Filme Sociedade dos poetas mortos


Rebeca Fuks
Doutora em Estudos da Cultura

Sociedade dos poetas mortos (Dead poets society) foi um dos filmes mais marcantes do cinema norte-americano da década de noventa e tece uma severa crítica ao sistema de ensino tradicional.

Em termos de público, o filme foi uma das 10 maiores bilheterias de 1990 nos Estados Unidos e uma das cinco maiores internacionais.

Em termos de crítica, Sociedade dos poetas mortos arrebatou o Oscar de Melhor Roteiro Original.

Resumo e análise do filme

Sociedade dos poetas mortos se passa nos Estados Unidos, no ano de 1959, numa instituição de ensino tradicional chamada Academia Welton. O filme é contado através de uma ordem cronológica linear.

A escola de ensino médio com cem anos de história tem como ideal didático o ensino rígido e inflexível como o que se vê no universo militar. A filosofia de ensino está baseada em quatro pilares: a tradição, a honra, a disciplina e a excelência. O próprio uniforme dos alunos já demonstra essa realidade: são fardas repletas de brasões e formalidades.

John Keating foi um ex-aluno da Academia Welton que agora regressa a instituição de ensino para atuar como professor. Entre os seus primeiros ensinamentos para o grupo de alunos está a seguinte frase:

"Carpe diem. Aproveite o dia, meninos. Façam suas vidas extraordinárias"

Já na sua primeira aula, John ensina aos alunos o conceito que irá transformar as vidas dos jovens. A frase latina Carpe diem, por sinal, entrou para a história do cinema e ficou entre as 100 frases mais citadas em longas metragens de acordo com o American Film Institute.

carpe

Aos poucos o professor John, através da leitura de poesias e clássicos da literatura, incute nos alunos a beleza da vida, ensinando-os a perceberem o mundo a partir de perspectivas diferentes. 

O professor tem um método de ensino bastante particular e fora da caixa. Durante uma das suas aulas, o exercício proposto é a composição de poemas livres, espontâneos, que tratem da vida e do universo de cada um.

Em outra oportunidade, o professor pede que os alunos subam em cima da mesa para aprenderem a olhar a vida a partir de um novo ângulo. 

Mesa

Aos poucos os alunos vão se interessando cada vez mais pelas aulas e pela metodologia do professor de literatura. Um dos alunos, Neil Perry, fascinado com o trabalho de Keating, vai a procura do anuário onde o agora professor esteve. Para a sua surpresa, encontra no registro do então aluno a anotação Sociedade dos poetas mortos. 

Quando pressionado pelos alunos após a descoberta do anuário, o professor conta sobre como funcionava a sociedade (onde e quando costumavam se reunir, como interagiam...). Os alunos ficam super curiosos com a revelação e resolvem reproduzir aquilo que se passava anos atrás frequentando os mesmos lugares. 

Entusiasmado com o novo projeto secreto, Neil resolve tornar-se ator. No entanto, a sua criação rigorosa e cerceadora parece ser um impedimento para aquilo que sente ser a sua vocação. O garoto é especialmente reprimido pelo pai, um sujeito linha dura e castrador. O destino de Neil acaba por ser trágico, ele decide dar cabo da própria vida. 

Como alguém tem de ser responsabilizado pela trágica sina de Neil, o diretor resolve punir o professor Keating demitindo-o e dissolvendo a Sociedade dos poetas mortos.

A cena final, no entanto, prova que nem mesmo a demissão poderá apagar as experiências vivenciadas por aqueles adolescentes. Quando o professor vai a sala de aula buscar as suas coisas no armário é recebido calorosamente e fica claro que as marcas deixadas permaneceram naqueles que lá estiveram.

Bastidores

A história foi inspirada no professor Samuel Pickering e na vivência com os seus alunos de uma escola particular que foram estimulados a partir de uma nova orientação pedagógica. O filme foi inteiramente gravado em uma escola privada em St.Andrews (Delaware, Estados Unidos).

O roteirista Tom Schaulman foi um dos alunos do professor Samuel na Montgomery Bell Academy (Nashville, Tennessee). O professor de literatura acabou mais tarde se tornando docente na Universidade de Connecticut.

Uma curiosidade: Sociedade dos poetas mortos foi o primeiro roteiro de longa metragem assinado por Tom Schulman. Até então ele havia feito apenas duas produções para a televisão e um curta-metragem. 

Cartaz

Personagens principais do filme

John Keating (Robin Williams)

Ex-aluno da Academia Welton que regressa para atuar como professor. Dá aulas de literatura a partir de um novo ideal pedagógico, estimulando os alunos a serem mais criativos, idealistas e independentes.

Nolan (Norman Lioyd)

É o orgulhoso diretor da Academia Welton. Diante da morte de Neil Perry se vê obrigado a tomar uma atitude e acaba por demitir injustamente o professor Keating.

Neil Perry (Robert Sean)

Um dos alunos mais entusiasmados com as aulas do professor John Keating. É ele que vai a procusa do anuário onde se encontra o registro do professor e descobre a existência da Sociedade dos poetas mortos. O garoto tem uma criação bastante repressora especialmente devido a rigidez do pai.

Prêmios

Sociedade dos poetas mortos levou para casa o Oscar de Melhor Roteiro Original e venceu o César de Melhor Filme Estrangeiro.

O longa também foi indicado no Oscar para Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Ator.

No Globo de Ouro também ouve indicação para Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator e Melhor Roteiro. 

Assista o filme na íntegra

O filme Sociedade dos poetas mortos encontra-se disponível na íntegra dublado em português:

Ficha técnica

Título original  Dead Poets Society
Lançamento28 de fevereiro de 1990
Orçamento $16.400.000,00 
DiretorPeter Weir
RoteiristaTom Schulman
GêneroComédia dramática
Duração2h 20m
Elenco principalRobin Williams, Ethan Hawke, Robert Sean Leonard

Conheça também

Rebeca Fuks
Graduada em Letras, mestre em Literatura e doutora em Estudos de Cultura, trabalhou durante dez anos como editora assistente e executiva em editoras no Brasil e em Portugal.