Gilbert Baker e a sua bandeira do arco-íris


Carolina Marcello
Carolina Marcello
Mestre em Estudos Literários, Culturais e Interartes

Gilbert Baker (1951 — 2017) foi um importante artista e ativista norte-americano que esteve na frente da luta pelos direitos LGBT.

O designer ficou conhecido, sobretudo, por ter criado a icônica bandeira do arco-íris, em 1978.

Biografia: quem foi Gilbert Baker?

O começo da sua vida

Gilbert Baker nasceu em 2 de junho de 1951, no Kansas, Estados Unidos da América. Durante a juventude, ingressou no exército norte-americano onde trabalhava como médico e permaneceu dois anos.

Em 1972, Baker foi liberado da vida militar e se mudou para São Francisco, onde estavam acontecendo as primeiras movimentações pelos direitos dos cidadãos LGBT.

Ativismo e criação da bandeira

Lá, numa comunidade mais aberta à diversidade, ele pôde viver abertamente como homem gay e passou a se envolver com várias causas sociais.

Na época, começou a participar de alguns movimentos, por exemplo, as manifestações contra a guerra e pela legalização da marijuana, entre outras.

Gilbert Baker rodeado de bandeiras LGBT.
Gilbert Baker rodeado de bandeiras LGBT.

Usando os seus talentos para as artes visuais, começou a produzir faixas, panfletos e bandeiras para várias marchas, passeatas e protestos.

Nesse processo, Gilbert ficou amigo de Harvey Milk, um dos maiores nomes do ativismo norte-americano. Foi aí que, em 1978, criou a bandeira do arco-íris, com a ajuda de um coletivo.

Depois da bandeira do arco-íris

O design se tornou o símbolo mais famoso da luta LGBT, até à data. Na sequência, Baker começou a trabalhar para uma fábrica de bandeiras, a Paramount Flag Company.

Um personagem importante da região, o artista continuou colaborando com a Parada do Orgulho Gay de São Francisco. Depois, se mudou para Nova York, onde prosseguiu o seu trabalho como ativista.

Gilbert Baker caminhando sobre a bandeira arco-íris gigante.
Gilbert Baker caminhando sobre a bandeira do arco-íris gigante.

Em 1994, Baker elaborou uma bandeira do arco-íris gigante para comemorar os 25 anos das rebeliões de Stonewall (1969).

No dia 31 de março de 2017, o ativista morreu, deixando um enorme contributo para a história e a comunidade LGBT. Em Nova York, foi homenageado como uma Fonte Arco-Íris.

Já em São Francisco, o museu GLBT Historical Society exibe as máquinas de costura onde ele criou a bandeira, como artefatos históricos do ativismo e da luta pelos direitos humanos.

Bandeira do arco-íris: história e simbolismo

Processo de criação da bandeira

Atualmente, é quase impossível não reconhecer a bandeira que Gilbert Barker criou. Ela foi incorporada em incontáveis passeatas, protestos, paradas e manifestações que foram surgindo, um pouco por todo o mundo.

Baker era amigo pessoal de Harvey Milk, líder do movimento LGBT em São Francisco, que encomendou uma bandeira para um evento do Orgulho Gay que estava organizando.

Gilbert Baker costurando a bandeira.
Gilbert Baker costurando a bandeira.

Na época, nenhum deles imaginava que estava nascendo um símbolo tão poderoso. Baker criou a bandeira com o apoio de vários voluntários.

No final, optou por não registrar os direitos da sua criação, já que a encarava como algo coletivo, que agora pertencia à comunidade.

O artista descreveu, numa entrevista posterior, aquilo que sentiu quando viu a bandeira sendo hasteada pela primeira vez:

Quando foi erguida e o vento finalmente a tirou das minhas mãos, me surpreendeu. Vi imediatamente como todos ao meu redor reclamavam a bandeira. Eu pensei: "É melhor do que eu alguma vez sonhei."

Retrato da bandeira Arco-íris.
Retrato de uma bandeira do arco-íris hasteada.

Simbologia das cores da bandeira do arco-íris

Formada por listras horizontais de várias cores, a bandeira procura traduzir diversidade. Cada tom representa uma característica diferente que Baker quis salientar:

  • Vermelho — Vida
  • Laranja — Cura
  • Amarelo — Luz do Sol
  • Verde — Natureza
  • Azul — Harmonia
  • Roxo — Espírito

Inicialmente, as cores eram oito, com o rosa simbolizando a sexualidade e o turquesa representado a arte. Com o tempo, a bandeira foi sendo alterada e simplificada, passando a ter seis tonalidades, por causa da escassez de tecidos.

Numa época em que era necessário combater a opressão e a violência institucionalizadas, Baker escolheu representar a comunidade LGBT com cores vivas e energéticas:

Precisávamos de algo para expressar nossa alegria, nossa beleza, nosso poder. E o arco-íris fez isso.

Assim, o arco-íris virou um símbolo de resistência e pluralidade, representando a sexualidade e a própria experiência humana como algo múltiplo e diverso, que ultrapassa qualquer convenção social arcaica.

Significado e importância histórica da bandeira do arco-íris

Para entendermos totalmente o impacto da bandeira do arco-íris, é importante lembrarmos o modo como os cidadãos LGBT viviam e eram tratados na época.

Por muito absurdo que possa parecer nos dias de hoje, na década de 70 a heterossexualidade continuava sendo a norma absoluta e todos os que viviam fora dela eram marginalizados.

Eram incontáveis os casos de prisão, violência e chantagem por parte da polícia. Foi como resposta a eles, e em busca de igualdade, que o movimento LGBT se consolidou.

Retrato de Gilbert Baker, em 2003, na Pride Parade de Estocolmo.
Retrato de Gilbert Baker, em 2003, na Pride Parade de Estocolmo.

Quando começaram a unir forças e se mobilizar para lutar pelos seus direitos, estes indivíduos criaram uma comunidade.

A bandeira do arco-íris veio cimentar essa identidade coletiva e lembrar que, em todos os cantos do globo, existem multidões lutando pela mesma causa.

O artista declarou:

As bandeiras são uma forma de proclamar poder. A visibilidade é a chave do nosso sucesso e da nossa justiça.

Deste modo, Baker contribuiu em larga medida para a tão importante visibilidade e representatividade da população LGBT.

A bandeira do arco-íris virou um símbolo de união, libertação e empoderamento que continua sendo erguido pelo mundo a fora.

Retrato da Pride March de São Francisco em 2019.
Retrato da Pride March de São Francisco em 2019.

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Atualizado em
Carolina Marcello
Carolina Marcello
Mestre em Estudos Literários, Culturais e Interartes e licenciada em Estudos Portugueses e Lusófonos pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto.