Arte Bizantina


Laura Aidar
Laura Aidar
Arte-educadora e pesquisadora

É denominada arte bizantina aquela realizada no Império Romano do Oriente, tendo seu apogeu durante o governo do Imperador Justiniano, entre 527 e 565 d.C.

Essa é uma arte profundamente relacionada ao cristianismo, que passou a ser considerado a religião oficial do Estado em 311 d.C.

O Imperador Constantino foi o responsável por essa transição, sendo também o fundador de Constantinopla, a capital desse Império.

Tal fato ocorreu em 330 d.C. em uma região onde se localizava uma antiga colônia grega chamada Bizâncio. Daí deriva a denominação "arte bizantina", que disseminou-se além das fronteiras do Império Bizantino.

Assim, aos poucos a Igreja passa a ter total controle sobre a produção cultural daquela sociedade e via na arte um maneira de "instruir" o povo e publicizar a fé cristã.

Mosaico bizantino

O mosaico foi a linguagem que mais se destacou na arte bizantina. Ele é feito através de um técnica em que as imagens são formadas a partir de pequenos pedaços de pedras com cores variadas, dispostos lado a lado.

Assim, os fragmentos são fixados em uma argamassa e posteriormente recebem uma mistura de cal, areia e óleo para preencher os espaços entre eles.

mosaico bizantino
O milagre dos pães e dos peixes (520d.C.) é um exemplo de mosaico bizantino

O mosaico foi utilizado por diversos povos e culturas, mas foi no Império Bizantino que essa manifestação atingiu seu ápice.

Ele era aplicado nas paredes e abóbodas das igrejas a fim de representar personagens e passagens bíblicas, além dos próprios imperadores.

Tais obras, minuciosamente construídas, proporcionam um colorido intenso dentro das basílicas, transmitindo uma aura suntuosa de solene esplendor.

Pintura bizantina: os ícones feitos em têmpera

A pintura bizantina se deu de maneira menos intensa.

Essa linguagem tem nos ícones uma nova maneira de se expressar. A palavra ícone vem do grego e significa "imagem". Nesse contexto, eles constituíam figuras de santos, profetas, mártires e outras personalidades sacras, como Jesus, Virgem Maria e os apóstolos.

Possuem características suntuosas e eram feitos utilizando o método da têmpera. Nela, a tinta era preparada com pigmentos e uma base de ovos ou outra substância orgânica. Assim, as cores se fixavam melhor e a durabilidade da pintura era maior, gerando um efeito brilhante.

Uma característica comum nessas pinturas era o uso da cor dourada. Também era habitual aplicarem joias nas obras, o que conferia ainda mais grandiosidade para as imagens, veneradas tanto em igrejas quanto em oratórios particulares.

Os ícones também se disseminaram em outras regiões. O artista russo Andrei Rublev, por exemplo, ajudou a popularizar essa arte no início do século XV, na região de Novgorod, na Rússia.

ícone bizantino Andrei rublev
Nossa Senhora da Misericórdia, de Andrei Rublev, é um exemplo de ícone bizantino

Arquitetura: as igrejas bizantinas

Assim como nas outras artes, a arquitetura bizantina também se desenvolveu de forma majestosa, expressando-se nas construções sagradas.

Anteriormente, os fiéis cristãos costumavam praticar sua devoção em templos humildes e discretos, dada a perseguição que sofriam, inclusive.

Mas assim que a Igreja Católica tornou-se poderosa e instrumento de dominação, os locais de culto também sofreram enormes transformações.

Portanto, começaram a ser erguidas basílicas monumentais que deveriam dar conta de demonstrar todo o poderio divino aliado ao poder político.

Interessante destacar que o termo "basílica" era antes utilizado para designar um "salão real". Em dado momento, a mãe do Imperador Constantino determinou a construção de um desses salões com finalidade religiosa e assim passou-se a identificar esses grandes edifícios católicos como basílicas.

A parte das igrejas onde se localizava o altar foi chamada de "coro". Já a parte principal, onde ficavam os fiéis, era designada "nave" e as divisões laterais receberam o nome de "alas".

As primeiras construções sofreram alterações ao longo dos anos, entretanto ainda é possível se ter a percepção de como eram. Um exemplo é a Basílica de São Apolinário, em Ravena, Itália.

Basílica de São Apolinário
Basílica de São Apolinário, em Ravena, Itália

Outras construções que são exemplos de arte arquitetônica da época são: a Igreja de Santa Sofia, em Istambul (532 e 537) e A Basílica da Natividade, em Belém (327 e 333). Essa última foi incendiada duzentos anos depois de sua construção.

Características da arte bizantina

A arte bizantina está intimamente relacionada à religiosidade católica e desenvolve-se com o maior intuito de propagar seus preceitos e expressar o poder do imperador, que é visto como autoridade absoluta e "enviado de Deus", possuindo inclusive poderes espirituais. Por isso uma característica marcante é a suntuosidade.

Então, esse tipo de arte serve-se de alguns elementos para alcançar seus propósitos, assim como a arte egípcia.

Uma dessas especificações é a frontalidade, que determina que as figuras sejam representadas apenas de frente para o público, denotando um comportamento respeitoso.

Assim, as pessoas que olhavam as imagens sacras tinham uma atitude de veneração, ao passo que as personalidades também transmitiam respeito aos seus súditos.

As cenas também possuíam uma rígida composição. Todas as personagens tinham um lugar determinado e os gestos eram pré-estabelecidos.

As personalidades oficiais, como os imperadores, eram retratados de forma sagrada, como se fossem eles também figuras bíblicas. Assim, muitas vezes eram colocadas auréolas em suas cabeças e era comum que estivessem em cenas com a própria Virgem Maria ou Jesus Cristo.

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Laura Aidar
Laura Aidar
Arte-educadora, pesquisadora e fotógrafa. Licenciada em Educação Artística pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) em 2007 e formada em Fotografia pela Escola Panamericana de Arte e Design, localizada em São Paulo, em 2010.