10 filmes da Disney e o que aprendemos com eles


Carolina Marcello
Carolina Marcello
Mestre em Estudos Literários, Culturais e Interartes

É inegável que os filmes da Disney nos ensinaram várias coisas maravilhosas sobre a vida, o mundo e até sobre nós mesmos. As nossas infâncias foram marcadas por esses personagens e as novas gerações estão crescendo com eles também.

O que será que existe de tão mágico nas animações da Disney, capazes de se entranhar na nossa memória e continuar merecendo o nosso carinho, mesmo décadas depois?

Talvez não possamos explicar, mas fizemos uma lista de filmes que nos influenciaram e que continuamos assistindo e amando. Confira!

Atenção: o artigo contém spoilers dos filmes em análise!

1. Alice no País das Maravilhas (1951)

Alice no País das Maravilhas é um clássico que não pode faltar quando o assunto são filmes de animação. Baseado na história homônima de Lewis Carroll, publicada em 1865, a trama segue os passos de Alice, uma menina inglesa que embarca numa grande aventura.

A jornada começa quando ela está no jardim e vê um coelho branco passando. O animal desperta a sua atenção porque veste um colete e carrega um grande relógio de bolso. Movida pela curiosidade, a menina decide segui-lo e pula depois dele numa toca de coelho.

Sem saber, ela vai parar no País das Maravilhas, onde tudo é diferente daquilo que conhecia. Lá, os animais se comportam como humanos, os objetos e as flores falam e até cantam.

Alice, uma menina inteligente e estudiosa, tem dificuldades em lidar com esse novo mundo, porque ele desafia todo o conhecimento que ela tinha até ali. As coisas pioram quando ela encontra a Rainha de Copas, tirana que governa a região de forma violenta e sem sentido.

Lutando pela justiça, e do lado da racionalidade, Alice acaba se impondo contra a monarca e quase se dá mal. No final, percebemos que tudo se tratou de um sonho. Mesmo assim, a experiência parece ter ensinado algumas coisas à menina.

Um dos momentos da viagem que precisamos destacar é o encontro entre a protagonista e a lagarta. Alice confessa que está começando a ter uma crise de identidade naquele lugar estranho, não conseguindo mais se reconhecer.

O inseto, cujo destino é virar borboleta, mostra que mudanças e transformações são uma parte natural da nossa vida e, por isso, não precisamos temê-las.

Gato de Cheshire em cima da árvore.
Gato de Cheshire em cima da árvore.

Na mesma linha de pensamento, é impossível não lembramos do carismático Gato de Cheshire. O felino que sorri e faz o seu corpo desaparecer conquista o coração de qualquer espectador. Embora a sua conversa com a protagonista possa soar como um monte de bobagens, ela faz mais sentido do que parece.

Ele lembra a menina que nem sempre temos que seguir um destino que já foi traçado. Podemos simplesmente partir à descoberta, viver uma aventura. Alice é convidada a abandonar a lógica e seguir a curiosidade, explorar, sem mapas nem planos. Um símbolo da liberdade, ele mostra também que há uma certa dose de loucura em cada um de nós.

Por tudo isso, podemos considerar que se trata de uma metáfora para o processo de crescimento e amadurecimento de alguém, com seus enormes desafios.

Alice aprende que nunca sabemos tudo e que devemos nos manter curiosos e de espírito aberto perante o desconhecido. Conhecer aquilo que é diferente não coloca em causa quem somos, mas pode transformar-nos: através de novas perspectivas, outras formas de ver o mundo.

Conheça a análise da obra Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll.

2. Peter Pan (1953)

Outro clássico da Disney, o filme é baseado na peça de teatro Peter and Wendy de J. M. Barrie, que deu origem a um livro infantil com o mesmo nome, publicado em 1911.

Wendy e seus irmãos mais novos são loucos pelas histórias de Peter Pan, uma criança aventureira e destemida que se recusa a crescer. Nas mãos de um pai mal-humorado, eles estão aborrecidos com a vida.

É então que surge Peter Pan, acompanhado pela sua fiel companheira, a fada Sininho. O garoto está atrás da sua sombra, que fugiu do corpo e anda por aí causando confusões.

Wendy o vê e fica muito entusiasmada, se oferecendo para cozer a sombra de volta no seu corpo. Em troca, ele se oferece para levá-la para o seu país, a Terra do Nunca. Junto com os irmãos, Wendy dá a mão ao protagonista e saem voando, com ajuda do pó de fadas.

Entretanto, conhecemos o seu grande rival, Capitão Gancho, o furioso chefe dos piratas da Terra do Nunca. Ele ganhou o nome porque, numa briga, Peter cortou a sua mão esquerda, que depois foi substituída por um gancho.

Por isso, o vilão odeia o garoto e dedica a sua vida a tentar derrotá-lo. Ao mesmo tempo, o crocodilo que devorou a sua mão ficou obcecado em comer Gancho, e vive atrás dele. A sua sorte é que o animal engoliu um relógio e faz barulho quando se aproxima.

O Pirata ataca Peter enquanto ele está nos ares e Sininho vai acordar os Garotos Perdidos, um bando de meninos que vivem sobre a liderança do protagonista. O grupo surge e o herói consegue escapar, mas volta a se confrontar com o inimigo, durante a história.

Gancho e seus homens conseguem sequestrar Sininho e o resto do grupo, como armadilha para atrair Pan. Os dois combatem e o garoto acaba vencendo, atirando o capitão para o mar.

Peter Pan lutando contra Capitão Gancho
Peter Pan lutando contra Capitão Gancho.

No final, o protagonista passa a conduzir o navio, que com a ajuda de Sininho se torna mágico e começa a voar. Levam Wendy e os irmãos de volta para casa, bem a tempo dos pais deles chegarem. O pai encontra os filhos dormindo e a janela aberta; olhando para o céu, vê um navio e o reconhece, dos tempos em que era criança.

Peter é uma criança corajosa e travessa que vive na Terra do Nunca porque não quer crescer. Junto de Sininho e os Garotos Perdidos, leva a vida como uma grande brincadeira. Não é à toa que o seu maior inimigo é um homem adulto, que vive sendo perseguido por um crocodilo que faz o tic tac do relógio. Gancho parece simbolizar o peso da idade adulta e o tempo que espera para nos devorar.

Wendy, que é a irmã mais velha, começa a não gostar do modo como os Garotos Perdidos viviam: sujos e no meio da bagunça. Ela sente a responsabilidade e percebe que o seu lugar não é ali. Quando os dois brigam, Peter fala que ela deve voltar, porque depois que alguém vira adulto, isso não tem volta.

Embora viva encantada com as aventuras de Peter Pan, a garota sabe que o seu dever é regressar. Na cena final, através do seu pai, percebemos que o herói acompanha várias gerações de crianças. O filme nos ensina que, por muito tentadora e mágica que pareça uma infância eterna, todos nós precisamos crescer.

3. A Bela e a Fera (1991)

Uma das histórias de amor mais emocionantes da Disney, A Bela e a Fera nos tornou, a todos, um pouco mais românticos. O longa é inspirado no conto de fadas homônimo de Jeanne-Marie Leprince de Beaumont, e na adaptação cinematográfica de Jean Cocteau, lançada em 1946.

A narrativa segue a história de Bela, uma moça solitária que dedica a sua vida à leitura de romances. Seu pai, Maurice, é um inventor excêntrico que todos consideram louco. Um dia, ele toma um caminho errado e vai parar no castelo da Fera, que o torna prisioneiro.

Trata-se, na verdade, de um príncipe que foi transformado em monstro por uma feiticeira, que também transformou os empregados em objetos domésticos. Ela lhe deixou uma rosa, falando que quando a última pétala caísse, seria impossível desfazer o feitiço.

