Poema Autopsicografia de Fernando Pessoa


O poema Autopsicografia é uma obra poética da autoria de Fernando Pessoa que revela a identidade de um poeta e aborda o processo de escrever poesia.

Uma psicografia consiste numa representação de fenômenos psíquicos ou na descrição psicológica de alguma pessoa. Desta forma, é possível dizer que com a palavra "autopsicografia", o autor pretende abordar algumas das suas características psicológicas. Assim, o poeta mencionado nesta obra poética é o próprio Fernando Pessoa.

Poema Autopsicografia

Análise e significado do poema Autopsicografia

Autopsicografia é uma das poesias mais conhecidas de Fernando Pessoa, um dos maiores poetas da língua portuguesa.

O poema é composto por três estrofes, com 4 versos (quartetos) que apresentam rima cruzada, sendo que o primeiro verso rima com o terceiro e o segundo rima com o quarto.

Relativamente à escansão do poema Autopsicografia (a sua métrica), este poema se qualifica como um redondilha maior, o que significa que os versos são heptassílabos (têm 7 sílabas).

Interpretação do poema Autopsicografia

O poeta é um fingidor
Na primeira estrofe é possível verificar a existência de uma metáfora que classifica o poeta como um fingidor. Isso não significa que o que o poeta é um mentiroso ou alguém dissimulado, mas que ele é capaz de se transformar nos próprios sentimentos que estão dentro dele, e por essa razão consegue se expressar de maneira única.

A capacidade de fingir de Fernando Pessoa explica a criação dos vários heterônimos pelos quais ficou conhecido. O autor consegue abordar várias emoções e se transformar em cada uma delas, criando assim diferentes personagens com formas distintas de ser e de sentir.

Dor lida

Vemos na segunda estrofe que a capacidade do poeta de expressar certos sentimentos é desperta sentimentos no leitor. Apesar disso, o que o leitor sente não é a dor (ou a emoção) que o poeta sentiu nem a que ele "fingiu", mas a dor que é derivada da interpretação da leitura do poema.

As duas dores que são mencionadas são a dor original que o poeta sente e a "dor fingida", que é a dor original que foi transformada pelo poeta.

Comboio de corda
Na terceira e última estrofe, o coração é descrito como um comboio (trem) de corda, que gira e que tem a função de distrair ou divertir a razão. Vemos neste caso a dicotomia emoção/razão que faz parte do cotidiano do poeta. Podemos então concluir que o poeta usa o seu intelecto (razão) para transformar o sentimento (emoção) que ele viveu.