Torre de Babel


Rebeca Fuks
Escrito por Rebeca Fuks
Doutora em Estudos da Cultura

A história da Torre de Babel aparece na Bíblia, no Antigo Testamento - mais precisamente no livro de Gênesis (capítulo 11) - para explicar a origem dos mais diferentes idiomas no mundo.

Numa tentativa de alcançar o céu, os homens se organizaram e começaram a construir uma enorme torre. Quando descobriu o que estava acontecendo, Deus, para castigá-los, fez com que falassem línguas diferentes para que jamais voltassem a se entender.

Torre de Babel
O quadro A Torre de Babel, pintado por Pieter Bruegel, o Velho em 1563

História da Torre de Babel

O mito da construção de uma torre monumental se passa depois do grande dilúvio, durante um tempo onde todos os homens - os descendentes de Noé - falavam a mesma língua.

E foi toda a terra tendo uma língua e mesmas palavras.

Determinados a construírem uma cidade com uma enorme torre, os homens se reuniram para erguer um edifício tão alto capaz de alcançar o céu.

Essa atitude foi lida como um desafio à Deus, que desceu na terra e puniu os homens envolvidos na construção fazendo com que falassem línguas diferentes.

O mito se ocupa de explicar o porquê, até os dias de hoje, temos tantos idiomas distintos sobre a Terra.

Análise do mito da Torre de Babel

Paira sobre a história da Torre de Babel a eterna dúvida se a narrativa se trata de uma parábola ou se o evento de fato aconteceu - embora não exista qualquer evidência científica de que a torre, de fato, tivesse existido.

Apesar das inquietações, o mito fundacional permanece atravessando séculos como uma importante narrativa sobre a origem da profusão de idiomas.

Sobre a construção da torre

Em Gênesis, na Bíblia, os escritos dão detalhes dessa construção suntuosa feita tantos séculos atrás e com tão poucos recursos. O texto afirma o seguinte:

Vinde, façamos tijolos e os cozinhemos no fogo. E foi para eles o tijolo por pedra e o barro foi para eles por argamassa.

Não há mais descrições ao longo do texto sobre a técnica usada para erguer a edificação. Não sabemos qual foi a altura da torre, a sua profundidade, o local onde estava situada exatamente - sabemos apenas que foi construída na região da Babilônia.

Conhecemos o fato de que os homens se organizaram para levar a frente a obra e os planos estavam correndo bem, com a torre sendo erguida de vento em popa e em grande velocidade até a intervenção divina.

Hans Bol The Tower of Babel
Quadro The Tower of Babel pintado por Hans Bol (1534-1593)

O que motivou os homens a construírem a torre

Aos homens que desejavam erguer essa torre estavam associados os sentimentos de vaidade, de ambição, de soberba e de poder. É o que fica evidente durante a leitura da passagem bíblica:

E disseram: Vinde, edifiquemos para nós cidade e torre, e que seu cume chegue aos céus, e faremos para nós fama, para que não sejamos espalhados sobre a face de toda a terra.

Movidos por uma atitude arrogante, presunçosa, os homens envolvidos na obra julgavam que dominando as técnicas de construção seriam capazes de erguer uma torre cujas pontas tocassem o céu.

Muitos religiosos nos dizem que o mito da Torre de Babel ensina que a técnica e a ciência devem ser usadas para se fazer o bem e não como ferramenta de competição ou vaidade.

A reação de Deus

Depois de ouvir dizer, através dos anjos, da construção do edifício suntuoso, Deus decidiu descer na Terra para assistir com os seus próprios olhos a obra.

Tower of Babel Lucas van Valckenborch 1594
Tela Tower of Babel pintada por Lucas van Valckenborch em 1594

O fato dele não ter acreditado no que disseram os homens e ter descido pessoalmente para o nosso plano para ver com os próprios olhos ensina que não devemos condenar ninguém sem antes garantirmos que, de fato, as acusações são verídicas.

Furioso, Deus leu o gesto dos homens como uma afronta. Então o todo poderoso decidiu, como forma de punição, imputar aos homens - com a ajuda dos anjos - línguas diferentes.

E desceu o Eterno para ver a cidade e a torre que edificaram os filhos dos homens. E disse o Eterno: "Eis um mesmo povo, e uma mesma língua para todos eles; isto foi que os fez começar a fazer; e agora não lhes será privado tudo quanto intentam fazer. Vinde, desçamos e confundamos ali sua língua, para que não entenda cada um a linguagem de seu companheiro."

O mito da Torre de Babel é corroborado pelo fato de existirem muitas línguas completamente diferentes, mas que usam palavras semelhantes etimologicamente para se referirem as mesmas coisas. Essa evidência é lida por muitos como uma prova de que originalmente havia uma única língua falada por todos os homens.

O fato de não conseguirem falar o mesmo idioma - "confundiu o Eterno a língua de toda a terra" - fez com que os homens não se entendessem. Enquanto um sujeito pedia tijolos, por exemplo, o outro entregava barro e dessa forma a construção não ia para frente devido à sucessivos mal-entendidos e confusões.

Além da confusão de línguas

Convém lembrar que o projeto inicial de Deus, segundo a Bíblia, era disseminar os homens pela Terra. Os homens que construíram a torre também o desafiaram nesse sentido: o desejo de erguer a cidade tinha como intuito centralizar a todos numa mesma região.

Essa vontade ia contra os planos de Deus e, assim que foram punidos, além de receberem idiomas diferentes também foram separados.

Não satisfeito em confundir os homens fazendo com que cada um falasse uma língua diferente, Deus também espalhou os homens pela superfície da Terra impedindo de vez que a cidade idealizada fosse construída.

E os espalhou o Eterno dali sobre a face de toda a terra, e cessaram de edificar a cidade.

Alguns religiosos afirmam que a torre de Babel desabou, embora não exista nenhum indício no registro bíblico assinalando o destino da construção.

Valkenborch babel-tower
Tela The Tower of Babel pintada por Marten van Valckenborch (1535–1612)

O que significa Babel?

Babel é uma palavra dividida em duas partes (Bab-El) e significa em língua babilônica "Porta de Deus".

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Rebeca Fuks
Escrito por Rebeca Fuks
Formada em Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (2010), mestre em Literatura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2013) e doutora em Estudos de Cultura pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e pela Universidade Católica Portuguesa de Lisboa (2018).