Musical O Fantasma da Ópera


O Fantasma da Ópera é um romance de ficção gótica francês, escrito por Gaston Leroux e publicado inicialmente em capítulos, entre setembro de 1909 e janeiro de 1910. Narrando a história de um gênio musical com o rosto deformado que vive nas catacumbas de uma ópera de Paris, a obra foi marcante, trazendo o misterioso protagonista para o imaginário francês e internacional. 

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Capa do romance de Gaston Leroux.

No entanto, a figura do Fantasma da Ópera tem sido vastamente popularizada pelas suas adaptações cinematográficas e teatrais, sobretudo a de teatro musical realizada por Andrew Lloyd Webber, Charles Hart e Richard Stilgoe, na Broadway, em 1986. O espetáculo continua em palco até os dias de hoje, batendo recorde de permanência e se tornando no musical mais visto de sempre. 

Resumo

O romance conta a história dramática de um músico talentoso que, por ter o rosto deformado, se afasta de toda a sociedade, habitando as catacumbas de Paris. Na ópera, se apaixona por Christine, a jovem orfã a quem dá lições de canto durante a noite. 

Christine reencontra Raoul, o novo patrono, que era seu amor de infância. O Fantasma, com ciúmes, a rapta e leva para seus aposentos, debaixo da ópera, acreditando que ela vai amá-lo. Christine arranca sua máscara para ver o seu rosto. Vê seu rosto desfigurado e ele ordena que volte ao teatro. 

Ao perceber que a soprano vai fugir com o amado, volta a sequestrá-la e decide forçá-la a casar, sob ameaça de matar Raoul. Erik partilha um momento de intimidade com a moça, contando seu passado e chorando. Acaba deixando que Christine parta com Raoul.

Personagens principais

Erik , O Fantasma da Ópera

Protagonista e personagem do título, o Fantasma da Ópera é um homem que nasceu deformado e por isso foi rejeitado pelos pais. Se escondeu nos calabouços da Ópera, onde descobriu o seu amor pela música e se apaixonou por Christine. Disposto a tudo para tê-la do seu lado, decide sequestrá-la e obrigá-la a casar mas acaba libertando a jovem. 

Christine Daaé

Filha de um violinista, Christine ficou orfã durante a infância e acabou sendo acolhida pelos funcionários da Ópera. Durante a noite, escutava uma voz que a ensinava a cantar e dizia ser um anjo, enviado para protegê-la. Ao mesmo tempo que vai alcançando sucesso enquanto soprano, reencontra Raoul, seu primeiro amor, e se torna vítima da obsessão de Erik. 

Raoul, Visconde de Chagny

Raoul é o novo patrono do teatro. Reencontra Christine, sua paixão de infância, e volta a nutrir sentimentos por ela. Quando percebe que o teatro está sendo ameaçado e que a jovem é manipulada por Erik, corre todos os riscos para tentar salvá-la. 

Enredo do romance

O Fantasma da Ópera conta a história trágica de um triângulo amoroso passado nos bastidores de uma ópera parisiense. O protagonista, uma entidade mascarada que assombra a ópera, desenvolve uma paixão obsessiva por Christine, a jovem soprano que ficou orfã e foi acolhida pela trupe. Durante anos, de noite, ela escuta a sua voz e ele a ensina a cantar, dizendo que é o "Anjo da Música". 

A chegada de Raoul vem perturbar a rotina dos dois. O Visconde, novo patrono do teatro, foi namorado de Christine durante a infância. Quando se reencontram, logo se reconhecem e se apaixonam de novo. O Fantasma ameaça e ataca a prima donna, Carlotta, a cantora principal. Ela acaba perdendo a voz e é substituída por Christine. 

Depois de vê-la no palco, Raoul a procura e se declara a ela, convidando-a para sair. O Fantasma escuta a proposta e fica enraivecido de ciúmes, aparecendo finalmente diante da moça e sequestrando-a. Christine é levada para o mundo subterrâneo onde o Fantasma vive. Ele confessa o seu amor por ela, dizendo que precisa da sua companhia e da sua voz para a música que compõe. 

Ela tenta ver o seu rosto e arranca a sua máscara, provocando a fúria dele e a sua vergonha. Deixa que Christine regresse ao teatro e a moça conta para Raoul que foi sequestrada. Decidem fugir juntos, mas ela quer se despedir e cantar uma última música para Erik. Ele escuta a conversa e no dia seguinte a leva novamente para o seu esconderijo, querendo obrigá-la a casar com ele. Ela se recusa mas o Fantasma ameaça matar Raoul, que era seu refém. 

Por amor ao Visconde, a moça acaba aceitando. Erik resgata Raoul da sua câmara de tortura e Christine levanta a máscara para beijar seu rosto. O Fantasma confessa que nunca foi beijado, nem mesmo por sua mãe, e os dois choram. Suas lágrimas se misturam, num momento de grande intimidade e emoção. 

Erik deixa Christine partir com Raoul mas faz a moça prometer que vai regressar quando ele morrer e devolver o anel de ouro que ele lhe deu. Algum tempo depois, Erik morre "de amor" e Christine volta à Ópera para enterrar o seu corpo em um local escondido, devolvendo o seu anel. 

Análise do musical

A adaptação do romance de Leroux para o teatro musical foi escrita e composta por Andrew Lloyd Webber, com letras de Charles Hart e Richard Stilgoe. Estreando em 1986 em Londres e na Broadway, dois anos depois, foi um sucesso estrondoso. 

O Fantasma da Ópera se tornou o espetáculo com maior tempo de exibição na Broadway, tendo ultrapassado as 10 mil sessões no ano de 2012. Musicalmente, várias análises apontam que o grau de inovação das músicas compostas pelo Fantasma (na sua ópera "Dom Juan Triunfante"), contrastam com as formas tradicionais presentes nas outras canções do espetáculo, salientando o seu talento e gênio. 

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Cartaz do espetáculo da Broadway.

Prólogo

O espetáculo começa no ano de 1905, na Ópera Populaire, durante um leilão. Raoul, já velho, compra um lote onde estão guardados artefatos antigos, relacionados com o mistério do Fantasma da Ópera.

Quando levantam o pano do lustre comprado, ele magicamente se acende e sobe, ficando no cimo do palco. O cenário muda, como se os anos voltassem para trás e o teatro voltasse à sua era de esplendor. 

Ato I

Assim, no primeiro ato, corre o ano de 1881 e Carlotta, a estrela do espetáculo está ensaiando quando fenômenos explicáveis começam a acontecer e os artistas em palco gritam que o Fantasma está presente. A prima donna, assustada, se recusa a continuar e abandona o local. 

Madame Giry, supervisora do balé, sugere que Christine, a jovem soprano que cresceu na Ópera, faça uma audição para ocupar o papel. Ela canta "Think of Me" ("Pense em Mim") e suas capacidades vocais e técnicas surpreendem todos os presentes.

Depois do sucesso da sua estreia. Christine confessa a sua amiga Meg, filha de Madame Giry,  que o seu professor é uma voz que escuta durante a noite, desde a infância, intitulada o "Anjo da Música". 

Na mesma noite, a moça reencontra Raoul, seu antigo amigo e novo patrono do teatro. Conversam sobre o pai de Christine, que morreu, e ela conta que ele lhe enviou um anjo que a guarda e ensina a cantar. Embora a paixão reacenda entre os dois, a soprano tem que recusar o seu convite para jantar, alegando que o seu mestre é muito rigoroso.

Com ciúmes, o Fantasma aparece para Christine num espelho, pela primeira vez, e a carrega pela mão até ao seu esconderijo. Numa das cenas mais famosas do musical, atravessam um lago subterrâneo de barco enquanto cantam "Phantom of the Opera" ("O Fantasma da Ópera). 

A figura misteriosa declara seu amor pela cantora e afirma que precisa da voz dela para dar vida às suas composições musicais. Curiosa, ela levanta a máscara e vê seu rosto deformado. Ele assume um comportamento violento, gritando e batendo na soprano. Depois, emocionado, confessa seu sofrimento e desejo de ser igual aos outros. 

O Fantasma manda um bilhete para o diretor da Ópera, exigindo que Christine seja a estrela do próximo espetáculo e avisando que iria se vingar se não o obedecessem. Assim, enquanto Carlotta está no palco, o Fantasma transforma sua voz no coaxar de um sapo. De repente, o corpo de um funcionário do teatro que estava sempre falando mal do Fantasma aparece no palco e gera pânico entre o público, enquanto se escuta uma risada maléfica.

A jovem consegue fugir para o telhado com Raoul e conta tudo o que aconteceu no esconderijo do Fantasma. Embora, inicialmente, não acredite, o patrono declara seu amor e promete protegê-la. O Fantasma escuta a conversa e, em fúria, faz cair o lustre em cima do palco.  

Ato II

Depois do episódio do lustre, o Fantasma volta a aparecer diante de todos durante um baile de máscaras, fantasiado de Morte Vermelha. Anuncia que escreveu uma opéra chamada "Don Juan Triunfante" e exige que ela seja encenada imediatamente, com Christine como cantora principal.

Raoul, sabendo que o Fantasma estará presente na estreia, tenta convencer a amada a ajudá-lo a montar uma armadilha mas ela se sente relutante em atraiçoar o seu mestre. O Visconde descobre, através de Madame Giry, que a entidade misteriosa é um gênio musical com poderes mágicos que, por ter o rosto deformado, decidiu se esconder nas catacumbas da Ópera. 

Durante a peça. a soprano descobre que está contracenando com o próprio Fantasma e arranca novamente a sua máscara, desta vez diante de todos. Nesse momento, o corpo do ator que deveria estar em palco é encontrado nos bastidores. 

Com a confusão, o Fantasma sequestra Christine, não sem antes capturar seu rival. Obriga a jovem a usar um vestido de noiva, anunciando que vão casar e ameaçando matar Raoul, se ela recusar. 

Numa conversa emocionada, a soprano diz ao Fantasma que a sua deformidade está na alma e não no rosto, beijando-o num sinal de compaixão. O gesto desperta o lado humano do "monstro" que resolve deixar os dois amantes partirem. 

Interpretações e significado de "O Fantasma da Ópera"

Várias leituras e interpretações podem surgir a propósito do romance de Leroux. Apesar de todos os crimes que comete e de exibir um comportamento agressivo, egocêntrico e obsessivo, a figura do Fantasma tem conquistado a simpatia e a compaixão do seu público. 

Exclusão e marginalização 

Na verdade, embora ameaçadora, a figura mostra também seu lado mais sensível, seu coração machucado com o mundo que o rejeitou. Apesar do seu talento musical inquestionável, é forçado a viver nas sombras, porque a deformação no seu rosto assusta todos que o conhecem.

Para que suas composições possam ter sucesso, o Fantasma necessita da voz e da beleza de Christine. Neste sentido, esta parece ser uma história de marginalização daqueles que são diferentes, que estão fora dos padrões vigentes e, por isso, não têm oportunidade de brilhar ou subir na vida. 

Solidão e abandono

Na sequência do que foi dito acima, a obsessão do Fantasma por Christine talvez surja da sua necessidade de contato social e humano. Através das lições de canto, ao longo de anos, o homem solitário vai formando um vínculo emocional com a garota. 

Esta teoria é reforçada com o desenlace da relação. Quando Christine beija o seu rosto, o Fantasma se sente, pela primeira vez, amado e compreendido. O gesto da soprano parece ser a validação e aceitação que ele necessitava, deixando que ela parta depois. 

Metáfora para a criação artística

Outra análise comum é aquela que aponta Raoul como símbolo da vida amorosa e familiar, enquanto o Fantasma seria uma metáfora para a própria arte. Como o Fantasma, a arte de Christine, o canto lírico, seria um mestre rigoroso e exigente que pretendia ocupar todo o seu tempo e dominar a sua vida. 

