Max Weber: biografia e teorias


Rebeca Fuks
Rebeca Fuks
Doutora em Estudos da Cultura

Max Weber (1864-1920) foi um dos pilares da sociologia e é tido, até os dias de hoje, como um dos nomes-chave para dessa ciência que estava começando a se desenvolver.

Com a sociologia dando os seus primeiros passos no final do século XIX, o contributo de Max Weber com a criação do método subjetivista/compreensivo foi essencial para que a disciplina se consolidasse.

Biografia de Max Weber

Origem

Max Weber nasceu em 21 de abril de 1864 em Erfurt, na Alemanha, durante o processo de unificação do território. Ele era o filho mais velho de Max, um político liberal, e Helene Weber, uma calvinista.

Weber entrou para a Universidade de Heidelberg em 1882, mas precisou interromper os estudos dois anos mais tarde para fazer um ano de serviço militar em Strassburg.

O rapaz começou a estudar direito e logo depois teve o interesse despertado pela filosofia e pela história. De volta à vida universitária, acabou por concluir os seus estudos na Universidade de Berlim.

Um grande nome para a sociologia

Um dos pioneiros da sociologia econômica, o estudioso relacionou o protestantismo com o capitalismo. O intelectual também escreveu teses de doutorado e pós-doutorado sobre a história agrária da Roma antiga e o desenvolvimento das sociedades comerciais medievais, para além de ter estudado também o funcionamento da bolsa de valores.

Com muito sucesso no meio acadêmico, virou professor catedrático de economia política em Freiburg em 1895 e, no ano a seguir, em Heidelberg. Manteve-se lecionando até 1900, quando se afastou por motivos de saúde, e regressou à sala de aula somente em 1918.

Weber foi um dos fundadores da Associação Alemã de Sociologia. Politicamente ativo, fez parte da União Social Protestante de esquerda liberal.

A Primeira Guerra Mundial

Durante a Primeira Guerra Mundial, Weber atuou como diretor de uma série de hospitais militares na região de Heidelberg.

Poucas pessoas sabem, mas o sociólogo serviu como consultor alemão durante a criação do Tratado de Versalhes (1919), que fez com que a Primeira Guerra Mundial tivesse fim.

Vida pessoal

Max Weber contraiu o matrimônio em 1893 com Marianne Schnitger, uma prima de segundo grau, igualmente socióloga, que viria a ser sua biógrafa e editora.

Dificuldades enfrentadas por Weber

Max sofreu ao longo de toda a vida com severas crises de depressão, o que fez inclusive com que ele se afastasse da universidade por alguns longos períodos.

O sociólogo faleceu em 14 de junho de 1920, em Munique, vítima de uma pneumonia.

Teorias weberianas

A sociologia compreensiva

Weber foi autor de uma sociologia que teceu severas críticas ao positivismo e rompeu acabou por romper mesmo com essa corrente filosófica.

Max criou uma espécie de sociologia subjetivista, compreensiva, não tão preocupada com os fatos sociais e sim com com as interações sociais.

Weber analisou o funcionamento da sociedade e do estado alemão e as dinâmicas interpessoais inclusive pensando em questões como a burocracia e a dominação. Ao contrário de muitos dos seus colegas que acreditavam em leis sociológicas globais, Max julgava que todas as leis estavam baseadas numa realidade sociológica local e cultural.

Outra distinção importante é que enquanto o status quo compreendia a sociedade como entidade responsável por moldar o indivíduo, Weber teve a atitude oposta e passou a pensar no individuo como o responsável por moldar a sociedade.

Para ele, as ações individuais são ações sociais e esses gestos moldam as sociedades onde vivemos.

As ações sociais

As chamadas ações sociais que permeiam as interações sociais são definidas por Max Weber como:

Uma ação que quanto ao seu sentido visado pelo agente ou pelos agentes, se refere ao comportamento de outros orientando-se por este em seu curso.

Uma ação social está diretamente relacionada com a interação com o outro (ou com a expectativa da interação com o outro).

De acordo com o intelectual, o indivíduo deve ser pensado como elemento fundamental e fundante da realidade social.

Para Max Weber existiam quatro tipos de ações sociais:

  • referente à fins: esse tipo de ação tem como objetivo um fim específico (por exemplo, preciso ir ao supermercado para ter ingredientes para cozinhar o jantar)
  • referente à valores: nesse tipo de ações as atitudes influenciam as nossas crenças morais
  • afetiva: ações que a nossa cultura nos ensinou a fazer e que reproduzimos (como, por exemplo, entregar presentes no dia do natal)
  • tradicional: são as ações convencionais cotidianas, isto é, a forma como nos vestimos, o que comemos, os lugares que frequentamos

A Escola de Chicago

Max Weber foi um dos precursores da Escola de Chicago (também conhecida como Escola Sociológica de Chicago), uma das pioneiras e mais renomadas escolas de sociologia que nasceu nos Estados Unidos durante os anos 10.

O grupo foi fundado por Albin W. Samll e reuniu o corpo docente do Departamento de Sociologia da Universidade de Chicago além de ter recebido uma série de contribuições de intelectuais externos.

O grupo, financiado pelo empresário John Davison Rockefeller, produziu entre 1915 e 1940 uma série de estudos sociológicos centrados na vida das grandes cidades norte-americanas. Esse movimento foi essencial pra a criação do ramo da Sociologia Urbana.

Frases de Max Weber

O homem não teria alcançado o possível se, repetidas vezes, não tivesse tentado o impossível.

Neutro é quem já se decidiu pelo mais forte.

Há duas maneiras de fazer política. Ou se vive "para" a política ou se vive "da" política.

O homem é um animal amarrado a teias de significados que ele mesmo teceu.

Obras principais de Max Weber

  • A ética protestante e o espírito do capitalismo (1903)
  • Ética econômica das religiões mundiais (1917)
  • Estudos sobre a Sociologia e a religião (1921)
  • Estudos de Metodologia (1922)
  • Economia e sociedade (1922)
  • História Geral da Economia (1923)

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Rebeca Fuks
Rebeca Fuks
Formada em Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (2010), mestre em Literatura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2013) e doutora em Estudos de Cultura pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e pela Universidade Católica Portuguesa de Lisboa (2018).