As melhores músicas e a biografia de Tim Maia


Rebeca Fuks
Rebeca Fuks
Doutora em Estudos da Cultura

Quem não conhece de cor pelo menos um sucesso de Tim Maia (1942-1998)? O cantor, maestro, produtor musical, instrumentista e compositor lançou cerca de 30 álbuns ao longo dos seus 55 anos de vida.

Um dos maiores nomes do soul music brasileiro, Tim Maia passeou nos gêneros rap, pop e funk e deixou grandes marcas na música popular do nosso país.

Biografia de Tim Maia

Primeiros anos de vida

Sebastião Rodrigues Maia, conhecido pelo público apenas como Tim Maia, nasceu em 28 de setembro de 1948, no Rio de Janeiro. O menino, que teve uma infância humilde, foi o caçula de mais de uma dezena de irmãos e, para ajudar em casa, entregava marmitas.

Prodígio, aos oito anos Sebastião começou a compor e cantava no coral da igreja. Aos 12 recebeu um violão de presente do pai.

Início da carreira

Aos catorze anos Tim Maia montou o seu primeiro grupo chamado Os Tijucanos do Ritmo. Durante os anos 50 ouvia muito Elvis Presley, Ângela Maria, Little Richard e Cauby Peixoto.

O rapaz pertenceu ao trio Os Sputniks, na companhia de Roberto e Erasmo Carlos, lançado em 1957. Os três se conheceram no bar Divino, um ponto de encontro da boemia tijucana (bairro da zona norte do Rio de Janeiro).

Seu primeiro disco foi um compacto simples gravado em 1968 com as canções Sentimento e Meu país.

Um ano mais tarde lançou duas músicas em inglês de sua autoria (These are the songs - gravada com Elis Regina - e What you want to bet).

Em 1970 divulgou o seu primeiro LP, chamado Tim Maia, pela Polydor. Os hits do álbum foram Primavera e Azul da cor do mar.

Uma aventura na América

Em 1959, depois da morte do pai, Tim resolveu estudar inglês e se mudou para os Estados Unidos onde viveu até 1963.

Na América o cantor fez um mochilão para conhecer o país, estudou soul music e chegou a ser vocalista do grupo The Ideals.

Em solo norte-americano foi preso por porte de entorpecentes - maconha - e pequenos furtos. Ficou recluso por alguns meses até ser deportado para o Brasil.

Um sujeito polêmico

Além de ter sido preso nos Estados Unidos, também no Rio de Janeiro Tim Maia foi parar atrás das grades por tentativa de furto.

Com um gênio explosivo e um temperamento forte, o rapaz possuía um estilo de vida que sobrecarregou o corpo madrugadas a dentro com uma rotina completamente desregrada. Sofrendo com sobrepeso, foi viciado em álcool e drogas. É dele a célebre frase:

Eu não bebo, não fumo e não cheiro; só minto um pouquinho.

Ao longo da vida teve muitas recaídas e inúmeras vezes não comparecia nos compromissos profissionais como shows e entrevistas.

Tim Maia

Seita Cultura Racional

Na década de setenta, Tim entrou para a seita Cultura Racional convidado pelo seu líder, o médium Manoel Jacintho Coelho.

Permaneceu no grupo durante cerca de um ano e, durante esse período, se manteve afastado das drogas.

Alguns trabalhos produzidos foram feitos influenciado pela crença, são desse período os discos místicos Tim Maia Racional volume 1(1975) e Tim Maia Racional volume 2 (1976).

Pouco tempo depois de lançar os álbuns, o cantor se afastou da seita e retirou os discos do mercado.

Curiosidades

  • Tim Maia foi um dos pioneiros da Disco Music no Brasil tendo lançado o álbum Tim Maia Disco Club. A música animada do cantor e compositor fez (e ainda faz) enorme sucesso nas boates brasileiras;
  • O cantor foi apelidado de o síndico por Jorge Ben Jor. Essa piada interna ficou registrada na música W/ Brasil quando Ben Jor canta: "Eu vou chamar o síndico / Tim Maia!";
  • Tim Maia é tio do também cantor e compositor Ed Motta. Apesar dos laços familiares, os dois tinham uma péssima relação.

Vida pessoal

Consta que o grande amor de Tim Maia foi Geisa Gomes da Silva. Foi com ela que teve um único filho biológico (Carmelo Maia).

Tim também criou Márcio Leonardo Gomes Maia da Silva, conhecido como Leo Maia, que é filho apenas de Geisa.

No final da vida Tim se relacionou com Adriana Pereira da Silva, que foi sua secretária e última companheira.

Morte

No dia 8 de março de 1998, Tim Maia se sentiu mal durante a gravação de um show no Teatro Municipal de Niterói. Ele chegou a ser socorrido tendo sido levado para o Hospital Universitário Antônio Pedro onde permaneceu internado.

Uma semana mais tarde, no dia 15 de março, faleceu vítima de uma infecção generalizada. Tim Maia tinha na ocasião 55 anos.

Biografias

Livro Vale tudo - O som e a fúria de Tim Maia

Escrita pelo jornalista Nelson Motta, a biografia Vale tudo - O som e a fúria de Tim Maia foi lançada em 2007 e se debruçou sobre detalhes da vida do artista.

Tendo sido um sucesso editorial, Nelson Motta organizou os capítulos por ano e apresentou as fases boas e más de Tim Maia.

A obra literária inspirou duas adaptações: uma para o teatro e outra para o cinema.

Filme Tim Maia

A cinebiografia Tim Maia: não há nada igual, produzida por Mauro Lima e lançada em 2014, foi inspirada no livro de Nelson Motta.

Na telona o cantor é interpretado por dois artistas: Robson Nunes (que vive Tim Maia jovem) e Babu Santana (interpreta o ator a partir dos anos 70). Confira o trailer:

Musical Vale Tudo

O musical Vale Tudo também foi uma adaptação da obra do jornalista. Criado em 2011, o espetáculo teatral contou com Tiago Abravanel (e mais tarde Danilo de Moura) vivendo a pele do artista.

Músicas

Gostava tanto de você

Lançada em 1973, a música Gostava tanto de você foi um dos maiores sucessos na carreira do Tim e está incluída no LP Tim Maia.

Não sei por que você se foi
Quantas saudades eu senti
E de tristezas vou viver
E aquele adeus não pude dar

A canção fala sobre o abandono da mulher amada, que vai embora sem dar motivos ou satisfações deixando o sujeito em profunda solidão.

Sem saber o que fazer, o eu-lírico reconhece o amor que entregou a ela e se lamenta pelo fim súbito e inexplicado da relação.

Azul da cor do mar

Uma das primeiras canções do artista, Azul da cor do mar está inserida no primeiro LP de Tim, lançado em 1970. O trabalho fez tanto sucesso que ficou nas paradas de sucesso do Rio de Janeiro durante vinte e quatro semanas.

Mas quem sofre sempre tem que procurar
Pelo menos vir achar razão para viver
Ver na vida algum motivo pra sonhar
Ter um sonho todo azul
Azul da cor do mar

A canção propõe uma reflexão sobre a vida, sobre o destino dos homens e sugere que é preciso ter sempre esperança apesar de todas as situações adversas que enfrentamos.

O descobridor dos sete mares

Um sucesso dos anos oitenta, a música é o título do LP lançado em 1983 pela PolyGram.

A canção O descobridor dos sete mares é resultado de uma parceria feita entre Gilson Mendonça e Michel.

Pois bem, cheguei
Quero ficar bem à vontade
Na verdade eu sou assim
Descobridor dos sete mares
Navegar eu quero

Com uma pegada pop e dançante, O descobridor dos sete mares fala de um sujeito aventureiro que quer descobrir o mundo - assim como Tim Maia, que fez as malas rumo aos Estados Unidos se aventurando numa experiência completamente nova.

A música foi regravada posteriormente por Lulu Santos se tornando um sucesso maior ainda.

Me dê motivo

A parceria que resultou na música Me dê motivo é fruto do talento de Paulo Massadas e Michael Sullivan. Ao ganhar a voz do mestre Tim Maia, a canção foi inserida no LP O descobridor dos sete mares, lançado em 1980.

Me dê motivo pra ir embora
Estou vendo a hora de te perder
Me dê motivo, vai ser agora
Estou indo embora, o que fazer?

A letra de Me dê motivo fala sobre um casal e sobre o fim de uma relação do ponto de vista do homem. Frustrado, mas ao mesmo tempo motivado a encontrar um caminho melhor, ele decide ir embora.

Conheça também

Rebeca Fuks
Rebeca Fuks
Formada em Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (2010), mestre em Literatura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2013) e doutora em Estudos de Cultura pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e pela Universidade Católica Portuguesa de Lisboa (2018).