Enquanto isso, na vila, Bela é cortejada por Gaston, o caçador belo mas arrogante que se opõe ao seu amor pelos livros. Quando percebe que o pai foi preso, ela vai ao castelo da Fera e se oferece para ficar lá, em troca da libertação do pai.

Maurice é solto e corre para pedir ajuda a Gaston, mas ele pensa que o homem está louco e planeja o seu internamento. No castelo, a moça começa por manter a distância da Fera, mas aos poucos vão se conhecendo e conquistando a confiança um do outro.

Quando Bela é ataca por lobos, a Fera corre para defendê-la e é ferida. Depois de tratar dos seus machucados, a protagonista ganha de presente uma enorme biblioteca, com acesso aos livros que sempre sonhou. No entanto, ela percebe que seu pai corre perigo e diz que precisa ajudá-lo; a Fera concorda em deixá-la partir.

Bela e a Fera dançando.
Bela e a Fera dançando.

No desenlace, Gaston e os aldeões invadem o castelo e lutam com o monstro e seus empregados transformados em objetos. Bela chega bem na hora em que a Fera é lançada de um telhado, no mesmo momento em que a última pétala da rosa cai.

Aí, ela o abraça e confessa o seu amor, quebrando o feitiço e fazendo com que todos voltem à forma humana. Embora tenham se conhecido de uma forma bastante bizarra, os dois acabaram se apaixonado e mudando, um com o outro.

O filme nos mostra que o amor verdadeiro pode vencer qualquer barreira e nos salvar no final. A mensagem mais importante de A Bela e a Fera é a importância de vermos além das aparências.

Gaston era muito bonito, mas seu comportamento era cruel e machista, desvalorizando os interesses da moça. Já a Fera, um monstro feio e aparentemente mau, vai se revelando doce e carinhoso ao longo da história, também por influência da amada.

4. O Rei Leão (1994)

Um dos mais bonitos e inspiradores filmes da Disney, O Rei Leão faz parte dos favoritos do público. Mufasa governa Pedra do Rei e cria seu filho, Simba, tentando prepará-lo para assumir o poder, quando chegar a sua vez. O menino, no entanto, apenas quer brincar e não mede os riscos.

O longa-metragem é inspirado em Hamlet de William Shakespeare; assim como na peça, o príncipe é vítima da inveja do tio, que sonha com o poder. Scar coloca Simba em vários perigos e consegue matar o irmão, Mufasa, que morre tentando salvar a cria.

Achando que causou a morte do pai, o menino some por muito tempo e todos pensam que ele também morreu.

A sorte sorri quando ele é encontrado por Timão e Pumba, uma dupla de amigos bem animados que cuidam dele e o adotam. Embora goste da vida tranquila e sem preocupações que vive com eles, Simba continua pensando no pai que perdeu e o povo que deixou para trás.

Ao reencontrar Nala, uma antiga amiga de infância, descobre que todos estão passando fome, por causa da incompetência do tio. Simba, que agora é um jovem adulto, se sente perdido e esmagado pelo peso da culpa e da responsabilidade. Antes de morrer, no entanto, Mufasa falou que sempre estaria no céu, pronto para guiá-lo.

Simba e Rafiki
Rafiki conversa com Simba.

É lá que o protagonista revê o pai, entre as estrelas, graças à magia do xamã, Rafiki. O pai lembra que ele tem que cumprir o seu dever e precisa ser corajoso. Assim, graças às palavras de motivação, ele consegue regressar e derrotar o tio.

Com o verdadeiro rei governando, tudo parece voltar aos eixos e Simba tem uma filha com Nala. O final da narrativa nos mostra o ciclo da vida em ação, que se renova com o passar do tempo.

Em O Rei Leão vemos também as preciosas lições que a natureza nos dá: o equilíbrio, a harmonia entre as formas de vida, o respeito mútuo. O filme também tece reflexões importantes sobre as boas e as más formas de estar no poder e liderar um povo.

