clássicos que ganharam adaptações no cinema e se tornaram ainda mais conhecidos.

Apresenta uma realidade distópica onde acompanhamos Guy Montag, que trabalha como bombeiro incinerando livros, pois naquela sociedade os livros eram vistos como maléficos e perigosos.

Na verdade, o que o autor quer transmitir é a ideia absurda da censura levada ao extremo. Fato que se relaciona com os acontecimentos na época em que a obra foi escrita, onde o autoritarismo dos regimes nazista e fascista oprimia e repudiava o conhecimento.

Em 1966, a história foi levada ao cinema pelo cineasta francês Francois Truffaut.

Para saber mais sobre esse grande livro, leia Fahrenheit 451: resumo e explicação do livro.

4. Admirável mundo novo, de Aldous Huxley

Capa do livro Admirável mundo novo

Admirável mundo novo foi lançado em 1932 pelo inglês Aldous Huxley e apresenta um futuro distópico e sombrio. Bem recebido pela crítica, é considerado um clássico, entrando em diversas listas de melhores livros do século XX.

Nele mergulhamos em uma sociedade totalmente controlada, na qual os habitantes são condicionados a viver de acordo com leis rígidas a fim de manter a ordem, sem liberdade ou pensamento crítico.

É interessante observar como o autor foi visionário ao imaginar uma realidade tecnológica, reprodução assistida e outras situações que dialogam com a contemporaneidade, mesmo datando da década de 30.

5. Um estranho numa Terra estranha, de Robert A. Heilein

Capa do livro Um estranho numa terra estranha

Vencedor do Prêmio Hugo de 1962, que destaca criações de ficção científica, esse romance de Robert A. Heilein foi um sucesso em sua época e continua relevante até hoje.

Traz a história de Valentine Michael Smith, um ser humano que foi criado em um planeta distante, Marte. Ao completar 20 anos, Valentine retorna à Terra. Seus comportamentos e visão de mundo se chocam com os costumes terrenos e ele será visto como estranho, o "homem de Marte".

O livro é considerado uma crítica à sociedade ocidental e um ícone da contracultura dos anos 60, mostrando outras maneiras de se relacionar e enxergar a realidade.

6. Duna, de Frank Herbert

capa do livro Duna segunda edição

Ambientado em um planeta imaginário, Duna é um romance de Frank Herbert de 1965 que no ano seguinte ganhou Prêmio Hugo de ficção científica.

Sua relevância é enorme na cena de sci-fi, sendo um dos mais lidos do gênero e dando origem a outros cinco livros e um conto.

A saga exibe a personagem Paul Atreides e seus familiares vivendo no desértico e hostil planeta Arrakis em um futuro muito distante.

O autor consegue mesclar de maneira brilhante temas sociais como política e ecologia a uma aura mística, fazendo com que o leitor se envolva na história profundamente.

Em 2021 estreou nos cinemas o filme Duna, adaptação do livro, Dirigido por Denis Villeneuve, recebeu 10 indicações ao Oscar, ganhando 6 estatuetas e se tornando o grande vencedor da premiação de 2022.

7. 2001: Uma Odisséia no Espaço, de Arthur C. Clarke

2011 uma odisseia no espaço

Muito conhecida no cinema, essa história na verdade é fruto da imaginação do escritor inglês Arthur C. Clarke, que a publicou em 1968. Paralelamente à sua escrita foi feito o filme de mesmo nome dirigido por Stanley Kubrick.

A obra foi inspirada em outros contos do autor, como A Sentinela (1951). Apresenta a saga da humanidade através dos tempos, iniciando com primatas pré-históricos surpresos ao encontrar um objeto desconhecido, um monolito, que lhes confere habilidades rumo à evolução das espécies.

O livro e o filme são um marco na cultura ocidental e apresentam cenas icônicas que se destacam e povoam a mente de todos.

8. Andróides Sonham Com Ovelhas Elétricas? (Blade Runner), de Philip K. Dick

Capa do livro Blade Runner o caçador de androides

O título desse livro, Androides Sonham Com Ovelhas Elétricas?, pode parecer confuso, mas foi levado ao cinema sob o título de Blade Runner, o caçador de androides.

O ano de publicação do romance é 1968 e seu autor, Philip K. Dick, buscou retratar a angústia de um caçador de robôs, chamados de androides ou "replicantes", em uma cidade metropolitana e decadente em um futuro sombrio.

O livro foi adaptado para as telas em 1982 e em 2017 ganhou uma continuação, as duas produções bem sucedidas.

9. Eu, robô, de Isaac Asimov

Capa do livro Eu, robo, de Isaac Asimov

O russo Isaac Asimov é um dos grandes mestres da ficção científica e possui obras memoráveis no gênero. Uma delas é Eu, robô, que reúne contos do escritor, costurados através de uma narrativa cativante e inteligente.

O livro foi publicado em 1950 e mostra a evolução das máquina autômatas, os robôs. O primeiro personagem que conhecemos é Robbie, um robô encarregado do cuidado com as crianças, mas que não consegue se comunicar e é rejeitado pelos humanos.

10. O guia definitivo do mochileiro das galáxias

Capa do livro O guia definitivo do mochileiro das galaxias

Mesmo que você não tenha lido O guia definitivo do mochileiro das galáxias, você provavelmente já se deparou com alguma referência a essa obra clássica da ficção científica. Uma delas é o conselho para se ter sempre uma toalha à mão, o que rendeu inclusive uma data especial, o "dia da toalha", comemorado em 25 de maio, em homenagem à saga.

A obra foi escrita por Douglas Adams em 1979 e é a primeira de uma série de cinco livros. Ficou muito famosa e se transformou em seriados de TV, videogame e peças de teatro.

A trama começa com a destruição da casa de Arthur Dent, sujeito que logo conhece Ford Prefect, alienígena que lhe convida para fugir em uma viagem intergaláctica. A partir daí, muitas aventuras e desafios surgem.

A narrativa é construída de forma bem humorada e provocativa, o que lhe deu reconhecimento e angariou muitos fãs.

11. Os despossuídos, de Ursula K. Le Guin

capa do livro Os despossuídos

Escrito em 1974, esse romance distópico de Ursula K. Le Guin apresenta muito questionamentos sobre a estrutura social em que vivemos e suas desigualdades, fazendo alusão sobretudo ao momento histórico da Guerra Fria e o embate entre capitalismo e socialismo.

Foi vencedora do Prêmio Nebula, Prêmio Hugo e Prêmio Locus, que destacam as melhores ficções científicas.

Apresenta a história em dois cenários diferentes, dois planetas com sistemas sociais e econômicos opostos em conflito. Aborda ainda outros temas de grande relevância, como os direitos das mulheres e a maternidade, além da solidão, do contraste entre noções de individualidade e coletividade, entre outros assuntos.

Um livro para refletir sobre o mundo a partir de uma história interessante e envolvente.

12. A Invenção de Morel, de Adolfo Bioy Casares

capa do livro A invenção de Morel

O escritor argentino Adolfo Bioy Casares é o autor desse romance de 1940 que traz uma mistura de diversas influências literárias e estilísticas, como realismo fantástico, ficção científica, suspense e aventura envoltos em uma aura de mistério e metafísica.

É considerado por Jorge Luis Borges, outro grande escritor argentino, como uma das melhores obras de ficção do século XX.

A história percorre o relato de um fugitivo que se abriga em uma ilha que parece estar deserta, mas aos pouco vai descobrindo mais sobre o lugar e seus segredos.

13. Mugre rosa, de Fernanda Trías

capa do livro Mugre Rosa

Lançado em 2020, esse romance da uruguaia Fernanda Trías ganhou destaque entre as produções recentes do gênero.

O enredo mostra situações peculiares vividas pela maioria das pessoas com o isolamento imposto pela pandemia que se instalou no mundo a partir de 2020.

Ambientado em um lugar muito parecido com Montevidéu, mostra um cenário sinistro em que as angústias se tornam evidentes quando uma peste assola o lugar.

Um livro poeticamente sinistro e intrigante que vem causando boas reflexões.

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Laura Aidar
Laura Aidar
Arte-educadora, artista visual e fotógrafa. Licenciada em Educação Artística pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) e formada em Fotografia pela Escola Panamericana de Arte e Design.