O triângulo amoroso seria, então, o conflito interior da jovem, dividida entre a vida burguesa, o desejo de casar e formar uma família e a ambição de conquistar a excelência na sua carreira de soprano. 

Triângulo amoroso abusivo

Um olhar contemporâneo sobre a narrativa, proporcionado sobretudo pelo filme de 2004, não consegue ficar indiferente ao caráter abusivo das relações de Christine com o Fantasma da Ópera e o Visconde de Chagny. Como uma corda sendo puxada pelas mãos dos dois, a moça fica no meio de uma guerra de egos.

Christine é forçada a optar entre um homem que a sequestra e quer obrigá-la a casar e um outro que a pressiona para abandonar a carreira e fugir. Assim, não tem liberdade para fazer as suas escolhas e acaba abandonando a sua vocação. 

Adaptações cinematográficas

Além da famosa adaptação para teatro musical, o livro de Gaston Leroux foi transportado para as artes visuais inúmeras vezes, com mais ou menos fidelidade à narrativa original. 

O Fantasma da Ópera (1925), Rupert Julian

Filme de 1925

A primeira representação no cinema foi em preto e branco. No filme mudo, o protagonista surge sempre sem máscara, revelando seu rosto assustador. Rejeitado por Christine, sequestra a cantora, que acaba sendo resgatada pela polícia. 

O Fantasma da Ópera (1943), Arthur Lubin 

Filme de 1943

Nesta adaptação, a história está bastante modificada e Erik é um violinista da orquestra que se apaixona por Christine, uma cantora sem muitas capacidades vocais. Por amor, começa a pagar aulas de canto para que a soprano melhore, ao mesmo tempo que seu próprio talento vai desaparecendo.

O músico acaba sendo despedido e se dedica à composição mas sua obra é roubada e seu rosto é queimado com ácido quando tenta recuperá-la. Se esconde nas catacumbas e elabora um plano para conquistar o amor da jovem mas acaba morrendo num desabamento. 

O Fantasma da Ópera (1962), Terence Fisher 

Filme de 1962

Passado no cenário londrino, a história se assemelha à do filme de Lubin. O protagonista, Petrie, é um professor pobre cuja obra é roubada e o rosto é queimado com ácido, na sequência. Se refugia na Ópera onde ensina Christine a cantar. Neste filme, o Fantasma não está apaixonado pela soprano, apenas quer ajudá-la a atingir o seu potencial artístico. Petrie morre em palco, salvando a vida de Christine, que iria ser atingida por um lustre. 

O Fantasma do Paraíso (1974), Brian De Palma

Filme de 1974.

Muito diferente das outras versões, o filme de Brian De Palma é uma ópera rock. A adaptação livre mistura elementos do enredo de Leroux com as narrativas de O Corcunda de Notre Dame de Victor Hugo e Fausto de Goethe.

O Fantasma da Ópera (2004), Joel Schumacher

Filme de 2004-

A mais recente adaptação cinematográfica é também a mais próxima do musical da Broadway, mantendo o seu enredo e as canções originais no show. Recuperando o mito do Fantasma mascarado, o filme de Schumacher obteve bastante sucesso, sendo nomeado para o Oscar e o Globo de Ouro de 2005. 

5 curiosidades sobre "O Fantasma da Ópera"

  1. No romance original, Gaston Leroux defende que está contando uma história real, apresentando relatos e documentos que pretendiam comprovar a veracidade da narrativa. 
  2. Ao longo de três décadas, o musical da Broadway já faturou mais de 1 bilhão de dólares.
  3. No filme de 2004, para que as chamas parecessem realistas durante o incêndio no teatro, a produção pegou fogo nos cenários.
  4. O filme de Joel Schumacher foi financiado por Andrew Lloyd Webber, que investiu 6 milhões de dólares na produção. 
  5. O musical já foi traduzido para mais de 15 idiomas, entre os quais o russo, o húngaro e o coreano.