Poema Versos Íntimos de Augusto dos Anjos


Significado do poema Versos Íntimos

Versos Íntimos é um poema da autoria de Augusto dos Anjos, que expressa um sentimento de pessimismo e decepção em relação aos relacionamentos interpessoais.

Esta obra poética é classificada como um soneto, possuindo quatro estrofes, dois quartetos (4 verso cada) e dois tercetos (três versos cada). Quanto à escansão do poema, os versos são decassílabos com rimas regulares.

Vários autores elegeram este poema com um dos 100 melhores poemas brasileiros do século XX.

Poema Versos Íntimos

Análise e interpretação do poema Versos Íntimos

Este poema transmite uma visão pessimista da vida. A linguagem usada pelo autor pode ser considerada uma crítica ao parnasianismo, um movimento literário conhecido pela linguagem erudita e romantismo exacerbado.

Esta obra revela também a dualidade na vida do ser humano, indicando como as coisas podem mudar, ou seja, as coisas boas se transformam em coisas más. Existe também um contraste entre o título e a realidade revelada pelo poeta, pois o título "versos íntimos" pode remeter para o romantismo, algo que não se verifica no conteúdo do poema.

Em seguida revelamos uma possível interpretação de cada estrofe:

Última quimera
É mencionado o enterro da última quimera que neste caso indica o fim da esperança ou do último sonho. É transmitida a ideia que ninguém se importa com os sonhos destruídos dos outros porque as pessoas são ingratas, são como animais selvagens (neste caso uma feroz pantera).

Terra miserável
O autor utiliza o imperativo dando o conselho que quanto mais cedo a pessoa se acostuma com a cruel e miserável realidade do mundo, será mais fácil. O Homem voltará à lama, regressará ao pó, está destinado a cair e se sujar na lama. Ele afirma que o Homem vive no meio de feras, de pessoas sem escrúpulos, más, sem compaixão e que por isso, ele também tem que se adaptar e ser também uma fera para viver neste mundo. Esta estrofe está de acordo com a famosa frase "O homem é o lobo do homem".

Beijo e mão
O poeta utiliza a linguagem coloquial, convida o "amigo" (para quem escreveu o poema) a se preparar para traições, para a falta de consideração do próximo. Mesmo quando temos demonstrações de amizade e de carinho como um beijo, isso é apenas o prenúncio de algo mau. Aquele que hoje é teu amigo e te ajuda, amanhã te abandonará e causará dor. A boca que beija é aquela que vai cuspir em seguida, causando dor e desilusão.

Apedreja e escarra
O autor faz a sugestão de "cortar o mal pela raiz", para evitar o sofrimento no futuro. Para isso, ele deve cuspir na boca de quem o beija e apedrejar a mão que faz carinho. Isso porque de acordo com o poeta, mais cedo ou mais tarde, as pessoas vão nos desiludir e machucar.

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