Muro de Berlim: construção, queda e contexto histórico


Carolina Marcello
Carolina Marcello
Mestre em Estudos Literários, Culturais e Interartes

O Muro de Berlim foi uma das construções mais marcantes do século XX, funcionando como um símbolo da polarização do mundo durante este período.

A sua edificação e a sua queda entraram para a história da humanidade, representando as mudanças sociopolíticas que estavam em curso.

Quer entender melhor a história e o significado do Muro de Berlim? Confira a nossa análise.

A construção do Muro de Berlim em 1961

O Muro de Berlim começou a ser construído na madrugada do dia 13 de agosto de 1961. Inicialmente, era uma barreira provisória, formada por arame farpado e pilares de concreto.

Os trabalhadores chegaram acompanhados por cordões de soldados da República Democrática Alemã e começaram a construção perto do Portão de Brandemburgo, um importante marco nacional.

Em plena Guerra Fria, a Alemanha Oriental já estava planejando em segredo a construção do muro, embora negasse publicamente. Walter Ulbricht, que estava à frente da RDA, já tinha solicitado que fechassem as fronteiras que separavam os dois lados do país.

Construção do muro.
Construção do Muro de Berlim, em 1961.

O objetivo era demarcar uma separação ideológica entre o lado socialista, aliado à União Soviética, e o lado capitalista, encabeçado pelos Estados Unidos da América.

Ainda que procurassem proteger o seu território das correntes de pensamento fascistas, também é verdade que queriam impedir o êxodo que vinha decorrendo.

Antes da divisão ser materializada pelo muro, existiam cada vez mais cidadãos partindo para o outro lado. Por exemplo, professores, médicos e engenheiros, estavam se mudando para o lado Ocidental, em busca de melhores condições econômicas.

A Alemanha Ocidental acordou com a barreira já erguida e reagiu com uma manifestação que reuniu mais de 300 mil participantes.

A queda do Muro do Berlim em 1989

O que aconteceu antes?

Durante 28 anos, a enorme barreira dividiu a Alemanha em duas partes, separando familiares e amigos que estavam de lados opostos. Muitos dos que tentavam atravessar o Muro acabavam presos e mais de uma centena perdeu a vida no processo.

Na década de 80, começaram a surgir cada vez mais protestos e manifestações pelo direito de viajar e circular livremente.

Essa onda gradual de revolta acabou levando a Alemanha Oriental a ceder, permitindo que os cidadãos pudessem passar para o outro lado.

O que aconteceu naquele dia?

Dia 9 de novembro de 1989, a ordem de abertura de fronteiras foi anunciada na rádio, antes mesmo que os militares que guardavam o Muro fossem avisados. Assim, uma multidão começou a chegar à enorme barreira, exigindo passar.

Queda do muro de Berlim, 1989.
Queda do muro de Berlim, 1989.

Com os números do seu lado, os cidadãos conseguiram que alguns pontos da fronteira começassem a ser abertos, aproximadamente às 23 horas. Muitos foram os que subiram o muro e simplesmente atravessaram.

Quando a notícia foi anunciada na televisão, o fluxo de pessoas aumentou, já que muita gente saiu de casa correndo para participar do momento histórico.

A partir daí, o muro começou a ser destruído pela própria população, processo que durou algumas semanas.

A população destruindo o Muro de Berlim, 1989.
A população destruindo o Muro de Berlim, 1989.

O que aconteceu depois?

O que sobrou foi posteriormente derrubado com máquinas, mas algumas partes sobreviveram até os dias de hoje, se tornando pontos turísticos da cidade.

Mais do que a unificação da Alemanha, a queda do Muro de Berlim simbolizou o final da Guerra Fria que estava dividindo o mundo desde a década de 40.

Resumo: O que foi o Muro de Berlim?

O Muro de Berlim foi uma barreira construída em concreto, com aproximadamente 3 metros de altura, criada para isolar a Alemanha Oriental da Alemanha Ocidental.

Além de dividir a cidade de Berlim, demarcava a República Democrática Alemã (RDA) e a República Federal Alemã (RFA), separando o país em duas partes durante 28 anos.

O lado oriental, socialista, denominado de RDA, construiu o muro subitamente, na madrugada de 13 de agosto de 1961. Do outro lado estava a RFA, ligada aos países aliados da Segunda Guerra Mundial, liderados pelos Estados Unidos da América.