Esta é, principalmente, uma história de crescimento. Assistimos à vida do protagonista desde a infância até à vida adulta, com seus desafios e suas crises identitárias. O herói só consegue vencer graças aos ensinamentos da família e à ajuda dos amigos.

Com uma reflexão muito tocante sobre a memória, mostra que quem amamos continua sempre nos guiando, mesmo se for do céu.

Conheça também a análise detalhada do filme O Rei Leão.

5. Pocahontas (1995)

Embora a animação da Disney se afaste bastante da verdadeira narrativa, bem mais sombria, Pocahontas é inspirado na história da jovem indígena com o mesmo nome.

A ameríndia era filha do chefe da tribo Powhatan e foi responsável por salvar a vida de vários colonos ingleses, entre eles John Smith. Na versão da Disney, ela e Smith se apaixonam, o que não aconteceu na vida real.

O longa-metragem começa com o navio partindo de Londres em 1607, a caminho do continente norte-americano. Enquanto a tripulação sonha com "o novo mundo", o Governador, sedento de poder e dinheiro, apenas pensa no ouro.

Na região que viria a ser conhecida como Virgínia, encontramos a protagonista, se banhando no rio. Logo nos primeiros momentos, podemos perceber que o seu espírito é jovem e um pouco rebelde.

Enquanto isso, o povo nativo trabalha e canta, em total harmonia com a fauna e a flora. O chefe regressa de uma batalha, que venceu, e elogia a bravura de Kocoum. Pouco depois, Powhatan revela à filha quer casá-la com o guerreiro.

O patriarca explica à moça que ela tem que cumprir o seu dever com a tribo e ser "estável como um rio". Ela argumenta, no entanto, que as águas estão em constante movimento e renovação. Confusa, vai visitar Vovó Willow, uma árvore com feições humanas com quem conversa e se aconselha.

Essa relação parece simbolizar a proximidade dos povos indígenas com a natureza, representando também uma aura mágica presente em todo o filme. Ela fala que, para encontrar o seu caminho, a jovem tem que seguir o coração.

A protagonista decide ir atrás das surpresas da vida e dá de caras com John Smith, que a princípio aponta uma arma para ela, pensando que se trata de um bicho escondido no mato. Depois de se olharem em silêncio, os dois procuram comunicar, mesmo em línguas diferentes.

Pocahontas e John Smith.
Pocahontas e John Smith.

Aos poucos, começam a conversar e trocam pontos de vista sobre suas culturas e seus costumes. Embora esteja apaixonado por Pocahontas, Smith ainda é ignorante e encara os índios como "selvagens".

A protagonista, por outro lado, explica aquilo que os estrangeiros podem aprender com a sua sociedade: a partilha, o respeito pelos animais, pela natureza, e pelos seus iguais. Sublinha também que diferente não significa inferior.

Um dos colonos ingleses mata Kocoum e a tribo manda chamar os povos vizinhos para ajudar. Enquanto isso, a Companhia Virginia preparava um grande ataque. De um lado, vemos a ganância e o desrespeito pela vida humana e, do outro, a raiva e a sede de vingança.

Quando Smith é feito prisioneiro e vai ser executado pelo seu pai, Pocahontas impede, discursando sobre o amor que os une, apesar de todas as diferenças. Seu ato heroico quebra o ciclo de violência, parando a batalha.

Embora não seja uma representação fiel da figura histórica, nem dos costumes dos Powhatans, o filme nos deu lições importantes de empatia e coragem.

6. Hércules (1997)

Hércules nasce a partir da combinação de dois mundos incríveis: as animações da Disney e a mitologia da Grécia Antiga.O protagonista, "Hércules" no latim, é inspirado na figura de Herácles, como era chamado na língua grega.

Um semideus na história original, ele nasceu da traição de Zeus com uma mortal, Alcmena. Na versão infantil, no entanto, a Disney optou por esconder o adultério e representá-lo como sendo filho de Hera, a esposa do rei do Olimpo.

Hades, deus dos mortos, manda sequestrar o sobrinho porque tem inveja do poder do irmão, Zeus. Ainda bebê, Hércules é levado do Olimpo por Agonia e Pânico, empregados de Hades.

Eles tentam tirar os seus poderes, fazendo o menino tomar uma poção, mas têm que fugir. Hércules vira mortal, mas continua dono de uma força divina, algo que seus pais adotivos, agricultores da região, percebem desde cedo.

Já adolescente, ele é encarado com desconfiança pelos demais, por ser desajeitado e ter uma força bruta que destrói tudo em volta. Seus pais acabam confessando que o encontraram quando era criança e mostram o medalhão que ele tinha no pescoço.

No objeto, ele vê a imagem do templo de Zeus e resolve visitar o local em busca de respostas. Lá, encontra o pai divino que lhe conta toda a história do seu passado.

Então recupera o velho amigo, o cavalo alado Pégasus, e descobre que precisa se tornar um verdadeiro herói. Para isso, vai procurar o sátiro Phil, conhecido por treinar guerreiros. Com o mentor, ele desenvolve as suas capacidades e também os seus músculos.

Entre suas aventuras, ele salva uma jovem chamada Meg, que estava sendo atacada por um centauro. Se apaixonando quase imediatamente por ela, o herói não sabe que Meg está sendo chantageada por Hades, a quem vendeu a alma para salvar um homem que a abandonou.

Hércules treinando com Phil.
Hércules treinando com Phil.

A postura de Meg é bem diferente daquelas que conhecíamos das protagonistas da Disney até então. Ela é muito independente, toda mandona e sarcástica, e rejeita os avanços do guerreiro.

Mesmo assim, Hades consegue usá-la para roubar os poderes do herói e libertar os Titãs, eternos inimigos de Zeus. Quando consegue recuperá-los, é tarde demais e a amada já morreu.

Movido pela paixão, ele vai buscá-la ao mundo dos mortos, resgatando-a do Rio Estígio. O ato heroico faz Hércules reconquistar o estatuto de deus, mas ele acaba escolhendo ficar na Terra com Meg.

Além de nos apresentar um pouco da mitologia, o filme transmite mensagens inspiradoras. Hércules nos mostra que ser diferente pode ser um super poder e não uma maldição. No final, ele prova que o amor pode ser maior que a eternidade.

7. Mulan (1998)

Um filme inesquecível, Mulan abriu caminho para as protagonistas da Disney que partem para a luta. A história é inspirada na lenda chinesa de Hua Mulan, registrada num poema narrativo do século VII. Durante a Dinastia Han, os Hunos conseguem atravessar a Grande Muralha e invadem a China. Para combatê-los, é necessário que um homem de cada família se junte ao exército.

Mulan está sendo educada pelas mulheres mais velhas para casar e ser uma boa esposa, segundo os costumes da época. Embora se esforce, a moça não consegue cumprir as tarefas propostas, nem revela a delicadeza que esperavam de uma noiva.

Assim, ela se sente perdida e teme o futuro, por ser do jeito que é. Suas preocupações se alteram quando o pai, que está doente, é chamado para combater na guerra. Num ímpeto de coragem, Mulan corta os cabelos com uma espada, veste a armadura do veterano e parte, se fazendo passar por ele.

Quando os pais e a avó percebem que a jovem fugiu, rezam aos seus antepassados, pedindo proteção. A reunião dos espíritos dos antepassados é uma cena bastante cômica, e uma boa sátira às expectativas e pressões familiares. Eles mandam Mushu, um pequeno dragão vermelho, despertar o Grande Dragão de Pedra, mas ele comete um erro e quebra a estátua sagrada.

Assim, precisa ir atrás de Mulan e tratar de protegê-la. Seguindo os seus conselhos absurdos para parecer um homem, Mulan causa problemas no exército e sua adaptação é difícil. Mesmo assim, do lado dos outros recrutas e com a supervisão do Geral Li Shang, a protagonista vai se tornando um verdadeiro soldado.

Seu esquema, no entanto, é revelado quando ela é ferida no peito e precisa de curativos. Embora não seja executada, é expulsa do exército e tem que partir sozinha. O cenário muda quando o Imperador é sequestrado pelos Hunos no seu próprio palácio.

Para entrarem no edifício, os guerreiros decidem se disfarçar de concubinas e precisam da ajuda dela. Enquanto Shang corre para resgatar o Imperador, Mulan atrai o chefe dos Hunos para o telhado e luta sozinha contra ele. Mushu, o seu companheiro dragão, liberta um foguete que atinge o inimigo e o mata.

Mulan lutando para salvar o Imperador.
Mulan lutando para salvar o Imperador.

O Imperador agradece prestando todas as honras à protagonista e é proposto que ela trabalhe como conselheira do exército, cargo que rejeita. Em vez disso, prefere voltar para junto da família.

Quando regressa, de cabelos ainda curtos e espada na mão, é recebida com alegria por todos. Embora tenha desobedecido às ordens e desafiado tudo o que esperavam dela, Mulan encheu a sua família de orgulho.

A protagonista é um símbolo de força e poder feminino para muitas meninas que cresceram assistindo a Disney. Através de suas ações, ela nos ensinou a não aceitar passivamente o destino que os outros traçaram para nós.

Provando que as mulheres são capazes de tudo, sua história desafia os papéis de gênero restritivos e nos relembra que por vezes podemos, e devemos, quebrar as regras.

8. Lilo & Stitch (2002)

Lilo & Stitch é um filme muito divertido e também um belo retrato da amizade, sendo considerado um dos novos clássicos do cinema de animação.

Dr. Jumba Jookiba Rick, um cientista alienígena, é exilado pela União Federativa da Galáxia por ter criado um ser altamente perigoso, o Experimento 626. No processo, a criatura consegue pegar uma nave e fugir para a Terra.

Cai no Havaí, onde acaba sendo atropelado durante uma tempestade e confundido com um cachorro machucado. É aí que seu destino se cruza com o de Lilo, que viria a ser a sua melhor amiga.

Revoltada com a morte dos pais, ela é rejeitada pelas outras crianças. A irmã mais velha, Nani, está em risco de perder a sua guarda porque não consegue controlar o comportamento da menina.

Para confortá-la, leva Lilo ao canil para adotar um cachorro, mas a protagonista escolhe o monstro extraterrestre. Apesar das preocupações de Nani, a criança insiste em levar 626 para casa e chamá-lo de Stitch. Enquanto isso, o cientista louco persegue a criatura alienígena, mas ela sempre consegue escapar.

Por causa das confusões geradas por Stitch e seu rival, Nani acaba sendo demitida e não consegue arrumar trabalho. Ao perceber que está prejudicando a vida das irmãs, o protagonista resolve fugir, mas se envolve numa luta com Dr. Jumba e acaba destruindo a casa delas.

Para não ser levada para longe, a menina foge para a selva, onde Stitch é finalmente capturado pelo criador. Lá, Lilo é sequestrada pela nave do antagonista da história, o Capitão Gantu. Nani surge e pede a ajuda dos alienígenas para resgatá-la.

Lilo, Stitch e Nani surfando.
Lilo, Stitch e Nani surfando.

Stitch relembra o significado de 'ohana, uma palavra que Lilo lhe ensinou e se traduz como "família". Assim, consegue amolecer o coração de Dr. Jumba, que concorda em salvar a garota. Depois de muita perseguição, a dupla se reúne novamente.

Quando a União Federativa da Galáxia captura Stitch, Lilo argumenta em sua defesa, falando que o adotou e devem estar juntos. Impressionados com a evolução do suposto monstro, concordam que ele viva exilado na Terra, com Nani e a menina.

A narrativa nos recorda que sempre estamos a tempo de mudar, se estivermos rodeados de pessoas que torcem por nós. O poder da amizade e a empatia que se gera entre Lilo & Stitch transforma as suas vidas.

O filme também transmite uma mensagem muito importante: existem vários tipos de famílias, que podem ter diversas configurações e se transformar ao longo do tempo. O fundamental é mesmo existir amor!

9. Frozen: Uma Aventura Congelante (2013)

Lançado em 2013, Frozen: Uma Aventura Congelante é um dos maiores sucessos produzidos pela Disney. Inspirado no conto A Rainha da Neve, escrito por Hans Christian Andersen, o longa-metragem foi pensado durante décadas.

Contudo, o projeto nunca saía do papel, já que as personagens eram tão diferentes daquilo a que o público estava acostumado. Ao contrário da versão original, aqui a Rainha do Gelo não é uma vilã, apenas uma jovem confusa. A ação acontece na Noruega, no reino de Arendelle, onde os reis têm duas filhas: Elsa e Anna.

Elsa, a mais velha, nasceu com o poder de convocar o gelo e a neve. Enquanto brincam, ela machuca a irmã sem querer e os pais começam a temer o seu dom. Assim, as meninas crescem fechadas no castelo, principalmente Elsa, que se isola por medo de ferir os outros.

Quando seus pais morrem subitamente durante uma viagem, a filha mais velha tem que assumir o trono. No baile de coroação de Elsa, sua irmã conhece o príncipe Hans, um homem traiçoeiro que ambiciona mais poder, e a pede em casamento. A nova rainha se opõe à decisão precipitada e as duas começam a discutir.

Durante a briga, Elsa se descontrola e revela seus poderes perante todos. Envergonhada, ela foge e liberta o inverno, construindo um grande castelo de gelo nas montanhas. No meio da confusão, cria também um parceiro singular: Olaf, um bem-humorado boneco de neve que sonha com o verão.

Quando parte no meio da neve em busca da rainha, Anna se perde e acaba conhecendo Kristoff, um homem do povo que a auxilia. As irmãs se reencontram e brigam de novo. Furiosa, Elsa atinge a caçula com um raio gelado no coração. Aos poucos, a jovem começa a enfraquecer e só um ato de amor verdadeiro é capaz de salvá-la. Aí, percebe que Hans não gosta dela, apenas quer o seu reino.

Elsa usando os seus poderes.
Elsa usando os seus poderes.

A rainha do Gelo tenta parar o inverno, mas não consegue controlá-lo. Quando é capturada por Hans, o vilão mente, afirmando que é a culpada pela morte de Anna e, subitamente, a tempestade de gelo desaparece. Então, o príncipe malvado tenta atacá-la, Anna surge e se lança no meio, sendo atingida pelo raio de gelo da irmã.

Todos pensam que a jovem morreu, mas aos poucos ela começa a descongelar, já que a tentativa de salvar a irmã foi um ato de amor verdadeiro. Assim, Frozen nos ensina que, através da coragem e do amor, podemos nos salvar sozinhos. Quebrando a tradição dos contos de fadas, Anna se livra do feitiço graças aos seus próprios atos.

Mais: aqui o "príncipe encantado" é o vilão e a mocinha tem um final feliz com Kristoff, um jovem humilde das montanhas. Elsa também é uma protagonista tudo menos usual. Durante quase todo o filme, ela provoca o caos por onde passa. Como não aceita o seu poder nem sabe como controlá-lo, ela se isola e vai se tornando cada vez mais solitária e triste.

Anna, contudo, não desiste da irmã nem quando sua vida está em risco. Novamente, a Disney nos recorda que o amor nos transforma. Com a irmã do seu lado, Elsa consegue dominar o seu "toque gelado" e governar Arendelle, usando seus poderes para o bem comum.

10. Moana: Um Mar de Aventuras (2016)

Moana: Um Mar de Aventuras é o filme mais recente desta lista e também um dos que você não pode deixar de assistir. O longa de animação conta a história de uma adolescente, Moana, a filha do chefe de uma tribo motunui que embarca numa grande viagem para proteger o seu povo.

Passada nas ilhas da Polinésia, a narrativa se inspira em elementos da cultura maori, principalmente a mitologia, contando com o semideus Maui como um dos personagens principais. O destino da protagonista começa a ser traçado ainda na infância, quando a menina encontra uma estranha relíquia no mar.

Trata-se do coração de Te Fiti, a deusa criadora de toda a vida, que Maui roubou e entregou aos humanos para cair nas suas graças. A pedra acabou se perdendo nas águas e a deusa amaldiçoou toda a ilha durante séculos, fazendo surgir um monstro de lava.

Já adolescente, Moana sonha em sair da ilha e explorar o mundo mas é reprimida pelo pai, que alega que o seu dever é permanecer ali e cuidar da sua terra.

Quando o peixe deixa de aparecer nas águas e a fruta começa a estragar, a jovem pega uma pequena embarcação e desobedece o pai, partindo em busca de comida. Depois de se arriscar no mar perigoso, encontra a avó, que lhe conta a história de seu povo e a maldição lançada sobre ele. Sábia, ela entrega um barco à neta e anunciar que ela deve devolver o colar para quebrar o feitiço.

Assim, Moana parte em busca de Maui, já que precisa da sua ajuda para devolver a relíquia a Te Fiti. O semideus é uma das personagens mais carismáticas do universo Disney, com um ego ainda maior que o seu corpo musculado. A princípio seu comportamento é reprovável, já que rouba o barco e se recusa a procurar a deusa, porque tem medo.

Aos poucos, contudo, a parceria e a amizade entre os dois vai aumentando. Através de Maui, ficamos conhecendo a responsabilidade que recai sob os escolhidos pelos deuses e a pressão que sentem em satisfazer os humanos. Assim, é impossível não simpatizarmos com o personagem, que acompanha a protagonista na sua jornada.

Quando enfrentam Te Ka, o monstro de lava, o anzol mágico do semideus se quebra e ele fica zangado, abandonando a garota no mar. Por momentos, ela chega a desistir mas vê o espírito da sua avó, lembrando de quem ela é e qual o seu dever. Graças a isso, Moana insiste na sua missão e tem sucesso.

Moana devolvendo o coração da deusa.
Moana devolvendo o coração da deusa.

Maui se arrepende e regressa para ajudá-la. Ao devolver a pedra sagrada, Moana percebe que Te Ka era, na verdade, a deusa enfurecida. Com o coração de volta, Te Fiti regressa ao seu estado harmonioso e a vida na ilha floresce de novo.

Uma verdadeira heroína, a protagonista assume a liderança da tribo, mas altera o seu estilo de vida: começam a ser exploradores e a viajar pelas águas.

Moana nos ensina que não podemos temer o desconhecido, precisamos ter fé em nós mesmos e avançar com coragem, mesmo diante dos maiores obstáculos. Como ela mesmo afirma, na canção mais famosa do filme:

O horizonte me pede pra ir tão longe
Será que eu vou? Ninguém tentou
Se as ondas abrirem pra mim de verdade
Um dia eu vou saber quem sou

Cultura Genial no Spotify

Uma das características mais marcantes dos filmes da Disney são seus números musicais e trilhas sonoras inesquecíveis. Alguns destes temas continuam guardados numa gavetinha da nossa memória, mesmo depois de anos.

Ficou com saudades? Então escute os maiores sucessos nessa playlist que fizemos para você.

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Carolina Marcello
Carolina Marcello
Mestre em Estudos Literários, Culturais e Interartes (2014) e licenciada em Estudos Portugueses e Lusófonos (2011) pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto.