Frase Carpe Diem


Laura Aidar
Laura Aidar
Arte-educadora e artista visual
Atualizado em

Carpe diem é uma frase em latim que significa "Aproveite o dia".

Inserida em uma poesia da Roma Antiga, a frase ressalta a necessidade de se aproveitar a vida ao máximo, pois não se sabe o dia de amanhã.

Assim, esse é um conselho para que as pessoas apreciem o momento presente, sem grandes preocupações com o futuro ou com o passado.

Horácio: o autor da frase Carpe Diem quam minimum credula postero

A expressão Carpe Diem foi criada pelo poeta romano Horácio (65 a.C.-8 a.C.) no poema número 11 do primeiro livro de Odes.

Dedicada a sua amiga Leucônoe, o poema é um conselho onde o último verso é carpe diem quam minimum credula postero, que pode ser traduzido como "colha o dia e confie pouco no amanhã".

Horácio foi um filósofo e poeta que passou a ser patrocinado pelo estado romano. Em sua obra, as odes são as que mais de destacam, seja pela qualidade formal ou pelo modo filosófico com que aborda os temas.

Sua ode mais famosa é justamente a que contém a célebre frase Carpe Diem.

Poeta romano HOrácio
Imagem do poeta romano Horácio, autor de Carpe Diem

Logo no primeiro verso Horácio diz ser inútil tentar saber o que acontece depois do falecimento.

O poema coloca a morte como tema central, o que se relaciona com a própria ideia de "aproveitar o momento", assim como com o conceito de Memento Mori, outra expressão que vem latim que significa "Lembre-se da morte".

Ode 11 do livro I de Horário

1 Tu ne quaesieris — scire nefas — quem mihi, quem tibi
2 finem di dederint, Leuconoe, nec Babylonios
3 temptaris numeros. Ut melius, quidquid erit, pati,
4 seu plures hiemes, seu tribuit Iuppiter ultimam,

5 quae nunc oppositis debilitat pumicibus mare
6 Tyrrhenum: sapias, vina liques, et spatio brevi
7 spem longam reseces. Dum loquimur, fugerit invida
8 aetas: carpe diem, quam minimum credula postero.

Tradução do poema

Confira a tradução desse poema feita por Maria Helena da Rocha Pereira, pesquisadora e especialista em literatura grega e latina.

Não pudemos, Leucónoe, saber — que não é lícito — qual o fim
que os deuses a ti ou a mim quererão dar,
nem arriscar os cálculos babilônios. Quão melhor é sofrer o que vier,
quer sejam muitos os invernos que Jove nos der, quer seja o último
este, que agora atira o Mar Tirreno contra as roídas rochas.
Sê sensata, filtra o teu vinho e amolda a curto espaço
uma longa esperança. Enquanto falamos, terá fugido o invejoso tempo.
Colhe a flor do dia, pouco fiando do que depois vier a suceder.

Epicurismo e a relação com o conceito de Carpe Diem

O epicurismo foi um sistema filosófico criado pelo pensador grego Epicuro. Pregava os prazeres e a tranquilidade como forma de se atingir a máxima felicidade.

O conhecimento também era importante para esse sistema, que acreditava que a ignorância era uma das fontes do sofrimento humano.

Para eles, a busca pela felicidade passava por controlar os seus medos. Assim, aproveitar os prazeres era um modo de alcançar tal feito. Isto levaria a um estado de tranquilidade conhecido como ataraxia.

O medo da morte poderia ser controlado acreditando na morte como um "nada". Assim, para o epicurismo "aproveitar o dia" era o que sobrava do antigo medo de morrer.

Carpe diem se tornou uma das máximas desse sistema filosófico. "Aproveitar o dia" adquire um sentido amplo nesse sistema, significando viver o momento, aproveitando os prazeres que ele tem a oferecer e não sucumbir ao medo do desconhecido.

Carpe Diem na literatura

Após Horácio, Carpe diem se tornou uma figura comum na literatura, sendo revisitada pelo classicismo e pelo arcadismo. Os topos epicuristas presentes em Horácio foram frequentemente utilizados pelos poetas destas escolas.

Na modernidade foi Fernando Pessoa, com o seu heterônimo Ricardo Reis, que retomou não só os temas como também a forma da poesia de Horácio. Carpe Diem está tão presente na sua lírica que uma de suas poesias mais famosas se chama Colhe o Dia, porquê és Ele.

Perene flui a interminável hora
Que nos confessa nulos. No mesmo hausto
Em que vivemos, morreremos. Colhe
O dia, porque és ele.

No Brasil, o neoclássico Tomás Antônio Gonzaga, no seu livro Marília de Dirceu, utilizou muito os temas horacianos, como podemos observar a seguir.

Ah! não, minha Marília,
aproveite o tempo, antes que faça
o estrago de roubar ao corpo as forças
e ao semblante a graça.

Ao longo dos anos, diversos poetas refletiram e escreveram sobre o tema. Tendo diversas perspectivas e abordagens, "aproveitar o dia" é uma das mais recorrentes.

Carpe Diem é ainda mais presente na poesia pois faz parte de uma tradição classicista. Horácio foi um grande poeta que influenciou toda a poesia ocidental e diversos dos seus temas foram revistos por outros escritores.

Carpe Diem no filme Sociedade dos Poetas Mortos

Sociedade dos Poetas Mortos é um filme de 1989 em que a ideia de Carpe Diem se faz presente em toda a trama.

Conta a história do professor de literatura John Keating. Ele usa meios alternativos para ensinar poesia em uma escola de elite. Seus métodos pretendem ensinar não apenas o que está no currículo, mas sim um meio diferente de pensar dentro de um sistema rígido.

Assim, Carpe Diem é um dos lemas do filme. Devido à classe social e às expectativas que os pais possuem, os jovens vivem preocupados com o seu futuro. Para fazê-los compreender a vida de forma diferente, o professor ensina o conceito de aproveitar o dia, buscando os prazeres sem se preocupar com o amanhã.

Veja uma cena quem que o professor apresenta aos alunos o conceito.

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Laura Aidar
Laura Aidar
Arte-educadora, artista visual e fotógrafa. Licenciada em Educação Artística pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) e formada em Fotografia pela Escola Panamericana de Arte e Design.