Muro de Berlim: vista do lado Americano (RFA).
Muro de Berlim: vista do lado Americano (RFA).

O Muro de Berlim simbolizou a polarização do mundo durante a Guerra Fria, materializando através de uma muralha a série de disputas estratégicas e conflitos indiretos que estavam em curso.

A barreira continha também grades metálicas e redes elétricas, para evitar que fosse trespassada. Possuía ainda várias torres de vigia e era patrulhada por soldados da RDA com cães de guarda.

Os soldados receberam instruções para matar quem tentasse atravessar a fronteira, a chamada Ordem 101. Mais de uma centena de pessoas morreram tentando passar a "cortina de ferro" e muitas mais foram presas ou ficaram feridas. Mesmo assim, algumas arriscaram a própria vida e conseguiram fazer a travessia.

Muro de Berlim.
Imagem do Muro de Berlim.

O lado ocidental começou, aos poucos, a ser pintado com grafites de artistas do mundo inteiro. Durante os anos 80, já estava completamente coberto de desenhos e se tornou um ponto de interesse turístico, passando a ser visitado por viajantes de diversos pontos do globo.

Contexto histórico: antes da construção do Muro

Para compreendermos as motivações que levaram à construção do Muro de Berlim, é preciso termos atenção aos vários fatores históricos que estavam em jogo.

Em 1945, com o final da Segunda Guerra Mundial, a Alemanha se rendeu aos países que combateram o nazismo de Hitler. Assim, o país passou a ser fragmentado em quatro partes: sob o domínio norte-americano, francês, inglês e soviético.

Estas "zonas de influência" estavam na própria capital, dividindo a cidade em quatro. Com o tempo, o lado soviético foi se distanciando cada vez mais dos outros, enquanto eles, pelo contrário, se uniam.

Quando os lados norte-americano, francês e inglês se unificaram, implementando o mesmo governo e a mesma moeda, criaram a República Federal Alemã (RFA).

Foi assim que se formaram as duas "facções" que viriam a viver separadas, em plena Guerra Fria, por mais de duas décadas. Entre 1945 e 1991, a Guerra Fria concerne as várias disputas e conflitos indiretos que os Estados Unidos da América e a União Soviética estavam travando desde o final da Segunda Guerra Mundial.

Curiosidades sobre o Muro de Berlim

  • Mesmo sendo quase impossível atravessar o Muro de Berlim, existiam alguns lugares onde a passagem poderia ser ser permitida. O mais célebre se chamava Checkpoint Charlie, ponto onde alguns cidadãos conseguiram autorização para a travessia, apesar de toda a burocracia envolvida no processo.

  • Vários artistas internacionais como David Bowie e Bruce Springsteen se apresentaram em Berlim Ocidental, no final dos anos 80. Nos seus shows, protestaram contra o Muro de Berlim.

  • Embora falemos na queda do muro, ele na verdade foi retalhado, em pedaços inteiros que continham os murais com pinturas. Deste modo, grande parte dos grafites acabaram sendo leiloados e vendidos.

  • A parte do muro que foi conservada (aproximadamente 1300 metros), exibe desenhos e grafites de artistas do mundo todo. Conhecida como East Side Gallery, a região é uma das maiores atrações turísticas de Berlim.

    East Side Gallery, em Berlim.
    East Side Gallery, em Berlim.
  • Uma das imagens mais famosas que se encontram no local é um grafite conhecido como O Beijo ou O Beijo da Morte. Nele, podemos ver uma cena que aconteceu na vida real: Leonid Brezhnev e Erich Honecker se beijando.
    O líder soviético e o presidente da República Democrática da Alemanha comemorava, entusiasticamente, o trigésimo aniversário da RDA quando foram fotografados.

    Grafite 'O Beijo' no Muro de Berlim.
    Grafite O Beijo no Muro de Berlim.

    Conheça também

  • Música Heroes de David Bowie
  • Filme Guerra Fria, de Pawel Pawlikowski
Carolina Marcello
Carolina Marcello
Mestre em Estudos Literários, Culturais e Interartes (2014) e licenciada em Estudos Portugueses e Lusófonos (2011) pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto.